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Como determinar a relação macho:fêmea?

POR MARIA EMILIA FRANCO OLIVEIRA

PRODUÇÃO

EM 21/05/2009

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Ao discutirmos no artigo anterior a importância e as particularidades do exame andrológico e da avaliação da libido, vimos que o macho é também responsável pela eficiência reprodutiva de um rebanho. A seleção moderna de reprodutores alcança lugar de destaque em uma criação, pois, 50% da probabilidade de ocorrer uma prenhez está relacionado ao macho e, a taxa de fertilidade do rebanho é, em grande parte, influenciada pela sua fertilidade. A importância da fertilidade do macho nos programas de reprodução é muito maior do que a de qualquer fêmea isoladamente, já que o macho pode se acasalar com um número maior de fêmeas, independentemente do sistema de acasalamento. Atestada a integridade e o potencial de fertilidade dos machos que entrarão em um programa de reprodução, pelo exame andrológico completo, outro aspecto deve ser cuidadosamente analisado. Quantos machos serão necessários utilizar para garantir que todas as fêmeas do lote em reprodução sejam cobertas eficientemente? A relação macho:fêmea é uma importante variável no manejo reprodutivo e por essa razão, neste artigo discutiremos os pontos que devem ser considerados para determinar esta relação e garantir taxas eficientes de prenhez.

A relação macho:fêmea varia largamente em função de uma série de fatores, dentre os quais têm-se os relacionados ao macho, as fêmeas, ao sistema de acasalamento utilizado e ao ambiente do sistema de criação. Ao considerarmos as variáveis relacionadas ao próprio macho, podemos destacar, por exemplo, saúde, idade, tamanho, circunferência escrotal, peso corporal e índice da libido. A idade da fêmea também deve ser considerada, do mesmo modo que, fatores ambientais como topografia do terreno e tamanho do piquete. O sistema de acasalamento interfere significativamente, visto que está associado à quantidade de fêmeas esperadas em estro por dia.

Considerando a idade do macho a ser utilizado no sistema de reprodução, é importante ressaltar que a idade à puberdade dos machos ovinos é atingida entre 5 e 9 meses de idade, dependendo do peso, nutrição, raça, fatores ambientais e intrínsecos do animal (ex. hormonais). O ingresso na puberdade determina o início da vida sexual, sendo marcada pela apresentação dos primeiros instintos reprodutivos (interesse sexual), entretanto estes ocorrem muito antes de atingirem a maturidade sexual. Neste último evento, o sêmen apresenta os parâmetros desejáveis para um reprodutor. Em outras palavras, o macho inicia sua vida reprodutiva com manifestações de interesse sexual, entretanto sem apresentar ejaculado que contenha volume, concentração, vigor, motilidade espermática e patologias a níveis aceitáveis e capazes de tornar o macho apto a desempenhar sua função reprodutiva. Assim, os machos só deverão entrar em um programa de reprodução quando atestada sua maturidade sexual, caso contrário, haverá comprometimento nos índices de fertilidade e no desempenho futuro deste macho. Em geral, é indicado utilizar macho com idade superior a 1 ano. Ao analisar a relação macho:fêmea em referência a idade dos machos, esta deve ser reduzida com o uso de machos novos em comparação a machos adultos.

A saúde dos machos deve ser cuidadosamente avaliada, verificando entre outros aspectos, seu escore corporal, medidor do grau de nutrição. Os machos devem receber uma suplementação alimentar nas épocas carenciais, 30 dias antes e durante o período das coberturas, todavia, a mineralização deve ser fornecida ao longo do ano. É importante obedecer a uma dieta balanceada, evitando, desta forma, a ocorrência de cálculos renais ou uretrais. Atenção contínua deve ser dada aos cascos dos animais, que precisam ser mantidos cortados para não expor a penetração de agentes infecciosos e causadores de lesões graves e problemas de aprumos que comprometerão o desempenho reprodutivo dos machos.

A idade das fêmeas também deve ser considerada na determinação da relação macho:fêmea. Se o carneiro for saudável e fértil, e não houver restrição geográfica, um carneiro pode cobrir 50-60 ovelhas, no caso de borregas, deve-se reduzir a taxa para 25-30 borregas.

