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Brucelose ovina (epididimite dos carneiros)

POR FRANCISCO LOBATO

E RONNIE ANTUNES DE ASSIS

PRODUÇÃO

EM 17/07/2006

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Introdução

A brucelose ovina é uma doença infecciosa causada por bactéria da família Brucellaceae, gênero Brucella, espécie Brucella ovis que causa infecção caracterizada por redução da fertilidade e aborto nas ovelhas, aumento da mortalidade perinatal de cordeiros e principalmente epididimite nos carneiros.

Além de infectar os ovinos, também pode atingir cabras, veados e o homem. No entanto, não possui caráter zoonótico.

Epidemiologia

A brucelose dos ovinos por muito tempo estava amplamente difundida e já foi relatada em todos continentes e países onde há a criação de ovinos. Já foi comprovada a presença na África, Europa, Austrália, Nova Zelândia, Argentina , Chile, Peru, Uruguai, Estados Unidos, Canadá e Brasil (especialmente Rio Grande do Sul), observando-se índices de 60%-75%.

A partir da década de 90, ocorreu uma ascensão da ovinocultura de carne em relação à destinada a produção de lã. Em especial, houve um aumento da criação de ovinos da raça Santa Inês, principalmente nos Estados do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste.

O rebanho nacional possui aproximadamente 14 milhões de ovinos distribuídos da seguinte forma:

Tabela 1. Demonstrativo do rebanhos principais Estados criadores de ovinos


No Brasil não existem programas destinados a atender a sanidade das criações de ovinos, pois a brucelose ovina é considerada uma doença sem importância, somente é dada ênfase quando surgem casos de epididimite dos carneiros.

Transmissão

A via de transmissão entre os machos é preferencialmente venérea, podendo também ocorrer de forma passiva dentro do rebanho ou através do contato ativo entre os carneiros e as ovelhas. A infecção no grupo de machos também pode ocorrer através das vias aéreas, saliva e pelo hábito homossexual.

Aparentemente as ovelhas são menos atingidas do que os carneiros, e o sintoma clínico é manifestado durante o período de reprodução, quando a infecção progride resultando em morte embrionária ou nascimentos de cordeiros débeis e fracos. Nas ovelhas abortadas, as brucelas podem estar presentes por período de até 60 dias, sendo eliminadas gradativamente pelas descargas uterinas, placentárias e no leite.

Apesar da doença se manifestar com o aborto nas fêmeas, é pouco considerada nas mesmas, pois a ovelha produz uma "autocura temporária", caracterizada pela migração das brucelas para linfonodos e desse modo, pode a doença manifestar novamente em outra estação reprodutiva.

A via de infecção nos machos é preferencialmente através da contaminação bacteriana da mucosa do prepúcio. Deve-se considerar também a infecção via conjuntival e oral.

Aspectos econômicos

Em rebanhos endêmicos há aumento na reposição de machos, que pode chegar à 30% aproximadamente e, em rebanhos recém infectados, a faixa de reposição varia de 15 a 20%.

Os custos de um programa de controle estão relacionados com alguns fatores, dentre eles:
  • Consultoria de um Médico Veterinário

  • Exames laboratoriais rotineiros

  • Reposição de machos no plantel

  • Abortos nas ovelhas, mortes de cordeiros no período perinatal
Patogenia

A penetração das brucelas ocorre principalmente pela mucosa prepucial ou ocular no macho e vaginal na ovelha. Nesses locais, as bactérias são capturadas pelos macrófagos, devido a uma importante propriedade das brucelas associada à virulência, na qual detém a habilidade de sobreviver e multiplicar no interior das células fagocitárias (impedir fusão do lissosomas com o fagossoma). Este fator está ligado principalmente às estruturas da parede bacteriana. Em seguida, as brucelas reproduzem e são transportadas até o linfonodo regional, onde reproduzem novamente e causam uma bacteremia que culmina pela colonização dos órgãos alvos (útero grávido da ovelha e epidídimo dos carneiros).

Sinais clínicos

O primeiro sinal clínico nos machos é a deterioração da qualidade do sêmen. São também observados: reação inflamatória na bolsa escrotal e reações sistêmicas como febre, taquipnéia e depressão. Quando a síndrome desaparece, é possível verificar através da palpação, alterações no epidídimo, testículos com tamanhos diferenciados e aumento do tamanho da bolsa escrotal.

Nas ovelhas, observa-se: aumento do período da estação de monta com repetição de cios (superior a 45 dias), aumento do número de abortos, aumento do número de nascimentos de cordeiros fracos/débeis e nos cordeiros, mortalidade perinatal.

