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A importância da produção de leite de ovelha no desempenho do cordeiro

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO

EM 26/04/2013

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No artigo desse mês iremos discutir os principais fatores que afetam a produção de leite nas ovelhas e seu impacto sobre o desenvolvimento dos cordeiros.

A produção de leite de ovelha é o principal fator de crescimento do cordeiro, particularmente durante as primeiras quatro semanas de vida, período em que a relação entre a taxa de crescimento do cordeiro e a produção de leite da ovelha é maior. Portanto, elevar a produção de leite da ovelha significa acelerar o ganho de peso dos cordeiros na fase de pré-desmame.

Normalmente, cordeiros de parto gemelar apresentam menor desempenho na fase pré-desmame. Embora ovelhas de parto gemelar apresentem maior produção de leite, esta não chega a ser o dobro da produção de uma ovelha de parto simples, resultando em menor quantidade de leite consumida por cordeiros gêmeos. 

Fonte: Laboratório de Produção e Pesquisa de Ovinos e Caprinos da UFPR 

 
Ovelhas que criam mais de um cordeiro produzem mais leite que ovelhas com um único cordeiro. Segundo o NRC (2007), ovelhas que criam cordeiros gêmeos produzem 20 a 40% mais leite que ovelhas que criam um cordeiro. Benson et al. (1999) observaram aumento de 23% na produção de leite em ovelhas que amamentam dois cordeiros, o que leva comumente a prejuízo no desenvolvimento dos mesmos. No trabalho realizado por Muniz et al. (1997), os cordeiros nascidos de parto gemelar foram mais leves em todas as idades estudadas, desde o nascimento até os 208 dias, entretanto, apenas o desempenho individual, do nascimento ao desmame, foi maior para os cordeiros de parto simples.

Durante as duas ou três primeiras semanas após a parição, a produção de leite da ovelha corresponde de 40% a 50% do total da lactação. Os resultados encontrados na literatura demostram que a produção de leite em ovelhas criando um ou dois cordeiros apresentaram um pico de produção entre 14 e 28 dias de lactação. A partir da 6ª a 8ª semana de lactação, há uma redução na produção diária de leite de 40% a 50% (FIGUEIRÓ & BENAVIDES, 1990). Esse declínio na produção de leite varia em uma taxa de 15 a 20 gramas a menos por dia, durante o segundo e terceiro mês de lactação.

Fonte: Garcia et al. (2003)

À medida que o cordeiro se desenvolve, a contribuição do leite na sua dieta diminui gradualmente e o crescimento passa a ser regulado pelo consumo de volumoso e de leite. Em geral, os cordeiros dependem exclusivamente do leite das ovelhas até uma semana de idade. Após esse período, a suplementação com concentrados e volumosos de boa qualidade estimula o desenvolvimento precoce do rúmen.

A produção de leite de ovelha pode ser estimada pelo desempenho do cordeiro durante o primeiro mês, pois nesse período o consumo de alimentos sólidos é muito baixo e a taxa de crescimento do cordeiro varia conforme o consumo de leite. A eficiência pode variar com o sexo e a idade, sendo considerada boa estimativa o consumo de 5 litros de leite para que o cordeiro aumente seu peso em 1kg (THERIEZ, 1997).

Entretanto, após o pico da lactação, o consumo de alimento sólido pelos cordeiros aumenta para compensar o decréscimo no consumo de leite. A inter-relação entre o consumo de forragem/volumoso e o consumo de leite não é bem conhecida, e parece bastante importante principalmente para os sistemas em que os cordeiros são desmamados jovens.

O ambiente, raça, idade das ovelhas, estágio de lactação, número de cordeiros, estado sanitário, infecções de úbere, manejo do rebanho e nível nutricional durante a gestação e lactação são fatores que contribuem para as variações na produção e na qualidade do leite.

GODFREY et al. (1997), ao avaliarem a produção de leite de ovelhas deslanadas e lanadas nos trópicos, em temperatura média de 30,6o C e não observaram efeito da raça no total de leite produzido durante 63 dias de lactação. A produção total de leite estimada foi de 7,8; 9,5 e 10,9 kg, respectivamente, para as raças Barbados Blackbelly, Florida Native e St. Croix White. Bencini & Pulina (1997) citam que a raça Awassi, com aptidão leiteira produzir cerca de 1000 litros de leite na lactação, enquanto que a Poll Dorset com aptidão para carne, produz somente 100 a 150 litros de leite por lactação.

