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Aspiração folicular em pequenos ruminantes

POR MARIA EMILIA FRANCO OLIVEIRA

PRODUÇÃO

EM 30/06/2011

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Como abordado no artigo anterior "Laparoscopia - uma ferramenta para as biotécnicas da reprodução em pequenos ruminantes", a aspiração folicular tem alcançado grande sucesso associado a técnicas de imagens. Em conjunto a laparoscopia possibilita a realização de repetidas sessões com poucos riscos de prejuízo futuro da fertilidade da doadora.

A ovum pick-up guiada pela laparoscopia (LOPU) é consagrada como procedimento pouco traumático e firma-se como técnica ideal para recuperação eficiente de oócitos em pequenos ruminantes. Outros métodos de colheita de oócitos podem também ser utilizados, como: (i) slicing dos ovários ou aspiração de folículos ovarianos pós-abate e; (ii) ovum pick-up guiada por ultrassonografia transvaginal. O primeiro método é útil em propósitos de pesquisa (ovários obtidos de abatedouro) ou no aproveitamento do material genético da doadoras imediatamente após sua morte. A abordagem por ultrassonografia é bastante consolidada em bovinos, e apesar de ter sido desenvolvida para caprinos, sua aplicação não é comumente eleita por apresentar baixa taxa de colheita oocitária, entre outras limitações.

A colheita de oócitos de boa qualidade constitui etapa fundamental para o desenvolvimento de biotécnicas de produção e manipulação in vitro de embriões. Tais práticas possibilitam aceleração do ganho genético por meio da maximização do número de nascimentos a partir de fêmeas de alto valor genético e redução do intervalo entre gerações, principalmente, quando fêmeas juvenis são utilizadas. Os avanços tanto são alcançados em programas comerciais de multiplicação genética quanto na clonagem e transgenia.

O rendimento da colheita de oócitos pela técnica de LOPU varia entre, aproximadamente, quatro a seis oócitos por sessão de aspiração folicular, com taxa de colheita de 33 a 90%. A eficiência pode ainda ser potencializada com o uso de protocolos de estimulação ovariana. O emprego destes tratamentos contribuem para a obtenção de maior número de folículos a serem aspirados e, ainda, na redução do número oócitos com cúmulus expandido inviáveis à produção in vitro de embriões (i.e. folículos/oócitos que estão em avançado grau de maturação).

Os protocolos de estimulação ovariana são amplamente estudados e difundidos como importante ferramenta para a melhoria dos índices de produção embrionária. A taxa de colheita oocitária pode ser incrementada e atingir aproximadamente 16 oócitos/doadora/sessão.

Os regimes superovulatórios, em geral, são precedidos pela sincronização do estro e incluem tratamentos com múltiplas doses (constantes ou decrescentes) de FSH ou eCG ou, em dose única ("one-shot") de eCG ou associação de eCG e FSH. Além dos tratamentos gonadotróficos, o intervalo entre a estimulação ovariana e a aspiração folicular é um importante fator associado a qualidade oocitária. O mesmo é determinado de acordo com o protocolo e está relacionado com o tamanho e grau de maturação dos folículos e oócitos.

O número de oócitos colhidos de alta qualidade é uma importante meta da aspiração folicular destinada a produção e manipulação de embriões in vitro. A qualidade dos oócitos recuperados é determinada, entre outras características, pela presença ou ausência de células do cumulus (i.e. conjunto de células que envolvem o oócito). Alguns fatores associados a técnica podem interferir na qualidade do material colhido, entre eles, o diâmetro de agulha e a pressão de vácuo. O emprego de agulhas de reduzida espessura podem dificultar a passagem do complexo cumulus-oócito, enquanto agulhas muito largas, reduzem a velocidade de trânsito e aumenta a turbulência entre as conexões do sistema de aspiração. Em ambos casos, há diminuição da taxa de recuperação oocitária.

O comprimento e diâmetro do bizel são igualmente importantes para que não ocorra perda de líquido folicular e, consequentemente, de oócitos no momento da punção. Além da quantidade, a qualidade dos oócitos obtidos pode ser comprometida pela pressão do vácuo. Perda de células do cumulus (desnudamento) pode ocorrer durante o trânsito dos oócitos do folículo ao tubo de colheita. Assim, embora o aumento da pressão possa levar à maior taxa de obtenção, compromete o número de oócitos viáveis.

A ovum pick-up guiada pela laparoscopia pode ser realizada repetidas vezes em uma mesma fêmea. O intervalo entre sessões pode ser de apenas uma semana, permitindo grande incremento no número de oócitos colhidos por doadora, e consequentemente, possilitar maior número de embriões produzidos in vitro.

Como desvantagens, estão os altos custos em equipamentos e a necessidade de treinamento profissional para efetivamente minimizar trauma e tempo cirúrgico, bem como, alcançar alta eficiência na recuperação de oócitos viáveis.

Contudo, a exploração eficiente do potencial reprodutivo das doadoras vivas pode ser intensificada quando a aspiração folicular é associada à estimulação ovariana exógena, principalmente, quando doadoras juvenis são utilizadas. A utilização da biotecnologia envolvendo a produção e comercialização de embriões produzidos in vitro têm apresentado rápida evolução em ovinos e caprinos.

Literatura consultada:

Baldassarre, H.; Karatzas, C.N. Advanced assisted reproduction technologies (ART) in goats. Animal Reproduction Science, 82-83, p.255-266, 2004.

Basso, A.C.; Martins, J. F. P.; Ferreira, C. R.; Ereno, A.; Tannura, J.; Tabet, A.; Figueiredo, C. L.; Oliveira, P.C.; Pontes, J. H. F. Biotecnologia da Reprodução na Espécie Ovina - Produção in vitro de Embriões Ovinos: Aspectos da Técnica de Aspiração Folicular e do Tratamento Hormonal de Doadoras. O Embrião, n.38, p.8-11, 2008.

Cordeiro, M. F. Avaliação da laparoscopia na aspiração folicular em fêmeas caprinas pré-púberes e adultas com ou sem estimulação ovariana hormonal. 2006. 59f. Tese (Doutorado) - Programa de Cirurgia Veterinária. Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Universidade Estadual Paulista, Jaboticabal.

Traldi, A.S. Produção in vitro de embriões de ovinos: uma visão crítica do método e de seu resultado a campo. Revista Brasileira de Zootecnia, v.38, p.301-306, 2009.

MARIA EMILIA FRANCO OLIVEIRA

www.mariaemilia.vet.br

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ERIZON

LIMOEIRO DO NORTE - CEARÁ

EM 30/08/2012

Maria Emilia, boa tarde. Já faz bom tempo  que venho estudando sobre a ovinocultura brasileira, e vejo com entusiasmo o avanço tecnológico no setor. Porém pergunto, o produtor tem fácil acesso a essa tenologia? é economicamente viável? Quais Laboratórios o produtor poderia buscar esses recursos?



Atenciosamente,



Erizon da Silva
VINICIUS RIBEIRO DA SILVA

VILA VELHA - ESPÍRITO SANTO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/07/2012

Maria Emilia, boa tarde. Informações interessantíssimas, mostras que as pesquisas e o desenvolvimento das biotecnologias na ovinocaprinocultura esta crescendo e que em breve se tornara uma realidade  comercial e ao alcance dos produtores. Sou veterinário e trabalho com produção e reprodução de ovinos, e tem um tempo que acompanho o desenvolvimento da OPU em ovinos, já vi alguns cursos por ai, você recomendaria algum? e se começar realizar essa técnica em alguns animais, qual laboratório enviar?



Atenciosamente,



Vinicius Ribeiro