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Análise econômica de sistemas de produção de ovinos para carne

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO

EM 26/10/2007

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A análise econômica de um sistema de produção animal é um instrumental muito importante que permite aos técnicos e produtores considerarem os custos de produção, receitas e outros índices, como lucratividade e rentabilidade.

Os estudos de sistemas de produção dos ovinos e dos caprinos são escassos, e comumente, quando se encontra algo publicado, os mesmos não contemplam todos os custos de produção, o que pode gerar resultados distantes da realidade. É comum encontrarmos análises de custos que utilizem apenas as ferramentas de custo com alimentação e/ou medicamentos em fases curtas do sistema, como o confinamento dos cordeiros. Logicamente, essas informações podem ser úteis para o dia a dia.

Também, é importante considerar que o cálculo de custos de produção é uma tarefa complexa, pois cada propriedade é única, com condições singulares e disponibilidade distinta com relação à capacidade orçamentária (Alves, 2003).

É importante ressaltar que uma das fases mais importantes de análise de custos é a identificação destes em cada sistema de produção animal. Segundo Canziani (2005), um critério de divisão de custos que pode ser adotado é: custos-caixa e não-caixa. O custo caixa aquele que representa desembolso direto, e custo não-caixa, que não é o desembolso, e deve ser considerado como a reserva estratégica do sistema, como depreciação, conservação e reparos e juros sobre capital de giro.

Nesse contexto, em nossos trabalhos na UFPR, Barros et al (2007b) identificaram os seguintes custos de produção na criação de ovinos, objetivando a venda de carne de cordeiro:

- Custos-caixa: alimentação dos animais (pasto e suplementos), medicamentos, energia elétrica, assistência técnica, transporte dos animais, abate dos animais, impostos e taxas, e mão-de-obra.

- Custos não-caixa: conservação e reparos, depreciação, juros sobre capital de giro e custo de oportunidade do capital investido.

É importante dizer que a análise econômica da produção deve contemplar os custos anuais da atividade ovinocultura/caprinocultura para obtenção de melhores resultados de interpretação.

De modo geral, o que mais se observa nas propriedades é a venda de cordeiros realizada em determinadas épocas do ano, de forma concentrada, em função da estacionalidade de raças ovinas de carne, por exemplo. Portanto, a receita obtida não é distribuída mensalmente.

Dessa maneira, cabe ao técnico e ao produtor algumas alternativas: utilizar o manejo de terminação dos cordeiros, no caso dos ovinos estacionais, de forma a distribuir um pouco melhor a entrega do produto ao mercado, organizar-se em grupos com escala da entrega dos cordeiros ao abatedouro, ou ainda, gerenciar os recebimentos de modo que esses sejam capazes de reembolsar os custos mensalmente.

Então, a análise econômica quando realizada somente em algumas fases, como na terminação dos cordeiros e cabritos, por exemplo, pode apresentar resultados diferentes daquela obtida ao longo do ano, na qual se colocam todos os custos do sistema, incluindo a alimentação das matrizes, por exemplo.

Barros et al (2007a) avaliaram a terminação de cordeiros em dois distintos sistemas: pastagem de Tifton-85 e confinamento. A fase de terminação iniciou quando os cordeiros atingiram 60 dias de idade e foram desmamados, sendo que o abate foi realizado aos 32 kg. Observou-se que o sistema em confinamento gerou maior lucro em relação à pastagem na fase de terminação. Isso ocorreu porque em confinamento o tempo para o animal atingir o peso de abate foi inferior em cerca de 34 dias, quando comparado ao sistema de terminação de cordeiros em pasto (84 dias).

O custo de alimentação dos cordeiros desmamados no pasto foi metade do custo em confinamento comparando todo o período, apesar dos cordeiros em pasto apresentarem tempo de terminação quatro vezes superior ao confinamento.

A duração da terminação também influenciou os demais itens que compuseram os custos de produção. Diante desses dados obteve-se lucratividade de 48,7% e 65,1% em pasto e em confinamento, respectivamente. Macedo et al. (2000) também relataram maior lucratividade da terminação em confinamento em relação à terminação em pasto, avaliando somente o período de terminação.

Esses resultados passam a impressão de que é mais lucrativo investir no confinamento dos animais. Entretanto, destaca-se aqui que uma análise em longo prazo revelou que em pasto a lucratividade foi superior, o que ocorreu devido ao investimento ser maior no sistema confinado. Isso gerou maior custo com depreciação, conservação e juros, além do custo de alimentação que foi mais elevado em confinamento (Barros et al 2007a).

