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Carne ovina no Uruguai e sua relação com o mercado doméstico brasileiro

POR DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

PRODUÇÃO

EM 21/12/2009

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O sistema agroindustrial (SAG) da carne ovina no Brasil é deficiente em relação à produção, não conseguindo atender a forte e crescente demanda por produtos cárneos ovinos existente nas capitais e grandes centros urbanos, necessitando importar grandes volumes de carne ovina para tamponar o déficit existente no mercado doméstico.

Neste ponto, alguns países integrantes do Mercosul assumem um papel crucial no atendimento da demanda interna, entre eles, o Uruguai, a Argentina e o Chile. Dentre estes, historicamente, é marcante e absoluta a participação do Uruguai como a origem de nada menos do que 95% de todos os produtos cárneos ovinos importados pelo Brasil, incluindo animais vivos.

Além disso, o Uruguai é o maior player das Américas no agronegócio da carne ovina, sendo um importante fornecedor para países da União Européia, Oriente Médio, Ásia Oriental, Sudeste Asiático e África.

Rebanho

Conforme o Gráfico 1, a população ovina uruguaia tem sofrido um processo continuo de retração, alcançando no presente ano 8,9 milhões de cabeças - quantidade 38,6% inferior em relação a de 10 anos atrás, sem considerar o fato de que o Uruguai já deteve quase 26 milhões de ovinos no início da década de 1990. Embora no período entre 2004 e 2006 o efetivo tenha ensaiado uma recuperação, em 2007 houve uma redução considerável, a qual se perpetua até então.

Gráfico 1 - Evolução do efetivo ovino do Uruguai, em milhões de cabeças.



Ao longo dos anos a composição do rebanho também sofreu mudanças, especialmente entre as categorias produtoras de lã, como ovelhas de cria e capões. Atualmente, o stock base do Uruguai é composto por quase 52% de ovelhas de cria, 9% de capões e 2% de carneiros, havendo um processo de decréscimo em todas as categorias animais, principalmente, em relação às ovelhas de cria que são a base de qualquer sistema de produção.

Gráfico 2 - Evolução do efetivo de cria no Uruguai, em milhões de cabeças.



De acordo com o Gráfico 2, houve uma retração de 34,1% na população de ovelhas de cria nos últimos 10 anos, com uma tendência regular e negativa desde 1999, o que compromete seriamente a capacidade produtiva do rebanho para os próximos anos, uma vez que, sob condições extensivas de criação, não há perspectivas de incrementos a nível de produtividade a fim de compensar a queda na produção total.

Baseado na taxa de abate de ovelhas no presente ano, a tendência decrescente para o efetivo de cria se mantém firme a curto prazo, o que potencialmente prejudicará o abastecimento de alguns mercados importadores de demanda crescente, como o Brasil, considerando que o percentual da produção uruguaia destinada ao mercado interno se mantenha estável.

Produção

Em abril de 2001 ocorreu um surto de febre aftosa no Uruguai, afetando negativamente a produção nos anos seguintes, porém, com a retomada do crescimento em 2005, a produção manteve-se no patamar médio das 120 mil toneladas (peso vivo) desde então, ocorrendo uma relativa estabilização nos últimos anos, de acordo com o Gráfico 3. Em termos de equivalente peso carcaça, essa produção corresponde a cerca de 53,4 mil toneladas, considerando que o rendimento médio ao abate das diversas categorias ovinas no Uruguai é de 44,5%.

Gráfico 3 - Produção de carne ovina, em mil toneladas (peso vivo).



No entanto, a estabilização da produção em torno de tal valor ressalta a característica limitante dos sistemas de produção vigentes no país, estando tais níveis de produção estreitamente vinculados a grande quantidade de abates de categorias adultas, uma vez que aproximadamente 500 mil ovelhas de cria foram abatidas anualmente durante os últimos anos, sinalizando uma redução severa na produção quando o rebanho de cria vier a se estabilizar futuramente.

Em coerência com a retomada da queda no rebanho uruguaio a partir de 2006, o volume de abates experimentou um moderado crescimento no mesmo período, conforme o Gráfico 4, o que tem mantido a produção nos patamares atuais.

Gráfico 4 - Volume de abates ovinos, em milhões de cabeças.



Estima-se que 2,19 milhões de ovinos sejam abatidos em 2009, um valor 18% superior a 2008, em função da maior quantidade de ovelhas, borregos e cordeiros, no entanto, por meio do Gráfico 5, é possível observar que não houve grandes mudanças na composição percentual dos abates em relação as categorias entre 2008 e 2009, com a participação de capões ficando em 11,6%, de cordeiros em 49,5%, de ovelhas em 28% e de borregos em 10,4%.

