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Capineira: Capim-Elefante ou Cana de açúcar?

POR THIAGO FERNANDES BERNARDES

E RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/04/2013

3 MIN DE LEITURA

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O capim-Elefante é tradicionalmente cultivado como capineira em várias regiões do nosso País com o intuito de manter os estoques forrageiros, principalmente durante a estação seca. Contudo, a cada ano que passa a cana de açúcar ganha mais destaque como volumoso no plano alimentar dos animais em função da sua alta capacidade de produção de matéria seca/ha e alta concentração de sacarose, fatores estes que impactam positivamente nos custos de alimentação, especialmente em rebanhos especializados.

Porém, antes de entrarmos em uma discussão mais profunda sobre as culturas, nós gostaríamos de fazer uma reflexão sobre a situação das cadeias produtivas brasileiras, principalmente a do leite. Os dados do último censo agropecuário realizado no Brasil (IBGE, 2006) mostraram que os pequenos produtores representavam a maioria em diversas cadeias produtivas. Na atividade leiteira, por exemplo, 58% deles possuíam pequenas propriedades ou desenvolviam agricultura familiar. Outro dado do censo de 2006 mostrou que, em média, as fazendas leiteiras brasileiras possuem apenas 24 vacas e que a produtividade dos animais é baixa. Se considerarmos os 10 países que mais produzem leite no mundo, o Brasil possui as vacas menos produtivas, estando somente atrás da Índia (USDA, 2012). Então, o cenário da maioria é: rebanho pequeno e não especializado.

Desse modo, as questões que nos intrigam são: Todas as propriedades devem possuir cana de açúcar como volumoso suplementar ou o capim-Elefante ainda nos interessa? Nós vamos ‘tapar os olhos’ para a maioria dos produtores e vamos olhar somente para os ‘grandões’, ou seja, recomendar em qualquer caso a cana de açúcar?

Nós levantamos estes questionamentos porque a maioria dos técnicos pensa somente naqueles pecuaristas que podem pagar por uma assistência técnica, os quais são capitalizados e produzem animais de melhor genética, e as políticas públicas brasileiras esquecem-se da maioria a qual, infelizmente, é descapitalizada e se encontra em uma situação de ‘abandono’. Desse modo, os pequenos ouvem sobre as recomendações feitas aos capitalizados, as quais nem sempre são úteis a eles. Um exemplo desta situação é qual cultura utilizar como capineira e, no fervor da era cana de açúcar, muitos pequenos substituíram a capineira de capim-Elefante por cana e agora estão retornando ao capim, pois não foram apresentadas a eles as diferenças de cunho agronômico e logístico que estas espécies possuem. Portanto, na Tabela 1 se encontram algumas vantagens e as desvantagens de cada cultura, cabendo ao técnico ou ao produtor fazer a sua escolha de acordo com a realidade do seu sistema de produção.

Tabela 1. Algumas vantagens e desvantagens das principais culturas utilizadas como capineira


Ressalta-se que o capim-Elefante demanda uma adequada reposição de nutrientes em sincronia à realização dos cortes, o que invariavelmente é negligenciado, pois o crescimento desta espécie, assim como dos demais capins tropicais, concentra-se na época de abundância das chuvas. O maior problema, no entanto, é verificado quanto ao modo como são conduzidos os cortes das capineiras. É comum observar crescimento máximo durante a época das águas, resultando em materiais altamente fibrosos e pobres em nutrientes para serem utilizados na época seca.

Para finalizar, gostaríamos de pontuar os seguintes aspectos, os quais merecem reflexão:

• As culturas não competem entre si, ou seja, nós devemos analisar os aspectos agronômicos, logísticos, econômicos e de infraestrutura, inclusive a disponibilidade e qualidade da mão de obra para decidirmos qual espécie cultivar;
• A cana de açúcar deve continuar sendo incorporada nos sistemas de produção brasileiros, contudo, com cautela, pois poderemos ‘queimar’ esta tecnologia caso ela não seja bem entendida por aqueles que a usam;
• O capim-Elefante pode e deve ser utilizado como opção forrageira, na forma de capineira, principalmente por aqueles que criam animais de baixo potencial de produção, que não possuem estrutura suficiente para substituir um canavial a cada 5-6 anos e que não consigam mudas de variedades produtivas de cana com certa facilidade. Isso não significa que nós estamos estimulando a baixa produtividade das fazendas. Apenas estamos adequando às situações do presente para que se tenha um cenário diferente e promissor para o futuro.
 