Referências

BLOOD, D.C., RADOSTITS, O.M., ARUNDEL J.H. Clinica veterinária.7 ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 989, p. 637-646.

OFFICE INTERNACIONAL DES EPIZOOTIES- Manual of standards for diagnostic test and vaccines. 3ºed., Paris: OIE,1996, p 346-362.

MORAIS, O. O Melhoramento Genético dos Ovinos no Brasil: Situação Atual e Perspectivas Para o Futuro. www.ovinocultura.com.br/artigo3.htm

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PAULO ANEZI

AUGUSTO PESTANA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/06/2013

Não sei se eu estou ficando louco, mas Brucela bovis não existe...
JONAS RAFAEL WEBER STEFFANELLO

SORRISO - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 15/05/2008

Dr. Francisco Lobato

Se utilizamos machos castrados como rufiões, método com ECP, estes machos podem transmitir a doença para as ovelhas, uma vez que não possuem mais o epididimo?
RONNIE ANTUNES DE ASSIS

MATOZINHOS - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 31/01/2008

Prezado Rodrigo Jose Tomasi,


Não é necessário vacinar.
RODRIGO JOSE TOMASI

GAMA - DISTRITO FEDERAL

EM 26/01/2008

Ola pessoal, gostaria de saber se há necessidade de vacinar as ovelhas contra brucelose se eu for inseminá-las.
FRANCISCO LOBATO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 12/09/2006

Álvaro,
A brucelose ovina causada pela <i>Brucella ovis</i>, que é uma espécie diferente da <i>Brucella bovis</i>, não é patogenica para o homem.
Mas quando estes espécies estão infectadas com a <i>Brucella bovis</i> pode haver transmissão para o homem.
FRANCISCO LOBATO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 12/09/2006

Alexandre,
O teste de soro aglutinação no Brasil é feito para a pesquisa de <i>Brucella abortus</i>, a epididimite dos carneiros é causado pela <i>Brucella ovis</i>, uma outra espécie de <i>Brucella</i> que não dá reação com o antígeno empregado.

O tratamento em animais não é recomendado , tanto em relação ao custo como também no controle da doença que deve ser feito com a eliminação do animais doentes
FRANCISCO LOBATO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 12/09/2006

Paulo,
Não sei da existência de laboratório credenciado em São Paulo, mas acho pouco provável pois o antígeno para <i>Brucella</i> não estava sendo mais produzido no país e o teste é de imunodifusão e não aglutinação como na brucelose bovina.
FRANCISCO LOBATO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 12/09/2006

Patrick,

A utilização da vacina B19 seria indicada para a prevenção da Brucelose por <i>Brucella bovis</i> que é o mesmo agente da brucelose bovina. Não existe no Brasil nenhuma vacina contra a infecção por <i>Brucella ovis.</i>

FERNANDO EMILIOPAMPANI

BAURU - SÃO PAULO - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 29/08/2006

Outro fator limitante para se diagnosticar a doença é o local para onde o médico veterinário que assiste as propriedades deve encaminhar as amostras do soro para realização dos exames, pois esses locais nem sempre têm à disposição o antígeno espeícfico para diagnosticar a <i>B. ovis</i>.
ALEXANDRE A. PASQUALINI

ESPÍRITO SANTO DO PINHAL - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/08/2006

Ola Drs,
O emprego do teste de soro aglutinação rápida é de valia pra triagem do plantel?
E qual seria a perspectiva de tratamentos em animais de maior valor comercial?
Grato.
Alexandre Pasqualini
PAULO JOSÉ THEOPHILO GERTNER

LAURO DE FREITAS - BAHIA

EM 13/08/2006

A importância do controle, muitas vezes passa desapercebida pelos criadores, no entanto os danos são silenciosos, aparecendo nos índices reprodutivos aquém dos esperados.

Paulo José Theophilo Gertner (Zeca)
PAULO CESAR DIAS THOMAZELLA

SOROCABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/07/2006

Gostaria de saber, como médico veterinário, se existe algum laboratório no estado de São Paulo que realiza o exame de brucelose e se pode-se usar o mesmo antígeno de bovinos. Grato pela atenção.
ÁLVARO FERREIRA JÚNIOR

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 25/07/2006

Prof. Lobato,
Não compreendi porque a brucelose ovina e caprina não são caracterizadas com zoonoses, gostaria que o senhor explicasse este ponto.
Obrigado
Abraço
PATRICK PEDROSA SANT'ANA

PARAGUAÇU PAULISTA - SÃO PAULO - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 23/07/2006

Bom gostei da matéria, mas devemos vacinar os ovinos com vacinas B19, isto já vem sendo feito pelos criadores ou devemos orientá-los. Pois como sabemos os prejuizos são muitos. Obrigado.