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Alimentos conservados na dieta de ovinos de corte

PRODUÇÃO

EM 20/08/2012

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* Autores

Marlon Richard Hilário da Silva - Médico Veterinário, MSc em Produção animal e Pastagens, Professor do Curso de Medicina Veterinária da UNICENTRO.

Guilherme Fernando Mattos Leão, Felipe Strücher, Guilherme da Silva Dranca - Graduandos em Medicina Veterinária da UNICENTRO.


Introdução

No Brasil, verifica-se, nos últimos anos, um aumento significativo na demanda de carne ovina, principalmente nos grandes centros urbanos. Tal constatação tem impulsionado a produção de cordeiros para abate, provocando a expansão da ovinocultura (GERON, 2012). Outros pontos que estão atrelados a uma produção eficiente são, principalmente por fatores referentes à qualidade dos produtos oriundos deste segmento da produção animal, especialmente a carne, a facilidade de manejo ao se trabalhar com os animais. Os resultados progressivos no setor avalizam este crescimento e destaque da ovinocultura.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), em 2009 o Brasil possuía um efetivo de 16, 812 milhões cabeças de ovinos, com alta de 1,1% em relação ao ano anterior, sendo que 57% encontra-se na região Nordeste, 28,5% no Sul, 6,7% no Centro-oeste, 4,5% no Sudeste e 3,3% na região Norte. Mesmo com todos os entraves na padronização para o comércio da carne ovina no território brasileiro, a atividade vem ganhando destaque com incentivos dos governos e entidades privadas. No entanto, é necessário que o produtor tenha acesso a informações e tecnologias que melhor atendam a realidade local. Um dos grandes entraves à ovinocultura é a estacionalidade da produção de forragens.

A estacionalidade da produção de forragens é reconhecida como um dos principais fatores responsáveis pelos baixos índices de produtividade da pecuária nacional, visto que os níveis de produção animal obtidos durante o período seco são comprometidos pelo baixo rendimento forrageiro nesta época (ATAIDE JÚNIOR, et al., 2000).

Uma das práticas que procura minimizar a problemática da estacionalidade forrageira é a confecção de alimentos conservados. Esta pode ocorrer por meio de três principais tipos: silagem, feno e pré secado. Neste texto abordaremos as diferentes respostas de ovinos frente a estes métodos de conservação.

Silagem na alimentação de ovinos de corte

Um sistema intensivo de produção animal, com grande número de cordeiros produzidos durante o ano inteiro, necessita de alimentos de boa qualidade, o que pode ser conseguido através de uma produção vegetal eficiente, com alimentos com qualidade satisfatória para atender os requerimentos do animal. O uso de alimentos como a silagem de milho, quando produzida apropriadamente e em estádios vegetativos recomendados, apresenta boas características químico-bromatológicas (RIBEIRO et al., 2003).

Segundo Nussio (1991), tradicionalmente o material mais utilizado para ensilagem é a planta de milho, devido a sua composição bromatológica no ponto ideal de corte e por preencher os requisitos para confecção de uma boa silagem como: teor de matéria seca (MS) entre 30% a 35%, e no mínimo de 3% de carboidratos solúveis na matéria original, baixo poder tampão e por proporcionar boa fermentação microbiana.

O alto valor nutritivo da planta de milho, caracterizado pela elevada digestibilidade ou densidade energética e alta produtividade determinam a excelência dessa planta. Em geral, esses são os atributos que a qualifica a ser eleita, nos sistemas de produção animal, como a fonte de volumoso estratégico na época de restrição deste alimento. A tabela 1 demonstra os principais resultados encontrados em pesquisas sob a ótica de terminação de cordeiros em confinamento utilizando silagem de milho. Os parâmetros comparados são representados pelos dias em confinamento, peso inicial e peso final e também o ganho médio diário.

Tabela 1 - Comparação do uso da silagem de milho na terminação de cordeiros de acordo com diferentes autores.



O desempenho pouco satisfatório da silagem de milho no trabalho realizado por Souza (2008) e colaboradores pode ser justificado em parte pela origem dos animais, tendo sido obtidos em rebanho comercial, no qual ainda não foi disponibilizado o melhoramento genético que vem sendo empregado nos rebanhos de elite das raças deslanadas.

