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Carne ovina e caprina: produção e consumo no Brasil e nas Américas

POR ANDRE SORIO

PRODUÇÃO

EM 20/05/2010

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Existe certa apreensão sobre a redução do rebanho ovino no mundo, mas esta visão é estreita e merece ser mudada. Não importa quantos animais existem num país e sim a produção de carne que é obtida a partir deles. E neste ponto, a ovinocultura tem se mostrado muito eficiente. Enquanto o rebanho mundial diminuiu 11% desde 1990, a produção de carne aumentou 24%. É interessante destacar que os países que produzem mais não são necessariamente os detentores dos maiores rebanhos, devido à grande diferença de nível tecnológico entre as nações.

Os produtos da ovinocaprinocultura movimentam cerca de US$ 11 bilhões por ano no comércio internacional. Pouco mais de 5% disto são provenientes de caprinos (carne, pele, leite e queijos). A carne ovina, por sua vez, é responsável pelos valores mais significativos movimentados, como pode ser visto na tabela 1.

Tabela 1 - Valor comercializado de produtos da ovinocaprinocultura - mundo (milhões US$ CIF).



A Nova Zelândia e a Austrália são responsáveis por 74% das exportações de carne ovina, enquanto União Européia, EUA e Arábia Saudita importam 39% do total.

O Brasil também seguiu este caminho de aumento de eficiência. De 1990 a 2007, a produção de carne ovina brasileira oscilou em torno de 78 mil toneladas, apesar da diminuição de mais de 20% ocorrida no rebanho nacional. Ainda assim, o rebanho ovino das regiões tradicionais de criação é insuficiente para suprir o mercado interno brasileiro. Desta forma, o espaço para a carne importada vem aumentando - de 1997 a 2008 a importação de carne ovina passou de um valor de US$ 6 milhões para mais de US$ 23 milhões. Mesmo com este crescimento, a carne importada significa apenas 9% do consumo formal brasileiro, de 86 mil toneladas anuais.

Quando se analisa apenas o continente Americano, o Brasil se torna mais relevante na ovinocaprinocultura. Afinal, o país detém o 2º maior rebanho tanto de ovinos quanto de caprinos e é o 2º maior produtor de ambas as carnes. Apesar de contar com somente 8% do rebanho ovino mundial, o continente Americano tem 2 países que figuram entre os principais exportadores de carne ovina, o Uruguai e os EUA. Ao mesmo tempo, México e EUA (que está dos 2 lados do fluxo de comércio) estão entre os 10 maiores importadores de carne ovina do mundo.

Tabela 2 - Os maiores rebanhos de ovinos e caprinos - continente americano (milhões de cabeças) - 2008.



O Peru tem o maior rebanho ovino do continente, mas é na região do Mercosul onde está a maior concentração de ovinos, com quase metade do total. Em caprinos, o México e o Brasil representam quase a metade do total do continente.

A produção de carne ovina continental alcançou 435 mil toneladas em 2008. O principal produtor é os EUA, apesar de um rebanho de cerca de 1/3 dos animais do observado no Brasil. Isto se deve a uma taxa de desfrute maior e ao abate de animais mais pesados.

O Peru, apesar de ter o maior rebanho não figura entre os maiores produtores. O Uruguai é o 3º maior produtor do continente, mas é o país com maior orientação exportadora.

Tabela 3 - Os maiores produtores de carne - continente americano (mil toneladas) - 2008.



Finalmente, mais de 60% do consumo aparente de carne ovina e caprina é concentrado nos EUA, Brasil e México. O consumo total do continente alcançou 712 mil toneladas em 2008, contra uma produção de 604 mil toneladas. Isso demonstra presença da importação de outras regiões do mundo de cerca de 108 mil toneladas de carne ovina, que abastecem principalmente EUA e México, já que o Brasil importa carne ovina quase exclusivamente do Uruguai (9% do seu consumo total anual, conforme já descrito acima).

Tabela 4 - Consumo aparente - continente americano (mil toneladas) - 2008.



Resumindo, o Brasil participa do crescente mercado internacional de carne ovina principalmente como importador. Isso demonstra que existe um mercado interno ávido por consumir a carne destes pequenos ruminantes. Também demonstra que existem oportunidades reais para os produtores brasileiros desenvolverem a cadeia produtiva de ovinos e assim ocupar de forma mais racional as imensas áreas de pasto disponíveis no país.

Referências bibliográficas

CIRVAL. International resource centre on utilization of information on milk production in small ruminants. Disponível em www.cirval.asso.fr. Acesso em maio 2009

COMTRADE. United Nations Commodity Trade Statistics Database. Disponível em comtadre.un.org. Acesso em 30 ago 2009

EUROSTAT. Disponível em epp.eurostat.ec.europa.eu. Acesso em mai-ago 2009.

FAO. Disponível em faostat.fao.org. Acesso em set 2009

IBGE. Censo agropecuário 2006. Disponível em www.ibge.gov.br. Acesso set 2009

INAC. Instituto Nacional de Carnes. Disponível em www.inac.gub.uy. Acesso em 15 jun 2009

INEG. Instituto Nacional de Estadística y Geografia. Disponível em www.inegi.org.mx. Acesso em 01 jul 2009

INEI. Instituto Nacional de Estadística y Informática. Disponível em www.inei.gob.pe. Acesso em 01 ago 2009

NEW ZEALAND MEAT AND WOOL. Disponível em www.meatnz.co.nz. Acesso em jul 2009

MEAT AND LIVESTOCK AUSTRÁLIA. Disponível em www.mla.com.au. Acesso em jun 2009

TOVAR-LUNA, I. Goat production in Mexico: overview of the industry and its production practices. Tulsa: Langston University, 2009. 8 p.

