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Adoção e sustentação do sistema plantio direto

POR RODRIGO ESTEVAM MUNHOZ DE ALMEIDA

PRODUÇÃO

EM 01/11/2006

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O plantio direto é um sistema de manejo do solo no qual a palha e restos vegetais (folhas, colmo, raízes) são deixados na superfície. O solo é revolvido apenas no sulco onde se depositam sementes e fertilizantes e as plantas infestantes são controlados por herbicidas.

Não existe preparo do solo além da mobilização no sulco de plantio. Considera-se que, para o sucesso do sistema, são fundamentais a rotação de culturas e o manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas.

O plantio direto é muito eficiente no controle de erosão. A palha sobre a superfície protege o solo contra o impacto das gotas de chuva, reduzindo a desagregação e o selamento da superfície, garantindo maior infiltração de água e menor arraste de terra, reduzindo em até 90% as perdas de terra e em até 70% a enxurrada.

A redução da erosão, a melhoria das condições físicas e de fertilidade do solo, o aumento do teor de matéria orgânica, de nutrientes e de água armazenada e a redução no consumo de combustíveis com a manutenção da produtividade das culturas indicam o plantio direto como o sistema para alcançar a sustentabilidade da agricultura, com mínimos impactos ambientais e sem degradação dos recursos naturais.

Por outro lado, o sistema plantio direto requer alguns cuidados para sua adoção, exige-se um estudo detalhado da área e a implantação de algumas práticas para se conseguir os resultados desejados. É preciso muito mais do que simplesmente jogar a semente no solo coberto com palha, deve-se atender com eficiência as premissas básicas (correção da fertilidade do solo, rotação de culturas, ausência de revolvimento de solo e uso de culturas para a formação de palhada), para se obter o sucesso do sistema.

Uma das preocupações com o plantio direto é a compactação superficial devido a ausência de revolvimento do solo. Em geral, principalmente em solos argilosos, o Plantio Direto apresenta maiores valores de microporos e densidade aparente do solo, e menores valores de macroporos e porosidade total, embora nem sempre este aumento de resistência tem sido relacionado com reduções de produtividade ou restrição ao desenvolvimento radicular.

A compactação prejudicial do solo pode ocorrer quando realizam-se as operações mecanizadas com umidade inadequada do solo, pois no Plantio Direto, devido a presença de palhada, o tráfego de máquinas na área se torna possível mesmo com o solo próximo a capacidade de campo, situação que não ocorreria em solo descoberto sob o sistema convencional.



A cobertura do solo (palhada), além de seus efeitos benéficos citados, acaba mudando as condições biológicas do sistema por motivos físicos ou químicos. As espécies de plantas daninhas ocorrentes na área tendem a ser alteradas, espécies de fungos e insetos de solo benéficos ou não serão favorecidos (embora outras espécies possam diminuir), justificando a importância da rotação de culturas para evitar problemas com pragas e doenças, principalmente as causadas por fungos necrotróficos e insetos de solo.

Um dos problemas para a adoção da rotação de culturas é o insignificante ou ausente retorno econômico da cultura alternativa (ex.: aveia preta, milheto, brachiária), pois estas entrarão em confronto com a safrinha nas regiões em que o clima permite este tipo de cultivo, ou com a cultura principal da safra em regiões onde somente é possível um cultivo por ano. Nestas últimas regiões, o problema é agravado pelo reduzido número de opções de plantas adaptadas para a produção de massa nas condições de clima quente e seco no inverno.

Para a adoção do sistema plantio direto, o produtor rural deve ter uma visão ampla do sistema, entendendo a importância de cada etapa do sistema (não revolvimento de solo, cobertura do solo e rotação de culturas), para conseguir êxito no sistema e não precisar mais retornar ao sistema convencional de cultivo.

RODRIGO ESTEVAM MUNHOZ DE ALMEIDA

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NEI ANTONIO KUKLA

UNIÃO DA VITÓRIA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/01/2007

Sem dúvida foi um dos grandes adventos teconológicos já apresentados na agricultura. E diga-se de passagem, parabéns aos paranaenses, principalmente dos Campos Gerais, local berço do SPD.

Algumas considerações:

- Talvez o problema de compactação superficial possa ser resolvido com o consórcio de plantas, aveia + nabo-forrageiro por exemplo, mesmo com pecuária em cima. Além de que, o manejo de palhada torna-se fundamental para se ter resíduos no solo, estimulando o aparecimento de microfauna para revolver o solo nestas acamadas;

- A integração lavoura-pecuária merece um maior trabalho de pesquisa e posteriormente difusão e aplicação dos bons resultados, pois nota-se que os produtores na maioria "se batem" para manter palhada no solo quando o uso de gado em cima. Este é um problema na minha opinião, crônico, pois o manejo incorreto pode fadar o sistema de integração ao insucesso.