Segundo Hassan (1995), o cruzamento de raças nativas com raças especializadas em produção de carne ou de leite, é o método mais rápido para melhorar a eficiência do rebanho. Entretanto, nem sempre isso é possível, devido aos problemas da importação de animais. Nesse caso, é importante conhecer a produção de leite das raças locais e selecioná-las para elevar a produção, método que tem sido empregado por meio de programas de cruzamentos em vários países.

Silva (1998) avaliou a quantidade de leite produzida por ovelhas Corriedale puras e mestiças, e observou médias de 0,697; 0,718 e 0,997kg/dia para ovelhas puras, ½ Hampshire Down x ½ Corriedale e ½ Bergamácia x ½ Corriedale, respectivamente. Kremer et al. (2000) observaram que a média de produção de cruzas Corriedale x Milchschaf foi 39,7% maior que de ovelhas puras Corriedale em 100 dias de lactação.

Esses autores relataram ainda, que o genótipo F1 apresentou maior persistência de lactação que a raça materna Corriedale. Segundo Corrêa et al. (2006), a raça Corriedale adaptada a sistemas de produção semi-extensivos demonstrou ter potencialidade para produção leiteira, e os genótipos F1 e F2 das Corriedale com Milchschaf resultam em incremento substancial na produção em relação à raça Corriedale (Tabela 1).

Tabela 1 – Médias de produção e desvios-padrão para produção de leite (kg), gordura, proteína e lactose (g), em 100 dias de lactação para cada um dos genótipos estudados.

* Letras minúsculas, distintas na linha, diferiram estatisticamente a 5% pelo LSMEANS. Fonte: Corrêa et al. (2006).

Ovelhas de primeira cria produzem menos leite que ovelhas adultas, sendo que a produção máxima geralmente é atingida na terceira ou na quarta lactação; após estas, a tendência é ocorrer lenta redução da produção de leite por. Além da idade da ovelha, a produção e a composição do leite podem estar relacionadas com o estágio da lactação.

Nutrição X Produção de Leite

A lactação é a fase de maior exigência nutricional para as ovelhas, principalmente nas oito primeiras semanas (NRC, 2007). As tabelas de exigências nutricionais propostas pelo NRC (2007) mostram que as necessidades em energia e proteína de uma ovelha lactante de parto simples são 49,0% e 109,8% superiores às de uma ovelha em mantença. Se considerarmos uma ovelha de parto gemelar, esse percentual chega a 85,1% e 184,1%. Portanto, é necessário fornecer alimento em quantidade e qualidade suficientes nessa fase, para que não prejudique a capacidade produtiva dos animais, uma vez que a subalimentação provoca perdas qualitativas e quantitativas no leite produzido.

Em ovelhas lactantes, assim como em vacas, o consumo voluntário de alimento aumentará gradativamente com a demanda de energia no decorrer da lactação, no entanto, a demanda energética aumenta mais rapidamente do que o consumo de matéria seca no início da lactação, acarretando comumente um balanço energético negativo. Ou seja, a fêmea não é capaz de ingerir alimento suficiente para atender sua exigência nutricional que nessa fase é muito alta, principalmente se ela estiver amamentando dois ou três cordeiros. Como resultado, ela é forçada a usar suas reservas corporais durante essa fase inicial da lactação! Por isso, nessa fase as ovelhas perdem peso e diminuem o escore de condição corporal, sendo que a magnitude dessa perda esta diretamente relacionada com a qualidade da dieta.

Avaliação do escore de condição corporal. Fonte: LAPOC/UFPR.

 
No caso de ovelhas que não sejam produtoras de leite, tais como as raças de carne, com oito a dez semanas de lactação, a produção e o consumo de leite pelos cordeiros é quase insignificante e, neste período, é possível alimentar as ovelhas apenas em pastagem de boa qualidade, sem que haja um comprometimento do seu estado corporal. No entanto, nas primeiras quatro a cinco semanas, a condição alimentar é determinante para a quantidade de leite produzida.

