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Conhecendo um pouco sobre clostrídios em volumosos conservados

POR RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

E THIAGO FERNANDES BERNARDES

PRODUÇÃO

EM 27/04/2010

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Clostrídios são bactérias em forma de haste, Gram-positivas, esporuladas, geralmente móveis, que crescem sob condições de estrita anaerobiose e fermentam açúcares, ácidos orgânicos ou proteínas (Tabela 1). Elas podem ser divididas em dois principais grupos, baseados pela preferência por determinado substrato:

-Clostridia saccharolytica, por exemplo, Clostridium butyricum - fermentam principalmente açúcares e ácidos orgânicos, e possuem pequena atividade contra proteínas ou aminoácidos.
-Clostridia proteolytica, por exemplo, Clostridium sporogenes - fermentam principalmente aminoácidos.

Alguns clostrídios possuem os dois tipos de atividade, como é o caso do Clostridium perfringens (wechii).

Tabela 1. Clostrídios de importância durante o processo de ensilagem.



Fontes e desenvolvimento do clostrídio

Além de sua presença em silagens, clostrídios também ocorrem em fezes e no solo. O crescimento desses microrganismos é estimulado por armazenamento em altas temperaturas, baixo conteúdo de matéria seca (MS), pouca quantidade de carboidratos solúveis em água, elevada capacidade tamponante da cultura e fechamento tardio do silo.

Dois principais fatores operam suprimindo o crescimento do clostrídio durante a ensilagem. Primeiramente, o ótimo pH para seu crescimento é de 7,0 a 7,4, não tolerando condições ácidas. Segundo, os clostrídios preferem as condições úmidas para sua atividade de crescimento, e se o produto colhido estiver emurchecido, com níveis de MS acima de 30%, sua atividade será normalmente restrita.

A influência da temperatura no crescimento de clostrídios é complexa. Na prática, altas temperaturas no silo são, na maior parte, resultado da excessiva oxidação dos açúcares, consequentemente gerando sua redução na fermentação do substrato para o crescimento das bactérias ácido láticas. Em geral, altas temperaturas no silo favorecem o crescimento de clostrídios.

Fermentação de açúcares e ácido lático

Glicose e frutose são fermentadas pelos clostrídios na silagem (Figura 1), mas C. bifermentans, C. sporogens e C. tyrobutyricum possuem limitada habilidade para fermentar outros carboidratos. Algumas espécies como C. tyrobutyricum, fermentam somente lactato na presença de acetato. Isso é considerado como uma oxidação do lactato para acetato e CO2, acompanhado por uma condensação redutiva do acetato para butirato. Deve ser notado que nem todos os clostrídios sacarolíticos produzem butirato. Por exemplo, C. sphenoides fermenta glicose para etanol, acetato, CO2, hidrogênio e pequenas quantidades de lactato.

Clostrídios são normalmente considerados responsáveis pela a produção de ácido butírico, mas muitos outros organismos, como leveduras e Bacillus spp., também o produzem em pequenas quantidades.

Figura 1. Fermentação da glicose e lactato pelo clostrídio



Fermentação de compostos nitrogenados

O clostrídio proteolítico pode degradar seletivamente muitos aminoácidos. A maioria dos mecanismos mais difundidos do catabolismo dos aminoácidos é a fermentação de pares de aminoácidos (reação de Stickland), onde um deles atua como elétron doador e o outro como receptor. A maioria dos aminoácidos atua como doador ou receptor, mas somente a tirosina possui os dois papéis.

Os aminoácidos oxidados são convertidos em ácidos graxos com menos um átomo de carbono do que no composto original, ao mesmo tempo em que a redução dos aminoácidos forma um ácido graxo com o mesmo número de átomos de carbono. Em ambas as partes da reação, exceto com a prolina, amônia é liberada.

Tabela 2. Catabolismo dos aminoácidos e amidas pelo clostridio proteolítico



De maneira geral, no processo de conservação de forragens o foco deve ser não permitir desenvolvimento dessa bactéria. Para tanto, a estratégia sempre será ensilar a planta no teor adequado de matéria seca e respeitar a particularidade de cada cultura. Por exemplo, em capins tropicais as chances de desenvolvimento de clostrídios são maiores, em função principalmente do elevado teor de umidade e proteína.

Outra particularidade que tem despertado interesse da comunidade científica é a presença dessas bactérias em silagem de cana-de-açúcar aditivadas com cal virgem. Alguns trabalhos encontraram ácido butírico em valores elevados nessas silagens, porém nenhum estudo para investigar a presença dessas bactérias foi conduzido.

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

THIAGO FERNANDES BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

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REINALDO VERRONE

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 13/01/2012

Boa Tarde

Trabalho fazendo sanitização em salas de produção no qual um de meus clientes este tipo de bactéria, qual seria a saída ou sugestão para eu elimina-las???

Aguardo sua sugestão em meu email o quanto antes (reinaldoverrone@uol.com.br).

Agradeço desde já.

Reinaldo
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 25/05/2010

Prezada LAÍS SANTANA,

Correto Laís.

Em capins tropicais o grande problema está na elevada umidade que o material a ser ensilado apresenta. Assim, uma forma de reduzir fermentações indesejáveis é elevar o teor de matéria seca, adicionando-se casca de soja ou polpa citrica.

No momento que o teor de MS se eleva, o processo fermentativo é beneficiado e a silagem apresenta aspectos visuais e olfativos agradáveis.

Atenciosamente

Rafael Amaral
LAÍS SANTANA

MARINGÁ - PARANÁ - ESTUDANTE

EM 21/05/2010

Rafael, em capins tropicais você disse que é mais fácil a presença desses clostrídios certo? O que você acha conveniente fazer para reduzir ao máximo a presença deles? É possível ter um controle apenas com admnistração do pH e temperatura?
GEORGE PASTOR RAMOS

JAGUAQUARA - BAHIA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/05/2010

Prezados Senhores,

Embora não tenha me aprofundado nos vários aspectos colocados no texto, ele exorta para o grande risco dos Clostridios, no sentido deles fermentarem, ou seja, usarem determinadas substâncias, açucares, proteinas, etc, para produzirem energia, e, consequentemente extragarem a silagem. Claro que devemos evoluir para conhecermos fermentação,etc, embora sem entrar nos mecanismos intrincados do metabolismo como um todo, mas dá para visualizarmos os aspectos principais.

As reações químicas apresentadas atendem a fins diversos. Primeiro mostra que as coisas não são tão simples. Depois,a través delas, pode-se controlar determinados problemas. Tudo isso é conhecimento, e é válido.

Paabéns!
EDISON FRANÇA VIEIRA

SANTA MARIA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 01/05/2010

Concordo com o que dizes, minha pegunta sobre o texto é de que se não teria sido mais interessante para o leitores em geral da apresentação das conclusões do trabalho,acompanhadas de recomendações para uso prático.Este é o meu reparo.
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 30/04/2010

Prezado Edison França Vieira,

Para uso prático ele é muito aplicável.


Mais o foco principal é dizer que existem volumosos que podem ter problemos com clostrídios e que aplicando alguns conhecimentos teóricos e levando-os para a prática, podemos controlar e prevenir prejuízos para o animal e para o bolso do produtor.

Atenciosamente

Rafael Amaral
EDISON FRANÇA VIEIRA

SANTA MARIA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/04/2010

O que aproveita deste texto para uso prático?