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Carne ovina: cortes e mercado em Belo Horizonte - MG. Parte II de II

PRODUÇÃO

EM 19/05/2015

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Autor do artigo: Luiz Felipe Martins Neves, Zootecnista.

Confira a primeira parte do artigo clicando aqui. 


Material e métodos

Foi realizada uma pesquisa de mercado e a coleta dos dados junto aos supermercados e restaurantes foi um questionário (Apêndice A) para saber a situação que se encontra a comercialização dos cortes da carne ovina em Belo Horizonte. A aplicação deste questionário foi conduzida pelo próprio pesquisador, no mês de abril e maio de 2014.

A seleção dos locais foi devido à localização (centro-sul) e requinte dos restaurantes, supermercados e boutique de carne em questão. A análise e interpretação dos dados serão feitas através de uma análise qualitativa para evidenciar as características do mercado da carne ovina em Belo Horizonte e inferir sobre as informações dar referências encontradas sobre o tema. Para a apresentação e discussão dos dados iremos utilizar a denominação estabelecimento 1, 2, 3, 4, 5 e 6.

Resultado e discussão

A carne de cordeiro comercializada em Belo Horizonte tem como origem outros estados e até mesmo outros países onde a produção muitas vezes excede a demanda podendo assim ser exportada. De acordo com os entrevistados, os fornecedores do Brasil não apresentam um controle do padrão da qualidade da carne o que os leva a comprar de outros países.

A origem da carne ovina é principalmente de outros estados como São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, tendo também exportações de outros países como Nova Zelândia e Uruguai. Essas localidades apresentam um comércio mais estruturado em relação a fornecer a carne no padrão de qualidade esperado pelo consumidor. Após as entrevistas obtivemos alguns resultados conforme a tabela 2

Tabela 2 - Tipos de cortes dos estabelecimentos.



*Se refere a stinco, steak de pernil, hambúrguer e contra filé.

Segundo Azevedo (2007) os supermercados e os restaurantes possuem grande dificuldade de encontrar a carne ovina com o padrão de qualidade que os consumidores esperam. Após sete anos essa realidade não muda muito, uma vez que, os estabelecimentos continuam com dificuldade de encontrar a carne ovina com um elevado padrão de qualidade.

O levantamento desses estabelecimentos totalizou uma comercialização de aproximadamente 3.600 kg por mês. Os estabelecimentos entrevistados relataram um aumento no consumo da carne ovina nos últimos anos, esse aumento será representado através da tabela 3. O aumento do consumo muitas as vezes está relacionado ao poder de aquisição e a qualidade da carne oferecida pelos mesmos.

Tabela 3
– Aumento percentual por ano.



Quando os entrevistados foram perguntados sobre o preço da carne ovina, relataram que o preço ainda é alto, uma vez que essa carne tem que ser importada. Os estabelecimentos descrevem que essa baixa oferta da carne ovina na região de Belo Horizonte- MG se dá pela falta de informação ao produtor sobre a demanda, logo produtores não tem estimulo para produzir com um alto padrão de qualidade.

Segundo dados do MAPA (2010) o consumo per capta é de aproximadamente 0,7 kg de carne ovina e esse consumo pode estar relacionado ao costume (hábito), ao poder aquisitivo entre outros fatores. O consumo da carne ovina em Belo Horizonte está um pouco direcionado a região centro-sul, uma vez que, pessoas que frequentam estabelecimentos ou residem nessa região apresentam um poder aquisitivo maior.

A oferta da carne ovina também passa por uma época do ano denominada entressafra, momento em que ocorre a escassez do produto. Nesse período é difícil encontrar a carne ovina, logo se sobressai no mercado àqueles produtores que trabalham bem com o manejo dos animais produzindo o ano todo. Sabe-se que na região nordeste o consumo da carne ovina é maior, o que justifica a maior quantidade de cabeças presente nesta localidade. Em torno de 90% dos animais são destinados à produção de carne (SOBRINHO E OSÓRIO, 2008).

Conclusão

A comercialização da carne ovina em Belo Horizonte – MG tem aumentado nos últimos anos, porém essa carne comercializada vem de outras localidades, uma vez que não há produção significativa na nossa região. São encontrados vários cortes que valorizam e agregam valor a carne ovina.

Referências bilbliográficas

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ARO, Daniele Torres, et al. O agronegócio na ovinocultura de corte no Brasil. Revista cientifica eletrônica de Medicina Veterinária, Garça – SP, ano V, nº 9, 2007. Disponível em:. Acesso em 04 de abril de 2014.

