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Como melhorar a eficácia dos medicamentos de aplicação oral

POR MARCELO BELTRÃO MOLENTO

PRODUÇÃO

EM 30/05/2006

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O produtor, e mesmo o técnico de campo, no Brasil utiliza poucas técnicas no controle parasitário. Uma entrevista nacional revelou que, caso seja indagado, ele sabe dos principais: tratamento com produtos químicos, rotação de pastagem, rotação de "tipos" de drogas e o aumento da dose dos produtos. Porém, como o objetivo é "limpar" os animais de forma rápida, o controle acaba sendo feito, quase que exclusivamente, por meio do tratamento químico. Existem várias formas de administrar tais produtos e este procedimento é tão comum que já é, erroneamente conhecido como vacinação dos animais, mesmo quando o produto é por via oral.

Os medicamentos administrados por via oral (benzimidazóis, levamisol, closantel, lactonas macrocíclicas - ivermectina e moxidectina) podem atingir os vermes por duas vias: (1) diretamente no abomaso/intestino/pulmão na sua forma livre ou (2) através do sangue, depois de absorvido e distribuído. Em ambos os casos, a concentração da droga deve ser tóxica o suficiente para causar a morte do parasita, eliminando até as fases imaturas e/ou inibidas. Deve-se observar que o tempo de ação das drogas varia de acordo com a classe do composto utilizado e a espécie animal.

A duração do período de eliminação representa o tempo em que o composto estará acima do seu nível tóxico (Figura 1). Este período é chamado de "período de eliminação ou zona da morte", pois os níveis da medicação estão acima do que é tolerável pelo parasita. Vale ressaltar que cada espécie de parasita apresenta um limite tóxico próprio e cada produto tem uma "zona da morte" característica, devido a particularidades farmacológicas. Por exemplo: o oxibendazol, que é um benzimidazol, é indicado para o tratamento e profilaxia de verminoses gastrintestinais e pulmonares de pequenos ruminantes, apresenta um período de eliminação menor do que a ivermectina (macrolactona).


Figura 1. Curva de concentração da droga no sangue e área de eliminação parasitária (Zona da morte). Quanto maior a zona da morte, maior será o período de eliminação e duração da eficácia da droga.

Para se obter um efeito positivo da aplicação oral deve-se obedecer alguns pontos importantes:

- Aplicação correta: de pouco valerá estabelecer o peso do animal, se a aplicação da droga não for feita de maneira correta. O técnico deve se certificar de que o aplicador ou a pistola dosadora está sobre a língua do animal e que a droga será depositada no fundo de sua boca. O objetivo é que a droga passe primeiro pelo rúmen, onde será biodegradada, sendo mais facilmente metabolisada e transportada para outras câmaras do sistema digestório, onde será absorvida. Isto irá aumentar sua concentração na circulação do animal, maximizando seu efeito. Depositar a droga na parte da frente da boca do animal pode ativar a goteira esofágica, fazendo com que a droga passe direto, sem cair no rúmen, diminuindo consideravelmente a "zona da morte". Veja a figura 2.

Outra dica importante para os benzimidazóis é a posição da cabeça do animal. Deve-se atentar para que a cabeça do animal esteja sempre paralela ao solo, jamais levantada, porque isto poderá novamente, ativar a goteira esofágica, causando a biodegradação antecipada do produto, diminuindo seu período de ação, leia-se "zona da morte".


Figura 2. Curva de concentração da droga no sangue e área de eliminação parasitária. Efeito da droga atingindo o rúmen (A) e passando direto (B). Observar a diminuição do período de eliminação da droga no sangue, devido às falhas na deposição da droga ou posição da cabeça do animal.

- Jejum antes do tratamento: os produtos antiparasitários de administração oral trazem em sua formulação um veículo oleoso, fazendo com que muito do produto fique aderido nas fibras alimentares.

Este efeito de aderência pode ser negativo, visto que a droga pode ser eliminada sem que seja efetivamente absorvida e metabolisada. Associado a isto, está o fato de que a presença de alimento com fibra (pasto ou volumoso) acelera os movimentos intestinais. Surgiu então o interesse em se verificar qual o efeito da restrição alimentar (jejum) na concentração dos medicamentos. Como a retirada ou redução da quantidade de alimento promove uma redução considerável nos movimentos intestinais, a droga teria duas vantagens: (1) maior tempo de permanência do organismo do animal, (2) menor quantidade de fibra vegetal para ser aderida e carreada com baixa absorção.

Foi determinado que o jejum, ou período de restrição, de 24 e mesmo de 12 horas antes do tratamento pode aumentar significativamente a eficácia de drogas como o albendazol (benzimidazol). Alguns resultados demonstraram que o período de 24 horas é o ideal, impulsionando sua concentração em mais de 100%, porém pode-se alcançar bons índices de absorção e maior permanência da mesma no organismo do animal com um jejum de 12 horas (acima de 50%).