Como já citado, o sistema de acasalamento a ser utilizado em uma estação reprodutiva interfere na determinação da relação macho:fêmea. Em sistemas de monta natural, o macho desempenha a função de detecção do estro e cobertura, enquanto na monta controlada, o papel de detecção do estro fica a cargo do rufião. Assim, é possível otimizar o uso dos machos, os quais poderão cobrir um número maior de fêmeas, evitando o desgaste desnecessário dos machos e assim, a relação macho:fêmea pode ser aumentada. O uso da monta natural possibilita uma relação de um reprodutor para até 40 fêmeas. Com o uso do rufião essa relação pode ser incrementada, sendo possível o uso de um reprodutor para até 60 fêmeas. Aproveitamento ainda superior é observado no sistema de acasalamento que emprega a inseminação artificial, visto que o sêmen é coletado, diluído, podendo ser utilizado da forma fresca, resfriada ou congelada. Desse modo, cada ejaculado pode render várias doses, a depender da concentração e qualidade do ejaculado.

O emprego da sincronização de estro no sistema de acasalamento também deve ser considerado antes de definir a relação macho:fêmea pois, com o uso desta ferramenta observa-se grande número de fêmeas em estro em até 72 horas após o término do protocolo, verificando concentração de estro por volta de 36 horas. Este fato exige utilização de machos (rufiões) de libido intensa. Para evitar comprometimento da eficiência caso o número de machos em uso seja limitado, é importante dar um intervalo de 2 dias entre um lote sincronizado e o outro, para descanso do macho e melhora da qualidade do sêmen.

Os carneiros, em geral, podem servir 10 ovelhas por dia por um período de 4 dias ou 8 a 10 ovelhas em 24 horas no campo. Os carneiros são capazes de ejacular 11 a 17 vezes por dia se forem estimulados pela presença de fêmeas em cio, sendo capazes de manter a qualidade do sêmen por um período de 6 dias. Entretanto, alguns animais reduzem o número de espermatozóides no ejaculado, abaixo da quantidade ideal para a fecundação, quando submetidos a uma atividade sexual intensa. Portanto, se a relação macho:fêmea for reduzida, mais carneiros poderão montar nas ovelhas em cio, e mais fêmeas serão fertilizadas nas primeiras duas semanas da estação de monta. Adicionalmente, ao observar o comportamento sexual dos machos, é possível verificar dois picos diários de atividade reprodutiva: das 4 às 8 horas e da 16 às 20 horas, coincidindo com o amanhecer e o entardecer. Contudo, para se garantir melhor desempenho dos machos em todas as coberturas, a relação macho:fêmea indicada para sistema de acasalamento que se utiliza a sincronização do estro é de 1:7.

Em sistemas que o estro não é sincronizado, a relação macho:fêmea média utilizada é de um macho para cada 35 fêmeas, portanto, para cada lote de 100 ovelhas são necessários 3 reprodutores. Há relatos ainda, da utilização da proporção de 4% de machos para fêmeas, sendo que para um grupo de 100 fêmeas se utiliza 4 machos. Embora, seja necessário considerar os diversos fatores que interferem no potencial de cobertura dos machos, é importante ajustar esta relação macho:fêmea conforme as necessidades do sistema e a disponibilidade de reprodutores, devendo respeitar os limites mínimos para não prejudicar a eficiência.

Trabalhar com um único reprodutor para cada lote de 30-40 fêmeas em cada piquete permitiria conhecer a paternidade dos cordeiros e evitaria possíveis brigas e dominâncias de reprodutores. Entretanto, nem sempre isto é possível. Por isso, quando mais machos são colocados em um mesmo piquete, brigas podem ocorrer e não se recomenda fazer lotes muito grandes de fêmeas que exijam mais de 3 reprodutores. Uma forma de conhecer a paternidade dos cordeiros e trabalhar com um número elevado de fêmeas em um mesmo lote seria realizar a monta controlada ou dirigida ou ainda, o sistema de marcação, conforme apresentado no artigo "Sistema de marcação dos machos" já publicado neste site.

Ao considerar a topografia e tamanhos dos piquetes, a relação macho:fêmea pode chegar a 1:100 quando os piquetes são pequenos ou 1:30 em áreas grandes e acidentadas, em caso de machos adultos em estação de monta sem sincronização de estro. Outro fator ambiental importante a ser levado em pauta é a época da estação de monta, visto que o número de fêmeas em estros por dia e o interesse sexual dos machos se alteram no decorrer do ano em regiões onde há diferenças de comprimento de dias.

Contudo, vimos que diversos fatores estão relacionados e devem ser considerados na determinação da relação macho:fêmea. Observações dos comportamentos sexuais de manifestação do estro e do desempenho dos machos são importantes, sendo indicado o ajuste conforme as necessidades do sistema.

MARIA EMILIA FRANCO OLIVEIRA

www.mariaemilia.vet.br

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