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Comportamento materno de ovinos - Parte I

POR SIMONE FERNANDES

PRODUÇÃO

EM 04/02/2010

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Comportamento da ovelha ao pré parto

Na eminência do parto, a ovelha indica mudanças de comportamento como um aumento de inquietação, caminhar em círculos, abaixar-se e levantar-se repetidamente. O tempo até o parto após essas mudanças de comportamento é curto, e algumas ovelhas nem demonstram todos eles, de acordo com Arnold & Morgan, 1975), que ao estudarem o comportamento de ovelhas de várias raças, a maioria descendentes de Merino, encontraram que muitas ovelhas mostraram sinais de comportamento de parição 2 horas antes do parto, e em poucas isso ocorreu 11 horas após o parto.

De acordo com Arnold & Dudzinski (1978), dois fenômenos são reportados no parto de ovelhas, que são vantajosos para os cordeiros: o isolamento e a busca de proteção. O isolamento da ovelha ao pré-parto tem sido registrado em várias raças em diferentes partes do mundo, porém existem diferenças de raças ao maior ou menor isolamento, como também de técnicas de manejo, como tamanho de piquete, taxa de lotação, clima e outros.

Segundo trabalhos de Winfield el al. (1989), ovelhas da raça Scottish Blackface foram mais sensíveis às condições climáticas perto do parto do que em meses mais tarde; e ovelhas Welsh Moutain buscaram sombra ao parto quando o vento teve velocidade maior que 11 km/ hora.

A tosquia pré-parto é praticada por muitos criadores para encorajar a busca de proteção dos cordeiros no momento do parto, e muitos trabalhos na Austrália têm mostrado que quando sujeitas ao estresse pelo frio depois da tosquia, ovelhas ao pré- parto procuram mais por abrigo (Lynch & Alexander, 1976).

Resultados de Pollard et al. (1999) mostraram um aumento pela procura de abrigo no final de gestação de 0,8% para 21,9% no 1º dia após o parto, diminuindo para 7% quando os cordeiros atingiram 20 dias de idade.

O interesse por outros cordeiros neonatos é um comportamento que pode ocorrer durante o período pré-parto, levando a confusão do cordeiro e rejeição pela mãe; as incidências registradas ocorreram mais comumente em ovelhas primíparas (10 a 15%) do que em ovelhas mais velhas (2%).

Para Arnold e Morgan(1975), 20% do total de ovelhas mostraram interesse nos cordeiros de outras ovelhas no momento do nascimento de seu próprio cordeiro, independentemente se a parição ocorresse em piquete grande ou pequeno, e se com o rebanho ou isolada. Metade das ovelhas estudadas persistiram na atenção pelo cordeiro estranho e deserdaram seus próprios, que morreram. Esse interesse maternal pré-parto tem sido observado nas duas semanas antes do parto, mas é mais comum nas 12 horas que precedem o nascimento.

Desenvolvimento do cuidado materno

Em ovinos, como em outras espécies, as primeiras horas do nascimento do jovem animal caracteriza-se por interações comportamentais entre mãe e filhote, as quais causam um vínculo entre ovelha e cordeiro, particularmente dentro de duas horas do nascimento e a deficiência desses comportamentos materno e do neonato, resultam em laços débeis entre mãe e filho, podendo resultar em doenças (Nowak, 1996).

Com diferenças entre idades, a ovelha começa a limpar seu cordeiro em poucos minutos após o parto, com as membranas que envolvem o nascimento normalmente ingeridas neste processo de limpeza; e como o recém- nascido de muitos ruminantes, o cordeiro procura ficar em pé depois do nascimento e isso pode variar de 10 a 180 minutos (Arnold & Morgan, 1975).

Antes, acreditava-se que somente a mãe tinha um papel importante no estabelecimento do vínculo materno-filial, entretanto Nowak & Linsay (1990) mostraram que a distinção dos cordeiros por suas mães, e a vocalização de mãe e filho durante esses cuidados após o parto, é muito importante no estabelecimento desse vínculo.

De acordo com Dwyer et al. (1998), os ovinos têm uma vocalização específica ao parto: um balido de tom baixo ou ronco, que é feito exclusivamente para o cordeiro, e de grande importância no estabelecimento do vínculo ovelha- cordeiro. Em seu experimento, constataram que esse balido foi menor em ovelhas primíparas do que em multíparas, concordando com a questão do pobre comportamento materno de ovelhas de primeira cria, que desenvolvem um vínculo com seu filhote, muito mais lentamente.

