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Confinamento: desempenho pós desmame de cordeiros puros e cruzados Suffolk e Santa Inês - Parte II

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO

EM 01/11/2010

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Na primeira parte desse artigo (Confinamento: desempenho pré-desmame de cordeiros puros e cruzados Suffolk e Santa Inês - Parte I) discutimos o efeito da raça e do cruzamento sobre o desempenho de cordeiros durante a fase de lactação (do nascimento ao desmame). Nessa segunda parte do artigo, iremos discutir o efeito das raças Santa Inês e Suffolk e de seus cruzamentos sobre o desempenho dos cordeiros durante a fase de terminação (do desmame ao abate).

O trabalho foi realizado no Laboratório de Produção e Pesquisa de Ovinos e Caprinos (LAPOC), na Fazenda Experimental da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, e teve o objetivo de avaliar o desenvolvimento ponderal de cordeiros confinados resultantes dos seguintes cruzamentos:

(1) carneiro Suffolk e ovelhas Suffolk: cordeiros Suffolk;
(2) carneiro Suffolk e ovelhas Santa Inês: cordeiros Suffolk X Santa Inês;
(3) carneiro Santa Inês e ovelhas Suffolk: cordeiros Santa Inês X Suffolk;
(4) carneiro e ovelhas Santa Inês: cordeiros Santa Inês.

Manejo dos Animais

Em idade pré-estabelecida de 45 dias, os cordeiros foram desmamados, pesados e everminados pela primeira vez. Foram então confinados em baias coletivas de 6,3 m x 4,0 m, com piso ripado suspenso, até atingirem o peso vivo de abate. Os cordeiros foram pesados semanalmente após jejum sólido de 16 horas, para obtenção do ganho médio diário, tendo sido os mesmos retirados para abate com 30-32 kg de peso vivo.

A dieta fornecida "ad libitum" (à vontade) era composta por silagem de milho mais ração farelada (51 % milho grão moído, 30 % farelo de soja (45%), 15 % farelo de trigo, 0,5% sal comum, 1% suplemento mineral, 2,5% calcáreo calcítico e 20 mg/kg ração de monensina sódica), formulada de acordo com NRC (1985). Os animais eram alimentados duas vezes ao dia com sobra de 20% pra não restringir o consumo. A composição química dos alimentos encontra-se na TABELA 1.

Tabela 1 - Composição química (% na MS) dos alimentos utilizados no confinamento.



A diferença entre o ofertado e as sobras foi dividida pelo número de cordeiros presentes em cada grupo para se estimar o consumo médio de ração por cordeiro. Devido à não individualização dos animais, a conversão alimentar não foi calculada. O custo da ração foi calculado a partir dos preços dos ingredientes, no segundo semestre de 2010.

Resultados Obtidos

Os grupos foram semelhantes (P>0,05) quanto ao peso vivo ao abate, mantendo-se ao redor de 31 kg, uma vez que este foi pré-estabelecido como referência para o término da avaliação.

Tabela 2 - Médias estimadas e desvios-padrão para peso ao abate (PA), ganho médio diário pós desmame (GMD) e idade de abate (IA) dos cordeiros dos quatro grupos genéticos.



Os animais da raça Santa Inês apresentaram desempenho inferior no pós-desmame (0,231 kg/dia), o que resultou em maior número de dias em confinamento (85,7 dias) e superior idade de abate (134,1 dias), quando comparados com os cordeiros dos demais grupos genéticos. Os resultados obtidos no presente estudo estão em concordância com CUNHA et al. (2001) que afirmaram que em sistemas intensivos, os cordeiros Santa Inês apresentam desempenho inferior às tradicionais raças de corte.

Na TABELA 03, verifica-se correlação significativa (P<0,01) positiva (R=0,730) entre o ganho de peso no período pré e pós-desmame. Os cordeiros Suffolk e Santa Inês que tinham apresentado maior e menor ganho médio diário na fase pré-desmame, respectivamente, continuaram apresentando a mesma performance na fase pós-desmame. Destaca-se então a importância da lactação e a presença do sistema de alimentação em creep feeding resultando em melhor peso ao desmame e desempenho pós-desmame dos animais terminados em confinamento, conforme cita RIBEIRO (2006).

Tabela 3 - Coeficientes de correlação (R) entre peso das ovelhas ao parto (PPo), peso dos cordeiros ao desmame (PDc), peso das ovelhas ao desmame (PDo) e ganho médio de peso dos cordeiros pré (GMDpré) e pós-desmame (GMDpós) e respectivos níveis de significância (P).



O ganho médio diário observado durante o confinamento foi semelhante entre os cordeiros Suffolk (0,426 kg/dia), os cruzados Suffolk X Santa Inês (0,353 kg/dia) e os cruzados Santa Inês X Suffolk (0,386 kg/dia). Indica-se então a possibilidade de utilização dos cruzamentos estudados com resultados semelhantes ao da raça Suffolk, quanto ao desempenho pós-desmame. Os resultados obtidos neste trabalho confirmam o relatado na literatura (CARDELLINO, 1989) no sentido de que animais filhos de reprodutores de raças especializadas para carne apresentam maior velocidade de crescimento que aqueles de raças mais rústicas.