Gráfico 5 - Composição dos abates por categoria, em percentual.



Exportações

Embora tenha pouca expressão em relação a grandes exportadores de produtos cárneos ovinos, como Nova Zelândia e Austrália, o Uruguai possui uma carta de clientes internacionais composta por mais de 30 países, dentre os quais, se destacam a Líbia, Arábia Saudita, Reino Unido, França, Argélia, Jordânia, Holanda e China, sendo o Brasil o mais importante deles, tanto em volume quanto em valor.

De acordo com o Gráfico 6, o volume de carne ovina exportado tem experimentado um crescimento regular ao longo dos anos, chegando às 28,8 mil toneladas em 2009 com um valor de 72,5 milhões de dólares, 16,4% e 2,5% superior ao ano anterior, respectivamente.

Gráfico 6 - Exportação de carne ovina, em mil toneladas e em milhões de dólares.



Do total da produção comercial, historicamente, mais de 50% é destinado às exportações, e apesar da produção ter se mantido relativamente estável nos últimos anos, é possível observar um incremento continuo no volume exportado, indicando que há um maior direcionamento da produção doméstica uruguaia para o mercado externo, em função da melhor remuneração.

No segmento de ovinos vivos, os embarques têm mantido um padrão bastante errático (Gráfico 7), em conseqüência da disponibilidade de animais apropriados para exportação em pé e dos preços internos dos produtos ovinos.

Gráfico 7 - Exportação de ovinos vivos, em mil unidades.



No decorrer dos anos, o Brasil tem aumentado gradualmente a participação percentual de ovinos vivos em relação ao total de produtos cárneos ovinos importados, e em termos de equivalente carcaça, esse valor, em 2009, tem alcançado 8,6%, o maior até então desde que o país voltou a importar animais vivos do Uruguai em 2005.

Mercado doméstico brasileiro

O Gráfico 8 mostra a produção doméstica formal, as importações e o consumo doméstico, em mil toneladas, mostrando o crescimento significativo nessas variáveis ao longo dos últimos 7 anos e salientando o déficit existente no mercado, onde a carne ovina importada, sobretudo do Uruguai, compõe cerca de 54,4% do total de carne ovina consumida nas capitais e grandes centros.

Gráfico 8 - Produção doméstica, importações e consumo doméstico, em mil toneladas.



Ao analisar o Gráfico acima e o percentual de participação dos produtos importados no consumo formal, torna-se claro que o SAG brasileiro da carne ovina é fortemente dependente das importações com o Uruguai, assumindo uma posição crucial no atendimento, na manutenção e no fomento do mercado consumidor interno, uma vez que a produção doméstica ainda não possui quaisquer condições de suprir a demanda atual.

Como a demanda, sendo o reflexo direto do mercado consumidor, é o principal fator regulador e sustentador de uma cadeia produtiva, fica evidente que o Uruguai, como fornecedor de mais de 95% do total de produtos cárneos ovinos que ingressam ao Brasil, é essencial para o SAG brasileiro, garantindo que o consumo doméstico se mantenha no patamar atual das 13,3 mil toneladas e com perspectivas de crescimento de acordo com o volume produzido e importado.

Por outro lado, a existência de um déficit de quase 55% no mercado interno abre ampla margem para o crescimento horizontal e vertical da produção doméstica, sendo um indicador positivo quanto às perspectivas para o setor produtivo. Desse ponto de vista, e considerando que o consumo se estabilize nos valores atuais, seria necessário mais que dobrar a produção doméstica formal a fim de atender a demanda existente nas capitais e grandes centros urbanos.

No entanto, como o efetivo de cria uruguaio segue em processo de retração, sem quaisquer perspectivas de estabilização, a capacidade de fornecimento do Uruguai pode ficar comprometida, mesmo havendo uma maior disponibilidade de produtos para o mercado externo, o que, invariavelmente, poderá impactar negativamente o SAG brasileiro da carne ovina a médio prazo, uma vez que o abastecimento do mercado interno poderá ficar comprometido, o que elevará os preços do cordeiro, pela tradicional limitação de oferta por parte do setor produtivo nacional associado ao aumento da demanda por parte de frigoríficos, canais de distribuição e de consumo, afetando negativamente o consumo interno tanto pela alta dos preços quanto pela menor disponibilidade de produtos.

Considerações finais

O rebanho ovino uruguaio tende a sofrer novas retrações em seu efetivo de cria, o que cada vez mais irá se refletir na produção, que tem se mantido relativamente estável em função da alta participação de categorias adultas nos abates, mesmo em anos onde as condições climáticas foram mais favoráveis.

O potencial exportador do Uruguai poderá ser regulado pelo direcionamento de uma maior proporção da produção interna para atender o mercado externo, no entanto, a efetividade dessa estratégia ainda é pouco clara, dependendo também das condições climáticas e comerciais vigentes.