THIAGO FERNANDES BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

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ANTONIO ANIDA PEGORIN

BARIRI - SÃO PAULO

EM 17/02/2020

Bom dia!
Tenho um pequeno sítio e optei por criar bovinos e vendê-los a quem termina o crescimento e engorda. Plantei um espaço de terra em capim elefante para fazer um silo esterno para estocar o alimento e tratar os animais em semi confinamento. Estou pensando em adicionar um percentual milho moído (quirela/fubá) junto com a massa triturada a ser coberta com a manta. Há também quem adicione 1% de ureia na cana.
Pergunto:
1) a adição do milho é uma boa ideia?
2) a ureia é valida somente para a cana ou posso colocar também no capim elefante?
3) A manta preta e branca de 125 micras serve?
4) há necessidade de inoculante?
RONI THAY

EM 20/08/2017

Boa noite a todos!

Sei que o assunto em pauta é sobre capineira. Mas gostaria de pedir uma sugestão sobre o processo de irrigação de piquetes. Tenho um sítio onde pretendo implantar o pastejo rotacionado, mas para isso dá realmente certo, preciso organizar a questão da minha água.

O rio que eu irei usufruir está a mais ou menos 500 metros dos futuros piquetes. Alguém poderia me ajudar a saber qual seria o melhor tipo de bomba e materiais a serem utilizados?
ADILTON FERRAZ

POTIRAGUÁ - BAHIA

EM 29/05/2015

Boa tarde

                  Muito interessante o debate  sobre o uso de cana X napier. acho que cada um tem seu espaço dentro da alimentação dos bovinos, ambos podem serem enriquecidos nas suas deficiências através da adição no cocho.

                  Ex; Adicionar melaço  para o napier ou complementar com milho moido e adicionar uma fonte proteica a cana, nitrogenio não proteico ( Uréia) ou complementar com concentrado.

Att

Adilton Ferraz

   

                   
MARCELO ERTHAL PIRES

BOM JARDIM - RIO DE JANEIRO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 19/05/2015

Caro José Roberto

dentro do possível, tentarei lhe ajudar, ainda tenho ligações com minha terra natal !

Me ligue no TIM 91 - 9 8074.2144  ou email:  tiftoncana@bol.com.br



                    Um abraço, lhe aguardo !



                                                
JOSÉ ROBERTO DA ROCHA

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO

EM 19/05/2015

Boa tarde Caro  Marcelo Erthal, moro no Rio de janeiro RJ, e quero ir para o campo voltar ás minha origem estou pesquisando para montar um pequeno projeto de criação, que eu ainda não sei qual será,tenho muita vontade de produzir leite, mas to com dificuldade para ter informações sobre a produção de leite,como preço, mercado,custo de produção,Etc... se puder me ajudar serei muito grato. Você tem mudas de cana com boa produção?

Att: Zé Roberto

MARCELO ERTHAL PIRES

BOM JARDIM - RIO DE JANEIRO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 19/05/2015

Caro Alis

desconhece o potencial de uma boa 'cana' picada bem fina com ureia + sulfato de amônia !

Sem compara são, mas deve ter muita dificuldade aí para obter uma cana produtiva, brix alto ...