Considerando o status nutricional, o monitoramento adequado das reservas corporais é imprescindível para manter animais em produção em condições de expressarem seu potencial produtivo, contribuindo para o sucesso econômico da atividade. Portanto, a avaliação da condição corporal, na medida em que indica o status nutricional das ovelhas, pode auxiliar o técnico na informação sobre a possibilidade de produção de leite das ovelhas, orientando-o sobre os ajustes das dietas nessa fase.

Atenção! A alimentação da ovelha nas quatro primeiras semanas de lactação é fundamental no sistema de produção, seja ela a pasto ou em confinamento, pois afeta diretamente a produção de leite e, com isso, o crescimento de seu(s) cordeiro(s).

Estado Sanitário X Produção de Leite

Os problemas que afetam o úbere (glândulas mamárias) e tetos merecem atenção especial pois podem ocasionar: baixa produção de leite, alterações na qualidade do leite/colostro e consequentemente, baixo peso ao desmame de cordeiros e cabritos; mortalidade da matriz e/ou da cria (exemplo: mastite gangrenosa); descarte precoce de matrizes com boa produtividade, entre outros. Além disso, não podemos esquecer de contabilizar o aumento do custo de produção devido os gastos com serviços veterinários e medicamentos.

Ovelha com mastite e cordeiro com amamentação artificial.

As lesões nos tetos causadas por traumas ou doenças (ectima contagioso, febre aftosa, entre outras) podem causar dor e com isso, a fêmea pode recursa-se de amamentar sua (s) cria (s). Por isso, a avaliação do úbere e dos tetos é essencial e tem como principal objetivo o monitoramento, a prevenção, o diagnóstico e o tratamento precoce das principais enfermidades!


Lesão de ectima contagioso nos dois tetos. Fonte: Arquivo pessoal.

Outras enfermidades que comprometem o estado de saúde geral da fêmea e/ou a ingestão de alimento afetam diretamente a produção de leite! Entre essas doenças, as endoparasitoses gastrintestinais merecem atenção especial pois além de afetar o desempenho e a produção de leite, podem causar a morte da matriz e de suas crias!

Fonte: arquivo pessoal.


LEMBRE-SE: “Ovelhas com produção de leite superior são capazes
de desmamar cordeiros mais pesados. Ou seja, a produção de carne
de cordeiros é dependente da maior produção de leite de suas mães.”

Referências bibliográficas

O artigo desse mês foi escrito com base no artigo “MÉTODOS PARA AVALIAÇÃO DE PRODUÇÃO DE LEITE OVINO”, publicado na Revista Brasileira Agrociência de Pelotas, volume 15, n.1-4, p.17-22, jan-dez, 2009. Disponível em: <http://www.ufpel.edu.br/faem/agrociencia/v15n1/artigo03.pdf>




 

MARIA ANGELA FERNANDES

Médica Veterinária pela UFPR
Doutoranda do Programa de Ciências Veterinárias da UFPR
Integrante do LAPOC - Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos da UFPR

ALDA LÚCIA GOMES MONTEIRO

Coordena o Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos (LAPOC) da UFPR

CARINA BARROS

Médica veterinária
Mestre em Ciências Veterinárias UFPR
Doutora em Nutrição e Produção Animal FMVZ-USP
Pós-doutorado FMVZ-USP
Atuação na avaliação econômica e modelagem

SERGIO RODRIGO FERNANDES

Zootecnista pela UFPR. Mestre e atualmente doutorando em Ciências Veterinárias na UFPR. Participa de pesquisas com sistemas de produção de bovinos (LAPBOV-UFPR), caprinos e ovinos para corte (LAPOC-UFPR). Atua na área de nutriçao de ruminantes.

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LUCIANO FERREIRA DOS SANTOS

MIRANTE - BAHIA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 02/05/2013

Muito boa matéria, acho que o grande desafio e conscientizar os produtores sobre a importância de tal assunto...
RICARDO

GAÚCHA DO NORTE - MATO GROSSO

EM 02/05/2013

Boa tarde!!

A minha duvida é se a ovinocultura for para produção leiteira, como fazer com os cordeiros e como é feito o manejo , ex tempo de desmama etc!!



