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Caprinocultura leiteira no semi-árido

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO

EM 09/12/2009

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A criação de caprinos é bastante difundida no mundo, estando presente nas mais diversas regiões, especialmente naquelas com limitações nutricionais e ambientais, o que, geralmente, limita a eficiência produtiva e reprodutiva. A peculiaridade de sobrevivência dos caprinos em ambientes hostis constitui-se em uma importante alternativa para o desenvolvimento humano em regiões com baixa oferta de alimentos e clima adverso.

Segundo dados do IBGE (2006), o rebanho caprino brasileiro é constituído por cerca de 7.109.052 cabeças, sendo que 91% estão localizadas na região Nordeste A produção nacional de leite caprino gira em torno dos 21 milhões de litros/ano, nos quais 67% dessa produção localiza-se no semi árido nordestino.

Atualmente, têm registrado uma recente expansão no mercado formal e assim gerando oportunidades de emprego e mercado externo. Possui alguns desafios como: sanidade, nutrição, reprodução, genética, etc, mas com recentes avanços em pesquisas nosso país esta melhorando o sistema de criação de caprinos leiteiros.

Em busca de melhor produtividade, os produtores vêm buscando a utilização de animais com maior potencial genético para produção. No entanto, há uma grande dificuldade em investir em melhoramento genético na caprinocultura leiteira, devido que a técnica de inseminação artificial ainda é pouco eficiente, e assim dificultando a disseminação de uma genética de um rebanho para o outro. Como por exemplo: Se um produtor A tem um reprodutor que apresenta proles com boa produção leiteira e o produtor B de uma fazenda mais distante queria obter proles desse reprodutor com suas matrizes, ele precisaria levar suas fêmeas até a fazenda do produtor A para que ele pudesse obter aquela genética, e isso acaba inviabilizando o sistema. Alguns estudiosos acham que se deve fazer testes de progênie nos rebanhos, para que haja escolha de melhores reprodutores e matrizes para melhorar a genética do plantel, mais para isso ainda faltam à elaboração de muitos trabalhos e testes para se ter bons resultados.

Segundo BNB (1999), apesar dos entraves mencionados anteriormente, a caprinocultura no nordeste brasileiro pode ser considerada um negócio, haja vista a sua adaptabilidade às condições locais, a possibilidade de exploração por todas as categorias de produtores, o crescimento do mercado e o interesse do empresariado local pela atividade. É de conhecimento que a região semi-árida nordestina tem vocação natural para a exploração da caprinocultura leiteira (Filho & Alves 2002), e esta, por sua vez, vem passando por transformações estruturais e que sua produção vem se caracterizando como uma atividade de grande importância cultural, social e econômica para a região, desempenhando um papel crucial no desenvolvimento do Nordeste.

Os produtores de caprinos leiteiros motivados pela boa aceitação em alguns centros e fácil comercialização do leite e de seus derivados, em algumas regiões do país, vêm destacando uma importância relativa destes animais em seus rebanhos. Por isso, estão se adequando ao crescimento desta cadeia produtiva, com o intuito de garantir sua sobrevivência na atividade.

Por esses aspectos, os sistemas produtivos tradicionais deverão emergir em novas formas de organização com enfoque no agronegócio. Os sistemas de produção, segundo Dal Monte, (2008), vêm sendo considerada como meio de verificar procedimentos, de entender um conjunto de práticas ou técnicas adotadas e também, de permitirem diagnósticos mais reais e detalhados no setor agropecuário.

Na atividade de produção leiteira, existem vários tipos de sistema de produção. E dentre esses, segundo Gomes e Zoccal (2001), existem grandes diferenças adotado para os pequenos, médios e grandes produtores, além dos produtores de subsistência. Dal Monte (2008) menciona que as características básicas da grande maioria desses sistemas são: baixo nível de informação dos produtores; produção não especializada; baixa produtividade; e pequenos volumes de produção. A grande quantidade de pequenos produtores cerca de 80% é responsável por somente 20% da produção, enquanto produtores com maiores volumes em torno de 20% são responsáveis por 80% da produção.

Dal Monte (2008) menciona que existem diferentes critérios para classificar os sistemas de produção, dependendo do objetivo a que se destina. Assim, os sistemas de produção podem ser caracterizados como intensivos, semi-intensivos e extensivos; com uso da mão-de-obra familiar ou contratada. Esses conceitos estão associados ao nível de tecnologia e produtividade, bastante elevada no primeiro, e precário ou quase inexistente no último. Portanto, na região nordeste do Brasil, a criação em pastejo rotacionado pode ser considerada um sistema intensivo, assim como a utilização racional da caatinga pode ser considerado semi-intensivo, da mesma forma que uma pastagem cultivada utilizada sem um manejo adequado pode ser considerada um sistema intensivo.

Qualquer sistema de criação deve considerar uma série de áreas de atuação. Todos os itens estão interligados e os resultados só serão satisfatórios se a atuação ocorrer em todos os segmentos, de forma contínua, organizada e coordenada, com o nível de esforço necessário e compatível com cada setor. É de fundamental importância o conceito de adequação ao sistema de produção, ou seja, o que funciona em uma situação não apresentará necessariamente os mesmos resultados em um sistema com características diferentes.

Referências bibliográficas

BNB. Programa de desenvolvimento sustentável da caprino-ovinocultura no Nordeste. Fortaleza: Banco do Nordeste, 1999.

DAL MONTE,H. L. B; Gestão técnico-econômica da produção de leite de cabra nos cariris paraibanos (Tese de doutorado) Universidade Federal da Paraíba, Programa de Doutorado Integrado em Zootecnia, Areia, 2008; 211p.

FILHO,N.A.; ALVES,O.M. Potencialidades da cadeia produtiva da ovinocaprinocultura na região Nordeste do Brasil. Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste- ETENE. Sobral: Banco do Nordeste do Brasil, 2002.

GOMES, A. T.; ZOCCAL, R. Caracterização da produção de leite nos principais regiões produtoras do "País". In: MARTINS, C. E. et al. (Org.). Sustentabilidade na produção de leite no leste mineiro. Juiz de Fora: Embrapa Gado de Leite, 2001, p. 7-17.

IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; Censo agropec., Rio de Janeiro, p.1-146, 2006.

SUELI FREITAS DOS SANTOS

Zootecnista

RENAN M. MEDEIROS SANSON

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ELISANGELA MIRANDA DE OLIVEIRA

TIMON - MARANHÃO - ESTUDANTE

EM 12/02/2011

Doutora Sueli Freitas dos Santos, gostaria de receber artigos relacionados com a caprinocultura leiteira no semi-árido, pois pretendo desenvolver um trabalho relacionado com raças leiteiras.
MARILIA BATISTA DOS SANTOS

SÃO MIGUEL DOS CAMPOS - ALAGOAS - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE CORTE

EM 24/07/2010

Parabéns aos prezados colegas da cadeia acadêmica pelo bom artigo.
JOSE GUEDES NETO

SOLONÓPOLE - CEARÁ

EM 10/05/2010

Parabens aos caros colegas pelo artigo.