                   Um abraço e votos de sucesso !
ALIS RAMON DASILVA GUEVARA

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/05/2015

O capim elefante e a cana são muito bom mais eu uso o capim taiwan e a marafalfa com bon resultados para os pequenos produtores e muito bom.
EVANDRO CARLOS FDA CRUZ

JARDIM ALEGRE - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/12/2014

pretendo usar o capim elefante porque os resultados são bons
JOSÉ CARLOS RODRIGUES DA LUZ

SERRA TALHADA - PERNAMBUCO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/12/2014

Olá Senhores!  Permitam-me sugerir :  Para os sertanejos (nós do semiárido) que dispõem de água o suficiente para o cultivo irrigado, podemos utilizar  tanto a cana, como o capim elefante. Porém , entendo que um pouquinho de sorgo +capim elefante ; ou um pouquinho de milho após a venda das primeiras espigas e ou o pé completo  em estado de maturação + capim elefante em quantidades  e qualidades controladas, juntamente com outros nutrientes  oferecidos pela mãe natureza CAATINGA raleada e bem cuidada poderá suprir o suficiente para nutrir  suficientemente seus rebanhos  desde que cuidadosamente tratados. Lembrando-lhes que as receitas aplicadas ao agronegócio brasileiro (sul e sudeste e centro-oeste) não poderão causar terror aos Nordestinos. Cada  um só  deve contar com aquilo que tem , e, não é o tanto e sim o quanto se pode oferece em qualidade nutricional balanceada.  Abraços. JcLuz. 13/dez.2014.
JOSÉ ROBERTO DA ROCHA

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO

EM 07/11/2014

Boa noite, caro Thiago, muito obrigado pelo esclarecimento de mais uma duvida, quero começar tudo dentro dos conceito de qualidade.



Um Grande abraço, ATT:  José Roberto
THIAGO FERNANDES BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 04/11/2014

Caro José Roberto, as forragens devem ser picadas. Afie bem as facas da picadora de modo que as partículas possam fica bem uniformes. No caso de cordeiros em confinamento as partículas devem ser bem pequenas (tamanho médio de 3 cm).



Att,



Thiago Bernardes
JOSÉ ROBERTO DA ROCHA

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO

EM 04/11/2014

Bom dia Thiago, muito obrigado pelo esclarecimento,é muito bom poder contar com grandes profissionais. por favor mais uma duvida: para ovinos em regime de confinamento, o capim elefante e cana  devem ser picado ou triturado? se for picado qual tamanho da partícula? principalmente a cana que é mais grosa!



Um grande abraço,  José Roberto
THIAGO FERNANDES BERNARDES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 03/11/2014

Caro José Roberto, não é viável utilizar somente o volumoso como dieta do animal. Nenhum volumoso que utilizamos no Brasil é capaz de suprir todas as exigências de nutrientes que um animal necessita, nem mesmo em condições de mantença.

Para você recriar e engordar os animais terá que adicionar concentrado. Para saber a quantidade diária e quais concentrados você terá que contratar um nutricionista para balancear a dieta.

Sucesso!

Att,



Thiago Bernardes
JOSÉ ROBERTO DA ROCHA

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO

EM 31/10/2014

Estou, muito satisfeito em participar de algo tão esclarecedor, meus parabens a todos e meus sinceros agredecimentos ao Thiago & Rafael.



Zé Roberto
JOSÉ ROBERTO DA ROCHA

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO

EM 31/10/2014

Boa noite caros, Rafael & Tiago o artigo muito bom, e esclarecedor, e analisando todo  os comentários,sem duvidas um complementa o outro já que os mesmo tem seu maior potencial em épocas,opostas, em relação a manejo nem entro no mérito da questão, pois nada sem o manejo correto funciona.



Tenho uma pergunta direta, é viável  economicamente fazer recria e engorda de bovinos, em regime de confinamento, usando somente capineira, sem suplementos de concentrados? Podemos pegar como ex. o capim elefante e a cana -de- Açucar. um grade abraço, e espero a suas opiniões.  Zé Roberto  - RJ
EVANDRO CARLOS FDA CRUZ

JARDIM ALEGRE - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/03/2014

concordo, mas na minha região nossa preucupação não e a seca sim as geadas,ai e que trabalhamos com cana no frio com resultado satisfatorio....
PAULO ROBERTO VIANA FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 09/03/2014

O napier(peninsetum) é uma graminea tropical e deve ser usada no verão(águas).

A cana corrigida deve ser usada na seca. Tudo deve ser planejado, por nossa vaca se alimenta 365 dias .  

A cana não é adversario  do napier, Um deve complementar o outro, quando planejado.

