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Compensa investir em suplementação de cordeiros mantidos no pasto?

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO

EM 18/09/2008

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A suplementação de animais mantidos em pasto é estratégia adotada por pecuaristas que visam melhorar sua produtividade. No caso da produção de cordeiros, de modo geral, utilizam-se alimentos concentrados de qualidade que têm alta digestibilidade e teor de proteína elevado (até 20%). Além disso, é um alimento de alta palatabilidade que é rapidamente consumido pelos animais ao ser colocado nos cochos. Essa oferta de concentrado é capaz de promover aumento no ganho de peso dos cordeiros que podem ser terminados em menor tempo, além de ser ferramenta útil quando não se tem disponibilidade de forragem de qualidade, que é necessária para essa categoria animal.

Diante de diversos estudos realizados com diferentes raças e alimentos, sabe-se que há viabilidade técnica de suplementar os cordeiros tendo como resultado melhor ganho de peso e menor idade de abate. Entretanto, há necessidade de análise do custo/benefício dessa oferta, que na maioria das vezes, não é levada em consideração pelos produtores.

Para esclarecer essa questão, o Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos da Universidade Federal do Paraná (LAPOC-UFPR) desenvolveu experimento com cordeiros desmamados precocemente, aos quais foram ofertados níveis de suplemento concentrado com 20% de PB objetivando avaliar o efeito em ganho de peso, rendimento de carcaça, tempo de terminação e o custo de produção.

Foram analisados módulos de produção com número inicial de 104 cordeiros da raça Suffolk por tratamento; os cordeiros foram desmamados aos 42 dias de idade e mantidos em pastagem de azevém (oferta mínima de 1.000 kg MS de folhas/há, que não limitava o consumo de pasto), que foram submetidos aos seguintes sistemas:

Sem suplementação
Com suplementação de concentrado em 1% PV/dia
Com suplementação de concentrado em 2% PV/dia
Com suplementação de concentrado à vontade que resultou em consumo médio de 3,2% PV/dia

Os cordeiros foram abatidos quando seu peso atingiu 32 kg.

A terminação dos cordeiros desmamados precocemente em pasto sem suplementação apresentou menores ganho médio diário e rendimento e peso de carcaça fria; também foi maior a idade dos cordeiros ao abate com mortalidade devido à verminose, mesmo com monitoramento e desverminações, quando comparado com os demais sistemas estudados (Tabela 1). A mortalidade elevada no sistema com cordeiros desmamados e terminados em pasto já foi relatada por Poli et al. (2008) e Macedo et al. (2000). Note que conforme se aumentou a quantidade de concentrado ofertada, os indicadores em geral apresentaram melhoria.

Tabela 1 - Desempenho (GMD), mortalidade e tempo de terminação de cordeiros de 42 dias de idade até o abate com 32 kg, idade de abate, rendimento de carcaça e peso de carcaça fria



NOTA: O tempo de terminação se refere ao período de 42 dias de idade dos cordeiros até o abate com 32 kg.

A Tabela 2 apresenta as variáveis de maior importância para análise do custo de suplementação dos cordeiros. O maior consumo foi observado no sistema com 2% de suplementação concentrada, pois apesar dos cordeiros consumirem menor quantidade diária (750 gramas em média), o tempo de terminação foi 23 dias maior que no de 3,2%, que apresentou consumo diário médio de concentrado de 1,07 kg. Dessa forma, o maior custo com suplementação foi observado no sistema com 2% de suplementação diária. Conforme Figueiredo et al. (2007), observa-se relação direta entre economicidade dos sistemas e o custo do suplemento.

Tabela 2 - Custo com alimentação dos cordeiros (sem considerar o pasto) e número de animais terminados.



NOTA: *Número inicial de animais menos a mortalidade.
FONTE: Barros (2008)

Observa-se que quanto maior a oferta de concentrado aos cordeiros, maior também foi a receita obtida com a venda de carne. Quando os cordeiros foram desmamados e mantidos em pastagem sem suplementação a margem bruta foi negativa, ou seja, houve prejuízo. Isso ocorreu devido à mortalidade aliada ao baixo rendimento de carcaça. Além disso, cabe ressaltar que o tempo de terminação foi longo (154 dias), sendo aproximadamente 3,7 vezes superior ao sistema com suplementação a vontade. Isso implica em maior tempo de ocupação da pastagem pelos cordeiros não suplementados. Com relação ao benefício:custo, o maior valor é obtido no sistema de suplementação a vontade, indicando melhor retorno do valor monetário empregado nesse sistema.

Diante desses dados apresentados é possível observar que compensa investir em suplementação para cordeiros desmamados e mantidos na pastagem. Mesmo com pasto de ótima qualidade como o azevém e com alta oferta de folhas no pasto, o suplemento melhora os índices produtivos (GMD, lotação da área, rendimento de carcaça e mortalidade) e proporciona viabilidade econômica ao sistema. Cabe lembrar ainda que pesquisas têm mostrado resultados interessantes no controle de verminose, quando melhores níveis protéicos são disponibilizados à dieta dos ovinos.

