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Banco de proteína de Leucena, mais uma alternativa interessante

POR JUNIO CESAR MARTINEZ

PRODUÇÃO

EM 10/11/2009

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A leucena é originária da América Central, e nas regiões tropicais de solos férteis bem drenados, esta leguminosa pode produzir, a baixo custo, elevadas quantidades de proteína para serem empregadas na alimentação animal. É uma planta de grande aceitação pelos animais e de grande tolerância à seca, mantendo-se verde durante praticamente todo o ano. A leucena é uma planta perene, e são citados plantios com mais de 40 anos em utilização sem apresentar definhamento.

Experimentos conduzidos em Campo Grande (MS), em Latossolo Vermelho Escuro com pH em torno de 5,5 e com teor de alumínio 0,3 a 0,5, mostraram que aplicações de 4 toneladas de calcário dolomítico por hectare e adubação de 450 kg de superfosfato simples mais 40 kg de FTE-Br16/ha, possibilitaram a obtenção de produções de 5,5 a 6,0 t de MS/ha, na fração utilizável para forragem (folhas + vagens + hastes finas). No entanto, em anos de seca acentuada, a produção de outono é bastante baixa (1,5 a 2,0 t de MS/ha). No CNPGC (Centro de Pesquisa Nacional de Gado de Corte), em Campo Grande (MS), estão sendo efetuadas pesquisas, visando a seleção de leucenas para sua adaptação a solos ácidos e que deverão levar à indicação de variedades dentro dos próximos anos.

Para que a leguminosa possa desenvolver-se normalmente, precisa estar nodulada com uma bactéria (Rhizobium). Os nódulos formados por esta bactéria situam-se em pequenas raízes laterais, próximas à superfície do solo e, quando efetivos na fixação de nitrogênio atmosférico, apresentam cor rosada intensa e podem fixar anualmente mais de 500 kg de N/ha. Para melhor adesão do inoculante as sementes, deve-se aplicar o inoculante com adesivo preparado com polvilho, semelhante ao que já foi descrito para o guandu. Emprega-se meio litro de adesivo para cada pacote de inoculante de 200 g, quantidade suficiente para inocular 50 kg de sementes. As sementes inoculadas devem ser mantidas à sombra e semeadas o mais breve possível.


Figura 1. Leucena consorciada com milho.

A leucena deverá ser semeada na primavera, podendo-se usar plantio manual ou mecanizado, colocando-se as sementes no máximo a 1,5 cm de profundidade. Os melhores resultados de estabelecimento são de plantio de outubro-novembro, que coincidem com a época de chuvas abundantes. Plantios tardios, em janeiro, levam a atraso na formação, cujo "stand" somente se estabelece adequadamente no segundo ano.

Dependendo do propósito a que se destina, o espaçamento e a quantidade de sementes poderão variar bastante. Em plantios densos, para serem usados em cortes freqüentes, o espaçamento será de 1 metro entre linhas, com uma cova a cada 30 cm na linha. Serão colocadas três sementes por cova e, quando o plantio for mecânico, serão colocadas 9 a 10 sementes por metro linear. Quando a leucena for plantada para pastejo direto, serão empregados espaçamentos maiores (2 a 3 m entre linhas), com uma cova por metro linear e 3 sementes por cova. Poderá ser usado, ainda, plantio com espaçamento de 5 metros entre linhas, quando a leucena for plantada em faixas, consorciada com gramíneas, para uso em pastejo rotativo.

Em legumineiras onde se visa o pastejo direto durante a estação seca, o espaçamento de 3 m entre linhas tem mostrado ser adequado, porque facilita a circulação dos animais dentro de legumineira, favorece as operações de corte das hastes remanescentes do pastejo ao final do período de suplementação e favorece também o deslocamento de máquinas em operações de capina e aplicação de adubos. Quando o manejo empregado for o de pastejo direto durante a seca, é conveniente, ao final da estação de suplementação, efetuar o corte das hastes lenhosas remanescentes a 15-20 cm de altura, para que ocorra novo rebrote e que se mantenha a leucena com um porte acessível ao pastejo direto na estação seca seguinte.

