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Aumentando a sobrevivência de cordeiros - Parte I

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO

EM 26/11/2009

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Panorama e fatores econômicos e de bem-estar animal

O periparto é um dos momentos mais críticos no ciclo produtivo da ovinocultura. Esta fase é determinante para a sobrevivência dos cordeiros recém nascidos e, consequentemente, para a definição dos custos de produção e disponibilidade do produto final - o cordeiro - para venda.

Os cordeiros nascem bastante frágeis, com poucos tecidos de reserva e muito dependentes da nutrição e proteção maternas. São animais muito sensíveis à ação climática, como temperaturas extremas e chuvas. Outro perigo potencial para estes neonatos é o ataque de predadores, que podem ser cães e animais silvestres, aves como urubus e gaviões ou até mesmo roedores.

Devido a todas estas ameaças, que podem ser potencializadas por práticas de manejo incorretas, é comum encontrarmos propriedades com taxas de mortalidade pré-desmame de até 40%. Destas mortes, a vasta maioria ocorre nas primeiras 72 horas de vida dos cordeiros. A principal consequência disto para o produtor é a inviabilidade econômica da atividade, com a elevação drástica dos custos de produção. Já sob a ótica do bem-estar animal, tal situação é inadmissível vista a óbvia inadequação do sistema produtivo a preceitos que visam evitar o sofrimento dos animais, desrespeitando necessidades básicas para sua sobrevivência.

Muitos dos fatores que prejudicam a sobrevivência dos cordeiros são consequências do desconhecimento das suas necessidades, bem como dos eventos que se desenrolam na fase do periparto. Tal conhecimento é essencial para se desenvolver manejos mais eficientes para este período crítico, no qual se dá a ligação entre mãe e filho(s), que respeitem a natureza destes animais e possam auxiliar na diminuição da taxa de mortalidade de cordeiros. Seguindo este raciocínio, encontramos no comportamento do conjunto mãe-cria(s) um aspecto muito importante.

Um fator decisivo para o sucesso do neonato é a rapidez com que fica em pé e consegue mamar pela primeira vez. A ingestão do colostro é fundamental tanto devido à imunidade passiva transmitida por suas imunoglobulinas quanto pela fonte energética que representa. A agilidade do cordeiro mostra-se influenciável, entre outros, por fatores climáticos como calor ou frio intensos e pelo estímulo materno. Considerando que seu sistema termorregulador torna-se funcional somente a partir do 16º dia de vida, a hipotermia é também um perigo real para os cordeiros.

Sendo o cordeiro uma criatura tão sensível, cabe à sua mãe um papel de destaque: nutri-lo adequadamente, protegê-lo de predadores e prover um ambiente adequado. Para uma reprodutora ser eficiente, não basta parir determinada quantidade de cordeiros por ano. É necessário que eles cheguem vivos e fortes ao desmame, com o mínimo de intervenção humana possível. Isto é particularmente importante em sistemas extensivos de criação ou em rebanhos muito grandes, tanto pelo aspecto prático quanto pelo econômico.

Talvez o maior exemplo do impacto econômico negativo do comportamento materno inadequado seja o caso das ovelhas que abandonam suas crias. Nesta situação, é comum a prática do aleitamento artificial, no qual os cordeiros recebem leite em mamadeiras ou baldes. Considerando que a ovinocultura, enquanto atividade de escala, possui margem de lucro estreita, a necessidade de um funcionário para esta função, da compra de leite ou mesmo da manutenção de vacas para esta finalidade representa prejuízos consideráveis.

Por outro lado, para que as fêmeas possam desempenhar sua função satisfatoriamente, é preciso que suas necessidades também sejam supridas. Nutrição adequada para suportar o desenvolvimento do(s) cordeiro(s) e aleitá-lo(s), dimensionamento correto de instalações e ambiente bioclimatologicamente confortável são essenciais para que as fêmeas possam reconhecer suas crias e criar forte vínculo com elas.

Esta série de artigos tem como objetivo ajudar o criador a compreender os eventos que ocorrem durante o periparto dos ovinos, oferecendo uma ferramenta para reduzir a mortalidade de cordeiros. Neste artigo abordaremos aspectos econômicos e de bem-estar animal, além de um panorama global e local do problema.

