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Artrite Encefalite Caprina (CAE)

POR VICENTE DE FRANÇA TURINO

E GIOVANA D´ANDRÉA PAVÃO

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/06/2007

4 MIN DE LEITURA

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O Brasil possui um rebanho caprino de 12.160.524 cabeças, sendo que, 90% encontra-se na região Nordeste, 3% na região Sudeste, 3% na região Sul, 2,7% na região Norte e 1,3% na região Centro-Oeste (IBGE, 2004).

Embora seja uma atividade antiga em nosso país, a caprinocultura ainda não possui profissionalização adequada, dificultando a viabilidade econômica e eficiente dos criatórios. A sanidade do rebanho é um dos principais entraves encontrados nas propriedades, sendo a artrite-encefalite caprina, uma das doenças mais alarmantes.

A síndrome artrite-encefalite caprina (CAE) trata-se de uma doença multissistêmica crônica dos caprinos causada por um vírus pertencente à família lentivirinae. Atinge diretamente a produtividade do rebanho, pois os animais infectados apresentam queda na produção leiteira e diminuição do desempenho reprodutivo, ocasionando altas taxas de descarte na propriedade. A infecção com o vírus é bastante disseminada não tendo prevalência sobre raça ou idade.

A principal manifestação clínica é a poliartrite crônica.


Foto 1. Caprino infectado pelo vírus da CAE apresentando a forma clínica articular da enfermidade: artrite da articulação do carpo

A doença pode ser transmitida de forma "vertical" e "horizontal", por meio do contato de um animal sadio com as secreções de um animal acometido. A transmissão vertical ocorre em cabritos ainda na sua fase intra-uterina. Também pode ocorrer durante o parto (contato com secreções vaginais, saliva, ou até mesmo secreções respiratórias da mãe infectada) ou após o parto (ingestão do colostro de uma mãe soropositiva).

A transmissão horizontal acontece quando animais infectados são confinados com caprinos não-infectados, fazendo com que estes manifestem rapidamente uma soro-conversão, principalmente quando as cabras são ordenhadas no mesmo local. Há relatos de animais que se tornaram soropositivos pela via venérea ou pelo contato com instrumentos de manejo e ordenha contaminados.

Uma vez infectados, permanecem doentes por toda vida, porém, apenas alguns animais desenvolvem manifestação clínica. As lesões oriundas dessa enfermidade são de origem linfática, causando síndrome multissitêmica, a qual envolve o tecido conjuntivo articular, resultando em artrite crônica, tumefação e endurecimento das glândulas no úbere (com ou sem mastite) e pneumonia intersticial crônica.

A maioria dos animais infectados permanecem assintomáticos. Entretanto, quatro síndromes clínicas estão associadas à esta doença: artrite; leucoencefalomielite; pneumonia intersticial e mastite.

Dentre os achados clínicos são encontrados problemas nas articulações dos animais como a artrite, que se estabelece de forma súbita, uni ou bilateral, acometendo as articulações do carpo e do tarso. A artrite pode ser acompanhada por um aumento de volume e endurecimento do úbere, bem como uma pneumonia intersticial.


Foto 2. Caprino infectado pelo vírus da CAE apresentando a forma clínica articular da enfermidade: artrite da articulação do carpo

Nos achados de radiografia são encontradas tumefações nos tecidos moles (estágios iniciais) e calcificação dos tecidos periarticulares e produção de osteófitos - prolongamentos ósseos - (estágios finais). O líquido sinovial (que lubrifica as articulações) encontra-se de coloração castanha, com redução do teor de proteína e aumento na quantidade de células (90% de linfócitos).

A manifestação nervosa acomete, principalmente, cabritos de um a cinco meses de idade. Esta caracteriza-se por paresia dos membros posteriores uni ou bilateral e ataxia (incoordenação). Pode ocorrer "sacudida" de cabeça e andar em círculo. O animal tende a progredir no quadro permanecendo no estágio de tetraparesia. O líquido cérebro-espinhoso possui uma quantidade aumentada de células mononucleares.


Cabrito infectado pelo vírus da CAE apresentando a forma clínica nervosa da enfermidade: tetraparesia

O diagnóstico é feito através dos sintomas e provas sorológicas, Elisa e PCR. No estágio inicial recomenda-se o teste de imunodifusão em ágar gel (AGID), o qual possui alta especificidade e sensibilidade, além de baixo custo.

Não há alteração no hemograma e nos testes bioquímicos do soro sanguíneo, podendo haver discreta anemia em alguns animais. Não há tratamento específico e os sintomas dos animais acometidos tendem a se agravar com o decorrer do tempo.

O descarte é recomendado visto que o animal é uma fonte de infecção. Algumas medidas profiláticas podem ser tomadas para o controle da enfermidade:

Animais recém-nascidos:

• Devem ser separados da mãe logo ao nascimento para evitar a ingestão do colostro e lambedura;

• Devem ser separados dos animais mais velhos e receber colostro à temperatura de 57ºC durante uma hora (a esta temperatura o vírus é inativado e as imunoglobulinas permanecem íntegras);

• Devem permanecer isolados e criados com leite de cabra ou vaca pasteurizado (74ºC durante 15 seg.) ou com substituto do leite.

