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Alimentos microbianos para ruminantes

POR JUNIO CESAR MARTINEZ

PRODUÇÃO

EM 11/05/2011

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Introdução

Tem aumentado o uso de substâncias promotoras de crescimento naturais, a exemplo dos aditivos contendo microrganismos vivos e seus metabólitos, usados para melhorar a eficiência produtiva dos animais. O objetivo deste radar é introduzir esse conceito, descrevendo os mecanismos potenciais de ação e discutir o potencial de aplicação desses aditivos na nutrição de ruminantes.

Microbiologia do intestino

Antes do nascimento, as crias são estéreis dentro do ventre de suas mães. Entretanto, após o nascimento, o trato digestivo de todos os animais são naturalmente colonizados por uma variedade de microrganismos presentes no meio ambiente. Em condições saudáveis e não estressantes, uma microflora benéfica coloniza o rúmen e o intestino em uma relação de simbiose com o hospedeiro. Como benefícios dessa simbiose, os microrganismos suprem nutrientes para o hospedeiro, o ruminante. Portanto, o rúmen dos bovinos, ovinos, caprinos, bubalinos e demais ruminantes, não desenvolvem todas as suas funções caso o animal, quando ainda jovem, seja removido e colocado em ambiente isento de microrganismos. Também, animais isentos de microflora no trato gastro-intestinal são mais susceptíveis a infecções bacterianas, presumivelmente devido ao rápido estabelecimento do patógeno. Portanto, essas afirmações demonstram que a colonização microbial do sistema digestivo é necessária para o normal desenvolvimento e bem estar animal.

Microrganismos fornecidos diretamente no alimento

O conceito original para fornecimento de microrganismos no alimento envolve a administração de uma grande quantidade de micróbios benéficos para animais que estavam ou estão sofrendo com algum agente estressor. Em teoria, essa suplementação é feita para prevenir o estabelecimento de microrganismos indesejáveis, ou, para re-estabelecer a flora microbiana normal. Essa prática é denominada probiótico. Entretanto, o termo probiótico implicava uma natureza curativa à esses produtos. Desta forma, nos EUA, produtos para reduzir a mortalidade, menor número de dias doente ou aumentar a produção, não podem ser vendidos sem aprovação do governo. Para tanto, uma lista dos microrganismos aceitos para a alimentação animal foi desenvolvida e o nome para substituir a palavra probiótico foi alterado para algo como "microrganismos fornecidos diretamente no alimento". Entretanto, o Brasil ainda utilizamos a palavra probiótico.

Modelo genérico de ação dos microrganismos

Embora vários modelos tenham sido postulados, o mais aceito é o que postula que melhora a saúde do animal ou sugere que a adição de bactérias benéficas previne a colonização de patógenos indesejáveis por competição por espaço e nutrientes. Algumas das maiores hipóteses desses benefícios estão listadas abaixo:

- Produção de compostos anti-bacterianos (ácidos, bateriocinas e antibióticos)
- Competição com microrganismos indesejáveis por espaço e nutrientes (exclusão competitiva)
- Produção de nutrientes (aminoácidos, vitaminas, etc) ou outros fatores de crescimento estimuladores de outros microrganismos no trato digestivo
- Produção ou estimulação de enzimas
- Metabolismo ou desintoxicação de compostos indesejáveis
- Estimulação de resposta imune no ruminante
- Produção de nutrientes ou outros fatores estimulantes para o ruminante.

Suplemento bacteriano para ruminantes

Embora a prática de inoculação de ruminantes com microrganismos benéficos não seja novidade, são poucos os estudos controlados que comprovam a eficácia desta prática; e, do ponto de vista científico, não existe produto comercial baseado neste conceito.

Mas, existem muitas bactérias com grande potencial para uso em ruminantes, e que são vendidas no comércio. Muitos desses produtos contem bactérias do gênero Lactobacilli, com Lactobacillus acidophilus, talvez a bactéria mais comumente usada. Outras comumente usadas incluem varias espécies de Bifidobacterium, Enterococcus e Bacillus. A bactéria Lactobacillus acidoplilus é muito desejada pois produz ácido lático, que pode reduzir o pH do intestino delgado a níveis que inibe o crescimento de organismos patogênicos, e portanto, pode prevenir diarreias exatamente por reduzir as bactérias do gênero Coliform, fator esse que pode ser muito interessante para a criação de bezerros.