É grande a perda de cordeiros no período pré natal por várias causas, algumas como inadequada quantidade de colostro ou leite, baixo peso ao nascimento, complexo exposição- inanição e comportamentos insuficientes da mãe e do cordeiro.

Muitos processos revelam que interações mais efetivas entre cordeiro e mãe, levam a melhorar a sobrevivência do cordeiro; e no processo de reconhecimento, o nível de nutrição do cordeiro, ou seja a ingestão de colostro nas primeiras horas após o nascimento pode ter papel importante: cordeiros bem alimentados são mais hábeis em reconhecer suas mães, por serem mais saudáveis e vigorosos (Nowak & Linsay, 1992).

O período para a formação do laço entre mãe e filho em ovinos é menor que 5 horas, depois disso, se não houver contato, há um rápido declínio no interesse materno pelo filhote com aumento de comportamento agressivo contra ele (Arnold & Dudzinki, 1978).

De acordo com Nowak (1996), o vínculo entre mãe e filhote pode ser maximizado por práticas de manejo, como:

1) estratégias ótimas de alimentação durante a gestação e o parto, que não só melhoram o peso do cordeiro, como influenciam a qualidade do comportamento materno.

2) a permanência no local do parto por no mínimo 6 horas, onde ocorre o processo de ligação da mãe com o filhote; devendo evitar nesse período algumas práticas de manejo como por exemplo pesagem e identificação.

A habilidade para identificar seu filhote dos outros, é desenvolvida dentro de horas após o parto e é dependente do odor do cordeiro, e normalmente feita ao cheirar a área anal- genital. Já a habilidade do cordeiro reconhecer sua mãe desenvolve-se rapidamente na primeira semana de vida, principalmente pelo contato visual(Arnold & Dudzinki, 1978). O "imprinting" é um processo de aprendizagem que normalmente ocorre em um curto período, no caso de mãe e filhote, o período crítico é logo após o parto- cerca de 5 horas; e neste período é conveniente que evite-se incômodos para a ovelha e o cordeiro, para que haja boa formação do vínculo entre ambos (Costa, 1989).

Referências bibliográficas

ARNOLD, G.M., MORGAN, P.D. Behaviour of the ewe and lamb at lambing and its relationship to lamb mortality. Applied Animal Ethology, v.2, p.25- 46, 1975.

ARNOLD, G.W.; DUDZINSKI,M.L. Ethology of free- ranging domestic animals. Elsevier Scientific Publishing Company- Oxford, New York.. p.137-165, 1978.

COSTA, M.J.R.P. Considerações sobre o comportamento dos ovinos domésticos.
In: Simpósio Paulista de Ovinocultura, I, Botucatu, Anais...p.11- 17, 1989.

DWYER, C.M.; LAWRENCE, A.B. Variability in the expression of maternal behaviour in primaparous sheep: Effects of genotype and litter size. Applied Animal Behaviour Science, v.58, p.311- 330, 1998.

DWYER, C.M.; Mc LEAN, K.A.; DEANS, J., et al. Vocalisations between mother and young in sheep: effects of breed and maternal experience. Applied Animal Behaviour Science, v.58, p. 105- 119, 1998.

LYNCH, J.J, ALEXANDER, G. The effectof gramineous windbreaks on behaviour and lamb mortality among shorn and unshorn Merino during lambing. Applied Animal Ethology, v.2, p.305-325, 1976.

NOWAK, R., LINDSAY, D.R. Discrimination of Merino ewes by their newborn lambs: important for survival? Applied Animal Behaviour Science, v.34, p. 61- 74, Abstract, 1992.

NOWAK, R. NeonataL survival: contributions from behavioural studies in sheep. Applied Animal Behaviour Science, v.49, p.61- 72, 1996.


POLLARD, J.C., SHAW, K.J., LITTLEJOHN, R.P. A note on sheltering behaviour by ewes before and after lambing. Applied Animal Behaviour Science, v.61, p.313- 318, 1999.