O objetivo desta estratégia é eliminar os parasitas que não entrariam em contato com a droga caso o tratamento fosse feito em condições menos ótimas ou até mesmo parasitas resistentes à concentração normal, porém em curto período da droga. A Figura 3 demonstra como o efeito da dieta pode prolongar a absorção, a concentração e a permanência destas drogas.

Figura 3. Curva de concentração e período de eliminação da droga, (A) com dieta normal e (B) com jejum de 12 horas no sangue de ovinos.

Neste caso, o indicado seria, após reunir o rebanho no fim da tarde, oferecer pouco alimento com nada de verde até o dia seguinte, deixando acesso livre para água. Os animais devem ser tratados na manhã seguinte e para melhorar ainda mais o efeito da droga, deve-se deixar os animais presos, em restrição por mais seis horas após o tratamento. Depois então, os animais devem ser soltos na pastagem. Deve-se evitar tratar fêmeas próximas do parto, animais fracos ou febris e animais em condições de estresse com esta forma de manejo.

É importante conhecer e utilizar o potencial tóxico dos produtos para as situações de risco real. A administração de medicamentos de forma errada pode ser confundida com queda na eficácia e até mesmo no diagnóstico precipitado de resistência parasitária. A somatória destas estratégias simples de manejo pode reverter em um aumento significativo da eficácia dos produtos.

Cuidados antes do tratamento:

- Observar o bom funcionamento da pistola dosadora ou de pressão.
- Avaliar o estado geral dos animais e separar os animais caso necessário.
- Observar as indicações de uso contidas no rótulo do produto.
- Manter os animais calmos.
- Tratar os animais no horário de clima mais ameno do dia.
- Utilizar mão-de-obra técnica e instruída de suas funções.

MARCELO BELTRÃO MOLENTO

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IVANETO BARBOSA DANTAS

MOSSORÓ - RIO GRANDE DO NORTE - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 09/08/2008

Dr. Marcelo,

Parabenizo-lhe pela matéria tão bem explicada e de um palavreado acessível a qualquer pessoa interessada no assunto. Mas verifico que a assunto foi especificamente para a medicação via oral, no entanto, aproveitando suas orientações para esse método de aplicação de medicamentos gostaria que nos orientasse também sobre a eficácia dos produtos injetáveis.
CLAUDENIR CASTRO

UMIRIM - CEARÁ - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 06/11/2007

Parabéns! seu trabalho é muito bem elaborado, com um bom conteúdo e de fácílima compreêção, sendo bem mais às pessoas que não tem muito conhecimento técnico.
LUIZ EDUARDO HELLER

CURITIBA - PARANÁ

EM 25/01/2007

Parabéns pela matéria professor Molento. Suas informações dão a nós, técnicos, um suporte científico muito forte para que possamos orientar e convencer os ovinocultores quanto ao uso de técnicas modernas.
DANIEL TAVARES DE LIRA

AFOGADOS DA INGAZEIRA - PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE CORTE

EM 20/09/2006

Parabéns pela matéria. Ela será de grande utilidade a técnicos e criadores de caprinos e ovinos!!!
MARCELO BELTRÃO MOLENTO

CURITIBA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 26/06/2006

Olá Wellington,

Refiro-me aos animais de todas as idades visto que a goteria esofágica é ativada quando existe o movimento que a estimule.

Com relação a função da mesma, os ruminantes não adotam a postura de levantar a cabeça tão
acentuadamente depois de desmamados, então não existe a atividade. Isto só aconteçe quando estes são jovens no momento da amamentação.

Um abraço.
Marcelo
MARCELO BELTRÃO MOLENTO

CURITIBA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 26/06/2006

Olá Aron,
Os cuidados entre categorias são fundamentais, pois os animais mais velhos poderão ajudar a manter a eficácia dos medicamentos no animais jovens. O correto é ter um olho na categoria de maior risco "os jovens" e procurar manter os animais mais velhos em outro regime sanitário.

Não indico épocas do ano somente, creio que você pode aumentar seu controle parasitário se combinar mais de uma ação, como: exames de fezes em meses mais quentes e úmidos, com oferta de pasto ou ração.

Existem várias fontes de informação disponível em livros e manuais técnicos. Tome cuidado com as páginas da internet que não tenham conceito.

Um abraço.
Marcelo
WELLINGTON DIAS LOPES JUNIOR

NATAL - RIO GRANDE DO NORTE - ESTUDANTE

EM 25/06/2006

Dr. Marcelo

Em primeiro lugar gostaria de parabenizá-lo pelo artigo, que sem dúvida é de ótima qualidade e ao mesmo tempo gostaria de fazê-lo a seguinte pergunta: quando você fala que o vermífugo deve ser aplicado no fundo da boca do animal e que a cabeça deve estar paralela ao solo, caso contrário poderá ser ativada a goteira esofágica, você esta se referindo a animais bem jóvens ou de qualquer idade?

