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Controle da Verminose: menos vale mais

POR CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

PRODUÇÃO

EM 14/05/2009

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No Estado de São Paulo, os Institutos de Zootecnia e Biológico e outras Unidades de Pesquisa pertencentes à APTA (Agência Paulista de Tecnologia de Agronegócios) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, juntamente com a Embrapa Pecuária Sudeste, se uniram para realizar um trabalho cujo objetivo principal é conhecer o estado atual da resistência dos vermes a produtos que usamos para combatê-los, os vermífugos. Cinco grupos químicos de vermífugos estão sendo avaliados: albendazol, levamisol, ivermectina, moxidectina e closantel.

A avaliação deverá ser efetuada em pelo menos 38 propriedades em diferentes regiões do estado. O projeto envolve pesquisadores situados em diferentes regiões, com o objetivo de formar uma rede de pesquisadores na área de sanidade de ovinos.

Participam do trabalho os seguintes pesquisadores:



A pesquisadora Simone Méo Niciura, da Embrapa, será responsável pelo estudo da genética dos vermes. O objetivo é estabelecer um diagnóstico precoce da resistência, através da avaliação da distribuição populacional dos genes relacionados com a resistência dos vermes aos produtos químicos, especialmente em relação ao grupo dos albendazoles, cujo gene da resistência já é bem conhecido.

Testes a campo já vêm sendo efetuados, e os resultados até o momento não são nada animadores (como já era esperado), já que o uso indiscriminado de vermífugos é o principal fator que leva ao aparecimento da resistência.

O Prof. Marcelo Beltrão Molento, da Universidade Federal do Paraná, também participa deste trabalho, atuando principalmente como consultor. Ele tem alertado os produtores de ovinos de todo o país em suas palestras, cursos e artigos técnicos sobre o problema da resistência. É um defensor do tratamento seletivo do rebanho, como o método Famacha de avaliação da mucosa ocular, como forma de avaliar se o animal deve ou não ser vermifugado. Em minhas palestras e cursos também tenho divulgado o método, e enfatizado a importância da alimentação e da resistência genética do animal à verminose, como forma de controle.

Neste trabalho que estamos realizando, tenho chegado, cada vez mais, à conclusão que, em relação ao controle da verminose, menos vale mais. Ou seja, quanto menos vermífugo se utiliza em uma criação, melhor é para todo o sistema. Principalmente porque se preserva por mais tempo a eficácia de um vermífugo.

A primeira coisa que um técnico deve fazer quando dá assistência a uma propriedade é verificar a eficácia dos vermífugos que estão sendo utilizados. É muito comum o proprietário usar um produto (geralmente em todo o rebanho), que não está mais sendo eficaz. Ou seja, aplicar ou não dá na mesma, ou, até mesmo, acaba tendo efeito contrário ao desejado, aumentando muito a produção de ovos, como se fosse uma "vitamina" para o verme, e não uma substância para mata-lo. Durante a realização deste trabalho estou confirmando alguns resultados que já havia observado em uma propriedade. Com o uso freqüente do vermífugo, e em toda a população, ocorre o seguinte:

- Diminuição rápida, às vezes em menos de um ano, da eficácia do vermífugo, que pode ser acompanhada de aumento no OPG (contagem de ovos por grama de fezes), o que resulta em aumento na infestação das pastagens;
- Aumento da proporção de Haemonchus contortus (o verme que mata por anemia) nas coproculturas (cultura das fezes, utilizada para recuperar as larvas e identificar os gêneros presentes). Geralmente, Haemonchus contortus é quem mais sobrevive às vermifugações. Outros vermes menos patogênicos, tais como Cooperia, Strongyloides, ou Oesophagostomum, geralmente desaparecem quando se utiliza muito vermífugo.

A combinação desses dois fatores (aumento na infestação por Haemonchus contortus), geralmente causa muitos prejuízos ao produtor.

Para a realização deste trabalho, é necessário que os animais estejam com OPG positivo, ou seja, que tenham pelo menos mais de 4 ovos na câmara de MacMaster (câmara especial, onde se contam os ovos de helmintos e oocistos de Eimeria). Em algumas propriedades ainda não foi possível realizar o trabalho porque a maioria tinha OPG = zero, ou muito próximo disso. Veja alguns exemplos encontrados em propriedades onde o trabalho já foi realizado (Tabela 1) e onde ainda não foi (Tabela 2).