1. Panorama

O Brasil tem vivenciado desde 2001 um crescente interesse pela ovinocultura, especialmente no que diz respeito à produção de cordeiros para abate precoce. Segundo as estatísticas oficiais, mais de 55% do rebanho ovino está alojado em propriedades de até 30 hectares, e a maioria dos criadores possui menos de 100 matrizes (IBGE, 2002). Assim sendo, é preciso maximizar a eficiência dos criatórios visando produzir e desmamar o maior número possível de animais por fêmea e por ano, durante a vida reprodutiva útil da ovelha (COSTA & CUNHA, 2006).

Isso implica principalmente em aprimorar a eficiência reprodutiva e diminuir a mortalidade dos cordeiros, o que reduz drasticamente os custos da criação e pode ser alcançado, em grande parte, pela melhoria da aptidão materna das matrizes (CUNHA et al., 2006).

No Brasil, assim como em outros países, muitos criadores de ovinos vêm selecionando ovelhas de forma a elevar os índices reprodutivos e de prolificidade, por serem estes os de maior impacto econômico sobre a criação. No entanto, a relação entre taxa de parição e sobrevivência à desmama não tem sido suficientemente estudada em ovelhas altamente férteis (EVERETT-HINCKS et al., 2005a). O que se sabe é que cordeiros nascidos em partos duplos ou triplos possuem maiores taxas de mortalidade quando comparados aos nascidos em partos simples (HALL et al., 1998).

A sobrevivência dos cordeiros é uma preocupação mundial. Na Nova Zelândia mais de 30% das crias morrem entre a detecção da prenhez e o corte da cauda (ASPIN, 1997). Na Austrália e Inglaterra essas perdas variam entre 2% e 21% (HARTLEY & BOYES, 1964; McFARLANE, 1965; STAMP 1967). No Uruguai 17% a 32% dos cordeiros nascidos anualmente morrem no período perinatal (MARI & McCOSKER, 1975). Em regiões semi-áridas do mundo, este valor é ainda maior, variando de 46,3% a 51,5% na Etiópia, onde o complexo inanição/hipotermia é a causa mais prevalente (BEKELE, KASALI & WOLDEAB, 1992), de 17,6% a 31,3% no Marrocos, sendo também a inanição/hipotermia a principal causa (CHAARANI, ROBINSON & JOHNSON., 1991), e de 33,5% em Gana (TURKSON, 2003).

Com relação ao Brasil, no Rio Grande do Sul, estima-se que morram 15% a 40% dos cordeiros nascidos (RIET-CORREA & MÉNDEZ, 2001). Neste Estado, o complexo inanição/hipotermia é responsável por 56% a 78% das mortes, seguido das distocias (8,6% a 16,7%). Já a respeito do semi-árido brasileiro, área de grande concentração de ovinos, existem poucas referências sobre as taxas de mortalidade dos animais. Lobo (2002) menciona uma mortalidade anterior à desmama de 28,79% ±16,02, com um mínimo de 15,18% e um máximo de 46,45%. Na Embrapa/CPAMN no estado do Piauí a mortalidade de cordeiros foi de 15,18%; ocorrendo maior taxa de mortalidade entre os cordeiros nascidos de partos gemelares (24,74%) do que nos cordeiros de parto simples (12,13%), segundo Girão, Medeiros & Girão (1998). Outros trabalhos realizados no Brasil, em sistemas de produção melhorados, mencionam mortalidades de 9,52% a 18,2% em diversas raças deslanadas (LIMA, 1985). Não há trabalhos sobre a importância da mortalidade perinatal em ovinos criados em forma extensiva, com baixa tecnologia, na região Nordeste. No entanto, fazendeiros mencionam percentuais de mortalidade superiores a 50% (NÓBREGA JR. et al., 2005). Ao se considerar que as taxas de desmame preconizadas encontram-se entre 90 e 95% dos cordeiros nascidos (SANTOS et al., 1998, MOBINI et al., 2005), pode-se ter uma idéia mais concreta da dimensão do problema.

O desenvolvimento do complexo de fatores que resultam em morte de cordeiros pode ter algumas causas primordiais, como insuficiência placentária, suprimento inadequado de leite ou colostro, stress no nascimento ou comportamento deficiente da ovelha e/ou cordeiro (DWYER, 2003). O comportamento da ovelha antes, durante e após o parto tem grande influência sobre a sobrevivência do cordeiro, particularmente sob condições extensivas (NOWAK, 1996).

