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Aborto em ovelhas - Parte II: tratamento e prevenção

POR DÉBORAH ASSIS BARBOSA

PRODUÇÃO

EM 17/09/2007

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Quando a taxa de abortos ultrapassa os níveis considerados normais é preciso agir. Para isso, primeiramente é necessário diagnosticar a causa dos abortos para realizar o tratamento adequado e as medidas preventivas corretas para os anos seguintes. Conforme visto na primeira parte deste artigo (clique aqui para ler), o histórico reprodutivo e sanitário do rebanho, sinais clínicos e análise laboratorial são fundamentais para um diagnóstico correto.

Como chegar a um diagnóstico:

1. Cuidado no manuseio - todo aborto é infeccioso até que se prove o contrário

2. Considerar outras possíveis causas de aborto (manejo recente das ovelhas, stress térmico, tratamentos, presença de predadores (cães, onças, etc), e outras doenças não infecciosas que levam ao aborto (ex. toxemia da prenhez)

3. Colete informações sobre o rebanho e envie-as para o laboratório de análise - número de animais que abortou, qual categoria está com mais problemas (ex. borregas), alimentação, histórico anterior de abortos, introdução de animais no rebanho.

4. Material a ser enviado refrigerado (não congelar):
- Membranas fetais frescas e limpas com cotilédones
- Feto fresco e limpo
- Swab da pele do feto ou do corrimento vaginal caso o feto e a membrana fetal estejam sem condições de envio

5. Coletar amostra de soro para a pesquisa de anticorpos contra toxoplasmose ou aborto enzoótico.

6. Ovelhas de parto gemelar podem dar à luz um cordeiro normal e o outro anormal ou infectado

7. Não se dê por satisfeito com um diagnóstico - o rebanho pode estar infectado com mais de um agente (ex. Toxoplasma e Chlamydia), portanto continue remetendo material ao laboratório, mesmo após exame positivo para um agente.

Tratamento

- Higienização e isolamento de ovelhas que abortaram ou que estiverem com descarga vaginal é fundamental para se controlar um surto de abortos.

- Restos fetais, da placenta e da cama (no caso em que for utilizada), devem ser corretamente descartados - queimados ou enterrados.

- Ovelhas que abortaram não devem ser usadas para adotar cordeiros rejeitados.

- Não se deve comprar reprodutores (machos ou fêmeas) de propriedades que tenham passado por um surto de aborto.

- Para se diminuir as perdas durante o surto, administração de antibióticos podem ajudar. A tetraciclina injetável ou no alimento pode ser utilizada em surtos de Campylobacter e Chlamydia. É importante ressaltar que a escolha do medicamento e a decisão em realizar antibioticoterapia deve ser tomada pelo veterinário que acompanha o rebanho.

Prevenção

Programa genérico de prevenção de abortamento (adaptado de Pugh, D.G.):

- Realizar o período de quarentena de qualquer animal antes de introduzi-los no rebanho

- Manter o escore corporal ideal e fornecer mistura mineral de boa qualidade a vontade

- Evitar exposição a vacas e suínos

- Manter os alimentos e as fontes de água livres de contaminação por urina e fezes

- Reduzir a pupulação de ratos e gatos; manter apenas gatos adultos castrados nos estábulos

- Não colocar os alimentos no solo

- Enviar corretamente as amostras ao laboratório de diagnóstico

- Manter as ovelhas recém adquiridas e de primeira cria em locais separados do resto do rebanho

- Manter as categorias de pré e pós parto em pastagens separadas

- Atuar energeticamente em qualquer caso de aborto (diagnosticar, dar destino adequado aos tecidos abortados, separar as fêmeas que abortaram e em caso de surto, tratar os demais animais)

- Manter o rebanho livre de fatores estressantes e superpopulação, bem como adotar medidas sanitárias adequadas.

Ainda como medidas preventivas, podemos citar o uso de monensina na alimentação de ovelhas gestantes para prevenir a toxoplasmose e a vacinação para prevenção da leptospirose.

Muitas causas de aborto em ovelhas são zoonoses e/ou têm grande importância na saúde pública - Chlamydia, Toxoplasmose, Salmonella e Listeria, ou seja, também acometem os humanos. Portanto deve-se ter cuidado ao assistir a partos e ao cuidar de cordeiros fracos. É importante usar luvas sempre que lidar com material contaminado. Assim como acontece nas vacas, o leite e o queijo não pasteurizados não devem ser consumidos.