Outros autores, como Santello et al (2006), avaliaram o lucro da criação de cordeiros confinados comparados com cordeiros terminados em pasto com suplementação e concluíram que em pasto a atividade foi mais lucrativa. Dessa maneira, ressalta-se a importância de adequada análise econômica da atividade, ano a ano, para que seja possível obter dados confiáveis.

Foi realizada análise econômica de sistemas de criação de ovinos em pasto durante ciclo completo de um ano, com suplementação de volumoso nos períodos de baixa oferta de forragem. A terminação dos cordeiros foi feita em três distintos sistemas: cordeiros desmamados aos 60 dias mantidos em pasto, cordeiros ao pé da mãe mantidos em pasto, e cordeiros ao pé da mãe mantidos em pasto com suplementação em creep feeding com 1% PV, com abate aos 131, 101 e 105 dias de idade, respectivamente (Barros et al, 2007b).

Os itens do custo de produção com maior percentual de participação no custo operacional efetivo, em ordem decrescente, foram: mão-de-obra (31%), alimentação (24%), conservação de benfeitorias, máquinas e equipamentos (11%), sanidade (10%), assistência técnica (8%), e impostos/taxas (4%), entre outros custos menores. Em outras análises que encontramos na literatura, (Vidal et al, ) também a mão de obra tem sido um custo importante nos sistemas de produção.

Nesse caso, o custo com a suplementação dos cordeiros em creep feeding não foi reembolsado na receita; ou seja, esse gasto a mais não gerou receita a mais, o que permitiu concluir que não foi viável realizar a suplementação em 1% do PV na fase de terminação.

Dentre os três sistemas estudados, a terminação ao pé da mãe em pastagem apresentou os melhores resultados econômicos com rentabilidade de 4,99%, considerando a venda de carne congelada, e não a venda de cordeiro em pé.

Com relação ao custo com a pastagem, no mesmo trabalho considerou-se o aluguel de máquinas para plantio e adubação, sementes de forrageiras de inverno e fertilização da terra. Além desses custos, a depreciação do pasto foi considerada em 10 anos. Cabe salientar que o custo com o pasto dificilmente é bem mensurado, e raramente inclui-se a depreciação do pasto nas análises simples de custo de produção; no entanto, é muito importante que seja considerada, porque em determinado período será necessário realizar a reforma das áreas de pasto para que se obtenha o mesmo desempenho na atividade.

Pode-se dizer, então, que as análises econômicas têm demonstrado viabilidade econômica para a criação de ovinos em pastagem. O maior custo nesses sistemas têm sido referente à mão-de-obra, o que indica a necessidade de melhor aproveitamento desse fator de produção. Sendo esse um custo fixo, o produtor deve trabalhar com número ótimo de animais para diluí-lo, ou seja, adequar os animais ao trabalho que o funcionário é capaz de realizar com bom desempenho.

A alimentação, na maioria dos casos, foi o segundo principal custo. Ainda, foi demonstrado que o custo do pasto foi inferior ao custo com suplementação volumosa ou concentrada, indicando algumas alternativas de manejo com melhor lucratividade, desde que se mantenha boa disponibilidade de forragem aos animais de forma que possam realizar seleção, sobretudo de folhas, e atender as necessidades nutricionais nas diferentes fases, garantindo bom desempenho.

Bibliografia utilizada
ALVES, S.R.S. Coeficientes técnicos, custos, rendimentos e rentabilidade. Sistemas de produção 02 - Sistemas de criação de ovinos nos ambientes ecológicos do Rio Grande do Sul. Bagé: Embrapa, 2003. p.181-192.

BARROS, C.S.; MONTEIRO, A.L.G.; POLI, C.H.E.C.; FERNANDES, M.A.M.; SATO, D.N.; FERREIRA, F.S. Análise da rentabilidade da terminação de cordeiros ema pastagem e em confinamento. In: Reunião Anual da Sociedade Brasileria de Zootecnia, 44., 2007, Jaboticabal, SP. Anais... Jaboticabal, SP: Sociedade Brasileira de Zootecnia, 2007. CDRom

BARROS, C.S.; MONTEIRO, A.L.G.; POLI, C.H.E.C.; RIBEIRO, T.M.D. Análise da rentabilidade de quatro sistemas de produção de ovinos de corte. Artigo apresentado para Qualificação no Curso de Mestrado em Ciências Veterinárias da Universidade Federal do Paraná. 25p. 2007b

CANZIANI, J. R. F. O Cálculo e a Análise do Custo de Produção Para Fins de Gerenciamento e Tomada de Decisão nas Propriedades Rurais. Curitiba: DERE/SCA/UFPR, 2005. 19p. (Material Didático).

