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Carcinoma de células escamosas

POR LUIZ MERTENS

PRODUÇÃO

EM 07/06/2013

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*Luiz Mertens é médico veterinário autônomo, especializado em assessoria, assistência, consultoria , clínica, cirurgia e reprodução de ruminantes.

Introdução


O carcinoma de células escamosas (CCE) é um tumor maligno dos queratinócitos. Também conhecido como carcinoma de células espinhosas, carcinoma espinocelular ou carcinoma epidermóide.

Vários fatores estão associados ao desenvolvimento desta patologia, incluindo a exposição prolongada a luz ultravioleta, falta de pigmento na epiderme, perda de pêlos ou pouca cobertura de pêlos nos locais afetados. São neoplasias comuns em todas as espécies e podem ocorrer em animais jovens, mas a incidência aumenta com a idade.

Devido à condenações de carcaças em abatedouros, tratamentos e redução na vida reprodutiva, causam grandes perdas econômicas à pecuária. Uma vez que se origina do epitélio escamoso estratificado e tendo como célula de origem o ceratinócito, especialmente as áreas despigmentadas e/ou hipopigmentadas sofrem ação dos componentes ultravioleta presentes na luz solar associados a predisposição genética.

Epidemiologia

O tumor pode ocorrer em diferentes localizações e em diferentes espécies. Vários fatores ligados à raça, como o grau de pigmentação periocular e córneo escleral, podem favorecer o aparecimento dessa neoplasia. Lesões em focinho, orelha e vagina também são frequentes. Fatores ambientais, como a incidência de raios ultravioleta, são responsáveis pelo maior número de casos observados em baixas latitudes, onde há maior exposição direta aos raios solares. (ANDERSON & BADZIOCH, 1991;RADOSTITS, 2002; BLOWEY & WEAVER, 2006).

Nos equinos e bovinos os carcinomas de células escamosas ocorrem primariamente nas junções muco-cutâneas, particularmente nas pálpebras. Nas ovelhas as orelhas são os sítios mais afetados. As fêmeas são afetadas com maior frequência.

Metástases são raras e geralmente observadas em animais com tumores maiores. Nesses casos, êmbolos de células neoplásicas inicialmente atingem os linfonodos da cabeça antes de alcançarem à circulação sanguínea através do ducto torácico. Além dos linfonodos regionais (BLOWEY & WEAVER, 2006), metástases têm sido observadas nos pulmões, no coração, na pleura, no fígado e nos rins (CORDY,1990; DUBIELZIG, 2002). É comum a invasão de tecidos vizinhos, porém somente em alguns casos e somente no estágio terminal da doença ocorre metástase (RADOSTITS, 2002). A invasão intracraniana por carcinoma de células escamosas é raramente relatada (BARROS et al, 2006).

Sinais Clínicos

Inicia com uma dermatose solar, ocorrendo nas junções mucocutâneas ou na pele que está com pouco pêlo e sem pigmentação. Ocorre eritema, edema e descamação que são seguidos por formação de crostas e com subsequente ulceração. Conforme o tumor invade a derme, a área tumoral fica mais firme. Com o tempo as úlceras aumentam de tamanho e profundidade e as infecções bacterianas secundárias resultam em um exsudato purulento na superfície da massa tumoral.

Inicialmente o carcinoma de células escamosas exibe uma hiperplasia dérmica, hiperqueratose, paraqueratose, acantose, aumento da rede dérmica e displasia dos queratinócitos. Os tumores podem ocorrer de duas formas: produtivos ou erosivos. Os produtivos possuem aspecto papilar de tamanho variável com semelhança a um couve-flor, normalmente com superfície ulcerada e que sangram com facilidade. Os erosivos são os mais comuns e formados por úlceras cobertas com crostas, que se tornam profundas e formam crateras.

Figura 1 e 2 - CCE produtivo CCE com infecção e miíase. Fotos de Luiz Mertens.



Diagnóstico

O diagnóstico deve ser realizado com base nas evidências clínicas e epidemiológicas relacionadas com esta neoplasia. O diagnóstico confirmatório é realizado por meio de biópsia e detalhado exame histopatológico de uma amostra adequada da lesão.

