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Cana-de-açúcar in natura: quatro perguntas, quatro respostas

POR RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

E THIAGO FERNANDES BERNARDES

PRODUÇÃO

EM 27/10/2011

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Embora o período de estiagem esteja se finalizando na região Centro-Sul do nosso país e o uso da cana-de-açúcar (colhida fresca) na dieta de ruminantes decrescendo, em função do clima (início das chuvas), nós achamos pertinente abordar este assunto aqui nesta seção novamente.

O que nos motivou a tal fato é que durante o curso online sobre cana-de-açúcar na alimentação animal, o qual é oferecido pela AgriPoint, ficamos surpreendidos com a frequência com que as perguntas descritas abaixo tomaram parte do fórum de discussões. Isso significa que os produtores e técnicos ainda enfrentam dificuldades básicas quando o assunto é cana-de-açúcar no plano alimentar dos animais.

Desse modo, seguem os quatro questionamentos mais comentados ao longo do curso:

1. Qual a melhor variedade de cana-de-açúcar para a alimentação animal?

Resposta: A variedade que têm mudas disponíveis e que possui bom desempenho agronômico na sua região. O que resolveria se nós lhe disséssemos que a variedade XX XXXX é a ideal, a qual não apresenta mudas disponíveis para o plantio ao longo dos anos? Portanto, se a sua propriedade se encontra numa zona sucroalcooleira, utilize as variedades que a usina recomenda aos seus fornecedores (produtores) que os seus animais estarão bem servidos.

2. Quantas variedades devem fazer parte do canavial?

Resposta: Pelo menos duas variedades, o ideal é três. Essa recomendação pode ser fundamentada no conceito que as usinas utilizam sobre o Período de Utilização Industrial (PUI), ou seja, as mesmas exploram as variedades de cana-de-açúcar com base em maturação (precoce, média ou tardia). Desse modo, o pecuarista poderia utilizar a denominação PUA (Período de Utilização Animal), colhendo as variedades nos respectivos picos de sacarose, as quais apresentariam menor concentração de fibra.

3. Quando se usa a cana-de-açúcar na forma in natura (fresca) é necessário adicionar cal?

Resposta: NÃO. A cal só dificulta o manejo na maioria das propriedades, pois é um fator a mais a ser embutido no dia-a-dia da fazenda. A justificativa para se utilizar cal é para não se realizar cortes diários. Contudo, nós recomendamos que você estoque cana-de-açúcar sem fazer a moagem, por um período de até cinco dias, o que pode facilitar o manejo.

A outra justificativa para tal uso é o discurso que a cal promove hidrólise da fibra. Veja bem, o que queremos da planta de cana é o seu alto teor de sacarose, ou seja, não estamos preocupados em melhorar fibra. Cana-de-açúcar tem baixa concentração desse componente (FDN entre 45-50%; Capim-Elefante, por exemplo apresenta 70%), contudo a fibra presente é de baixa digestibilidade. Desse modo, teremos que conviver com isso e adequar o seu uso de acordo com a categoria animal.

Caso você queira explorar o que a cana-de-açúcar tem de positivo, faça um bom manejo do seu canavial, explorando o pico de maturação das variedades. Além desta estratégia invista em manejo pós-corte, despalhando os colmos.

Em experimentos realizados na Universidade Federal de Lavras (UFLA), Siécola Júnior (2011), encontrou resposta positiva em ganho de peso de novilhas leiteiras quando a planta despalhada foi comparada com a cana integral (palhas e ponteiro). Em outro estudo do mesmo autor, a cana despalhada tendeu a aumentar a digestibilidade da dieta e as vacas apresentaram produção de leite numericamente superior frente à cana integral (com palhas e ponteiro). Isso nos remete a pensar que a gestão do canavial e do pós-corte é essencial quando se deseja elevar a eficiência com dietas a base de cana. Resumindo: A cal não melhora o valor nutricional do volumoso!

4. A cana-de-açúcar, obrigatoriamente, deve ser utilizada com ureia?

Resposta: NÃO. A ureia é apenas um ingrediente fornecedor de nitrogênio (proteína bruta). Outros ingredientes proteicos (farelo de soja; caroço de algodão) podem e devem ser utilizados na dieta com cana, principalmente para animais de maior exigência nutricional. Por muito tempo a "receita" cana + ureia + sulfato de amônio foi recomendada, apesar de sabermos que não existe "receita" quando o assunto é dieta.

Ao adicionar 1% dessa mistura (ureia+sulfato) à cana e oferecer aos animais, você estará ofertando a eles uma dieta que será capaz de promover desempenho animal medíocre, além de exceder a quantidade de nitrogênio não protéico (NNP) que o animal é capaz de metabolizar. Portanto, a ureia é apenas um ingrediente de rações como os demais apontados acima são. Ela se diferencia deles por ofertar NNP e não proteína verdadeira. A sua inserção na dieta pode ser importante apenas quando se quer ajustar o fornecimento desta fração (NNP) no ambiente ruminal.

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

THIAGO FERNANDES BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

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