Tabela 1 - Resultados obtidos em propriedades onde o experimento já foi realizado.

* A porcentagem de redução do OPG foi calculada pelo programa RESO, que calcula a redução com base em um grupo controle não vermifugado.

Tabela 2 - Propriedades que utilizam pouco vermífugo, onde o trabalho ainda não foi realizado.


A eficácia do vermífugo pode ser facilmente verificada por meio da fórmula:

% Ef = (média OPG antes - média OPG depois) / média OPG antes x 100,

onde: OPG antes é a média que as ovelhas tinham no dia da aplicação do vermífugo, e OPG depois é a média dos mesmos animais, preferencialmente, cerca de 10 dias depois. Para ser considerado eficaz, o vermífugo deve ter pelo menos 90% de eficácia. Abaixo desse valor, significa que já pode estar havendo resistência.

Outras formas de controle alternativo da verminose, além do controle seletivo, como forma de diminuir o uso dos vermífugos no rebanho vêm sendo estudadas, tais como a fitoterapia e uso de fungos nematófagos, e logo estarão disponíveis ao produtor rural.
O medicamento homeopático Sulphur 30CH tem sido utilizado com sucesso no controle da verminose em criatórios da raça Santa Inês na Bahia.

A alimentação adequada às categorias mais exigentes, como fêmeas no final da gestação e durante a lactação, e cordeiros, principalmente em relação ao teor de proteína bruta da dieta, também colabora no controle da verminose porque aumenta a resposta do sistema imune dos animais, e, conseqüentemente, diminui a infestação.

Deve-se sempre lembrar que a resistência dos animais à verminose é uma característica genética e hereditária, ou seja, passa através das gerações. Isso significa que ao utilizarmos um reprodutor(a) resistente, este passará essa característica às futuras gerações, e o mesmo acontece com a suscetibilidade. Então se, por azar, utilizamos um reprodutor suscetível, este passará essa característica (suscetibilidade à verminose) à maioria dos seus descendentes, podendo inviabilizar uma produção sustentável, a pasto. Com o problema atual da resistência dos helmintos aos anti-helmínticos, cada vez mais uma realidade presente nas criações ovinas, essa opção (animal resistente à verminose) torna-se cada vez mais importante em um programa de seleção de qualquer raça criada em nosso país, que apresenta condições tão favoráveis ao desenvolvimento e sobrevivência de Haemonchus contortus, o mais prevalente e patogênico nematóide gastrintestinal.

CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

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SILVIA ARBEX

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/07/2016

Qual  a eficiencia de um vermifugo de cocho, misturado ao sal ou ração? Qual a eficiencia do tetramin para ovinos? Este tipo de tratamento cria resistencia também?
CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 28/10/2013

Prezado Gledson, o melhor vermífugo é aquele que dá a maior eficácia, e esta eficácia só é possível de ser avaliada por meio do exame das fezes (OPG) dos animais que receberam o produto, feito até 14 dias após a sua aplicação.
JORGE GLEDSON

SANTO ANTÔNIO DE JESUS - BAHIA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 21/10/2013

Qual o melhor vermífugo se falando de caprinos? Qual que tem o melhor resultado em determinado dias de tratamento?
CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 27/05/2010

Prezada Cynthia,
obrigada pela oportunidade de comunicar a data do IV CURSO CONTROLE DA VERMINOSE EM PEQUENOS RUMINANTES, que será realizado:

Local: Auditório da APTA Médio Paranapanema, Rodovia SP-333 (Assis-Marília), km 397, Assis, SP.

Período de realização: 03 de julho de 2010 (sábado)

<b>Programação:</b>

8h - 8h30min - Inscrições e recebimento de material;

8h30min - 8h40min - Abertura;

8h40min - 9h - Panorama da ovinocultura no Médio Paranapanema;

9h - Introdução
O problema da resistência anti-helmíntica
Teste de eficácia de anti-helmínticos
Método Famacha© - controle seletivo da verminose em ovinos e caprinos;

10h - 10h15min - Intervalo
Ciclo e principais vermes dos ovinos
Outros parasitos de importância na ovinocultura
Manejo, genética e alimentação no controle da verminose

12h - Intervalo para Almoço

13h30min - Início
Anti-helmínticos
Interpretação do exame de fezes
Quando usar o vermífugo no rebanho?
Alternativas ao uso de anti-helmínticos (homeopatia, fitoterapia e fungos nematófagos)

14h30min - Aula prática
Método Famacha© de avaliação da mucosa ocular, avaliação da condição corporal, dentição, colheita das fezes para o exame.

