FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Conhecendo e escolhendo híbridos de milho para silagem

POR RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

E THIAGO FERNANDES BERNARDES

PRODUÇÃO

EM 02/10/2012

14
0
Com o início da primavera em nosso país, a observação natural é de elevação da temperatura ambiente e espera por precipitações pluviométricas. Estas características indicam que o tempo para o plantio do milho para silagem está chegando, ou já teve seu início como na região Sul do Brasil.

Gramínea da espécie Zea mays, o milho é uma planta que apresenta alta produtividade aliada a elevada qualidade nutricional, sendo uma cultura exigente em calor e umidade, com elevada resposta em intensa luminosidade.

A temperatura ótima para o desenvolvimento da cultura é de 25 a 30 oC, sendo que no período de germinação exige temperatura mínima de 10 oC. Entretanto, temperaturas elevadas (superiores a 24 oC no período noturno) contribuem para a redução da taxa fotossintética líquida pelo aumento da respiração, interferindo diretamente na produção.

A planta de milho exige precipitação mínima de 350 a 500 mm no verão, apresentando picos de demanda hídrica, sendo que o período de germinação, e o período que compreende os 15 dias que antecedem e que sucedem o florescimento, são considerados críticos.

Durante as etapas do desenvolvimento, é necessário que a planta de milho acumule quantidades distintas de energia térmica ou calor, designadas como unidades calóricas, térmicas ou graus dia (GD). Híbridos de milho de ciclo normal necessitam 890 a 1200 graus dia até o início da polinização (fase vegetativa) para o desenvolvimento adequado da planta, enquanto que materiais de ciclo precoce e superprecoce necessitam de 831-890 e 780-830 GD, respectivamente.

De forma geral, o ciclo da planta de milho envolve as seguintes etapas: 1) germinação e emergência (de 5 a 12 dias); 2) crescimento vegetativo, compreendido entre a emissão da segunda folha e o início do florescimento; 3) florescimento, da polinização ao início da frutificação (até 10 dias); 4) frutificação, desde a fecundação até o enchimento completo dos grãos (40 a 60 dias); 5) maturidade, entre o final da frutificação e o aparecimento da camada negra (Fancelli e Dourado Neto, 2000).

Durante o desenvolvimento do grão (fase 4), as células do endosperma são preenchidas gradativamente com carboidratos, em geral na forma de amido, com exceção da camada externa, onde predominam os depósitos de proteínas e enzimas (Brieger e Blumenschein, 1966).

O grão formado é composto de aproximadamente 73% de amido, 10% de proteína, 5% de óleo, sendo o restante (12%) composto por fibra, vitaminas e minerais. Pode ser dividido basicamente em três partes: pericarpo, gérmen e endosperma (Figura 1). O pericarpo compõe a camada mais externa, composta principalmente de celulose e hemicelulose, e representa 2% do grão (Zuber e Darrah, 1994). O gérmen, que corresponde a 8 a 10% do peso do grão, contém a informação genética para a propagação da planta de milho e 82,6% do óleo presente no grão, sendo o restante do óleo (15,4%) encontrado no endosperma (Watson, 1994).


Figura 1. Composição básica do grão de milho.

O endosperma é composto principalmente de grânulos de amido, cerca de 98%, encapsulados em uma matriz protéica, a qual é composta por glutelinas e zeínas, perfazendo 80 a 85% do peso do grão. O amido do grão é uma associação de dois polissacarídeos, amilopectina e amilose. A amilopectina perfaz 70 a 80% do grânulo de amido, enquanto a amilose representa 20 a 30% do amido.

Uma das grandes dúvidas dos produtores está na escolha do híbrido de milho para a produção de silagem. Muitos questionamentos se têm em como escolher esse híbrido e quais parâmetros utilizar para a escolha do mesmo. Será que o híbrido de milho utilizado para produção de grãos é o mesmo para colheita para silagem? Será que devo escolher um híbrido de elevada produtividade? O que devo esperar da participação de grãos na planta? Estas e muitas outras são as perguntas que comumente encontramos no campo.

Um exemplo interessante e inteligente de se escolher o híbrido de milho a ser inserido na propriedade é buscar empresas idôneas que mostrem a qualidade de seu híbrido por meio de análises químicas e de produtividade. Parâmetros de interesse a serem avaliados em híbridos são: produção de matéria seca, valor nutritivo e digestibilidade. Um ponto interessante para avaliação é verificar a relação entre produção e digestibilidade da planta, podendo ser determinado pela produção de matéria seca digestível por hectare.

O conselho ao produtor é a busca de híbridos que sejam adaptados a sua região, geralmente o mesmo híbrido não desempenha de maneira semelhante em diferentes localidades. E vale a pena lembrar, para a planta desempenhar sua máxima produtividade, ela necessita de manejos culturais e que sua exigência nutricional seja suprida de forma adequada.