A leucena tem excelente valor protéico. O teor de proteína bruta na fração de folhas + vagens situa-se entre 21 e 23% e nas hastes finas entre 8 a 10%. A fração utilizável para forragem, sendo uma mistura de aproximadamente metade de folhas mais vagens e metade de hastes finas, faz com que a forragem obtida apresente teores médios entre 14,7 e 16,5% de PB. Assim, o valor nutritivo do material foliar da leucena pode ser comparado ao da alfafa (Medicago sativa), tida como a 'rainha' das leguminosas forrageiras, com teores de proteína bruta, minerais e aminoácidos muito similares. O material foliar da leucena é também uma excelente fonte de b-caroteno, precursor da vitamina A, o que tem vital importância na época seca, quando o pasto geralmente está seco e a leucena apresenta-se verde.

A leucena pode ainda ser utilizada na forma de feno ou farinha (obtida pela moagem e dessecação ao sol) fornecida a bovinos, suínos e aves, embora, neste caso, devam ser utilizadas as leucenas que apresentam teores baixos de Mimosina. Pode ainda ser cortada juntamente com o milho e/ou sorgo para confecção de silagens mistas, com benefícios em termos de enriquecimento protéico da silagem resultante, sem qualquer prejuízo para o processo fermentativo. Adições de 20% de leucena ao milho resultam em elevação do teor de proteína bruta na silagem em até 12 % na matéria seca. Silagens exclusivas de leucena podem ser confeccionadas em tambores ou em pequenos silos de superfície utilizando-se filmes de polietileno.

Alguns estudos de desempenho animal já foram conduzidos. Me chamou a atenção um estudo com novilhos alimentados com cana-de-açúcar e leucena desintegradas, onde os animais consumindo essa ração de baixo custo, ganharam 0,6 kg de peso vivo por dia. Na Austrália foram obtidos ganhos elevados em novilhos, nas pastagens consorciadas de leucena + setária, chegando-se a 0,930 kg de peso vivo por dia.Com relação a sua utilização para vacas leiteiras, estudos verificaram que a adição de 5 kg de forragem fresca de leucena à ração de vacas leiteiras elevou a produção diária em 0,4 litros por dia, além de aumentar o teor de gordura no leite.

Entretanto, existe uma ressalva par ao uso de leucena na alimentação animal. Quando a leucena for utilizada como alimento exclusivo, pode apresentar efeito adverso à saúde dos animais, porque contém um aminoácido denominado "Mimosina", que pode chegar a se apresentar na proporção de 3 a 5% da proteína total, e seu efeito manifesta-se por disfunções metabólicas com perda de pelos na cauda, salivação e perda de peso. Pode induzir também à disfunção da atividade de reprodução em vacas, mas os efeitos são irregulares e reversíveis. Estes efeitos ocorrem somente quando a leucena é consumida em mais de 50% da dieta e por um período que exceda 6 meses. Algumas espécies como L. pulverulenta apresentam teores insignificantes de Mimosina, e a cultivar Cunningham, que é um cruzamento entre L. leucocephala com L. pulverulenta apresenta teores reduzidos deste aminoácido.

Caso um animal vinha a se intoxicar com a ingestão de leucena, este problema pode ser facilmente resolvido, retirando-se a leucena da dieta dos animais. Ressalta-se que a leucena como ração para ruminantes deve ser introduzida aos poucos, devendo atingir um máximo de 20%-30% da dieta.

Considerações finais

A leucena é uma alternativa interessante para aumentar o teor protéico de dietas de vacas leiteiras a baixo custo, em especial nos sistemas que exploram pastagens, podendo ser consorciada ou utilizada na forma de banco de proteína. Embora seja uma planta de excelente potencial, seu uso não muito tradicional no Brasil. A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) tem desenvolvido bons trabalhos com leucena, desenvolvendo novos cultivares e aprimorando as técnicas de utilização deste recurso forrageiro.

JUNIO CESAR MARTINEZ

Doutor em Ciência Animal e Pastagens (ESALQ), Pós-Doutor pela UNESP e Universidade da California-EUA. Professor da UNEMAT.