16h30min - Encerramento

Contato e inscrições: cdvale@femanet.com.br; e telefones: (18) 3321-1663 e 3321-2026.

Vagas limitadas

Quanto a aprender a fazer o exame de OPG, eu dou treinamentos avulsos, de 1 dia, no qual a pessoa executa o exame o dia todo. Para esse treinamento pode entrar em contato direto por telefone (19) 3466-9431 ou e-mail: cjverissimo@iz.sp.gov.br, que agendamos de acordo com nossas agendas.

Obrigada mais uma vez pela oportunidade,

Cecília José Veríssimo
Pesquisadora Instituto de Zootecnia (Apta, SAA-SP)
CYNTHIA COLOMBO

OCAUÇU - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 27/05/2010

Prezada Dra. Cecília José Veríssimo,

Gostaria de obter informações sobre as próximas datas de cursos sobre controle de verminose em pequenos ruminantes, tanto na unidade de Nova Odessa como na região de Assis-Marília.

Estive na FEINCO 2010 e falei com a equipe do IZ presente, que me informou que este ano ainda, na unidade de Assis-Marília, haverá um curso, mas não souberam precisar a data.

Tenho um pequeno rebanho de ovinos e já aplico o método FAMACHA. Gostaria também de aprender a contagem de ovos OPG. Tenho curso técnico de auxiliar de veterinária e de técnico de agropecuária, além de ser auxiliar de enfermagem.

Disponho de um microscópio pequeno, com aumento de 150 x. Será o suficiente para praticar OPG?

Tenho lido várias matérias sobre o assunto, como coletar, preparar a solução salina saturada, misturar, etc., mas gostaria de fazer o curso.

Grata pela atenção.

CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 17/08/2009

Caro Sr. Sergio Fabio do Prado,

este será tema de uma palestra minha no dia 26 de setembro, em um Dia de Campo que acontecerá na propriedade de Wilson Sega (Fazenda 3 Rios), no município de Bofete, SP.

Este assunto não é minha especialidade, mas farei uma revisão para poder construir a minha palestra, de modo que assim que tiver mais dados, e atualizados, farei uma publicação específica sobre o assunto.

Posso adiantar que a(s) bactéria(s) que infectam o casco são anaeróbicas (a que o Sr. comentou e a Dichelobacter nodosus), ou seja, vivem com pouco ou nenhum ar, e costumam viver por pouco tempo (14 dias) no solo. Então, uma prática q se pode efetuar para diminuir a infecção dos animais é passá-los sempre em uma solução de pedilúvio (com sulfato de zinco 5%, sulfato de cobre 5-10%, formol, ou sol. com um produto à base de iodo, ou sol. de amônia quaternária), antes de incluí-los em um pasto novo.

Deixar o novo piquete em descanso por um período de, pelo menos, 14 dias antes de receber os animais (quanto mais tempo de descanso, melhor).

O pedilúvio com formol é indicado após o casqueamento, pois endurece muito o casco, e, se fizer depois, fica muito difícil aparar o casco dos animais.

Deve-se ter atenção ao aparecimento de bicheiras no casco em função do foot rot, pois é comum a bicheira, principalmente na pele entre os cascos.

Para quem ainda não tem o problema na propriedade, é muito importante o pedilúvio a animais recém-adquiridos (durante o período de quarentena) para não espalhar a(s) bactéria(s). A doença é muito contagiosa, e quem introduziu na propriedade sabe do que eu estou falando... (o importante é não deixar ela entrar na propriedade!)

O tratamento de animais com casos graves e crônicos pode ser feito com antibióticos (procure o seu veterinário!).
SERGIO FABIO DO PRADO

INDAIATUBA - SÃO PAULO

EM 17/08/2009

Solicito informações sobre pododermatite (foot-rot ou manqueira). A causa é provocada somente pelo bacilo Sphaerophorus necrophorus ou existem outros agentes? Penso que minha pastagem está muito infectada e gostaria de saber de algumas medidas de profilaxia.
Obrigado.
Sérgio.
DAIR BICUDO PIAI

PIRACICABA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 31/05/2009

Parabéns Cecília por seu ótimo artigo.