2. Aspectos econômicos e de bem-estar animal

NOWAK (1996) afirma que há duas abordagens para controlar a mortalidade de cordeiros devida a fatores comportamentais. A primeira consiste em melhorar as condições ambientais no periparto para maximizar as chances de sobrevivência do neonato, mesmo no caso deste não receber cuidados maternos ideais. A segunda consiste em melhorar as relações materno-filiais iniciais, de forma a prover melhores chances de sobrevivência mesmo sob condições adversas.

O bem-estar de um indivíduo é seu estado em relação às suas tentativas de adaptar-se ao seu ambiente (BROOM, 1986). Esta definição refere-se a uma característica do indivíduo em um dado momento. Uma forma objetiva para se avaliar a condição de bem-estar animal é através das Cinco Liberdades, propostas pelo FAWC do Reino Unido em 1998. Esta abordagem prevê que os animais estejam livres de fome e sede, de desconforto, de dor e doenças, de medo e que tenham liberdade para expressar comportamentos naturais.

Atualmente, as exigências do mercado internacional com respeito ao bem-estar dos animais de produção são crescentes e tendem a aumentar cada vez mais, exigindo que os técnicos implementem sistemas de manejo que respeitem as necessidades físicas dos animais de produção. Dentro desse novo contexto, se faz necessário que os estabelecimentos de produção adotem certas mudanças administrativas relativamente simples, porém que trazem implícitos um maior conhecimento e respeito pela biologia dos animais (COSTA E SILVA & RUSSI, 2005).

Sendo um aspecto extremamente importante, o bem-estar animal precisa estar relacionado à razão primária do animal estar sendo mantido pelo produtor. Em sistemas normais de produção, o animal existe para prover retorno financeiro seja através da produção de carne, lã ou leite. Partindo deste pressuposto, Raine (2003) considera pelo menos dois tipos de benefícios relacionados ao bem-estar aplicáveis à realidade brasileira:

Motivação comercial: níveis elevados de bem-estar estão diretamente relacionados a níveis desejáveis de produtividade, e são um apelo comercial cada vez mais importante.
Ética: cuidado para com os animais sob sua responsabilidade.

Em um workshop realizado pelo DEFRA (Department of Environment, Food and Rural Affairs), a mortalidade perinatal e os partos distócicos foram apontados como dois dos cinco maiores problemas de bem-estar para rebanhos ovinos europeus criados extensivamente (McLEAN & KIRKWOOD, 2003). Para contornar este problema, Waterhouse et al. (2003) e Erhard e Griffiths (2003) sugerem melhorias no manejo das ovelhas gestantes e dos conjuntos mãe-cria(s) logo após o parto.

Tais cuidados seriam a supervisão dos partos, a seleção de ovelhas por facilidade de parto e cuidados maternais e o monitoramento por ultrassonografia das fêmeas gestantes, permitindo o manejo adequado, principalmente nutricional, de ovelhas prenhes de mais de um cordeiro (MAFF, 2000; EVERETT-HINCKS et al., 2005). Vale frisar que o uso da ultrassonografia é uma ferramenta para o manejo correto, e não um substituto (MAFF, 2000).

Dois dos motivos que concorrem para a seriedade do problema da mortalidade perinatal são seu grande impacto sobre a viabilidade econômica da atividade e a dificuldade prática em prestar cuidados individuais a animais de rebanhos numerosos. Sob condições extensivas torna-se mais difícil inspecionar os animais, portanto é mais difícil controlar a parição e a sobrevivência dos cordeiros (BOIVIN, 2003).

É importante ressaltar que o correto manejo e atenção ao bem-estar dos animais devem ser preocupações não apenas durante o periparto, mas em todo o ciclo produtivo. Estresses crônicos ou agudos associados à presença humana, como tosquia, isolamento social e transporte tendem a aumentar a reatividade dos ovinos aos tratadores. Isto dificulta o trabalho na propriedade e reduz a motivação da mãe em permanecer próxima à cria durante manejos como marcação e pesagem dos cordeiros, podendo ocasionar elevação nos índices de abandono do neonato (CORNER et al., 2006; ROUSSEL et al., 2006).

O comportamento materno resulta da combinação de respostas a estímulos providos pelo ambiente (como medo a estímulos estressores), somadas à experiência maternal prévia e ao nível de emocionalidade da ovelha. Medo e emocionalidade têm demonstrado surtir efeitos negativos sobre o comportamento materno (BOISSY, 1998), sendo que ovelhas selecionadas para cuidados maternais superiores são menos reativas que as não selecionadas (KILGOUR & SZANTAR- CODDINGTON, 1995).

