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Utilização da palma forrageira na alimentação de pequenos ruminantes

POR RODRIGO TENÓRIO PADILHA

E DEBORAH DE MELO MAGALHÃES

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/01/2007

3 MIN DE LEITURA

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Devido à influência da irregularidade de distribuição das chuvas sobre a alimentação de ruminantes nas regiões semi-áridas, é necessário buscar alternativas para a alimentação do rebanho.

Segundo o IBGE (2001), a região nordeste do Brasil possui um rebanho com cerca de 7.336.985 ovinos e 8.032.529 caprinos, representando, respectivamente, 51% e 93% do rebanho brasileiro. A maioria dessa população tem como base alimentar a utilização de pastagens nativas ou cultivadas, no entanto, com a estacionalidade de produção das forrageiras é necessária a busca por alimentos alternativos (SILVA e SANTOS, 2006).

Estima-se que cerca de 400 mil hectares de palma forrageira estão implantados na região nordeste, sendo considerada uma fonte energética de baixo custo, por ser rica em carboidratos não-fibrosos (CNF) rapidamente digeríveis no rúmen e de boa disponibilidade na região.

A palma forrageira sem espinho não é nativa do Brasil, foi introduzida por volta de 1880, em Pernambuco, através de sementes importadas do Texas- Estados Unidos. No Nordeste do Brasil são encontrados três tipos distintos de palma: a) gigante - da espécie Opuntia fícus indica; b) redonda - (Opuntia sp); e c) miúda - (Nopalea cochenilifera) (SILVA e SANTOS, 2006).

A espécie mais cultivada no Nordeste é a palma doce ou miúda (Nopalea cochenilifera) cujas raquetes alongadas possuem em média 25 cm de comprimento. É a menos resistente à falta de água, porém a mais palatável e nutritiva. Também é cultivada, embora em pequena escala, a palma gigante (Opuntia ficusindica), com raquetes em forma oval com até 50 cm de comprimento e a palma redonda (Opuntia sp), com 40 cm de comprimento em formas arredondadas.

A palma é resistente à falta de chuvas, armazena uma grande quantidade de água e tem alta digestibilidade. A produção obtida em um hectare de palma adensada (sistema onde se utiliza os espaçamentos, entre fileiras e raquetes, menores que os normalmente usados pelos agricultores, ou seja, numa mesma área pode se plantar quantidade maior de raquetes) é de aproximadamente 30 toneladas de matéria seca de palma a cada dois anos.

A palma forrageira, em regiões do semi-árido, é a base da alimentação dos ruminantes, pois é uma cultura adaptada às condições edafoclimáticas, além de apresentar altas produções de matéria seca por unidades de área. É uma excelente fonte de energia, rica em carboidratos não fibrosos, 61,79% (Wanderley et al., 2002) e nutrientes digestíveis totais, 62% (Melo et al., 2003). Porém, a palma apresenta baixos teores de fibra em detergente neutro, em torno de 26% (FDN) (Mattos et al., 2000).

A palma não pode ser fornecida aos animais exclusivamente, pois apresenta limitações quanto ao valor protéico e de fibra, não conseguindo assim atender as necessidades nutricionais do rebanho. Então, torna-se necessário o uso de alimentos volumosos e fontes protéicas.

Segundo Albuquerque et al. (2002), animais alimentados com quantidades elevadas de palma, comumente apresentam distúrbios digestivos (diarréia), o que, provavelmente, está associado à baixa quantidade de fibra dessa forrageira. Daí a importância de complementá-la com volumosos ricos em fibra, a exemplo de silagens, fenos e capins secos.

A palma forrageira apresenta baixo conteúdo de matéria seca quando comparada à maioria das forrageiras. Este aspecto compromete o atendimento das necessidades de matéria seca dos animais que recebem exclusivamente palma e, provavelmente, a elevada umidade limita o consumo pelo controle físico, por meio do enchimento do rúmen. Portanto, vale ressaltar que a elevada umidade observada na palma forrageira, independente da cultivar, é uma característica importante, tratando-se de região semi-árida, pois atende grande parte da necessidade de água dos animais, principalmente no período seco do ano (Santos et al., 2001).

Normalmente dietas compostas com palma apresentam elevado teor de matéria mineral devido à alta concentração de macroelementos minerais que a mesma contém (Melo et al., 2003).


Figura 1. Palma Adensada no Sertão Alagoano

Para ler as referências bibliográficas, clique aqui.

RODRIGO TENÓRIO PADILHA

Médico veterinário,
Mestre em reprodução e sanidade animal,
Doutor em biotecnologia em agropecuária.
Técnico de Registro da ABCC-Ceará

DEBORAH DE MELO MAGALHÃES

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ROBERVAN ALMEIDA DOS SANTOS

ALAGOINHAS - BAHIA - OVINOS/CAPRINOS

EM 11/03/2019

Gistaria de saber qual melhor tipo de paçmas para alimentar cabras, ovelhas e gado.

Estou iniciando criação e na minha região tem faltado água constantemente.
PEDRO CARVALHO

CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/07/2016

gostaria de saber se a palma com espinhos pode ser dado aos animais, depois de ser transformada em farinha
PEDRO CARVALHO

CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/07/2016

Saudações, estou escrevendo para tirar algumas duvidas. Na minha região existe palma, mas tem espinhos . Quero saber se a palma forrageira tem também espinhos. Os animais podem alimentar-se de palma com espinhos?. Obrigados
ISAQUE

GUANAMBI - BAHIA - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 05/03/2014

gostaria de saber se é bom alimentar ovinos com palma, associda com milho moido...
LUIS CARLOS LUZ CHAVES

SALVADOR - BAHIA - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 29/11/2013

Senhores,

Gostaria de saber quem teria palma sem espinho para venda.

Grato
ALEXANDRINO

EM 05/08/2013

sobre palma forrageira sem espinhos
JESSICA RENATA DA SILVA

ROSÁRIO DO IVAÍ - PARANÁ

EM 31/05/2012

por favor gostaria muito de saber como possa obter sementes ou plantas da palma forragiera sem espinho tenho uma criaçao de bufalos e gostaria de inclementar a alimentaçao com esse suplemento. onde posso comprar, sou de rosaio do ivai no parana.
RICARDO DE FARIAS TÏ¿½

FORTALEZA - CEARÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 27/06/2008

GOSTARIA DE OBTER MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A UTILIZAÇÃO DA PALMA FORRAGEIRA NO MANEJO ALIMENTAR DE CAPRINOS E OVINOS.
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