- A questão de diminuição de custos é sem sombra de dúvidas o grande degrau que estimula o produtor a trabalhar o sistema, ausência de arado, grade e muitas vezes controle de ervas pós plantio.

Nei Antonio Kukla
Técnico em Agropecuária
Administrador - Espec. Agronegócios
JOÃO ORTLANDO DE FIGUEIREDO

SALVADOR - BAHIA - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 11/12/2006

Nós, agricultores do semi-árido, enxergamos maior benefício com a prática do plantio direto pela retenção da umidade. Para o semeio, usamos nossa velha plantadeira manual "tico-tico", que apresenta plena competência operacional. O problema é o custo do uso obrigatório de herbicida, já que o controle da concorrência com enxadas manuais fica dificultado. O saldo é positivo.
RAPHAEL AMAZONAS MANDARINO

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/12/2006

Matéria de vital importância para ajudar a mudar a cabeça do produtor brasileiro.

Gostaria de acrescentar que no plantio direto, dependendo da "palha" que se usou, podemos ter uma redução nos custos de adubo, no plantio, se esta palhada for de fácil associação simbiótica com bactérias micorrizicas. E se for feito, no caso de soja, uma inoculação bem feita, este custo, em nitrogênio pode ser zero.

Este sistema é o futuro da lavoura brasileira. Aposentem os arados e subsoladores.

Parabéns pela matéria.
ALBERTO DUDA

PONTA GROSSA - PARANÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 10/11/2006

O uso desta técnica criada aqui nos Campos Gerais do Paraná é de extrema funcionalidade, e ainda é de fundamental importäncia quando se trata da utilização da Integração Lavoura Pecuária, visto que para este sistema o complexo SOLO-PLANTA-ANIMAL devem andar juntos.
CARLOS HENRIQUE DE LIMA

DESCALVADO - SÃO PAULO - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 05/11/2006

Apreciei muito o artigo técnico sobre plantio direto, é bem resumido, de fácil entendimento e bem esclarecedor. São alguns pontos simples e que sempre nos desperta algum detalhe importante. Parabéns.
MARCOS DE OLIVEIRA SILVA

BOM JESUS DA PENHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/11/2006

Sou agricultor e tenho usado o plantio direto em minhas propriedades há 7 anos. Minhas lavouras são áreas de topografia ondulada, e antes da adoção do plantio direto tinha muitos problemas com a erosão, mesmo plantando em nível e com terraços de contenção.

Após o PD este problema acabou, porém eu faço o uso das palhadas para o consórcio com gado no período da seca, e isto faz com que o solo fique compactado. Para resolver este outro problema, estou fazendo plantio direto com cultivo mínimo, usando uma subsolagem a cada 2 ou 3 anos, conforme o grau de compactação.

Com isto tenho alcançado boa produtividade e aumentando meu retorno econômico com o uso das palhadas para o gado (palhadas de <i>Brachiaria</i>). Experiência de um agricultor.
GERALDO MAGELLA NOGUEIRA DIAS

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 03/11/2006

O Plantio Direto é uma tecnologia que deve ser incentivada e praticada pelos agricultores do Brasil, principalmente o pequeno produtor rural, pelos baixos custos de sua implantação e principalmente por ser uma tecnologia sustentável, preservando o meio ambiente e evitando a prática desastrada de plantar morro abaixo arando a terra, causando extensos sulcos de erosão, assoreando os rios e danificando o meio ambiente. Devemos enfatizar o Plantio Direto por tração animal que livra o produtor rural da dependência de custo e de contratempo de alugar tratores.
RICARDO EIREA

MONTEVIDEO - MONTEVIDEO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 03/11/2006

Um dos temas que mais interessa para os leiteiros brasileiros no tinteiro.

Trata-se de que, nas rotações agrícolas com pastagem, sobretudo nas pequenas fazendas familiares "que na realidade são as que mais importam" na atividade leiteria, permite uma muito rápida utilização do novo pasto, pela resistência ao pisoteio do gado.

Um tema particularmente importante quando se trata de implantação de pastos e sobretudo no tempo chuvoso. As resistência da estrutura do terreno com este sistema praticamente não é modificada, portanto, uma vez que as raízes adquiriram certa força logo depois da germinação, permite imediatamente o pastoreio direto sem maiores conseqüências que as dos terrenos firmes.

Um abraço
Ricardo