Assim, estímulos estressores podem desencadear uma reação de medo na ovelha (fuga, ataque ou inibição de movimento), que pode levar ao abandono de seu cordeiro (BOISSY, 1998).

Para sobreviverem, cordeiros abandonados precisam ser aleitados artificialmente ou adotados por outra ovelha. Esta segunda opção é relativamente improvável, dada a seletividade existente na espécie ovina. Os custos de criação artificial de cordeiros são bastante elevados, podendo chegar a 50 dólares até o momento do abate (KLEINPETER, 2002). Isto não apenas elimina o lucro advindo daquele animal, como também causa prejuízos.

Segundo Napolitano et al. (2007), cordeiros criados artificialmente sofrem tanto um estresse emocional pela perda de seu modelo social mais relevante quanto um estresse nutricional, pela alimentação com leite de vaca e concentrados. Comportamentalmente, estes animais demonstram níveis reduzidos de vocalização e maior lentidão para iniciar os movimentos, bem como despendem menor tempo se locomovendo. Os mesmos autores observaram nestes cordeiros níveis mais elevados de cortisol circulante e respostas imunes celulares e humorais reduzidas em relação aos demais.

Referências bibliográficas

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CAMILA RAINERI

Zootecnista formada pela FZEA/USP, com mestrado pela mesma instituição. Doutoranda pela FMVZ/USP. Responsável Técnica pela Paraíso Ovinos e consultora em Ovinocultura.

BRUNO CÉSAR PROSDOCIMI NUNES

Zootecnista formado pela FZEA/USP, com mestrado em Qualidade e Produtividade Animal pela mesma instituição.

RENAN ANTONELLI MENDES

Graduando de Zootecnia da FZEA/USP.

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CAMILA RAINERI

LEME - SÃO PAULO

EM 11/12/2009

Querida Cecília,

Aguardo ansiosa por seus artigos, sempre muito importantes e aplicáveis na prática.

Tive várias oportunidades de verificar que a dor causada à ovelha pela mastite realmente faz com que a mãe muitas vezes impeça o cordeiro de mamar, o que pode resultar na morte da cria.

Obrigada por levantar a questão!

Grande abraço!

Camila
CAMILA RAINERI

LEME - SÃO PAULO

EM 11/12/2009

Prezado Felipe,

Muito obrigada pelos comentários. Também pude verificar na prática o que você descreveu, tanto sobre a morte de cordeiros cujas mães apresentaram mastite quanto a ocorrência da doença em fêmeas mais debilitadas.

Acredito que pode haver pelo menos dois fatores para contribuir para isso. Primeiramente, é importante lembrar que o periparto é uma fase bastante estressante para a ovelha, e que ela sofre baixa de imunidade devido a todas as mudanças que ocorrem em sua fisiologia. Isso sem dúvida pode aumentar a susceptibilidade a doenças, como a mastite. Outro aspecto a ser levado em conta é que ovelhas magras normalmente parem cordeiros menores e menos ágeis. Codeiros assim normalmente ingerem menor quantidade de leite que os fortes e saudáveis, e em menos mamadas diárias. Se a produção de leite da ovelha superar este consumo, o acúmulo de leite certamente predisporá a femea a uma mastite.

Claro que existem muitos outros fatores para determinar a ocorrência da mastite, mas acredito pela prática que estes dois sejam bastante importantes.

Espero ter ajudado.

Abraço,

Camila
CAMILA RAINERI

LEME - SÃO PAULO

EM 11/12/2009

Prezado Guilherme Gomes,

Obrigada pelas colocações. Concordo plenamente que a estação de nascimentos pode ser bastante desgastante, e que por este motivo devemos tomar as providências necessárias para diminuir os problemas que podem surgir.

Esta série de artigos é parte da minha dissertação de mestrado, na qual avaliamos a infuência do comportamento materno sobre a sobrevivência e desempenho dos cordeiros à desmama. Um dos pontos provados durante a realização do trabalho foi exatamente este que você citou, sobre o frio sendo um fator bastante negativo para as crias, mesmo em condições brasileiras, que são mais amenas que as de muitos países com criações representativas de ovinos. Inclusive, no inverno as ovelhas mudaram seu horário preferencial de parto, parindo principalmente nos horários mais quentes do dia, em torno das 13:00.

Muito obrigada novamente.