Não vejo motivo da discussão. Vejo falta de conhecimento e os pequenos mal informados;

No programa BALDE CHEIO o pequeno sera bem informado. Paulo Viana
RODRIGO

DIVINÓPOLIS - MINAS GERAIS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 06/12/2013

Alguém já fez silo de cana? como foi resultado?

Pelo que vi até hoje, não vi ninguém que gostou

Cana picada pro coxo é uma maravilha com ureia, problema que é apenas 1 corte por ano

E como é o silo de Napier? resultados?

Se faz 3x cortes ao ano, é uma vantagem pro produtor pequeno viu
MARCELO ERTHAL PIRES

BELÉM - PARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/12/2013

Caro 'capixaba' Uanderson Athayde,

estou de coração desarmado ! É um prazer falar com 'gente que estuda e se interessa pelo bem dos produtores', gosto de debates limpos e técnicos, colocou interesses financeiros, já descamba !  As vezes ficou um tanto chateado com que quer fazer os produtores de tolos, os produtores são espezinhados de várias formas!

A cana que você refere-se deve ser a IAC 86-2480 (de destino "forrageiro'), uma boa cana para quem trabalha com cana para gado de forma equivocada, mas isto é um assunto grande e para outra hora !

(*) Não posso com o caldo de cana, apesar de apreciar muito !



A cana para gado de leite se provou um grande alimento, mas com os devidos cuidados.

Creio eu,  que o leite iria muito bem por aqui, com alguns muitos ajustes do trabalho dentro de um sistema semi confinado, principalmente, um animal de maior capacidade de suportar o estress calórico, cruzado para o faze-lo !



                                        Um grande abraço e votos de sucesso !



















UANDERSON ATHAYDE MOURA

TOMÉ-AÇU - PARÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/12/2013

Prezado Marcelo Erthal Pires,



Bom dia. Fico feliz que meu (s) comentário (s) lhe demostrou interesse (amigavelmente  e sinceramente falando é claro!).

  

Bom, não sei se vossa senhoria reparou, mas quando cito "02 cortes/ano", além de ser "hipoteticamente falando é claro!" coloco "ainda" entre parênteses (depende do ponto de vista técnico etc.), pois já vi técnico, inclusive  usineiro afirmando ser possível tal ato. Mas...concordo plenamente com vossa senhoria (01 corte/ano) ok!



Bom, com relação ao hábito comportamental na Amazônia, ainda não tive acesso em trabalhos científicos "sobre tal material aqui", pois sou do Estado do Espírito Santo (Faz 03 anos que estou aqui). Possa ser que tenha faltado interesse né, Mas... acredito que, para uma planta C4, presente ainda há uma região com oferta de 11-12 horas.luz.dia e com um ótimo índice pluviométrico (2.800 mm), restando-se apenas saber como assimilar Clima: super. úmido  Vs. Patogenicidade. acredito que teria chaces para dar certo! vc não acha? Acredito que um LATOSSOLO venha a calhar (onde as vi por aqui implantada).



Tive acesso há alguns ensaios, de fazendas, onde os materiais: RB 72454 e IAC 2486 apresentaram: 90 - 120 ton./ha em "massa verde", e inclusive uma delas sendo usada "também" para produção em caldo de cana, com a parceria de uma cervejaria local (a cervejaria envasa o produto com aromatizantes). Aí em Belém tem o produto comercializado.



-fazenda Estrela D'alva (Dalmo Zanni, Tomé-Açu/PA);

-fazenda Dragão do Norte (Elias Couvre, Tomé-Açu/PA);

-Fazenda Vitória (Jaime Baptista, Santa-Izabel/PA).



Lhe aconselho há visita-las (caso ainda não tenha indo é claro!). Lembrando que: ambas são de Produção  em Bovinocultura de corte.  



Acredito que o principal obstáculo aqui para a difusão do parque canavieiro seja o novo ZEE (este tira a região Norte do país para produção tal).



Gostaria de saber de vossa senhoria como o leite se comporta aqui ?  



                                             Um abraço e votos de sucesso !