Referências bibliográficas

BRIEGER, F.G.; BLUMENSCHEIN, A. Botânica e origem do milho. In: Cultura e adubação do milho. São Paulo. Instituto Brasileiro de Potassa. 1966. Cap.3, p.81-107.
FANCELLI, A.L.; DOURADO NETO, D. Produção de milho. Guaíba. Agropecuária, 2000. 360p.
WATSON, S.A. Structure and composition. In: WATSON, S.A.; RAMSTAD, P.E. (Ed) Corn: Chemistry and technology. Minnesota: American Association of Cereal Chemists, 1994. Chap.2, p-53-82.
ZUBER, M.S.; DARRAH, L.L. Breeding, genetics and seed corn production. In: WATSON, S.A.; RAMSTAD, P.E. (Ed) Corn: Chemistry and technology. Minnesota: American Association of Cereal Chemists, 1994. Chap.2, p-31-51.

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

THIAGO FERNANDES BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

14

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

RODRIGO BORGES

ARAGUAÍNA - TOCANTINS - TRADER

EM 23/10/2012

Caro Rafael, esse é meu e-mail pessoal (rodriborges2003@hotmail.com) caso tenha algum material sobre plantio de milho para silagem com intuito de em seguida estabelecer mombaça na área, e que possa me auxiliar ficaria muito agradecido. De qual turma vc é de Jaboticabal? Me formei lá em 2001. Abraço.

Rodrigo Borges
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 22/10/2012

Prezado Rodrigo Borges,
Existem muitas informações sobre esse tema.
Por gentileza me envie seu email para eu enviar alguns arquivos que poderão auxiliá-lo.
Atenciosamente
Rafael Amaral
RODRIGO BORGES

ARAGUAÍNA - TOCANTINS - TRADER

EM 22/10/2012

Primeiramente parabéns pelos artigos. São muito esclarecedores! estamos iniciando uma reforma de pastagem com a utilização do milho que será destinado à produção de silagem. O local de implantação não possui pragas e é ocupado com braquiarão, porém iremos substituir por mombaça. Qual é a forma ideal de se fazer isso? A princípio estamos jogando 3 ton/ha de calcário. Após 60 dias iremos plantar o milho junto com o adubo, a semente de mombaça poderia ser inserida nesta fase do processo? junto com o milho? E quanto ao preparo do solo, posso somente aplicar 2 gradagens antes do plantio?

Obrigado.
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 15/10/2012

Prezado Renato,



Muito obrigado!



Abraços



Rafael & Thiago
RENATO GARCIA GAMA

ALEGRE - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/10/2012

Parabens pelo artigo, afinal essa e umas das primeiras etapas de grande importancia para a produção de uma boa silagem.

Atenciosamente,

Renato Gama
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 08/10/2012

Prezado Gustavo,



Algumas empresas possuem híbridos de milho dentados e semi dentados. Esse tipo de híbrido é bastante interessante com relação ao aumento de digestibilidade do amido presente no grão.

Por outro lado, esse tipo de híbrido, por ser menos vítreo é mais susceptível ao ataque de pragas, o que necessita de maiores cuidados com a lavoura no campo.

Nos países de clima temperado, o uso deste tipo de material genético é muito utilizado e muito bem aceito.



Atenciosamente



Rafael & Thiago
GUSTAVO SALVATI

PIRACICABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 06/10/2012

Boa tarde.

Complementando a pergunta do João, gostaria de saber o que se tem feito hoje no Brasil em melhoramento de híbridos de endosperma farináceo para silagem( Melhor digestibilidade de amido)? se existe híbridos disponíveis no mercado com melhor digestibilidade de amido?  E que comentasse um pouco sobre vitreosidade ? Desde já agradeço pela atenção e fico no aguardo da resposta.





Att,
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 05/10/2012

Prezado João,



Traremos algumas informações sobre esse tema nos próximos artigos.



Abraços



Rafael & Thiago
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 05/10/2012

Prezado Ricardo,



Informação boa!!!

Obrigado.



Atenciosamente



Rafael & Thiago
JOÃO LEMKE

SÃO LOURENÇO DO SUL - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/10/2012

muito interessante o artigo, gostaria que aprofundassem o assunto. comentassem sobre  grão duro ou macios para alimentção de ruminantes.
RICARDO BEFFART AIOLFI

SÃO DOMINGOS - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/10/2012

Parabéns pelo artigo!

Aqui na região oeste de Santa Catarina, o plantio iniciou no começo do mês de setembro. Várias áreas foram afetadas pela geada no dia 26 de setembro, contudo, por estar num estádio inicial de desenvolvimento, praticamente 100% das áreas estão rebrotando.
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 03/10/2012

Patrick,



Muito obrigado.

Espero que São Pedro nos ajude aqui no Sudeste também. Fiquei um pouco abalado no RS na semana passada que no Noroeste do estado, uma forte geada acabou com algumas roças com aproximadamente 30 dias de crescimento.



Abraços



Rafael e Thiago
PATRICK SCHMIDT

CURITIBA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 03/10/2012

Rafael e Thiago,



Parabéns pelo artigo, muito oportuno. Aqui no Paraná já iniciamos o plantio e São Pedro está ajudando.
GERALDO BENEDITO DE SOUZA ALMEIDA

ALFENAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 02/10/2012

Parabéns pelo artigo.