Abraço,

Camila
FELIPE MONTEIRO TELLES

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/12/2009

Parabéns pelo artigo, achei bem interessante.

Também concordo que a mastite seja a principal causa da morte de cordeiros nos primeiros dias de vida.

Uma coisa que tenho notado nos dados obtidos na minha criação, mas que ainda não conseguimos saber se é apenas uma coincidência ou retrata a realidade é a relação do score corporal das fêmeas e qualidade da alimentação com a ocorrência de mastite no rebanho de ovinos Santa Inês.

Observamos que aqueles animais que por algum motivo não estavam com um bom score durante o terço final de gestação e amamentação desenvolveram mais mastite do que os com melhores condições corporais

Será que há alguma relação nesse sentido? Talvez por uma imunodeficiência causada pelo estresse e carência nutricional, que possa deixa-las mais susceptíveis a essa enfermidade?

Caso alguém tenha algum trabalho que possa responder essas questões peço que compartilhe conosco.

Um abraço
GUILHERME GOMES DE CARVALHO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 02/12/2009

Prezada Camila,

Parabéns pelo artigo de grande importância para a viabilidade da ovinocultura.

Gostaria de acrescentar alguns pontos que tive a oportunidade de perceber em minha humilde experiência prática, e que podem gerar discussões interessantes.

Em primeiro lugar, acho bom enfatizar que a estação de nascimentos é talvez a mais importante, estressante, dispendiosa, e de maior mão de obra das etapas da criação de ovinos. É um período crucial para o êxito da atividade, e por isso deve ser encarada como tal, sem poupar esforços para que a mortalidade de cordeiros seja a mais baixa possível, sabendo que o carinho e a dedicação realmente podem fazer a diferença no fim.

Para semear o sucesso, vejo como essencial um bom planejamento inicial, principalmente na decisão de quando se dará a estação de nascimentos. Em propriedades com estação de monta má ou não definida, é impossível a aplicação de uma série de importantes medidas de manejo. Quero ressaltar também que pude observar que geralmente a mortalidade de cordeiros é menor quando estes nascem na primavera. Quando os nascimentos são no outono, são freqüentes as mortes por desnutrição e hipotermia, acredito que isto se dê devido à melhor produção das forrageiras e condições de frio menos intensas na primavera e verão. Deste modo, acredito que o produtor deva colocar na balança a busca pelo maior número de partos de suas ovelhas e o custo de produção, e acrescento que iniciantes na atividade não deveriam se aventurar em produzir cordeiros no outono/inverno.

Gostei muito de sua colocação a respeito do diagnóstico de gestação por ultrassonografia, permitindo uma nutrição diferenciada para ovelhas gestando um ou dois cordeiros.

No caso de ovelhas lanadas, o cascarreio bem feito é uma medida que melhora muito a higiene e a saúde do cordeiro.

O parto das borregas também costuma ser mais problemático do que das ovelhas que já pariram. Casos de rejeição de cordeiros por ovelhas de primeira cria também são bastante comuns. Achei interessante a medida adotada por uma fazenda na Nova Zelândia, em que as ovelhas foram divididas em três lotes para entrar em estação de monta, sendo que cada lote entrava na estação com duas semanas de diferença, e o último lote era o das borregas. Nesta ocasião, também eram freqüentes medidas como adoção de cordeiros por mães que perderam suas crias, fechar ovelhas que rejeitam o cordeiro em pequenas baias até que os aceitem, e outras medidas bastante trabalhosas, mas recompensadoras. Mesmo assim, a mortalidade em dias mais frios era enorme.

Só para concluir, parabenizo novamente pelo artigo de extrema importância, e espero que aliando o meio científico, os meios de divulgação, a seriedade e a dedicação de todas as partes envolvidas, a ovinocultura brasileira possa evoluir e se tornar cada vez mais competitiva e eficiente.

Grande abraço.
Guilherme Gomes de Carvalho
CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 26/11/2009

Parabéns Camila por seu brilhante artigo.

Afirmo em primeira mão que a mastite nas ovelhas de corte (clínica ou subclínica) é responsável por grande parte da mortalidade de cordeiros, principalmente, nos primeiros quinze dias, em planteis onde a doença está presente.

Em breve farei um artigo contando detalhes de um experimento cujo principal objetivo foi verificar o efeito da mastite no ganho de peso de cordeiros.
Abraço a você e a todos os leitores,

Cecília José Veríssimo
Pesquisadora do IZ, Nova Odessa, SP