Após sua visita em minha criação de ovinos, venho diminuindo muito a aplicação de vermífugos. Com o pastejo rotacionado e aplicação mais criteriosa de vermífugo, estou tendo uma redução de custos, e acredito que o rebanho está mais saudável até.

Um abraço

Dair Bicudo Piai
ACOPI
Associação dos Caprino-ovinocultores de Piracicaba e Região
EDUARDO AMATO BERNHARD

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL

EM 25/05/2009

Prezada Dra. Cecília,

Parabéns pelo excelente trabalho, que temos acompanhado de perto.

Vale lembrar, em relação ao rodízio de potreiros, o cuidado que temos que ter para não estarmos selecionando os vermes resistentes. Por isso, quando dosificamos o rebanho, não devemos passá-los imediatamente a um potreiro limpo.

Sobre o método FAMACHA, ao meu ver, sua principal e fundamental função está na identificação dos animais sensíveis à verminose, que normalmente são em torno de 5% do rebanho. Sendo identificados, estes animais deverão ser gradualmente eliminados do rebanho.

Outro ponto importante e bastante caracterizado no trabalho, é que diferentes propriedades possuem diferentes graus de resistências às moléculas existentes, devendo o criador estar atento àquelas que realmente possuem alguma eficácia em seu rebanho. Muito cuidado também ao fazer o rodízio de vermífugos, não trocarmos apenas o nome comercial e sim o princípio ativo e a família do vermífugo, que ocorre comunmente em nosso meio, devido à grande quantidade de laboratórios.
MÁRCIA CRISTINA DE SENA OLIVEIRA

OUTRO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 22/05/2009

A redução no uso de vermífugos em ovinos é realmente inevitável. Sabemos que para manter a produtividade do rebanho, temos que considerar também outros aspectos muito importantes para a saúde dos animais: os nutricionais, aqueles relacionados ao tipo de pastagem, rotação de piquetes, bem estar e resistência genética do hospedeiro. Alguns resultados obtidos na Embrapa em São Carlos estão gratuitamente no link: http://www.cppse.embrapa.br/080servicos/070publicacaogratuita/boletim-de-pesquisa-desenvolvimento/Boletim17.pdf/view
CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 21/05/2009

Caro Gustavo M. Martins,

Quanto ao rodízio, recomenda-se que os ovinos não fiquem mais de 7 dias no mesmo piquete a fim de não se recontaminarem no mesmo ciclo de pastejo.

Quanto ao animal a rotacionar com ovinos, dê preferência a bovinos adultos, que são mais resistente à verminose (e de preferência Bos indicus ou cruzados).

A primeira categoria a entrar em uma pastagem com muitas folhas deve ser aquela mais sensível à verminose (fêmeas no final da gestação ou em lactação, ou cordeiros desmamados e em crescimento).

Pelo que estou vendo vc ainda é produtor de leite? No caso para quem tem as vacas de leite como prioridade, pode entrar com elas no piquete e utilizar as ovelhas secas ou em gestação (mas não no final da gestação) para acabar de baixar o pasto. Pode ser até junto das vacas secas!

O único cuidado na criação de bovinos e ovinos juntos é quanto ao sal mineral, que no caso dos bovinos contém uma quantidade de cobre que pode intoxicar os ovinos. Portanto, ovinos não devem ter acesso aos cochos de sal de bovinos, e isso, na pastagem conjunta, pode se tornar um problema!
GUSTAVO MAXIMO MARTINS

JACAREÍ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/05/2009

Dra. Cecília,

Obrigado pelas excelentes informações prestadas.
Quanto ao rodízio e pastagens e quanto ao rodizio com outras espécies animais, quais informações poderia nos passar? De quanto em quanto tempo seria o ideal para fazer o rotacionado? quais especies rotacionar com os carneiros? qual categoria que devemos colocar antes em um pasto depois de um descanso de aproximadamente 25 - 30 dias?
Obrigado,
Gustavo
CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 19/05/2009

Prezado Aldo Ferreira Santos,

como vc leu no meu artigo, a minha opinião (que já era essa e está ficando cada vez mais forte), é quanto menos vermífugo, melhor.

Então, eu é que pergunto a você:

1) Você está acompanhando o OPG dos animais para saber da necessidade ou não dessas 3 vermifugações?

2) Você ou o técnico que lhe dá assistência está acompanhando a eficácia do vermífugo que vcs estão utilizando para ver se está, de fato, diminuindo o OPG do seu rebanho?

