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Prolapsos uterinos em pequenos ruminantes

POR SARITA BONAGURIO GALLO

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/08/2017

3 MIN DE LEITURA

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Autores do artigo: 

Sarita Bonagurio Gallo e Bruno Teófilo, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, Universidade de São Paulo (USP)

O prolapso uterino consiste em uma alteração de posição do útero na qual este se encontra projetado para o exterior da vulva do animal. Considerando-se apenas os ruminantes, a incidência é muito maior em bovinos e ovinos. Já nos caprinos, é mais comum encontrarmos prolapso vaginal, quadro esse que pode evoluir para um prolapso uterino caso não seja tratado logo de imediato. Na grande maioria dos casos ocorre no pós-parto imediato, logo após a expulsão do feto. Pode ser classificada em parcial, quando apenas um dos cornos uterinos está acometido, ou completa, quando ambos encontram-se prolapsados. (SIMÕES; QUARESMA, 2003)

A etiologia da patologia não está totalmente esclarecida, embora existam alguns fatores predisponentes, como hipocalcemia e quando o animal não consegue expulsar o feto por conta própria, sendo necessária a intervenção de um obstetra para auxiliar o parto. Outro fator é a alta concentração sérica de estradiol, envolvendo causas nutricionais, pois a ingestão de plantas estrogênicas é uma das causas principais de retenção de placenta, o que pode predispor a ocorrência do prolapso. A hipertonia uterina, como a contração uterina em excesso, facilita a ocorrência do prolapso. O problema também pode ocorrer devido a uma predisposição genética, embora não existam estudos comprovando a informação. Uma pesquisa atribuiu 84% dos casos de prolapso uterino atendidos pelo Serviço de Clínica de Bovinos e Pequenos Ruminantes da FMVZ/USP a ovelhas Ile de France e sem raça definida.

Há outros fatores que predispõe o prolapso, como o parto de múltiplos filhotes, pois o animal precisa aumentar a força de contração abdominal para conseguir expulsar os fetos, facilitando a inversão do útero. A idade do animal é outro fator. Um estudo feito pela FMVZ/USP constatou que 64% das ovelhas acometidas com prolapso uterino possuíam idade superior a quatro anos (BIANCHI; BENESI; GREGORY; DELLA LIBERA; SUCUPIRA; POGLIANI; GOMES, 2013)

Sobre a influência da nutrição na ocorrência dos prolapsos, vale ressaltar que, desde o início dos anos 2000, quando a ovinocultura deixou de ser uma atividade de baixa importância no Brasil e passou a ganhar destaque, com a consequente importação de animais de genética para produção de carne, houve uma constante preocupação com a nutrição dos animais. Existe bastante interesse em gerar cordeiros cada vez mais pesados, que possam desmamar com um peso satisfatório e diminuir os custos com o confinamento. Entretanto, algumas raças não foram geneticamente selecionadas para parir cordeiros com mais de 4 kg (principalmente as primíparas) ou para partos múltiplos, o que acaba predispondo o acometimento dos animais por prolapsos.

Os sinais clínicos do prolapso incluem aumento da frequência respiratória e cardíaca, hipotermia, anorexia, desidratação, diminuição ou ausência dos movimentos ruminais. Geralmente, o animal encontra-se em decúbito esternal ou lateral. Em casos mais graves, pode-se observar início de um quadro endotoxêmico (SIMÕES; QUARESMA, 2003).

O tratamento da enfermidade envolve a preparação do útero, evitando contaminação, ressecação e traumatismos. O útero deve ser reintroduzido na cavidade abdominal, sendo posteriormente feita a manutenção da localização anatômica e topográfica do órgão, podendo ser utilizada a técnica de sutura de Buhner, obtendo resultados bastante satisfatórios (BIANCHI; BENESI; GREGORY; DELLA LIBERA; SUCUPIRA; POGLIANI; GOMES, 2013).

O prognóstico do caso envolve uma série de fatores, dentre eles o tempo decorrido da lesão, o grau de contaminação do útero, a intensidade do estado de choque do animal e a posição e acessibilidade do animal. No estudo citado, foi comprovado que ovelhas primíparas possuíam uma taxa de recuperação mais elevada que as outras ovelhas, sendo que a prognóstico quanto à vida desse animal foi considerado bom, enquanto o prognóstico quanto à fertilidade foi classificado como ruim. Em casos mais graves, foi feita a histerectomia. (BIANCHI; BENESI; GREGORY; DELLA LIBERA; SUCUPIRA; POGLIANI; GOMES, 2013)

De modo geral, a ocorrência de prolapsos, além de colocar em risco a vida das fêmeas, acarreta em prejuízos para o produtor, pois o animal terá que ser separado do lote e atrapalhará todo o planejamento da estação de monta da propriedade. Recomenda-se que o produtor que tenha este problema na sua propriedade observe bem as causas da doença e analise os pontos críticos que podem ser melhorados.

Referências bibliográficas

BIANCHI, A. M.; BENESI, F. J.; GREGORY, L.; DELLA LIBERA, A. M. M. P.; SUCUPIRA, M. C. A.; POGLIANI, F. C.; GOMES, V. Prolapso Vaginal e Uterino em Ovelhas. Serviço de Clínica de Bovinos e Pequenos Ruminantes, Hospital Veterinário, Departamento de Clínica Médica, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil.

SIMÕES, J.; QUARESMA, M. N. P. Prolapsos Uterinos em Ruminantes. Departamento de Patologia e Clínicas Veterinárias, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal. 

SARITA BONAGURIO GALLO

Professora de Pequenos Ruminantes, FZEA/USP

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