Em propriedades onde os machos serão descartados ou abatidos após o nascimento, pode-se instituir o seguinte manejo:

• Utilizar colostro e leite de vaca para as fêmeas até a desmama, sendo que os machos serão alimentados com colostro e leite das cabras (pois serão descartados);

• Exame semestral de todo o rebanho deve ser efetuado na propriedade, sendo recomendado o descarte dos soropositivos;

• Deve-se fazer quarentena de animais adquiridos;

• Em reprodutores, fazer exame semiológico durante os primeiros 60 dias de permanência na nova propriedade;

• A desinfecção nos equipamentos utilizados é necessária, utilizando compostos fenólicos ou de amônio quartenário.

Referências:

Clínica de ovinos e caprinos - D.G. Pugh - ed. ROCA, 2005

Clínica Veterinária - Um Tratado de Doenças dos Bovinos, Ovinos, Suínos, Caprinos, e Eqüinos - Blood C. Douglas; Otto M. Radostits; Clive C. Gay; Kennethy W. Hinchcliff - ed. Guanabara, 2002.

Avaliação da taxa de ocorrência da artrite encefalite caprina a vírus pelas regionais do escritório de defesa agropecuária do Estado de São Paulo, Brasil, e seu mapeamento por meio de sistema de informações geográficas - B.L.S. Leite1, J.R. Modolo1, C.R. Padovani2, A.V.M. Stachissini1, R.S. de Castro3, L.B. Simões2
Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, UNESP, CP 524, CEP 18618-000, Botucatu, SP, Brasil, 2004.

VICENTE DE FRANÇA TURINO

GIOVANA D´ANDRÉA PAVÃO

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FRANCISCO DE SALES BEZERRA

CAICÓ - RIO GRANDE DO NORTE - OVINOS/CAPRINOS

EM 10/03/2020

Sou criador de caprinos no Nordeste, os cabritos nasce e morre logo em seguida.

Francisco de Sales Bezerra
DOTIVAL.MACHADO

UIBAÍ - BAHIA - OVINOS/CAPRINOS

EM 09/11/2018

Meus caprinosvapresentam.uma doenca estranha começam a se esti.carem depois perdem a forca nas pernas e depois maos finalmente caem.
O interessante e depous de poucos fucam saos e comem muito so q n levantam mais
JOSÉ PAIVA SOARES

SÃO PAULO - SÃO PAULO - OVINOS/CAPRINOS

EM 05/12/2017

Olá boa noite!

Gostaria de saber se o leite de animais com a CAE na gandula mamária pode ser aproveitado para consumo humano?
JOSÉ FRANCISCO G. WARTH

CURITIBA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 17/05/2015

Boa noite!

Gostaria de saber a atual prevalência da CAE no rebanho caprino do Sudeste (em Minas Gerais no vale do Jequitinhonha) e no nordeste brasileiro. Nestes lugares as cabras brasileiras são de baixa qualidade genética e muito pouca assistência  tecnológica veterinária é empregada. Como as percentagens desta doença na França como em outros países produtores de leite e queijo é muito alta muito (80%) em parte devido às infecções iatrogênicas,  parece-me que este "isolamento regional e de carência tecnológica" de nossas cabras impossibilitou  a difusão deste vírus com igual facilidade com que ocorreu em raças de alta linhagem genética onde a compra e venda de reprodutores é muito frequente.

Abraços

Prof. José Francisco Ghignatti Warth (UFPR)

jfgwarth@gmail.com.br
FERNANDO FLORENCIO DE CARVALHO NETO

JOÃO PESSOA - PARAIBA

EM 02/07/2014

Sou criador de cabras leiteiras e estou usando micoplasmina manipulada em laboratório oferecendo diluida em água para beber a todos os caprinos e ovinos como se fora para prevenção de micoplasmose, então lhes pergunto: É válido? Funciona?

Agradecido.
CAIO EDUARDO FONSECA SELAYSIM COSTA

RIO VERDE - GOIÁS - VAREJO

EM 09/06/2008

bom dia !!!
sou estudante de medicina veterinaria. E queria saber qual a incidencia de oestrus ovis na caprinocultura?
JOSILAINE MATOS

RECIFE - PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE CORTE

EM 01/06/2008

É isso ai Vicente,
A CAE é um problema sério e pouco conhecido entre os produtores e profissionais da área. Considero que este artigo veio esclarecer de forma coesa e inteligente a CAE. As ilustrações foram estratégicas e dá uma visão dos dados apresentados. Muito bom.
Parabéns!!!
Sou leitora há anos e esta é a primeira vez que comento um artigo, embora considere que tantos outros tenham sido bons.