Se vc não pode me responder essas questões básicas para a vermifugação de animais, eu não vou poder lhe responder corretamente.

Eu só vou lhe dizer uma coisa que é certo: geralmente, a estação de monta em nosso país acontece nos meses quentes do ano, que geralmente têm pasto (comida), e as ovelhas quando estão secas encontram-se, geralmente, com OPG baixo, pois não há influência dos hormônios da gestação/lactação.

Então, sinceramente, mesmo que seus animais sejam de raças lanadas, mais suscetíveis à verminose do que as raças nacionais, eu estou achando muito exageradas essas vermifugações. Procure responder às minhas perguntas e depois consulte o técnico que lhe dá assistência para verificar as reais necessidades de vermifugação do seu rebanho.
CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 19/05/2009

Prezado Gustavo Maximo Martins,

O método Famacha foi idealizado por pesquisadores da África do Sul, onde existe Haemonchus contortus, e onde este verme também está ficando resistente a tudo quanto é vermífugo.

Eles imaginaram uma forma de não vermifugar todos os animais ao mesmo tempo, já que nem todo animal que possui vermes dentro de si está ou vai ficar doente por causa disso.

Então, o método prevê a vermifugação de animais que estejam anêmicos ou pré-anêmicos, por meio de uma cartela de cores, que varia de 1 muito vermelha, a 5 muito branca (anêmica), que corresponde à coloração da mucosa ocular, e cada coloração a um nível do hematócrito (medida da quantidade de hemácias, células sanguíneas que carregam o oxigênio para as células, e que são responsáveis pela coloração vermelha de nosso sangue). A partir do grau Famacha 3 (coloração da mucosa rosa) já se indica vermifugar o animal.

Para que não haja perdas, é necessário que todo o rebanho seja avaliado (mucosa) a cada 15 dias, podendo, em épocas favoráveis ao Haemonchus, como o verão chuvoso, passá-los a cada 7-10 dias.

No entanto, fica a ressalva, de que nem sempre os animais estão somente com Haemonchus. Eles podem estar com outros vermes que não causam sintomas de anemia, mas causam outros sintomas, como por exemplo, diarréia, pêlos foscos e sem brilho, e que igualmente causam emagrecimento. Então, quando passar os animais no tronco, observar não só a mucosa dos animais, como também sua condição corporal (observar se está magro), o estado dos pêlos, e a presença de diarréia, e também vermifugar estes animais.

Uma das grandes vantagens do método Famacha, no meu ponto de vista, é que o rebanho fica muito mais bem controlado sanitáriamente, já que algumas doenças podem ser diagnosticadas rapidamente, tais como "footrot", bicheiras, linfadenite, ectima contagioso, mastites, etc. Todas essas doenças podem ser diagnosticadas quando o rebanho vem ao tronco, e daí vc trata logo e os problemas no restante do rebanho diminuem, além de reduzir a mortalidade dos animais.

O efeito mais poderoso do método é reduzir a mortalidade, principalmente devido à verminose, pois você trata os animais antes de eles chegarem ao ponto da anemia estar tão grave (mucosa ocular branca, grau Famacha 5), na qual a reversão desse estágio de anemia é muito mais complicado, geralmente levando-o à morte.

Alguns casos muito graves de anemia temos conseguido uma reversão rápida da mucosa clara para vermelha com a suplementação do animal com vitamina B12 injetável por 3 dias seguidos com aplicações, de acordo com a bula, a cada 48 horas. E fica claro que o animal deverá ser retirado do pasto (porque quase sempre não tem sequer forças para se alimentar e pastar) e receber uma alimentação no cocho rica em proteína bruta e volumoso de boa qualidade.
ALDO FERREIRA SANTOS

SENADOR TEOTONIO VILELA - ALAGOAS - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 19/05/2009

Parabéns pessoal pelo o trabalho de vocês!

É correto vermifugar as fêmeas de duas a três vezes antes do início da estação de monta? ou é muito custo?