Outro exemplo em estudo é o caso da bactéria Megasphaera elsdenni, a maior utilizadora de ácido lático em rúmen adaptado com dieta de alto grão. Estudos com o produto comercial que contém Megasphaera elsdenni B159 e a cepa 407A previnem a acidose tanto em bezerros como em confinamento.

Outro grupo de bactérias de enorme potencial para uso em ruminantes são as Propionibacterias. Essas bactérias são naturalmente encontradas em grande número em rúmen de animais alimentados com forragem e média quantidade de concentrado. Elas têm a habilidade de converter lactato e glicose em acetato e propionato, o que pode melhorar consideravelmente o status energético do animal. Pode ser encontrada no mercado a cepa Propionibacteria P-63.

Considerações finais

Ainda são inconsistentes os dados obtidos com produtos comerciais. Observa-se uma grande diferença de comportamento dos estudos quando realizados em ambientes controlados (estudo científico) e em propriedades comerciais. Mas, este mercado tem se profissionalizado bastante nos últimos anos. Hoje é possível encontrar diversas formas de apresentação dos produtos, como pós, pastas, cápsulas, etc. Ainda, podem ser administradas diretamente no alimento ou diluídas na água do bebedouro. Alguns problemas sérios ainda existem, a exemplo dos microrganismos sensíveis ao calor ou a antibióticos naturais. Entretanto, tendo em vista a importância desta área da nutrição de ruminantes, as pesquisas em andamento poderão sanar essas lacunas em um futuro próximo.

Fonte:

Tradução de parte do texto escrito pelo Prof. Dr. Limin Kunk Jr, professor do Departamento de Ciência dos alimentos da Universidade de Delaware Newark, Delaware, nos anais do 12º Simpósio anual de Nutrição de Ruminantes da Flórida, Estados Unidos da América.

JUNIO CESAR MARTINEZ

Doutor em Ciência Animal e Pastagens (ESALQ), Pós-Doutor pela UNESP e Universidade da California-EUA. Professor da UNEMAT.

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GUSTAVO ESTEVES

POÇOS DE CALDAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 16/07/2013

Bom dia Junio Martinez,

Sou Médico Veterinário e estava dando uma olhada em seus artigos pois estou dando uma estudada em relação a presença da uréia no leite.

Como estamos acompanhando recentemente fraudes com adição de uréia exogena ao leite também temos a possibilidade de encontrar este produto de maneira endogena neste fluido, já que uma das vias de eliminação pode ser atraves do leite.

Conforme a legislação vigente pude notar que existem analises para detecção de ureia no leite porem há uma quantificação para isso.

Visto que a ureia pode se encontrar no leite existe algum artigo que posso consultar ou alguns números que você tenha falando que a cada quantidade de uréia fornecida na dieta teremos uma eliminação de tantas gramas ou % de ureia via leite.

Claro que não é uma ciência exata, suponhamos que seja um animal de 500Kg ingerindo o maximo permitido de uréia, sem que encontre em um quadro de intoxicação, com energia e proteína balanceadas corretamente.



Desde já agradeço...

Bom Trabalho.
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BERNADES

MONTES CLAROS DE GOIÁS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 14/02/2013

Prof. Junio,

Desde o tempo desta publicação, algumas águas já correram, então pergunto se hoje, você recomenda a utilização desses microorganismos na alimentação de ruminantes ou não?

