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Alguns cuidados na formulação de rações contendo silagens

POR RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

E THIAGO FERNANDES BERNARDES

PRODUÇÃO

EM 18/02/2008

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Alimentos ensilados normalmente contêm menores quantidades de energia quando comparados ao alimento original, o que resulta em menor produção microbiana ruminal. A produção de proteína microbiana no rúmen e o valor energético do alimento são determinados pela fermentabilidade dos carboidratos, sendo a fração solúvel da silagem constituída por uma combinação do material conservado da forragem original e de produtos finais da fermentação, como é o exemplo do lactato. Entretanto, alguns programas de balanceamento de rações freqüentemente atribuem valores energéticos iguais para silagens e forragens frescas, apesar das diferenças na concentração de carboidratos solúveis e dos ácidos orgânicos presente nas silagens.

Variações na silagem

A fermentação durante a ensilagem converte os carboidratos disponíveis em ácido lático, ácidos graxos voláteis (AGV's) e CO2. Quando as perdas de matéria seca durante a ensilagem são excessivas, a digestibilidade pode diminuir com aumentos no conteúdo de fibra da silagem. O aumento no conteúdo de fibra é devido a uma combinação de perdas, dentre elas, o consumo de compostos solúveis da planta, perdas gasosas e perdas por efluentes.

O valor energético relatado por laboratórios que analisam forragens é geralmente derivado do conteúdo de fibra (FDN). Entretanto, a maioria das mudanças devido ao processo da ensilagem ocorre na porção solúvel da forragem. Conseqüentemente, o teor de fibra da silagem reflete a recuperação dos constituintes solúveis relativos à composição original. Isso leva a certa dificuldade em predizer o valor energético e nutritivo das silagens com teor de fibra similar, mas com frações variáveis de carboidratos solúveis.

A produção de gás in vitro como estimativa do valor nutritivo não é diretamente correlacionada com o conteúdo de energia predito pelo FDN. Silagens de baixa qualidade devem ter menor estimativa de energia devido ao seu aumento no conteúdo de fibra.

A discrepância entre produção de gás e valores energéticos preditos ocorre porque o conteúdo de AGV da silagem não contribui com muita energia aos microrganismos ruminais, como os açúcares dos quais os AGV são derivados. Isso focaliza a dificuldade em se predizer o valor nutritivo simplesmente com base no conteúdo de fibra.

Estimando carboidratos solúveis

O Cornell Net Carbohydrate and Protein System (CNCPS) prediz o suprimento de nutrientes baseado na competição entre digestão ruminal e passagem. A fermentação de carboidratos de cada ingrediente é descrita pela sumarização de quatro frações: A- açúcares e ácidos orgânicos; B1- amido e substâncias pécticas; B2- fibra digestível; C- resíduo indigestível. A fração A do modelo CNPCS contém taxas de fermentação maiores do que 300% por hora.

Esses valores são derivados de culturas puras e assumem que os açúcares dominam a fermentação. Isso pode não ser verdade para silagens e algumas forragens frescas. Mais do que 10% da MS da silagem pode ser lactato, forragens frescas (principalmente quando imaturas) podem conter quantidades substanciais de ácidos orgânicos, principalmente malato e citrato.

A reduzida taxa de fermentação para o FDN da silagem resulta em decréscimo na produção microbiana e suprimento de nutrientes provenientes da silagem aos animais. Em alimentos como silagem, com grandes quantidades de proteína solúvel, a menor fermentação de carboidratos tende a aumentar a diferença entre a taxa com que a energia e nitrogênio são supridos aos microrganismos ruminais. Isso pode aumentar a perda de nitrogênio no rúmen.

A descrição das silagens em termos de energia fornecida às bactérias ruminais é um passo inicial para entender como a qualidade da forragem se relaciona ao desempenho animal. A variação no conteúdo de carboidratos da silagem indica uma área de oportunidade para melhorar o manejo e formulação da ração.

Fonte:

Doane, P. H.; Pell, A. N.; Schofield, P. and Pitt, R. E. Soluble Carboydratyes in Silage. In.: Proceedings of Cornell Nutrition Conference for Feed Manufactures, Rochester, NY, USA, 1996, p 115-120.

