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Carne ovina: produção doméstica e importações 2008

POR DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

PRODUÇÃO

EM 18/08/2008

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1. Introdução

O mercado doméstico da carne ovina tem evoluído bastante nos últimos anos e, embora, a ovinocultura de corte ainda seja uma atividade de pouca expressão econômica dentro do agronegócio pecuário brasileiro, a mesma vem apresentando incrementos ano após ano com relação à produção, formalização da produção e consumo, com tendências positivas e expectativas animadoras para todos os entusiastas do segmento.

2. Produção

Com um efetivo ovino representado por cerca de 13,85 milhões de cabeças, o Brasil tem aumentado gradativamente a sua produção de carne ovina ao longo da presente década, apresentando uma projeção para 2008 da ordem de 123 mil toneladas, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Por outro lado, analisando os dados disponibilizados pelo Serviço de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SIF/MAPA) e presentes no Gráfico 1, é possível observar que o volume de abates mais que duplicou desde 2002, perfazendo neste primeiro semestre de 2008 aproximadamente 124,5 mil cabeças que, por sua vez, representam algo em torno de 2 mil toneladas de carne ovina, considerando carcaças de 16 kg.

Gráfico 1. Volume de abates inspecionados Jan-Jun, em mil unidades.


Em relação ao mesmo período de 2007, o volume de abates no primeiro semestre de 2008 sofreu uma pequena retração de 3,3%, paralisando a tendência crescente e firme existente até então, que estava relacionada a um aumento da produção, da formalização e do consumo de carne ovina no mercado doméstico. No entanto, os números atuais indicam uma deficiência no fornecimento de animais para abate em alguns Estados, segundo as variações percentuais apresentadas na Tabela 1.

Tabela 1. Taxa de crescimento do abate inspecionado.


Como é possível observar na Tabela 1, a quantidade de animais abatidos sofreu variações substanciais em alguns Estados, o que impactou fortemente nos resultados deste primeiro semestre de 2008. Enquanto que em Estados como Bahia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins, o volume de abates se elevou de forma bastante significante, estando fiel à tendência geral estabelecida em anos anteriores, alguns outros Estados como Ceará, Goiás, São Paulo e Rio Grande do Sul tiveram uma retração considerável na quantidade de ovinos abatidos durante os seis primeiros meses do ano, que impactaram negativamente no volume total, especialmente no caso do Rio Grande do Sul que fechou o semestre com um déficit de quase 17 mil cabeças em relação ao mesmo período do ano passado, considerando que os gaúchos são os maiores produtores, como mostrado no Gráfico abaixo.

Gráfico 2. Participação na produção doméstica de carne ovina, Jan-Jun.


O Gráfico 2 deixa claro que o Rio Grande do Sul é o mais importante produtor, sendo responsável por quase 68% da produção e o principal fornecedor de carne ovina para o mercado da região Centro-Sul. Em seguida, se encontram o Mato Grosso do Sul que ocupou a colocação da Bahia, seguida por Minas Gerais que abateu quase 7 mil cabeças e surge como um forte player no mercado doméstico, superando Goiás e São Paulo.

3. Importações

O Uruguai é a origem de no mínimo 98% de toda a carne ovina importada pelo Brasil, sendo essencial para o atendimento da demanda do mercado doméstico e correspondendo a cerca de 60% do total de carne ovina formal consumida no país.

Gráfico 3. Volume importado e valor de produtos cárneos ovinos em mil toneladas e em milhões de dólares, Jan-Jun.


De acordo com o Gráfico 3, o volume importado de produtos cárneos ovinos tem mantido um crescimento regular e firme desde 2004, atingindo 3,71 mil toneladas neste primeiro semestre de 2008, superando em 26,1% o mesmo período de 2007, sendo estimulado também pelo déficit na oferta interna. Também é possível observar que a tendência de valorização da carne ovina importada permanece, havendo um descolamento do valor em relação ao volume a partir de 2004, o que resultou em um valor de aproximadamente 10,1 milhões de dólares em 2008, 64% superior ao mesmo período de 2007.

No entanto, esse fenômeno não é apenas um reflexo da valorização da carne ovina no mercado internacional em conseqüência da oferta limitada por parte dos principais exportadores, mas também resultado da mudança da demanda brasileira em relação aos produtos cárneos ovinos importados, como fica evidenciado nos Gráficos 4 e 5.