Desde já muito obrigado pela atenção!!!
MARIA ANGELA FERNANDES

CURITIBA - PARANÁ

EM 02/05/2013

Prezado Tiago Schultz,

Quando o objetivo principal da criação é produção de carne e não de leite, o aleitamento natural das crias é a forma mais barata de alimentar os animais nas primeiras semanas de vida, pois diminui a necessidade de mão-de-obra. Apenas nos casos em que a morte ou a produção de leite da ovelha é insuficiente para alimentar sua (s) cria (s) é que se recomenta o aleitamento artificial.

obrigada pela sua participação

Abraço

Maria Angela
MARIA ANGELA FERNANDES

CURITIBA - PARANÁ

EM 02/05/2013

Prezado Rafael Colonese,

No Brasil ainda não existe substituto específico para ovinos. Em outros países como Portugal e Nova Zelândia existem produtos comerciais, no entanto, importar esses sucedâneos para aleitamento artificial  pode elevar muito o custo de produção desses cordeiros.

O leite de vaca é o substituto do leite ovino mais utilizados para cordeiros. No entanto, o leite da ovelha possuem maior teor de proteína, gordura, energia, Ca e energia. Por isso, geralmente os cordeiros em aleitamento artificial possuem desenvolvimento inferior aos dos com aleitamento natural.

Outra opção é fazer um banco de leite na própria propriedade utilizando as ovelhas que perderam a cria e/ou as com apenas uma cria que produzem muito leite. Dependendo do número de cordeiros que estão em aleitamento artificial, você poderá utiliza amas de leite (ovelhas que perderam suas crias) diminuindo o custo e o trabalho de fornecer o leite em mamadeira.

Atenciosamente

Maria Angela





INÁCIO JOSÉ SALUSTINO SOARES

NATAL - RIO GRANDE DO NORTE - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 01/05/2013

Sintetizando este artigo, de que a produção de carne de cordeiro é dependente da maior produção de leite de suas mães, a cada dia temos uma conclusão real na nossa região quente de semi-arido, de que a melhor alternativa de sucesso em criação ovina, sem duvida nenhuma, é o cruzamento tricoss das raças Bergamacio X Morada Nova Branca X Somalis, que originou o animal SOINGA, que está prestes a ser aprovada como a raça de nº 28 da ovinocultura brasileira. Aqui no Rio grande do Norte, de onde é originaria, a procura por matrizes do SOINGA é intensa, pois além de sua resistencia as elevadas temperaturas do ardente semi-árido, ela produz o leite necessário para um prematuro desmame com cordeiros mais pesados. É um animal criado totalmente a campo, com custo mínimo de produção..  
ROSANE ELVIRA FERRAZZA NARDES

PELOTAS - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 29/04/2013

Parabéns pelo artigo é bom saber que temos pessoas preocupadas com a produção de ovinos e , também com a produção de leite de ovelha, realizei a tese de doutorado e pós-doutorado na Universidade de León -Espanha e trabalhei com queijos de leite de ovelha, me coloco a disposição para comentar sobre o assunto.

Profa. da Faculdade de Nutrição -UFPel
TIAGO SCHULTZ

MAFRA - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 29/04/2013

E possivel alem do leite da ovelha, suplementar com leite de vaca na mamadeira? Pelo menos nos primeiros dias, sera q da resultado?
RAFAEL COLONESE

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 29/04/2013

Parabéns pelo artigo, acredito que este tema ,apesar de sua grande relevância, é negligenciado por grande parte dos produtores de cordeiro.

Gostaria de saber se algum dos autores tem conhecimento de substitutos do leite de ovelha que possam ser usados na amamentação de cordeiros?

Grato.

Rafael
PEDRO PORTO

VASSOURAS - RIO DE JANEIRO

EM 29/04/2013

  Bom dia a todos!



Outra boa opcao, para se elevar a producao de leite em ovelhas de raca para producao de carne, esta sendo a monta com carneiros de raca com aptidao leiteira/corte, como ja vem sendo feito em algumas propriedades no Brasil.
JOAO MONTEIRO DA GAMA

ARANDU - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/04/2013

A conversão alimentar do cordeiro é tanto maior quanto menor for a sua idade. Portanto para 1,0 kg de concentrado dado à ovelha na lactação o desempenho do cordeiro será superior do que o mesmo kilo sendo dado ao proprio cordeiro após a desmama.

O leite da ovelha é o alimento mais barato a oferecer aos cordeiros. Vide a criação na Nova Zelândia.