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EDI LAGO DA SILVA

EM 23/04/2018

Bom Dia Dra.Déborah!!Tenho me dedicado a criar ovelhas , há mais de 15 anos , e no ano anterior apareceu altas taxas de aborto que persistem nesse ano de 2018, li seus artigos mas não sei por onde começar ações que possam diminuir ou eliminar os problemas. Em minha cidade , Giruá RS, poucas informações me foram de efeitos...ocorrem abortos nos diferentes estágios.Estava dando sal mineral de bovinos ,que segundo o que me vendiam não estaria dando problemas , já me informei em outras fontes e não mais usei, mas não foi solucionado ,minhas ovelhas não apresentam fezes com sangue nem diarreia , são bem nutridas...dosei com ivomec nos últimos meses...e o problema continua...na placenta aparecem pipoquinhas...poderia me sugerir alguma informação???por onde devo começar a ter providências satisfatórias?
JOSE ALCINDO

TAILÂNDIA - PARÁ - OVINOS/CAPRINOS

EM 21/11/2017

muito bom
GILDO

EM 08/03/2017

bom dia

as minhas ovelhas estão triste comem poco tao desanimadas

o que pode ser
MARCOS SOUZA DE FREITAS

SANTA ROSA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/06/2010

Seu artigo foi-me bastante útil, gostaria de parabenizá-la pela forma clara e didática de como o apresentou.
FERNANDO MARQUES

MARACAJÚ - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 01/06/2009

Estou começando agora na lida com os ovinos. Fiz minha estação de monta em fevereiro/março. 42 cabeça abortaram. Desdo inicio comem mineral, quanto a vermes uso "0lhar nos olhos das ovelhas". No dia 05-06 vai faze 1 mes no piquete de grama massai, o piquete faz divisa com um varjão. O que saiu da rotina foi a chegada brusca do frio.
DÉBORAH ASSIS BARBOSA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 08/07/2008

Prezado Cainan Alves,
Provavelmente essas bolinhas vistas pelo senhor na placenta são os cotilédones- estruturas naturalmente presentes na placenta, e que servem para "conexão" do útero com a placenta. Sua presença é normal, não se preocupe.
Já em relação à pigmentação ao redor do olho, essa sim é preocupante, já que é indicativo de anemia, muito provavelmente causada devido à presença de vermes hematófagos.
Sugiro que dê uma olhada nos textos que abordam a verminose na seção de Sanidade, para evitar que suas ovelhas sofram com esse tipo de doença!
Um abraço,
CAINAN ALVES

SANTO ANTÔNIO DA PATRULHA - RIO GRANDE DO SUL - ESTUDANTE

EM 30/06/2008

Sou um criador amador tenho 4 ovelhas. Tenho uma ovelha que estava fraca sem pigmentação ao redor do olho, ela mesmo assim pegou cria só que semana passada abortou ela soltou liquídos e ontem soltou uma pele que parecia uma tripa comprida, acho que é a placenta só que estava cheia de bolinhas de 1cm como se fosse tuberculose gostaria de saber se isso é possivel.
EWERTON HENRIQUE

SOCORRO - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 24/09/2007

Este artigo é muito interessante e muito valioso , pois a ovinocultura está em plena expansão e com isso se tem o aumento do uso biotecnologias da reprodução, onde as crias se tornam ainda mais valiosas, portanto antes de iniciar qualquer programa de melhoramento genético no rebanho, tem-se que pensar antes na prevenção dessas doenças que podem levar ao aumento excessivo de custos e de stress aos animais.
JOSÉ LUIZ NELSON COSTAGUTA

SANTANA DO LIVRAMENTO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 17/09/2007

Exelente artigo. Gostaria de saber porque a administração de monensina é preventiva para prevenir a Toxoplasmose. Obrigado.

<b>Resposta da autora:</b>
José Luiz,
Primeiramente obrigada por prestigiar o site com mais uma excelente questão. O Toxoplasma, assim como a Eimeria, é um protozoário. Por isso, assim como a coccidiose, a toxoplasmose também pode ser controlada com o uso de coccidiostáticos - como a monensina.
Um abraço,
Déborah