AZEVEDO,F.M.V.M.C. Produção e comercialização de carne de ovinos na região metropolitana de Belo Horizonte-MG, 2007. 86 folhas. Dissertação (Mestrado em Administração) – FEAD, Belo Horizonte, 2007.

BATISTA, A.S.M. et al. Características Sensoriais da Carne Ovina. Essentia, Sobral, v.15, nº 1, p.185-200, jun./nov. de 2013.

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GARCIA, Iraides Ferreira Furusho, et al. Estudo alométrico dos cortes de cordeiros Santa Inês puros e cruzas. Revista Brasileira de Zootecnia, Lavras, v.35, n.4, p.14416-1422, fevereiro, 2006.

IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Produção da pecuária municipal: Resultados preliminares- Rio de Janeiro, 2010.v.38, p.1-65.

MAPA - Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Disponível em . Acesso em 01 nov.2013.

MONTAGEM de pequeno abatedouro e cortes comerciais de ovinos. Direção: Marcos Orlando de Oliveira. Viçosa: CPT, 2002. 1 DVD (54min), son,color.

OSÓRIO, José Carlos da Silva, et al. Características sensoriais da carne ovina. Revista Brasileira de Zootecnia. Pelotas, v.38, p.292-300, 2009.

SANTOS, C.L. Estudo do crescimento e da composição química dos cortes da carcaça de cordeiros Santa Inês e Bergamácia. 2002. 257 p. Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2002.

SANTOS, Carlos Alberto. Manejo básico de ovinos e caprinos: guia do educador. Brasília, G3 comunicações, 2010.136p.

SAÑUDO, C. et al. Qualidade da carcaça e da carne ovina e seus fatores determinantes. In: Américo Garcia da Silva Sobrinho. Produção de carne ovina. Jaboticabal: Editora Funep, 2008, cap.4, p. 177-228.

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SILVA, N.V. et al. Características de carcaça e carne ovina: Uma abordagem das variáveis metodológicas e fatores de influência. Acta Veterinaria Brasilica. Bananeiras, v.2, n.4, p.103-110,2008.

SIQUEIRA, E.R. e FERNANDES, S. Efeito do Genótipo sobre as Medidas Objetivas e Subjetivas da Carcaça de Cordeiros Terminados em Confinamento. Revista Brasileira de Zootecnia, Botucatu-SP, v.29, p.306-311, 2000.

SOBRINHO, A.G.S. Criação de Ovinos. 2ª Edição. Jaboticabal: Editora Funep, 2001. 302 p.

SBRINHO, A.G.S. e OSÓRIO, J.C.S. Aspectos quantitativos da produção da carne ovina. In: Américo Garcia da Silva Sobrinho. Produção de carne ovina. Jaboticabal: Editora Funep, 2008, cap.1, p. 01-68.

VIANA, João Garibaldi Almeida. Panorama Geral da Ovinocultura no Mundo e no Brasil. Revista Ovinos. Porto Alegre, nº 12, p. 12-31, março de 2008.

URANO, F.S. Desempenho e características da carcaça de cordeiros confinados alimentados com grãos de soja. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.41, nº 10,p. 1525-1530, outubro de 2006.

APÊNDICE A- Questionário aplicado nos principais pontos de venda da carne ovina:



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PAULO ROBERTO SANTOS ALMEIDA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS

EM 27/10/2016

Boa tarde Sr. Luciano Ferreira dos Santos,



Gostaria de receber seus telefones de contato fixo, celular e também seu email para futuro contato comercial.

Fico no aguardo destas solicitações acima mencionadas o mais breve possível.



Atenciosamente.



Paulo Almeida



Email: pauloalmeidarep@yahoo.com.br
LUCIANO FERREIRA DOS SANTOS

MIRANTE - BAHIA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/04/2016

Alguém se interessa na compra de produção de ovinos Dorper e caprinos Boer? provenientes de projeto no Semiárido baiano, cadeia toda organizada, animais identificados com todos os acompanhamentos sanitários, zootécnicos, reprodutivo e alimentar, mais de 150 família integradas e 15000 animais cadastrados. 
ROGÉRIO FERNANDES MOREIRA DA SILVA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 25/05/2015

Luiz , bom dia!

Meu nome é Rogério Fernandes, sou ovinocultor, tendo uma propriedade em Baldim  - MG -,

tenho um rebanho razoável em número de matrizes, qualidade e produtividade.

Em Minas Gerais temos uma quantidade boa de produtores de animais voltados para a produção de carne, inclusive, eu negocio com os frigoríficos em nome de um grupo.