Estou fazendo esta pergunta pois sempre me falaram que os ruminantes posuem a goteira esofágica quando nascem e com o densenvolvimento do rúmem esta não mais será usada e desaparecerá. Obrigado.
DANIEL DE SOUZA

IBITIÚRA DE MINAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 22/06/2006

Parabéns ao Dr. Marcelo. Ele foi muito feliz neste artigo,espero ler muitos outros escritos por ele.

Abraço
CASA MINEIRA

TOCANTINÓPOLIS - TOCANTINS

EM 22/06/2006

Gostaria de parabenizá-lo por expor um artigo claro e preciso como este.

Mas gostaria de questioná-lo o seguinte: dentro de uma criação existem várias categorias animais, e cada uma delas exige alguns cuidados especificos. Minha duvida é: quando devo fazer vermifugações nos animais, considerando diferentes épocas do ano e categorias animais?
Onde posso encontrar esse tipo de informação?

Muito obrigado e parabéns.

Aron Gustavo
arongustavo@hotmail.com
DÉBORAH ASSIS BARBOSA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/06/2006

<p align=justify> Parabéns ao Dr. Marcelo por trazer informações muitas vezes desconhecidas no campo, inclusive por técnicos da área!

Ao conhecermos todos os detalhes que possuem as drogas antiparasitárias e sua atuação no animal, estaremos mais aptos a vencer a batalha no controle dos vermes, possibilitando a viabilidade do setor!

Parabéns também ao Farmpoint, por manter o excelente padrão do Beefpoint e Milkpoint, incentivando a ovinocaprinocultura!</p>
ANGELIZE BRAUN GALVÃO

BURI - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/06/2006

<p align=justify>
Parabéns ao Dr. Marcelo pela participação no FarmPoint e pelo artigo técnico que com grande valia nos esclarece. E creio que com o seu vasto conhecimento e experiência poderá novamente contribuir para a criação ovina,caprina ou mesmo bovina. Fizemos parte quase da mesma turma na Unifenas-MG.

Um grande abraço e sucesso.

Angelize Braun Galvão-Buri-SP</p>
MARCELO BELTRÃO MOLENTO

CURITIBA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 06/06/2006

<p align=justify>Prezado Sr. Mário,<br><br>As indicações descritas no artigo são para melhoria e aproveitamento dos medicamentos administrados por via oral. O intervalo entre tratamentos irá depender de avaliações clínicas e laboratoriais. Indico que os animais sejam tratados de modo seletivo, separando o joio-do-trigo. Isto é, os que necessitam dos outros sadios. <br><br>Quanto ao medicamento, sugiro que seja mantido o mesmo produto por várias aplicações (8 a 10). "Todo o produto deve possuir alta eficácia no início do tratamento." Esta frase está entre aspas porque estamos trabalhando com drogas muito usadas no campo e a troca de animais significa trocar vermes também. <br><br>Em teoria, a droga mais nova no mercado deverá lhe proporcionar maior eficácia.<br>Entretanto não sou eu que lhe indicará a melhor destas, o Veterinário local deve lhe sugerir métodos de acompanhamento.<br><br>Os testes foram feitos em ovinos, porém podem ser aplicados em caprinos.<br><br>Grande abraço.<br>Marcelo </p><br>
WILLIAM DEL CONTE MARTINS

UMUARAMA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 05/06/2006

<p align=justify>Parabéns Dr Marcelo. <br><br>Realmente estas orientações são muito práticas para o uso correto dos medicamentos, para podermos potencializar sua eficácia. Parabenizo também ao Farmpoint por ter escolhido este grande profissional para escrever sobre o assunto, profissional este que tive a oportunidade de tê-lo como professor.<br><br>Um grande abraço.<br><br>William</p><br><br>
MÁRIO CONSTANTINO CONCZVIZ MENINE

CHOPINZINHO - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 04/06/2006

<p align=justify>Bom dia Professor, <br><br>gostaria de saber quando utilizamos este método ora descrito, qual o intervalo de evermifugação. <br><br>Devemos utilizar o mesmo princípio ativo por duas aplicações seguidas?<br><br>Em quais animais (espécies) o tratamento se mostrou mais eficiente?<br><br>Obrigado</p>
DR. CLÁUDIO LÚCIO DE MACEDO

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 03/06/2006

<p align=justify>Gosto muito de trabalhos onde somos orientados por "DICAS", pois muitas vezes utilizamos um determinado produto e achamos que o mesmo está fazendo seu efeito "máximo" e na verdade estamos com seu efeito "mínimo" ou até achamos que aquele produto "já está sem efeito".<br><br>Porém, se o utilizarmos de forma correta teremos, sem sombra de dúvida, o efeito desejado da droga escolhida. Devemos ler mais sobre os trabalhos científicos e colocarmos em prática em nossas propriedades. <br>Parabéns pelas orientações, Dr. Marcelo.<br><br>Cláudio Lúcio de Macedo <br>criador e selecionador de Tabapuã e de ovinos Sta. Ines<br></p>