Em relação ao mercado doméstico brasileiro, o Uruguai possui um papel essencial no atendimento da demanda interna, sendo primordial para a sustentabilidade e expansão do consumo nas capitais e centros urbanos do país, o que é altamente vantajoso para o SAG brasileiro da carne ovina, desde que a produção doméstica continue a crescer firme e regularmente.

Saudações a ovinocultura uruguaia!

Referências bibliográficas

INAC. Instituto Nacional de Carnes. Documentos diversos. Disponível em: . Acesso em: 14 dez. 2009.

MAPA. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretária de Defesa Agropecuária Serviço de Inspeção Federal. Disponível em: . Acesso em: 15 dez. 2009.

MDIC. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Secretaria de Comércio Exterior. ALICE Web. Disponível em: . Acesso em: 15 dez. 2009.

MGAP. Ministerio de Ganadería, Agricultura y Pesca. Estadísticas Agropecuarias. ANUARIO ESTADISTICO AGROPECUARIO 2009, Montevideo: DIEA-MGAP, 2009.

MGAP. Ministerio de Ganadería, Agricultura y Pesca. Oficina de Programacion y Politica Agropecuaria. ANUARIOS 1997-2009, Montevideo: OPYPA-MGAP.

SOUZA, D.A. O Uruguai e a carne ovina. Disponível em: http://www.farmpoint.com.br>. Seção Conjunturas de Mercado.

DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

Médico Veterinário, MBA, D.Sc., especializado no sistema agroindustrial da carne ovina. Consultor da Prime ASC - Advanced Sheep Consulting.

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JOSUÉ MARIANO BORGES

SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS DE LEITE

EM 17/06/2015

Prezados senhores.

Gostaria de receber maiores informações sobre o processo de importação de ovinos vivos

do Uruguai.    As raças em questão seriam a Lacoune e East Frisian.

Meu e-mail para contato é: technosplanta@hotmail.com

Agradeço por possível orientação.

Cordialmente,

Josué Borges
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 02/02/2010

Olá Jolber,

A raça predominante no Uruguai é a Corriedale (considerada de dupla aptidão - lã e carne), a qual compõe cerca de 65% do efetivo ovino uruguaio. Além da Corriedale, há um percentual significativo de Merino Australiano e Ideal, ambas raças produtoras de lã.

A pecuária ovina uruguaia se caracteriza por ser praticada sob sistemas extensivos de produção, predominantemente, em pastagens nativas, com integração bovino-ovino e baixos índices de produtividade e de desempenho.

O maior atrativo da carne ovina uruguaia não é a qualidade organoléptica ou sanitária, mas sim o preço. Embora nos sistemas modernos de produção no Brasil seja relativamente fácil produzir um cordeiro jovem de alta qualidade com menos de 4 meses, a carne ovina importada é mais barata e é necessária para atender a crescente demanda urbana nas capitais e grandes centros. Além disso, com a valorização do real, é altamente atrativo e rentável importar cortes, carcaças e ovinos vivos do Uruguai.

Não sei qual a real situação no Rio de Janeiro, mas São Paulo é, atualmente, o maior centro consumidor formal de carne ovina no país, apesar de existir um mercado interno significante em todos os estados da região sul, sudeste, centro-oeste e nordeste, cujo espaço aberto é mais que suficiente para um empreendedor sério e profissional.

Obrigado por sua participação e desculpe a demora na resposta!!

Abraços,

Daniel
JOLBER PASSOS

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/01/2010

Caro Daniel. Gostaria de mais informações sobre a ovinocultura (que raça predomina no Uruguai, porque os brasileiros acham a carne ovina de lá melhor, que técnica eles usam, se existe alguma forma de se ganhar dinheiro hoje aqui no Rio e outros estados com carne de ovinos ou produção do queijo tipo serra da estrela de Portugal. Tenho uma propriedade de 800 hectares aqui próximo ao Rio, Miguel Pereira, e desenvolvo atividade de silvicultura, sobra muito pasto que fica entre as árvores e tenho condições de investir, porém, preciso de segurança para não perder dinheiro.

DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 19/01/2010

Olá Roger,

Obrigado por sua participação e comentário!!!!!!

Abraços,

Daniel
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 19/01/2010

Olá Roberis,

Antes de mais nada, devemos diferenciar 2 realidades em relação a cadeia produtiva da carne ovina no Brasil e no mundo. A primeira é a dos países e dos estados da federação que já possuem tradição na prática da ovinocultura comercial de larga escala, como o Uruguai, a Austrália, a Nova Zelândia, o Reino Unido, a Espanha e no Brasil, podemos citar apenas o Rio Grande do Sul. Nessas regiões, a cadeia produtiva é mais desenvolvida, estando inserida na ordem internacional de preços pois já apresenta um mercado interno ou demanda doméstica já estabilizado.