Também, aproveito e pergunto, como fornecer vitaminas para os bovinos? Digo, devo comprar os alimentos prontos, ou eu mesmo consigo obter subprodutos e fornecer uma dieta balanceada com esses subprodutos?

obrigado.
PAULO MARTINS MEIRA JUNIOR

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/02/2012

bom dia, fermentamos levedura em polpa de laranja ou fuba,temos um excelente resultado, mas quando passamos para alguns produtores fazerem não dá muito certo, acho que é pelo jeito de fazer,pelo que entendo o bom resultado está nos cuidados com a fermentação,limpeza ,temperatura,e adição em toda batelada com mais levedura,para manter um numero ideal de levedura ,tentando assim evitar o maximo de proliferação de patógenos,na minha região a maioria dos produtores não dependem,e nem mora na propriedade,sendo tudo feito por empregados sem qualificação,pois a maioria pagam baixos salarios,não só pela baixa renumeração do leite,como pela mentalidade da região,pois a maioria trata o leite como um robby não depende dele para viver ,acho que se tivermos vontade teremos um melhorador dos alimentos a baixo custo,com excelentes resultados.gostaria de saber se podemos encontrar leveduras em pó vivas para tirar o resultado negativos da fermentação mal feita,ou algum metodo de cultivo na propriedade com menos riscos.
JUNIO CESAR MARTINEZ

TANGARÁ DA SERRA - MATO GROSSO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 31/01/2012

Os trabalhos tem sido de certa forma inconclusivos. Normalmente se observa bons resultados em trabalhos científicos, mas este comportamento não se repete com tanta frequencia em fazendas comerciais. A resposta pode ser que nos estudos conduzidos por pesquisadores, o protocolo experimental permite estudar somente o efeito da adição da levedura, enquanto que em fazendas comerciais, pode ser que outros fatores não controlados estejam atuando sobre os animais, o que poderia estar reduzindo a resposta à levedura. Mas, o uso de leveduras é promissor na nutrição animal.
PAULO MARTINS MEIRA JUNIOR

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/01/2012

gostaria de saber sobre o uso da levedura(sacharomices sereviciae)
JESSYCA PINHEIRO

AREIA - PARAIBA - ESTUDANTE

EM 20/01/2012

Parabéns, bela publicação.


Att. Jessyca Pinheiro


Graduanda em Zootecnia , UFPB.
JUNIO CESAR MARTINEZ

TANGARÁ DA SERRA - MATO GROSSO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 15/06/2011

Prezados,

O uso de probióticos possui posição de destaque na alimentação de ruminantes. Entrento, seu uso ainda não está completamente elucidado, principalmente devido a falta de repetição dos dados de pesquisa em algumas fazendas comerciais. Obviamente que as lacunas serão brevemente sanadas, uma vez que é de interesse das empresas que atuam no ramo.
OSCAR JULIAN ARROYAVE S

INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 17/05/2011

Eu verifiquei o uso de leveduras e lactobacilos na alimentação de caprinos leiteiros dá
J. AMÉRICO G. DORNELLES

PLANALTO - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/05/2011

O uso de probióticos demonstra ser uma ferramenta eficiente e natural para produção e saude dos rebanhos .



A pesquisa através de trabalhos científicos,deve ser estimulada e realizada para comprovar testes práticos que demonstram excelentes resultados,tanto na saúde como na produção de leite,carne e bezerros.
RICARDO SCHMIDT DIAS -

SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 15/05/2011

Excelente assunto.

Tenho comprovado a eficácia do uso de probióticos nos mesmo casos citados pelo Eduardo como também em casos de vacas com leite instável não ácido (LINA).

WAGNER CORRÊA

JABOTICABAL - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 13/05/2011

Muito boa matéria. Acredito que o uso de aditivos probióticos seja uma alternativa ao uso de antibióticos e ou aos ionóforos futuramente.





Trabalhos técnicos realizados, confirmam a eficiência destes produtos.
EDUARDO PERES NETO

SEARA - SANTA CATARINA - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 13/05/2011

Excelente radar técnico. A utilização dos probióticos ainda que de forma comercial tem demonstrado grande eficiência nos lactantes e também nos animais adultos.


A campo utilizamos bastante em diversas atividades. Nos lactantes como prevenção de diarréias, e também no tratamento clínico. Nos ruminantes na introdução de novas pastagens e como coadjuvante em enfermidades agudas, apresentam resultados impressionantes. Acredito que trata-se de um produto que veio para ficar e auxiliar clínicos e produtores no desenvolvimento de animais cada dia mais produtivos.