Obrigado até mais.
GUSTAVO MAXIMO MARTINS

JACAREÍ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/05/2009

Boa noite Dra. Cecília,
poderia nos falar mais sobre o método FAMACHA?
Obrigado
CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 18/05/2009

Caro Gustavo Maximo Martins, a resposta é sim, esses e os outros vermífugos, na propriedade 1, com excessão do vermífugo à base de levamisole, que teve 91% de eficácia, não tiveram efeito algum, e os animais que receberam a ivermectina e o albendazole tiveram o OPG aumentado em relação ao grupo que não recebeu nenhum produto (controle).
GUSTAVO MAXIMO MARTINS

JACAREÍ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/05/2009

Boa tarde,

Nas tabelas acima, na propriedade 1, tanto ivermectina quanto albendazole, apresentaram números negativos na redução de opg, assim, não tiveram efeito algum? A resistência a estes princípios ativos já está instalada?
Obrigado
CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 15/05/2009

Esqueci de um pequeno, mas importantíssimo detalhe para dizer ao Sr. Gláucio José Araujo Vaz, em caprinos, ao expor a mucosa ocular para avaliação do método Famacha, deve-se aguardar 8 segundos para realizar a leitura, uma vez que se deve dar um tempo para haver o preenchimento do sangue na mucosa ocular.

O método Famacha deverá ser utilizado por uma pessoa treinada. Procure fazer um curso sobre o método aí na sua região. O método é muito fácil de ser efetuado, mas tem os seus macetes.

Em julho, dia 02, vou realizar um curso sobre Controle da verminose em pequenos ruminantes em uma Institutição de Pesquisa da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, em Itapetiniga, SP. Informações sobre este curso, onde o método será abordado, inclusive com aula prática, podem ser obtidas no fones: (15) 3272-4354 e 3392-4347
E em julho, dia 06, será a vez de um Treinamento em exame de fezes (OPG) em Nova Odessa, SP (somente para técnicos), informações (19) 3466-9431.

O professor Amarante, especialista em verminose de pequenos ruminantes, também está oferecendo um curso de controle da verminose.
CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 15/05/2009

Prezado Gláucio José Araujo Vaz, na relação hospedeiro - parasita, teremos sempre, para qualquer espécie de hospedeiro e para qualquer espécie de parasita, uma pequena parcela da população de hospedeiro (no nosso caso os ovinos) com a maioria da população de parasitas (no nosso caso, vermes).

Então, se conseguirmos identificar quem são os ovinos suscetíveis dentro da população, poderemos, ao eliminá-los, estarmos favorecendo toda a população, pois a infestação das pastagens diminuirá, já que foram eliminados os indivíduos que mais deixam ovos de vermes nas fezes.

Como reconhecer um ovino sensível à verminose?

Simples, basta fazer o que o Marcos Barbosa está fazendo: efetuar o método conhecido como Famacha, de avaliação da mucosa ocular como forma de avaliar se o animal precisa ou não ser vermifugado, e ANOTAR os animais que estão sendo vermifugados, para, se houver reincidência (4-8 necessidades de vermifugação/ano), ou seja, a constatação que se trata de um indivíduo suscetível à verminose, descartá-lo do rebanho.

Além disso, deve-se manejar os animais corretamente nos piquetes, diminuindo o tempo de pastejo em um piquete a fim de evitar a recontaminação dos animais no mesmo ciclo de pastejo, como citou o Marcos, e providenciar uma alimentação adequada a cada categoria animal. As categorias cordeiros jovens e fêmeas no chamado período periparto (final da gestação e durante a lactação) são mais suscetíveis à verminose e precisam de uma alimentação adequada em proteína bruta, PB (pelo menos 15% de PB na dieta).

Quando se levar os animais ao tronco para avaliá-los em relação à mucosa, deve-se observar também o estado corporal do animal (se está magro), a condição do pelame (com pêlos sem brilho e caindo, ou com a lâ solta), e a presença de diarréia. Esses são sintomas geralmente relacionados mais à presença de outros vermes que não o Haemonchus e que são menos letais, mas causam prejuízos aos animais que os albergam e ao rebanho, pois, certamente, esses animais devem estar com OPG (número de ovos nas fezes) elevado, contaminando os pastos com mais vermes, e podem estar com a coloração da mucosa normal.

Outra forma de avaliar a resistência dos animais é através do exame de fezes (contagem de ovos por grama de fezes, OPG). Os animais resistentes deverão estar com o OPG = zero ou próximo desse valor. Já, os animais suscetíveis devem ter OPG maior que 2.000. Para realizar esse exame, procure um médico veterinário especializado em ovinos ou uma faculdade de veterinária ou instituto de pesquisa, como o IZ ou o Instituto Biológico, em São Paulo. Nós aqui oferecemos este serviço.