USDA. United States Department of Agriculture (www.usda.gov). Acesso em jul 2009b

ANDRE SORIO

engenheiro-agrônomo, M.Sc. em Agronegócios, consultor em produção intensiva a pasto de ovinos e bovinos, com experiência em toda a América do Sul

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SOPHIA LOURENÇO PEREIRA

EM 28/06/2018

quais são os 5 países que mais tem caprinos no mundo?
BRANCA

CODÓ - MARANHÃO - PESQUISA/ENSINO

EM 03/12/2010

gostaria de saber tudo sobre caprinos
historia
mercado
cruzamento
raças puras, compostas e sinteticas
genotipo
fenotipo e herdabilidade
seleção do macho e da femea
ANDRE SORIO

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 19/07/2010

Caro Laudelino

Infelizmente muitos números da ovinocaprinocultura são lançados ao público sem os devidos cuidados em relação à fonte e à maneira como foram obtidos.

É só fazer um cálculo rápido em relação à produção de carne ovina possível de ser obtida em um rebanho de cerca de 15 milhões de cabeças e a quantidade de carne ovina importada e verás que é IMPOSSIVEL que 70% da carne ovina consumida no Brasil venha de outros países...

Para uma informação mais aprofundada, recomendo a leitura de um artigo científico de minha autoria que saiu na Revista de Política Agrícola da Embrapa de março de 2010, intitulado "Ovinocultura e Abate Clandestino - um problema fiscal ou uma solução de mercado?". Ele pode ser obtido facilmente em www.sistemavoisin.com.br

Espero ter ajudado
LAUDELINO DE SOUSA FILHO

SALVADOR - BAHIA - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 19/07/2010

Essas informações contrariam outras obitidas por mim aqui mesmo na internet. Em outras matérias encontrei números correspondentes a importaçao de 70% da carne de ovino consumida no pais. A diferença é muito grande, como vamos nos posicionar com informaçao tão diferentes?
ANDRE SORIO

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 07/06/2010

Caro Renato

Entre em meu site www.sistemavoisin.com.br e terás vários artigos científicos sobre ovinocultura à tua disposição para download em PDF.
Mas este artigo aqui do Farmpoint tu podes cita-lo da seguinte forma:
Sorio, A. - Carne ovina e caprina: produção e consumo no Brasil e nas Américas. Piracicaba, Farmpoint, 2010. <disponível em www.farmpoint.com.br>; acesso em junho de 2010.

Espero ter ajudado
RENATO CAETANO DA SILVA NETO

VIAMÃO - RIO GRANDE DO SUL - ESTUDANTE

EM 03/06/2010

Olá André!

Sou formando do curso de Engenharia de Produção da PUCRS, estou fazendo meu TCC em agronegócios e gostaria de citar seu artigo no meu trabalho, pois encontrei nele dados muito interessantes relacionados à ovinocultura. Minha família também produz ovinos e esta área muito nos interessa.
Poderias me enviar o artigo em formato PDF?

Desde já agradeço pela atenção!
Renato.
ANDRE SORIO

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 31/05/2010

Prezado Diego

Existem formas científicas de se estimar o tamanho do abate clandestino. Por exemplo, relacionando com as peles processadas pelos curtumes. No Censo Agropecuário 2006 o IBGE levantou várias informações diretamente dos produtores a respeito do tamanho de abate de ovinos e caprinos. A FAO faz estimativas para diversos países. Enfim, o fato de o abate não ser oficializado, não quer dizer que não existam dados oficiais.
O abate fiscalizado vai aumentar na medida que os órgãos de fiscalização fizerem seu trabalho nos pontos de venda. É notável como a fiscalização é desleixada no Brasil. Ao mesmo tempo, conforme a produção primária for aumentando, irá diminuir a possibilidade dos informais atenderem ao abate destes animais, afinal de contas um abatedouro clandestino tem limite de tamanho para operar sem ser notado.
DIEGO MASCULINO BERNARDES

RIBEIRÃO PRETO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 31/05/2010

Olá André!

A grande maioria do abate no Brasil sendo não formal atrapalha a coleta e confiabilidade dos dados?

Há perspectivas de aumento do percentual de abate fiscalizado?

Como são estimados os dados não formais?

Obrigado!
ANDRE SORIO

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/05/2010

Prezado Igor

Infelizmente, muitas informações que circulam a respeito da ovinocultura são incompletas ou mal-interpretadas. Uma das questões que, particularmente, mais me incomodam é a questão do peso das importações no consumo de carne ovina do Brasil.

Em breve vou colocar, aqui no Farmpoint, mais informações a respeito do mercado mundial de carne ovina, país a país, para ajudar aos participantes da cadeia a se posicionarem melhor em relação ao funcionamento da ovinocultura no planeta.
IGOR VAZ

PELOTAS - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 27/05/2010

Estes dados me surpreenderam, eu estava muito equivocado em muitas informações.
ANDRE SORIO

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/05/2010

Prezado Bernardo

O consumo de carne ovina per capita argentino é maior, mas o consumo total brasileiro é bem superior. Da produção argentina de 52 mil t, cerca de 46 mil t sao consumidas no país. Já da produção brasileira de 78 mil t, nosso país ainda tem que trazer quase 8 mil t de fora para completar o consumo interno.

Atenciosamente
André Sorio
BERNARDO DE CARVALHO AZEVEDO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS

EM 22/05/2010

Boa noite. Na tabela de consumo o Brasil aparece em terceiro lugar, e a Argentina em quarto, mas a Argentina consome muito mais carne ovina que o Brasil, o consumo de carne ovina deles é proporcional ao nosso consumo de carne bovina! Fica a minha dúvida, quem realmente consome mais?

Atenciosamente. Bernardo Azevedo.