Com relação aos trabalhos realizados por Moreno (2010) e Cunha (2001) não possuem diferença significativa entre os parâmetros avaliados. Cunha (2001) e colaboradores avaliaram três diferentes volumosos conservados: silagem de milho, silagem de sorgo granífero e feno de Coast cross (Cynodon dactylon L. Pears), para ovinos desmamados com 60 dias e permanecendo em baias coletivas.

Neste trabalho, observou-se que o tipo de alimento volumoso consumido pelos animais afetou o ganho diário de peso e a idade para alcançar o peso de abate. Os cordeiros alimentados com silagem de milho e de sorgo apresentaram maiores ganhos diários que os alimentados com feno, o que possibilitou o abate com menor idade. Houve diferença entre sexos no ganho diário de peso e idade de abate. O maior ganho de peso dos animais alimentados com silagens deveu-se ao seu menor teor de FDN e, provavelmente, maior concentração energética das silagens em relação ao feno.

Tabela 2 - Médias corrigidas para ganho de peso e idade de abate de cordeiros Suffolk, machos e fêmeas, alimentados com diferentes volumosos.



Médias seguidas de letras maiúsculas nas linhas, referem-se a comparações estatísticas entre os alimentos volumosos avaliados pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Médias seguidas de letras minúsculas nas linhas referem-se a comparações entre sexos através do teste F a 5% de probabilidade.
Adaptado de Cunha (2001).


Cunha et al (2001), concluiu que tanto a silagem de milho como a de sorgo possibilitam desempenho semelhante para terminação de cordeiros confinados, visando o abate.

Ribeiro et al (2003), com o objetivo de avaliar o uso de silagem de milho e do feno de aveia na alimentação de cordeiros desmamados aos 67 dias e imediatamente confinados, observou que animais que receberam a combinação de feno de aveia e silagem de milho apresentaram consumo de matéria seca superior aos animais observados que receberam exclusivamente silagem de milho ou feno de aveia como fonte de volumosos. Esta combinação de volumosos provavelmente tornou a ração mais apetecível aos animais, já que os aspectos químicos das rações não apresentou razões claras para a ocorrência de tal fato.

Conclusão

O consumo é, provavelmente, o fator determinante mais importante do desempenho animal e está normalmente relacionado ao teor de nutrientes que podem ser aproveitados nos alimentos, ou seja, a sua digestibilidade e qualidade. De maneira geral pode-se afirmar que a utilização de alimentos conservados, principalmente silagem podem ser empregadas em sistemas de produção de ovinos de corte com bons resultados sobre o desempenho animal.

Referências bibliográficas

ATAIDE JUNIOR, J.R; PEREIRA, O.G; GARCIA, R; VALADARES FILHO, S.C et al. Valor Nutritivo do Feno de Capim-tifton 85 (Cynodon spp.) em Diferentes Idades de Rebrota, em Ovinos. Rev. bras. Zootec., 29(6):2193-2199, 2000.

CAMURÇA, D.A; NEIVA, J.N.M; PIMENTEL, J.C.M; VASCONCELOS, V.R; LOBO, R.N.B. Desempenho Produtivo de Ovinos Alimentados com Dietas à Base de Feno de Gramíneas Tropicais. R. Bras. Zootec., v.31, n.5, p.2113-2122, 2002.

CUNHA, E.A; BUENO, M.B; SANTOS, L.E; RODA, D.S; OTSUK, I.P. Desempenho e características de carcaça de cordeiros suffolk alimentados com diferentes volumosos. Ciência Rural, Santa Maria, v.31, n.4, p.671-676, 2001.

IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Censo Agropecuário 2009- Brasília.

NUSSIO, L. G. Produção de silagem de milho de alta qualidade para animais de alta produção. In: SIMPÓSIO SOBRE NUTRIÇÃO DE BOVINOS, 4. Piracicaba, 1991.

RIBEIRO, E.L.A, ROCHA, M.A; MIZUBUTI, I.Y; SILVA, L.D.F, et al. Desempenho de cordeiros desmamados aos 67 dias alimentados com silagem de milho e feno de aveia. Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 24, n. 1, p. 85-92, jan./jun. 2003

SOUSA, V.S; LOUVANDINI, H; SCROPFNER, E.S; McMANUS, C.M et al. Desempenho, características de carcaça e componentes corporais de ovinos deslanados alimentados com silagem de girassol e silagem de milho. Ciência Animal Brasileira , v. 9, n. 2, p. 284-291, abr./jun. 2008

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