Com o aumento do peso ao desmame e superior desempenho após o desmame, houve redução no período de confinamento dos cordeiros da raça Suffolk e cruzados, o que levou à diminuição do custo com alimentação concentrada para terminação.

Não houve diferença no ganho pós desmame e idade de abate comparando-se entre si os cordeiros dos cruzamentos. Cordeiros resultantes dos cruzamentos apresentaram maior ganho médio diário após o desmame, com inferior idade de abate, do que os cordeiros puros Santa Inês, permanecendo menor tempo em confinamento. Pode-se inferir que a raça Suffolk nos cruzamentos com a raça Santa Inês exerceu influência sobre o desempenho dos animais no período pós-desmame, confirmando MACEDO et al.(1998). SANTOS et al. (2003) verificaram que o uso de reprodutores Suffolk sobre fêmeas Santa Inês diminuiu a idade de abate dos cordeiros em relação à raça materna, devido ao melhor desempenho dos mestiços no pré e pós-desmame, o que se confirmou neste estudo no período pós-desmame.

Esta diferença é explicada pelo maior potencial para ganho de peso da raça Suffolk, por ter sido raça selecionada para carne desde o século XVII (KENYON, 2006) e consequentemente apresentar maior velocidade de crescimento que a Santa Inês, de formação mais recente, conforme BARROS et al. (1999).

Os consumos médios da ração (MS) durante o confinamento foram iguais a 1,0; 0,940; 0,880 e 0,620 kg de ração/animal/dia, respectivamente, para os grupos genéticos Suffolk, Santa Inês x Suffolk, Suffolk x Santa Inês e Santa Inês. Considerando apenas o consumo de ração concentrada e o período em confinamento (32,7 dias; 42,3 dias; 50,9 dias; 85,7 dias em média para os quatro grupos, respectivamente) com o preço por kg de MS da ração (R$ 0,56), os custos médios diários, apenas com ração concentrada, foram R$ 18,37; R$ 22,27; R$ 25,08 e R$ 29,75, por cordeiro confinado após o desmame, indicando a importância da velocidade de crescimento para a economicidade do produtor. O cálculo objetivou apenas avaliar o custo da ração concentrada no confinamento, sem considerar todos os demais custos do sistema de produção, inclusive o consumo do volumoso. Sabe-se que o custo com a alimentação do rebanho pode atingir 60 % (SIQUEIRA et al., 2001) a 80% do total, sendo importante a redução de duração do ciclo de produção dos ovinos, com alcance do peso de abate o mais cedo possível.



Referências bibliográficas

BARROS, N.N.; FIGUEIREDO, E.A. P.; BARBIERE, M. Efeito do genótipo e da alimentação no desempenho de borregos de cruzamento industrial em confinamento. Revista Científica de Produção Animal, Brasília, v. 1, n. 1, p. 59-67, 1999.

CUNHA, E.A.; SANTOS, L.E.; BUENO, M.S.; et al. Utilização de carneiros de raças de corte para obtenção de cordeiros precoces para abate em plantéis produtores de lã. Revista Brasileira de Zootecnia, v.29, n.1, p. 243-252, 2001.

FERNANDES, M.A.M.; MONTEIRO, A.L.G.M.; BARROS, C.S.; et al. Desempenho de cordeiros puros e cruzados Suffolk e Santa Inês. Revista da FZVA, v.14, n.2, p. 207-216, 2007.

FURUSHO-GARCIA, I.F.; PEREZ, J.R.O.; BONAGURIO, S.; et al. Desempenho de cordeiros Santa Inês puros e cruzas Santa Inês com Texel, Ile de France e Bergamácia. Revista Brasileira de Zootecnia, Viçosa, v. 33, n. 6, p. 1591-1603, 2004.

MACHADO, R.; SIMPLICIO, A.A.; BARBIERI, M.E. Acasalamento entre ovelhas deslanadas e reprodutores especializados para corte: desempenho produtivo até a desmama. Revista Brasileira de Zootecnia, Viçosa, v. 28, n. 4, p. 706-712, 1999.

NRC. NATIONAL RESEARCH COUNCIL. Nutrient Requirements of sheep. Washington: National Academy Press, 1985.

RODA, D.S.; SANTOS, L.E.; OLIVEIRA, A.A.D.; et al. Crescimento ponderal de cordeiros deslanados Suffolk e cruzados deslanados x Suffolk. Boletim Indústria Animal, v.40, n.1, p.25-30, 1983.

SANTOS, L.E.; BUENO, M.S.; CUNHA, E.A.; et al. Desempenho e características de carcaças de cordeiros Santa Inês e cruzados com raças especializadas para corte. Ovinos Brasil Online.