Tratamento e controle


O tratamento baseia-se na remoção cirúrgica da lesão com uma boa margem e quanto antes for feito o diagnóstico e cirurgia melhor a chance de preservar as estruturas. Quando o carcinoma é inicial e não é muito invasivo, pode-se optar também para a criocirurgia, que na maioria dos casos apresenta ótimos resultados, porém com um custo alto e profissional especializado.

Figura 3 e 4 -
Enucleação do globo ocular afetado e pós cirúrgico 30 dias após a enucleação. Foto: Luiz Mertens.



Figura 5 e 6 - Remoção cirúrgica do Carcinoma Sutura da cirurgia, preservando as estrutura. Foto: Luiz Mertens.

Conclusão:

O carcinoma de células escamosas é um tumor que afeta todas as espécies e um dos mais comuns nos animais. Deve-se realizar o diagnóstico e tratamento o mais breve possível devido o seu poder de invasão e tendências a infecções secundárias , afim de preservar as estruturas como olho, vagina, ânus, orelhas e focinhos. Devido a sua etiologia multifatorial requer estudos epidemiológicos, com o objetivo de determinar os diversos fatores que causam esse neoplasma.

E os seus animais? Já tiveram problema com essa enfermidade?

Referências Bibliográficas:

ANDERSON, D.E.; BADZIOCH M. Association between solar radiation and ocular squamous cell carcinoma in cattle. American Journal of Veterinary Research,v.52, p.784-788, 1991.

RADOSTITS, O. M., GAY, C. C., BLOOD, D. C., HINCHCLIFF, K. W. Clínica Veterinária: Um Tratado de Doenças dos Bovinos, Ovinos, Caprinos e Eqüinos. 9.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p.1641-1642. 2002.

BLOWEY, R. W., WEAVER, A. D. Color atlas of diseases and disorders of cattle. 2.ed. Philadelphia: Elsevier, p.132-133. 2006.

CORDY, D.R. Tumors of nervous system and eye. In: MOULTON, D.J. Tumors of domestic animals. 3.ed. Berkeley; University of California, 1990. Cap.14, p.640-65.

BARROS, R. R., RECH, R. R., VIOTT, A. M. BARROS, C. S. L. Ocular squamous cell carcinoma in a cow with cerebral invasion through cranial nerves. Ciência Rural, Santa Maria, v.36, n.5, p.1651-1654, set-out, 2006.




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CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 30/06/2014

Isso pode ser fotossensibilização. Que comida comem os seus cordeiros? Se estiverem em pasto de Braquiária, é batata! Tem que tirar do pasto de Braquiaria imediatamente, e prover sombra e protetores hepáticos.
JOÃO LOPES

PIRACICABA - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 29/06/2014

Estou enfrentando um problema e não sei o que é!

Começou com um cordeiro com um inchaço na região dos olhos e orelha, impossibilitando ele de enxergar e agora há um outro cordeiro com o mesmo problema.

O animal fica a toda hora tentando se coçar e acaba se machucando.

Se possivel, teria como voce identificar isso? tem como disponibilizar seu email para eu mandar algumas fotos do animal? Agradeço a atenção
LUIZ MERTENS

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 10/06/2013

Trabalho há muito tempo com Ile...tive alguns casos como os da foto, mas já ví em White Dorper, Sanata Inês, Pool Dorset, independente da raça, o melhor é procurar animais com pigmentação marrom mesmo, como relatou o Sr Marcelo
MARCELO SPINELLI GRAZZIOTIN

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 10/06/2013

Muito Boa a matéria, por isso que indicamos sempre a utilização de animais pigmentados, evitando os chamados "melados", que não tem proteção contra os raios solares. Nos selecionamos animais que tem uma pigmentação marrom em volta da palpebra, que é o correto na Raça Ile de France. ( não confundir com mancha preta em volta dos olhos ) Temos visto muitos animais das raças texel e Ile de France, despigmentados, que não são adequados para produção a campo.  http://www.cabanhadamacena.com.br
CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 10/06/2013

A equipe em que eu trabalho publicou um artigo científico sobre o assunto, descrevendo casos em ovinos lanados sem pigmento (Ile de France) no Estado de SP:

Del Fava et al. (2001): http://www.biologico.sp.gov.br/docs/arq/V68_1/7.pdf