Gráfico 4. Participação percentual nas importações, Jan-Jun 1998.


Gráfico 5. Participação percentual nas importações, Jan-Jun 2008.


Enquanto que no final da década de 1990 a demanda brasileira estava concentrada em ovinos em pé e em cortes e carcaças de animais adultos de menor valor, tendo como principal destino a população rural da região Sul do país, atualmente, há uma maior demanda por produtos de melhor qualidade direcionados para o mercado consumidor existente nos grandes centros, com maior poder aquisitivo e mais exigente.

Essa mudança no perfil da demanda tem ocasionado na importação de uma quantidade de produtos ovinos de maior valor agregado, como cortes com e sem osso, e em uma redução acentuada nos embarques de ovinos em pé e de carcaças, principalmente de animais adultos ou mutton.

4. Perspectivas e considerações finais

Embora crescente em alguns Estados do país, a produção doméstica formalizada no primeiro semestre de 2008 sofreu uma leve retração em relação ao mesmo período do ano passado, como conseqüência de um menor fornecimento de animais para abate, principalmente no Rio Grande do Sul, que acabou tamponando o aumento da produção existente em algumas outras regiões do país.

Os produtos cárneos ovinos oriundos do Uruguai continuam a predominar no mercado formal, no entanto, cada vez mais o valor das importações têm se elevado, o que a curto e médio prazo pode desestimular os embarques e favorecer a pecuária ovina nacional, incentivando a indústria nacional e o setor produtivo a realizar maiores investimentos em novas plantas frigoríficas e unidades de produção, assim como, estimular políticas públicas que ajudem a incrementar a produção doméstica em quantidade e qualidade, dando maior dinamismo e fluidez à cadeia produtiva da carne ovina no país.

Sigamos em frente!!

Bibliografia consultada

FAO. Food and Agriculture Organization of the United Nations. Food Outlook, n.1, Rome: GIEWS-FAO, 2008. 95p.

MAPA. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretária de Defesa Agropecuária . Serviço de Inspeção Federal. Disponível em: . Acesso em: 12 ago. 2008.

MDIC. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Secretaria de Comércio Exterior . ALICE Web. Disponível em: . Acesso em: 05 ago. 2008.

SOUZA, D.A. Mercado interno e perspectivas para a carne ovina. 2006. Disponível em: www.farmpoint.com.br - Seção Espaço Aberto.

SOUZA, D.A. Mercado doméstico da carne ovina: qual a situação e para onde estamos indo?. 2008. Disponível em: www.farmpoint.com.br - Seção Conjuntura de Mercado.

DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

Médico Veterinário, MBA, D.Sc., especializado no sistema agroindustrial da carne ovina. Consultor da Prime ASC - Advanced Sheep Consulting.

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DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 12/02/2009

Caro Daniel,

Mais una vez, gracias por su participación!!

Abraços,

Daniel
DANIEL BOUZAS

MONTEVIDEO - MONTEVIDEO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 08/02/2009

Muy interesante e ilustrativo el trabajo realizado por Daniel de Araujo.

La evolución de la oferta y de los precios de las carnes de ovino es siempre de gran interés para nuestra actividad.

Sem dúvida las ventajas de crianza y desenvolvimento de los ovinos en Uruguai y en Rio Grande do Sul, hace que tengan un aprecado valor para los consumidores, especialmente aquellos de maior poder adquisitivo das cidades.

Acho que devemos trabalhar mais en aspectos da qualidade dos cortes ovinos e tambem en aspectos de marketing.

Mais uma vez parabens para o autor do artigo.
Abraço
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 16/09/2008

Olá Hallan,

Exceto no Rio Grande do Sul, onde a cotação do cordeiro é relativamente inferior, girando no mês vigente em torno de US$ 2,79/kg de carcaça (considerando o dólar a 1,82), nas regiões sudeste, centro-oeste e nordeste do país o preço da carcaça do cordeiro está girando em torno de US$ 3,40 (referência mês de setembro, Bahia), enquanto que no Uruguai está em torno de US$ 2,85 para o mesmo mês - sofrendo uma constante e firme valorização ao longo desse ano.

Me parece que as considerações que fiz no artigo O Uruguai e a carne ovina (publicado nesta mesma seção) vem se confirmando!!