MARIA ANGELA FERNANDES

Médica Veterinária pela UFPR
Doutoranda do Programa de Ciências Veterinárias da UFPR
Integrante do LAPOC - Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos da UFPR

ALDA LÚCIA GOMES MONTEIRO

Coordena o Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos (LAPOC) da UFPR

CARINA BARROS

Médica veterinária
Mestre em Ciências Veterinárias UFPR
Doutora em Nutrição e Produção Animal FMVZ-USP
Pós-doutorado FMVZ-USP
Atuação na avaliação econômica e modelagem

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JAIME DE OLIVEIRA FILHO

ITAPETININGA - SÃO PAULO - OVINOS/CAPRINOS

EM 03/10/2013

Licer as suas ovelhas estão com ectima contagiosa, vc deve:

1º - Separar os animais com o problema,se acaso todos estiverem com o problema separe os que estão mais afetados.

2º - Deve  retirar a casca que cobre o local afetado e passar Iodo 10% no local,pelo menos 2 a 3 vezes ao dia,até sumir os vestígios.

3º - Procurar desinfetar cochos,piso e divisórias com amonia quaternaria ou desinfetante semelhante de uso em leiterias, por várias vezes no mês.

4º - verificar se tiver alguma amamentando,os tetos pois se o cordeiro tiver infectado passa no teto.

5º  - Todo material (casquinha) que tirar dos animais,colocar em um recipiente com desinfetante e nunca jogar nas instalações pois são meios de contaminação.

6º - Existe vacinas desenvolvidas do material coletado de suas próprias ovelhas,procure um veterinário na região que possa orientá-lo.
ADOLFO CALDAS FREIRE JR

SALVADOR - BAHIA - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE CORTE

EM 03/10/2013

Licer Ramos veja algumas informações a respeito do que está acontecendo em sua propriedade. Isole IMEDIATAMENTE O ANIMAL ACOMETIDO COM BOQUEIRA para não contaminar todo seu rebanho.



- Ectima contagioso (Boqueira)

 Doença infecto-contagiosa causada por vírus, que se caracteriza

por vesículas e ferimentos ao redor da boca dos cabritos e cordeiros,

podendo atingir as tetas da cabra e ovelhas.



 A mortalidade de crias poderá ocorrer devido à infecção secundária

na boca, impossibilitando-as de mamar; bem como, nas

tetas das matrizes, causando-lhes dor e fazendo com que estas

não permitam que as crias mamem.

 Deve-se ter muito cuidado com a possibilidade de miíase (bicheira)

na boca das crias, devido à postura de ovos, pelas moscas,

na parte externa (da boca) de onde as larvas deslocam-se para o

interior da mesma. Nesses casos, nunca usar matabicheira spray

(azul); usar solução, a 25% de creolina veterinária e água.

 O tratamento consiste na desinfecção diária dos ferimentos da

boca das crias com solução de iodo a 10%.

ISOLAMENTO

Quando encontrar ou desconfiar que

algum animal esteja doente, faça logo o

isolamento do mesmo, para evitar a contaminação

do rebanho.

Atenção!

O animal só deve voltar para o rebanho

quando estiver totalmente curado.

 Outras doenças para as quais existem

vacinas são: boqueira, cegueira,

podridão dos cascos e doença da

urina do rato.

LICER RAMOS

SERRINHA - BAHIA

EM 03/10/2013

minhas ovelha estao com boqueiras o que fasso pra evitar essa doença

JOSE JOSELI DA SILVA

SURUBIM - PERNAMBUCO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/10/2012

Gostaria de receber resultados de trabalhos de pesquisa sobre o ganho de peso do desmame ao abate de cordeiros puros das raças santa ines, doper e suffolk...

Agradeço antecipadamente
MARIA AMÉLIA

CHAPADA DOS GUIMARÃES - MATO GROSSO

EM 30/06/2011



Tal como sr. Jurandir, tbm, busco maior informação sobre o cruzamento de reprodutor Dorper com fêmea Sta Inês. Teria semelhanças com o cruzamento tratado acima?

M.Amélia Alves

Mato Grosso
JURANDI LAVOR ROLIM

GOIÂNIA - GOIÁS

EM 02/11/2010

Bastante esclarecedor o artigo para quem se dedica ou pretende a se dedicar à produção de ovinos com a finalidade corte.
Em artigo publicado nesta Neewsletter em 27.09.2010, sob o título "Pedro Nassib fala sobre as raças Dorper e White Dorper" o veterinário Dr. Pedro Nassib tece comentários sobre o cruzamento Dorper X Santa Inês, praticado na Região Nordeste do Brasil, mas não chega a este nível de informação.
Acredito que semelhante tabalho feito com as raças Dorper e Santa Inês, traria dados significativos, em termos de viabilidade econômico-financeira, ao ovinocultores de corte brasileiros.