Nós produtores enfrentamos vários problemas, dentre os quais se incluem, a falta de assistência técnica ( existem poucos técnicos que realmente entendem de ovinos, existem muitos aventureiros que usam nossos rebanhos como ¨laboratório¨), a falta de frigoríficos que abatem os animais e fazem o processamento e destribuição dos cortes ( temos um frigorífico na grande BHte que faz abate, tendo licença Municipal, logo, não pode vender fora do município, temos um frigorífico no sul de Minas que faz abate para terceiros( que levam as carcaças para serem feitos os cortes e processamentos fora do Estado) e abate um pequeno número de animais vendendo em São Paulo para a comunidade Judáica.

Vendemos animais vivos para São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e até para a Paraíba. Nossos animais saem daqui com excelente qualidade, vão para outros Estados, são processados e parte volta para cá, como se fossem produzidos fora de Minas.

Precisamos com Urgência, abater, processar e distribuir a carne produzida em Minas, dentro e fora do Estado, para poder agregar valor, e mostrar nossa qualidade.

Posso afirmar com toda certeza que hoje podemos abastecer grande parte do mercado Mineiro e ainda outros Estados. Só o grupo que eu negocio as vendas de animais, tem aproximadamente 15.000 matrizes, que bem trabalhadas, produzem em torno de 23.000

crias por ano, que hoje comercializamos com uma média de 40 quilos vivo, com rendimento de carcaça, por volta de 50%, dando uma média anual produzida de 460.000 quilos de carcaça, estamos falando do total, mas como usamos parte das crias do sexo feminino para repor as matrizes e comercializamos outra parte como matrizes, no final, vai para o abate algo em torno de 280.000 a 300.000 quilos de carcaça ano.

Nossa produção está crescente em quantidade e qualidade, vendemos nossos cordeiros entre 90 até 180 dias de vida, com a qualidade que o mercado busca, que o frigorífico e o consumidor quer.

Hoje falta apoio do Governo e interesse da iniciativa privada em abater e processar a carne que produzimos aqui dentro do Estado de Minas Gerais.

Rogério Fernandes Moreira da Silva

Produtor e Coordenador de Vendas do Grupo ¨UNIÃO CORDEIROS¨

31 8793 4976

rogerio.fms@hotmail.com
LEONARDO DE RAGO NERY ALVES

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 20/05/2015

Prezado Luiz; boa noite.



Parabéns pelo artigo. Excelente trabalho de busca.



É válido ressaltar apenas que a desorganização da cadeia produtiva do nosso Estado, tem raízes profundas.



O produtor que ingressa na atividade é carente de recursos estimulantes para que permaneça na atividade. Outro ponto que chama a atenção é o despreparo do produtor frente ao novo mercado em que ele ingressa. Pouquíssimos são aqueles que possuem recursos gerenciais para manter-se na atividade durante os primeiros anos. Pois, como toda atividade agropecuária, sem um capital de giro, tende a falir nos primeiros anos.



Alem disso, existe a questão técnica. O produtor precisa receber uma assistência técnica adequada, tanto a nível zootécnico quanto ao nível sanitário.



Em outras palavras, ainda se perdem muitos animais no Estado por problemas como verminoses, clostridioses, eimeriose, entre outros; ou quando não se perdem, refugam parte do rebanho. Esse efeito é traduzido em uma despadronização do produto que chega ao frigorífico, cujo critério principal para abate de animais (se não for o único) é o peso. Desse modo, vemos carcaças desuniformes e composição cárnea variada.



E quem reclama, finalmente, é o consumidor. Que encontra em um mesmo tipo de corte, diferentes proporções teciduais (as vezes até mais ossos do que porção comestível).



o lado bom disso tudo, é que exíste uma força contrária a esse processo, que pode resultar no fortalecimento estrutural da cadeia.



Cabe ao produtor acionar seu espírito cooperativista e não mais enxergar outro produtor como um concorrente, mas sim como um apoio. Esse é o princípio de tudo.



Acerca dos cortes, realmente, diversificar agrega valor à carcaça. Mas esse ganho sustenta qual elo da cadeia produtiva afinal? Pois o produtor, que é o segundo elo principal da cadeia (o primeiro é o consumidor), continua recendo entre R4,00 e R6,50 o kg/ vivo do cordeiro produzido.



Mercado consumidor em Belo Horizonte existe, porém com a exigência afiada como a faca que corta um belo carré francês.



Cabe a nós técnicos, direcionar os pensamentos dos produtores àquilo que é bom, para ele e para o mercado.



Atenciosamente;



Leonardo de Rago



Obs.: deixo claro que esse é um problema vivido pela maioria das propriedades produtoras de ovinos; mas que há aquelas que já alcançaram estabilidade e qualidade produtiva.