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MARCOSWILSONFONTES

CASTRO ALVES - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/06/2017

José de Anchieta, tanto a leucena quanto a gliricidia são ótimas fontes  de proteína. Os animais preferem mais a  leucena e nem todos animais consumem a gliricidia voluntariamente. Todavia, o plantio da gliricidia tem vantagem por poder ser feito por estacas, basta cortar um galho , enterrar e ela nasce.
JOSÉ DE ANCHIETA OLIVEIRA

ITUIUTABA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/11/2016

O que é melhor para gado de leite  LEUCENA ou GLIRICIDIA?
JOHNNY MÁRCIO SILVA SAMPAIO

CURIONÓPOLIS - PARÁ - OVINOS/CAPRINOS

EM 19/10/2015

Olá, gostaria de saber se posso plantar leucena consorciada com capim tanzânia para pastejo direto de caprinos?
FRANCISCO JOSÉ VIEIRA MEDRADO

MARCIONÍLIO SOUZA - BAHIA

EM 08/10/2015

Tenho um, plantio de Leucena na minha propriedade, tendo  observando que os bovinos   adoram comer tal leguminosa , não deixando as mesmas cresceram , o mesmo não acontecendo com os equinos.



Assim sendo, achei interessante  a  observação do Sergio Marcos Dabrowski  no tocante a pulverização de fezes e urinas bovina sobre tais leguminosas para afastar os animais de forma que elas venham se desenvolver.      

GILMAR

SETE LAGOAS - MINAS GERAIS

EM 01/11/2014

quero saber tambem se equinos podem comer a leucena, porque um amigo me falou que seu cavalo comeu mas otoda pelagem do rabo e clina cairam, entao quero saber o que tem de verdade, ou apenas mito obrigado
JOÃO FABIO RODRIGUES MARTINS

SOROCABA - SÃO PAULO

EM 23/04/2014

equinos podem comer leucena?
JOSE ANCHIETA DO NASCIMENTO

QUIXERAMOBIM - CEARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/05/2013

minha leucena nao se desenvolve,gostaria de saber se calcario,cinza e estrume de gado vai melhora,agradeço anchieta
DAVID

SÁTIRO DIAS - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/07/2012

gostaria de saber se a leucenia e indicado para equinos?
PAULO MELLO

PIRACICABA - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 12/09/2011

Eu ja comprei sementes de leucena na própria ESALQ em Piracicaba, se nao me engano no IPEF, faz uns 5 anos isso.
JUNIO CESAR MARTINEZ

TANGARÁ DA SERRA - MATO GROSSO - TÉCNICO

EM 30/08/2010

Prezado Charles,

De meu conhecimento, somente a Embrapa para te fornecer sementes de leucena. Entre em contato com a Embrapa gado de corte que certamente será bem atendido. Não vou fazer propaganda de outras empresas aqui, mas digitando no google "sementes de leucena" também é possivel encontrar outros fornecedores.
CHARLES WEIRICH

FRANCISCO BELTRÃO - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/08/2010

Bom dia, gostaria de saber como faço para conseguir sementes de leucena, pois pretendo fazer uma pequena areá teste e por sequencia utilizar a matéria produzida juntamente com a ensilagem de milho.
Att

Charles Weirich
SERGIO MARCOS DABROWSKI

ITABERÁ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/01/2010

Prezados

uma alternativa interessante, na formação de arvores e arbustos em pastagens já estabelecidas, é a pulverização de urina e fezes de gado, misturado a água e pulverizado com pulverizador costal nas plantas. Ocheiro de fezes+ urina afastará o gado no período em que estiverem pastejando no local protejento as plantas em formação, neste caso a leucena.
JUNIO CESAR MARTINEZ

TANGARÁ DA SERRA - MATO GROSSO - TÉCNICO

EM 08/12/2009

Prezado Ivan,
Apesar de ter escrito o artigo, não sou especialista no cultivo de leucena. Mas, posso te ajudar informando onde obter as melhores informações possíveis. Entre em contato com a Embrapa, ele são os mais capacitados para responder as suas indagações:

EMBRAPA:
Rod. MG 424 KM 45
Caixa Postal 285
CEP 35701-970
Sete Lagoas - MG
Telefones: (31) 3027-1100 ou 3027 - 1267
Fax: (31) 3027-1188
IVAN RAFAEL URBAN GOMES

FRANCA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/11/2009

Gostaria de obter informações de como seria o plantio de sementes de Leucena em sacos plásticos, para posterior replantio em piquetes já formados de capim "Mombaça", pois os piquetes estão em utilização. Terei apenas 28 dias de intervalo de pastejo em cada um, portanto, terei que replantar apenas quando faltar este intervalo para poder ser consumida. Gostaria de informação também de quantas mudas por piquetes de média de 460 m2. para 16 vacas em pastejo.