Salienta-se que, no caso de nossos resultados, a ração concentrada foi formulada e preparada no LAPOC-UFPR com custo inferior aos produtos comercializados por empresas privadas. Dessa forma, recomenda-se sempre avaliar a viabilidade em diferentes sistemas de produção e nas regiões específicas, pois dependendo do valor local de aquisição dos insumos pode ocorrer grande alteração na relação benefício:custo do modelo produtivo.

Referências

BARROS, C.S. Análise econômica de sistemas de produçăo de ovinos para carne. Dissertação (Mestrado em Ciências Veterinárias) a Universidade Federal do Paraná. 154f. 2008

FIGUEIREDO, D.M.; OLIVEIRA, A.S.; SALES, M.F.L.; PAULINO, M.F.; E VALE, S.M.L.R. Análise econômica de quatro estratégias de suplementação para recria e engorda de bovinos em sistema pasto-suplemento. Revista Brasileira de Zootecnia, v.36, n.5, p.1443-1453, 2007.

MACEDO, F.A.F., SIQUEIRA, E.R.D., MARTINS, E.N. Análise econômica da produção de carne de cordeiros sob dois sistemas de terminação: pastagem e confinamento. Ciência Rural, v.30, n.4, p.677-680. 2000.

POLI, C.H.E.C.; MONTEIRO, A.L.G.; BARROS, C.S.; MORAES, A.; FERNANDES, M.A.M.; LINSINGEN, H.von. Produção de ovinos de corte em quatro sistemas de produção. Revista Brasileira de Zootecnia, v.4, 2008. no prelo

ALDA LÚCIA GOMES MONTEIRO

Coordena o Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos (LAPOC) da UFPR

CARINA BARROS

Médica veterinária
Mestre em Ciências Veterinárias UFPR
Doutora em Nutrição e Produção Animal FMVZ-USP
Pós-doutorado FMVZ-USP
Atuação na avaliação econômica e modelagem

MARIA ANGELA FERNANDES

Médica Veterinária pela UFPR
Doutoranda do Programa de Ciências Veterinárias da UFPR
Integrante do LAPOC - Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos da UFPR

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SÉRGIO MANGANO DE ALMEIDA SANROS

LONDRINA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 19/02/2009

Cara Prof. Alda

Gostaria de parabeniza-la pelo artigo e perguntar a "causa mortis" dos cordeiros perdidos. Foi confirmada verminose em todos os casos?

Obrigado

<b>Resposta da autora:</b>

Prezado Sérgio Mangano de Almeida Sanros, obrigada pela sua carta. Sim, todos os casos foram confirmados de hemoncose. Atenciosamente, Alda
DÉLVIO LUIZ RODRIGUES BERRIEL

ALEGRETE - RIO GRANDE DO SUL

EM 07/10/2008

Trabalho com silagem de sorgo, para alimentação de gado de corte.

Gostaria de saber a quantidade diária em kg por cabeça, a ser fornecida de silegem de sorgo juntamente com ração e qual a ração para ovelhas e cordeiros para engorde.

Atenciosamente.

<b>Resposta da autora:</b>

"Prezado Sr. Délvio Luiz Rodrigues Berriel",

Sua pergunta remete a uma série de informações necessárias para que se chegue ao cálculo correto ou a uma formulação de dietas específica (silagem + ração).

Cito a seguir, para seu entendimento, alguns dos itens necessários para se compor essa "receita" de forma correta: idade/fase da vida dos animais, peso médio dos mesmos, número de animais, se estão em conjunto ou separados; disponiblidade de produtos para compor uma ração própria ou ração comercial disponível em sua região; conhecimento sobre a composição de cada um dos produtos, se for formular e bater uma ração na propriedade, ou sobre a ração comercial que possa comprar; conhecimento sobre a composição nutricional da silagem de sorgo que tem disponível; a partir daí se clacula uma dieta usando silagem mais ração; assim, recomendo que procure um profissional local para que sua formulação saia bem a contento; senão cometeremos erros e equívocos, o que não seria ético de nossa parte.

Agradeço a compreensão. Profa. Alda Monteiro
LOURIVAL SILVEIRA DO COUTO

TOCANTINS

EM 24/09/2008

Parabéns pelo trabalho. Este veio esclarecer algumas questões que surgiram anteriormente, quando li uma publicação sua, a respeito do mesmo assunto. Atenciosamente.
THIAGO ALVES DE OLIVEIRA

REGISTRO - SÃO PAULO - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 19/09/2008

Muito bom esse artigo.
Gostaria de saber qual o custo do cordeiro que entrou no confinamento e qual o peso nicial?