MACEDO, F.A.; SIQUEIRA, E.R. & MARTINS, E.N. Análise econômica da produção de carne de cordeiros sob dois sistemas de terminação: pastagem e confinamento. Ciência Rural, v.30, p.677-680. 2000.

SANTELLO, G.A.; ASSIS, F.A.F.; MEXIA, A.A.; SAKAGUTI, E.S. et al. Características de carcaça e análise do custo de sistemas de produção de cordeiras ½ Dorset Santa Inês. Rev. Bras. Zootec., v.35, n.4, p.1852-1859, 2006.

VIDAL, M.F.; SILVA, R.G.; NEIVA, J.N.M.; CÂNDIDO, M.J.D. et al. Análise econômica da produção de ovinos em lotação rotativa em pastagem de capim tanzânia (Panicum maximum (Jacq)). RER, Rio de Janeiro, vol. 44, nº 04, p. 801-818, out/dez 2006.

ALDA LÚCIA GOMES MONTEIRO

Coordena o Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos (LAPOC) da UFPR

CARINA BARROS

Médica veterinária
Mestre em Ciências Veterinárias UFPR
Doutora em Nutrição e Produção Animal FMVZ-USP
Pós-doutorado FMVZ-USP
Atuação na avaliação econômica e modelagem

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CARINA BARROS

OSASCO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 18/07/2008

Prezado José Bonifácio O. X. Menezes
Esse artigo detalha especificamente a parte econômica do nosso experimento no campo. Você pode ler o artigo com os dados produtivos do ano 2003 na íntegra, está disponível no site www.lapoc.ufpr.br. Os demais anos ainda estão em processo de tramitação nas revistas, portanto não podemos disponibilizar já que não foram publicados, mas fique atento às nossas atualizações na página. Quanto ao pasto o uso foi em pastejo contínuo, os animais não saíram do pasto.
JOSÉ BONIFÁCIO O. X. MENEZES

SEROPEDICA - RIO DE JANEIRO - PESQUISA/ENSINO

EM 15/07/2008

Gostaria de invesir na recria/acabamento de cordeiros a pasto, ainda que suplementados quando o crescimento do pasto não atender, seja em quantidade ou em qulidade, às necessidades do rebanho; porém ficaria bem mais tranquilo se os autores mencionassem dados relativo à sanidade de seus cordeiros, qual o intervalo de descanso enre pastejos, a hora do dia em êle foi iniciado, se foram feitos acompanhamentos sanitários (OPG, coprocultura,etc)
ERWIN SMEJA HUNTER

RIO VERDE - GOIÁS

EM 06/11/2007

Parabens pela matéria.
O conteúdo é muito prático, e como o Mateus eu também tenho interesse em ovinocultura e sinto a necessidade de termos estas orientações. O que não ficou explícito é o custo da mortalidade a pasto ou confinamento. A mão de obra realmente sempre é o custo maior e nem sempre tem a melhor qualidade.
O texto é bom e nos lembra dos itens que devemos cuidar na ponta do lápis
NEI ANTONIO KUKLA

UNIÃO DA VITÓRIA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/10/2007

Muito bom estudo!
Como na pecuária de leite, também na ovinocultura após a análise deste estudo, prova-se que o sistema de produção seja carne/ leite à pasto é viável, permitindo a diminuição dos custos de produção, aproveitamento de áreas, uso do capital humano, preservação ambiental e produção com qualidade.
Esses dados obtidos no estudo, servem de ferramenta para a implantação de sistemas de produção à pasto.
Parabéns!
MATEUS

NOVO HAMBURGO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 29/10/2007

Boa noite!!

Excelente artigo, principalmente para os interessados em investir na ovinocultura como eu.
Concordo com a autora em relação à falta de informações sobre os custos e perspectivas de retorno financeiro desta atividade.

Parabéns e obrigado