A segunda realidade é a dos estados que apenas nos últimos 5 anos tem desenvolvido uma cadeia produtiva comercial em pequena escala, como exemplo, todos os estados das regiões sudeste, centro-oeste e nordeste, além do Paraná e Santa Catarina. Nessas regiões, o mercado interno é bastante aquecido e a demanda é crescente, o que mantêm os preços em patamares elevados e em crescimento anual.

Em minha opinião, a clandestinidade pouco tem a ver com o nível dos preços, até porque o perfil de produto que é fornecido pelas criações de subsistência ou não-empresariais foge em muito do perfil de produto demandado pelo varejo e pelos consumidores nas capitais e grandes centros urbanos.

Um outro ponto é o fato de que temos um déficit de mais de 50% no mercado doméstico, e até o consumo interno de estabilizar e a produção doméstica conseguir tamponar o espaço aberto pelas importações, a tendência segundo as leis naturais da economia é a de que os preços continuem a crescer. Posteriormente, quando a oferta superar a demanda, teremos os ciclos de baixa e de alta, como em qualquer cadeia produtiva agropecuária, com os preços médios variando negativamente e positivamente no decorrer dos anos, mas até que isso ocorra, os preços tendem a apenas crescer.

Do ponto de vista de sistema agroindustrial, isso é ótimo, pois estimulará mais investimentos em todos os elos da cadeia e a entrada de novos empreendedores, fazendo com que a cadeia produtiva cresça e se desenvolva com força e solidez.

O mercado clandestino sempre irá existir, em maior ou menor grau. O que devemos fazer é concentrar nossos esforços e energia nas iniciativas produtivas e empresariais formais, que se preocupem com qualidade de produto, desenvolvimento de negócios, abertura de campo de trabalho e estímulo da demanda urbana.

Mais uma vez muito obrigado pela sua participação!!!!

Abraços,

Daniel
ROGER PAGEL SOARES

TUPANCIRETÃ - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/01/2010

Muito importante este artigo, sabemos que a ovinocultura é uma exelente alternativa para a diversificação dos sistemas produtivos do RS e do Brasil, porém pela anárquica organização do sistema produtivo a atividade esta sempre em processo de retração: pequeno crescimento, novamente retração e assim por diante. Precisamos urgentemente criar programas e desenvolver ações efetivas para a sustentabilidade desta atividade, tâo promissora, conforme os seus dados e outras constatações. Obrigado, saudações!
ROBERIS RIBEIRO DA SILVA

SALVADOR - BAHIA

EM 10/01/2010

Parabens por mais um artigo.

Acredito que o maior problema brasileiro na comercialização dos carneos caprinos e ovinos, esteja ligado a produção domestica informal ou melhor o abate clandestino "frigomato".
Vejam que a produção Uruguaia vem perdendo matrizes e nem por isso o preço pago ao produtor Uruguaio vem aumentando na mesma proporção ou percentualmente falando. Isto porque o Uruguai participa da política de preço do mercado internacional.
No Brasil e na Bahia principalmente vem ocorrendo o inverso ou seja, a medida que os rebanhos ven crescendo ou mantendo estabilizado, os preços vão subindo.
Na entre-safra passada o Frigorifico Baby Bode e o do Sertão pagaram R$ 8,00/kg de carcaça e o Frigorifico Pantanal pagou R$ 7,50/Kg de carcaça, todos na Bahia. Enquanto que no Rio Grande do Sul o preço circulava em torno de R$ 6,00 e R$ 6,50/Kg de carcaça.
Isto tudo porque na Bahia o abate clandestino chega a 98%, sendo assim os frigorificos tem que pagar pela carcaça o mesmo ou até mais que o "frigomato". Os clientes dos frigorificos não são os mesmos do "frigomato" na sua maioria, entretanto os fornecedores são os mesmos ou quase os mesmos em outras palavras o pequeno produtor (até 100 cabeças ) detentor dos quase 8 milhões de cabeças na Bahia. Em outras palavras a Bahia tem mais cabeças de caprinos e ovinos juntos que Uruguai, e não exporta 1Kg e muitos poucos quilos para as outras unidades da federação.
É preciso urgentemente melhorar a fiscalização dos serviços de vigilância sanitária dos municípios da Bahia, não só pela questão de saúde pública como pela questão econômica ligada aos empreendimentos agroindustriais, existentes e os futuros. Ou então incetivar na Bahia a existência de grandes centros de produção e/ou grandes empreendimentos de produção.