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

THIAGO FERNANDES BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

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RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 07/05/2009

Prezado Lincoln Oliveira,

Com certeza a utilização de milho elevará a energia, porém é interessante que este seja moído. Uma fonte de proteína alternativa pode ser o farelo de algodão.
Para rações de bovinos de corte em terminação pode-se chegar até 1,8 a 2,0%.

Mas é necessário um perfeito balanceamento da ração.
Atenciosamente

Rafael e Thiago
LINCOLN OLIVEIRA

ALEGRETE - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 29/04/2009

Em uma silagem de Capim Napier, seria ideal entrar com Grão de Milho na dieta para elevar Energia? e qual fonte de proteína a não ser farelo de soja?

Qual quantidade de uréia posso colocar?

Atenciosamente

Lincoln Oliveira
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 24/03/2008

Prezado Gerson Oliveira,

A inserção de ingredientes concentrados vai depender da categoria animal. Animais em terminação possuem maiores exigências em relação a animais em manutenção.

Dessa forma, para estes animais, formulação de rações com ingredientes concentrados ajudará na obtenção de carne de qualidade, em menor tempo e com maior economicidade.

Atenciosamente,
Rafael e Thiago
GERSON OLIVEIRA

ARAGUARI - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 21/03/2008

Saudações,
Estou começando na atividade e estou enfrentando alguns problemas com relação a custos.
Minha criação é semi-intensiva com ovelhas Santa Inês e macho Doorper.

Estou oferecendo pastagem (Brachiaria brizantha cv marandu), que futuramente irei mudar, silo de milho e sal mineral. Gostaria de saber se há necessidade de oferecer ainda o concentrado (ração) e se há, qual seria a proporção ideal para as diferentes categorias? É viável economicamente?
CLEITON GOMES DE CARVALHO

SÃO JOSÉ DO BELMONTE - PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 11/03/2008

Em termos de proteína bruta qual melhor silagem milho, sorgo ou milheto?


RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 04/03/2008

Prezado Rafael dos santos silva faria,

Primeiramente é necessário saber qual a espécie forrageira que será consorciada, entretanto a ensilagem de leguminosas é mais complicada devido a este grupo terem características indesejáveis ao processo de ensilagem, como elevado poder tampão.

Leguminosas são fontes complementares de proteína, entretanto, é necessário saber qual a categoria animal que estará sendo alimentada para inserção de outras fontes.

Atenciosamente,
Rafael e Thiago
RAFAEL DOS SANTOS SILVA FARIA

ITUVERAVA - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 01/03/2008

Qual o valor proteico da silagem feita consorciada com estilosante campo grande?

Será necessário fazer uma suplementação com farelos ou somente mineral?

Acradeço e espero a resposta.
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 26/02/2008

Prezado Amauri Valle,

Essa silagem em relação à parte bromatológica está em um nível intermediário, visto que a umidade está elevada. Geralmente, o teor de matéria seca da silagem de cana encontra-se entre 28 a 30%.

Valores de FDN elevam-se em relação a forragem fresca, visto que durante o processo fermentativo componentes solúveis da planta são consumidos.

Em relação ao FDN e FDA, alguns pesquisadores comentam que o FDN do volumoso se relaciona ao consumo da forragem e a FDA com a digestibilidade, ou seja, altos valores de FDN promovem redução do consumo e altos valores de FDA, redução da disgestibilidade. Entretanto, essas duas variáveis caminham juntamente.

Em relação a outras análises bromatológicas há aumento nos custos e as análises são complexas.

Fica difícil sugerir uma nota para a silagem em questão, pois o aspecto físico do volumoso também deve ser considerado.

Atenciosamente,
Rafael e Thiago
AMAURI VALLE

MACHADINHO D'OESTE - RONDÔNIA - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 22/02/2008

Que nota poderia ser dada a uma silagem de cana cuja anásile bromatologia determinou os seguintes parâmetros:

Proteina Bruta 3,1%
FDA 49,41%
FDN 73,22%
Umidade 79,24%

Qual o índice mais interessante para a qualidade da silagem, FDA ou FDN?

Deve-se pedir mais algum tipo de indicador na análise bromatológica?

Amauri Valle
Rondonia