Obrigado por sua participação!!!

Abraços,

Daniel
HALLAN TAVARES DOS SANTOS

OUTRO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 13/09/2008

Qual o valor recebido nesses estados e qual o valor pago aos produtores do Uruguai? Algum colega tem essa informação? Obrigado, abraços.
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 05/09/2008

Olá Moacir,

Muito obrigado pela participação e pelas importantes informações!!

Abraços,

Daniel
MOACIR ANTONIO MARCONATTO

JACIARA - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO

EM 02/09/2008

Realmente o que se tem é uma euforia descabida onde alguns acreditam ser a ovinocultura um filão de ouro, mas para ser explorado é necessário muito trabalho e pesquisa, e não simplesmente aventureiros. Os números são controversos, chegando alguns à projeção de 10.000.000 de cabeças para 2010 no MT, quanto à estruturação da Cadeia já estão em operação 02 abatedouros e mais 02 em implantação, um inclusive com proposta de sistema de integração.
No mais algum orgão estadual deve ter as informações sobre a produção e abate de ovinos no MT.
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 25/08/2008

É realmente uma pena Élide! É de se lamentar!!

Abraços,
ÉLIDE MAZER

CUIABÁ - MATO GROSSO

EM 22/08/2008

È, o que te disse é tão real que o projeto de Nova Mutum acabou-se. era uma referencia qto a realidade futura da ovinocaprinocultura no estado e eles acabaram com o projeto que foi um grande desistímulo para nos produtores .
abraços
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 20/08/2008

Olá Élide,

Realmente é de se estranhar a situação aí no Mato Grosso. O Estado têm praticamente a mesma quantidade de ovinos que o Mato Grosso do Sul e mais que o dobro de Goiás, e não sei por que, no Sistema de Inspeção Federal não há quaisquer números referentes ao MT, mesmo parecendo haver frigoríficos ativos com SIF no Estado. Fora alguns grandes projetos como na região de Nova Mutum. O que acontece de fato?

Se a questão é política, cabe as associações de produtores e criadores fazerem uma representação frente aos dirigentes políticos, propondo e cobrando políticas públicas que incentivem e estimulem à atividade. Me parece que já há algumas iniciativas a esse respeito mas não sei a quantas se encontram.

De qualquer forma, acho que nessa situação o setor produtivo deve pressionar seus dirigentes e cobrar iniciativas que viabilizem a implantação de plantas frigoríficas, de unidades de produção, de canais de distribuição e comercialização dos produtos, inclusive para outros Estados.

O potencial do MT é imenso, assim como, de toda a região Centro-Oeste, mas é uma questão de tempo. Realmente creio que as coisas irão melhorar mas também sei que não é nada fácil a situação vigente!!

Abraços,

Daniel

ESTEVÃO MARCONDES TOSETTO

RIO POMBA - MINAS GERAIS

EM 18/08/2008

São através de dados como estes apresentados que podemos perceber o quanto o Brasil esta perdendo, ou melhor, o quanto os produtores brasileiros estão deixando de ganhar. Acho que se tem consumo, só nos bastam políticas incentivadoras para alavancar a caprino e ovinocultura do nosso país. Infelizmente os abates clandestinos ainda predominam em função de falta de organização da cadeia
ÉLIDE MAZER

CUIABÁ - MATO GROSSO

EM 18/08/2008

É meu caro Daniel,

Lendo sua matéria , vendo seus gráficos, fiquei triste pois meu estado (Mato Grosso) ,nem se quer figura.

É uma realidade que nos produtores convivemos e que não aguentamos mais. Não temos uma política séria em nosso estado para que nos produtores possamos investir e termos retorno, muito pelo contrario, muitos de nos já se sentem desestimulado e parando com a atividade.

Ai te pergunto: como um estado como Mato Grosso, tão rico,tão grande, que tem tudo para ser o maior produtor do mundo em ovinos, deixa nos produtores tão frustados?

"Não será por falta de uma vontade política de nossos dirigentes ,de associação, daqueles que detêm o poder e nada fazem?"

É meu caro, enquanto assistimos de camarote a incapacidade deles, nós produtores vamos desistindo, parando, enquanto nosso estado vizinho vai de vento em polpa graças a Deus e a pessoas capacitadas.