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JOSEMAR SILVEIRA

EM 11/08/2015

ola simone

tenho uma ovelha q esta noite completou a tercera cria as 2 crias anteriores ela tinha um filhote so cada vez desta ela teve 2 um casal y ela esta rejeitando a femea y so alimentando o macho estou tentando fazer ela reconhecer o outro filhote sera posivel ela cuidar da femea tambem o nao ela limpou a femea y tudo mas agora o rejeita y ela emciste em se aproximar ela revida empurandoo com a cabesa
GILMAR

MUNIZ FREIRE - ESPÍRITO SANTO

EM 13/08/2012

O cordeiro rejeitado pela mãe, deve ser amamentado (via mamadeira) por quanto tempo?? e qual a quantidade diária de leite??
SIMONE FERNANDES

BOTUCATU - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 15/03/2010

Prezado Diogo
Obrigada pela sua opinião sobre o artigo.
Como você mesmo ressaltou, é um assunto que os criadores não tem orientação.
Cabe a nós técnicos salientar a importância do comportamento em todas as fases da produção animal.

Parabéns pelo curso de Pós- Graduação. Coloco-me à disposição para o que for preciso.
Sua turma estará sempre em minha mente e em meu coração.
Abraço
Boa sorte
Simone
DIOGO J. WATANABE

SÃO PAULO - SÃO PAULO - ZOOTECNISTA

EM 09/03/2010

Olá professora,

Gostaria de parabenizar pelo excelente artigo e também agradecer por todo o auxílio durante o curso de Zootecnia.

Realmente, a habilidade materna é um dos detalhes mais importantes para sobrevivência dos cordeiros, e infelizmente na maioria das propriedades não é dispendida a devida atenção a este assunto.
Muitos produtores acreditam que habilidade materna está relacionada apenas à produção de leite e peso ao nascer, deixando de observar as características comportamentais das ovelhas paridas.

Abraço

Diogo J. Watanabe

JULIO ERASMO REICH

QUERÊNCIA - MATO GROSSO

EM 03/03/2010

Olá Professora Simone.
Muito obrigado pela resposta, com certeza me ajudou bastante. Vou adotar as sugestões que você me deu.

Abs,
Julio
SIMONE FERNANDES

BOTUCATU - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 03/03/2010

Prezado Julio Erasmo Reich

Com relação a seleção de ovelhas que tenham melhor habilidade materna, é possível sim; no entanto não é aconselhável você selecionar as ovelhas de primeira cria, pois sabe-se que o comportamento dessas mães ao primeiro parto pode não ser o desejável justamente por não conhecerem todos os mecanismos maternos, e isso é natural.
Muitas vezes observamos mães de primeira cria que não desempenham um bom papel materno, chegando a abandonar seu filhote e na segunda gestação isso desaparece.
Então, ao se pretender a selecão por habilidade materna, devemos iniciar com ovelhas que já tenham repetidamente apresentado essa característica.
Como em sua carta você me diz que tem observado muito esse problema de rejeição do filhote, mesmo em ovelhas que não são primíparas, posso fazer algumas sugestões de manejo para que você consiga minimizar essa situação.
Primeiramente, deixá-las parir em ambiente calmo, de preferência na pastagem.
Depois não recolher a mãe e o filhote, enquanto não formarem o vínculo afetivo, e isso conforme dito no artigo é muito forte nas duas primeiras horas após o parto. Também a nutrição no final do parto é importante, pois ovelhas mal nutridas não desempenharão seu papel materno.
Por fim, levado em conta essas questões e o problema ainda existir, tente prender a mãe que está a rejeitar o filhote, sozinha em uma baia, longe dos demais animais do rebanho, apenas com seu cordeiro. Pelo fato do ovino ser um animal de instinto gregário(gostam de viver em grupos), a ovelha se sentirá sozinha e irá se apegar ao filhote. Acompanhe a amamentação se ela não permitir a mamada, insistindo várias vezes ao dia. Você perceberá que em 2 dias ou três, ela já estará apegada ao filhote. Isto pode servir também para ovelhas de primeira cria.
Abraço
Simone Fernandes
JULIO ERASMO REICH

QUERÊNCIA - MATO GROSSO

EM 26/02/2010

Olá Simone.
Tenha uma dúvida.

Muitas ovelhas do meu rebanho rejeitam os seus filhotes, principalmente as ovelhas primíparas. Gostaria de saber se é possível selecionar animais que não tenham essa característica e se isso realmente funciona.

Parabéns pelo artigo. Muito instrutivo.