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Produção de leite a pasto: manejo do pastejo é fundamental para manter a produção

POR JUNIO CESAR MARTINEZ

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/02/2009

5 MIN DE LEITURA

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O Brasil possui uma grande proporção de seu rebanho leiteiro mantido em sistemas que exploram basicamente pastagens. Estas pastagens, que podem ser nativas ou cultivadas, são a principal e, em alguns casos, a única fonte de alimento para esses animais.

Como é sabido, um sistema de produção somente atingirá o seu potencial produtivo caso não existam limitações quanto aos fatores de produção. No caso da produção de leite, como aproximadamente dois terços dos custos de produção advém da alimentação, em se tratando de sistemas a pasto, as pastagens são de fundamental importância para que o sistema funcione de forma economicamente viável.

O manejo das pastagens pode aparentar ser simples, mas à medida que se atenta aos detalhes da produção, vemos que não é exatamente tão elementar assim. Entretanto, manejar de forma adequada as pastagens também não é laborioso ao ponto do produtor desistir por achar ser muito complicado.

É muito comum no Brasil encontrarmos fazendas com pastagens de baixa capacidade de suprir as necessidades dos animais. Menos comum, mas também podemos encontrar fazendas onde a oferta de forragem é alta, e portanto, o aproveitamento do pastejo é baixo. Por outro lado, também encontramos fazendas com manejo adequado de suas pastagens, respeitando os limites da planta sem causar restrições aos animais.

Um bom produtor de leite é, acima de tudo, um excelente profissional para manejar pastagens, quer seja para a produção de forragem, quer seja para a transformação da massa vegetal produzida em produto animal, fazendo assim com que grande parte do que foi produzido seja consumido pelos animais. Assim, de nada adianta uma grande produção de massa vegetal se ela não estiver manejada em um contexto que permita ser convertida em leite com alta eficiência, eficiência esta muito intimamente relacionada com características intrínsecas às pastagem e aos animais.

No que se refere às pastagens, o pastejo de uma planta na idade correta, com valor nutritivo adequado é de crucial importância. No que se refere aos animais, respeitar o seu ritmo circadiano e manter a sua rotina são aspectos que nem sempre são observados. Assim, torna-se bastante interessante entender o comportamento ingestivo de vacas leiteiras em lactação a fim de propiciar-lhes um manejo no qual seja dada ao animal a oportunidade de exercer todas as suas atividades diárias sem a necessidade de que o mesmo faça adaptações no seu comportamento padrão.

Além das atividades de rotina impostas pelo homem, como transitar por corredores, consumo de concentrado, permanência em sala de espera, ordenha, etc, as vacas precisam distribuir de forma interdependente e ordenada, atividades de pastejo, ruminação e descanso, ao longo do dia (ritmo circadiano). Nota-se então que a atividade de pastejo é de extrema importância, pois ela é conflitante com o interesse de outras atividades que não podem ser parcialmente ou integralmente suprimidas.

Pelo exposto, nota-se que existem manejos onde os animais não necessitam de adaptações em seu ritmo, e portanto estão expressando o seu potencial genético. Por outro lado, existem manejos onde existe algum tipo de limitação ao comportamento ingestivo, mas que pode ser absorvido devido à flexibilidade dos animais; e, existem manejos onde tais limitações são tão intensas que os mecanismos de ajuste dos animais não são capazes de equacionar o problema, sendo então a resposta produtiva dos animais prejudicada. Um exemplo para uma situação assim é oferta de forragem inadequada e tempo insuficiente para as vacas exercerem a atividade de pastejo.

Estudo recente conduzido na Europa mostrou que vacas consumindo pastagem de altíssima qualidade, com 86,3% de digestibilidade, 24,2% de Proteína Bruta e apenas 34,6% de Fibra em Detergente Neutro, precisam de no mínimo 6 horas de pastejo diárias, necessariamente divididas em dois períodos de pastejo, um pela manhã e o outro à tarde/noite.

No Brasil, um país tipicamente tropical, é praticamente impossível termos um pasto cultivado com plantas de clima tropical com essa qualidade. Nas melhores situações conseguimos, de maneira geral, forragem com cerca de 60% de digestibilidade, 16% de proteína e 65% de fibra. Notem que se trata de um pasto bastante diferente do citado no exemplo europeu. Nossas pastagens por serem cultivadas com plantas de clima tropical, possuem mais carboidratos estruturais, principal responsável pelo menor valor nutricional. Assim sendo, vacas pastejando tais forrageiras irão necessitar mais de 6 horas de pastejo ao longo de 24 horas. Vários estudos conduzidos no Brasil relataram tempo de pastejo variando entre 8 e 12 horas.

Os nossos estudos apenas tem descrito o tempo de pastejo, em situações distintas, onde este tempo é uma consequência de um manejo já adotado. Assim, sistemas de lotação rotacionada, com capim de boa qualidade, o tempo de pastejo tende a ser próximo de 8 horas. Por outro lado, sistemas onde ocorre algum tipo de limitação ao pastejo, esse tempo tende a ser próximo de 12 horas.

Analisando os dados de tempo de pastejo relatados na literatura nacional, e suas respectivas produções de leite, dois fatores ficaram em evidência, a saber:

1) Tempo de pastejo superior a 8,5 horas, especialmente nos manejos onde os animais caminham longas distancias para ir à ordenha e para as áreas de cocho e descanso, a produção de leite está aquém do potencial.

2) Nem sempre se respeita os horários nos quais os animais preferem exercer a atividade de pastejo, dada as condições ambientais.

Considerações finais

A produção de leite somente será próxima do potencial do sistema adotado quando for dada aos animais condições de consumirem alimentos em quantidade e qualidade suficiente para fornecer nutrientes que suportem o nível de produção desejado. Assim, nos sistemas produtivos que exploram basicamente pastagens, a colheita de pasto feita pelo animal não pode sofrer limitações. A qualidade do capim, a taxa de lotação, disponibilidade de forragem, a disposição e formato dos piquetes, aguadas, sombras e instalações, devem ser de maneira que facilitem o comportamento ingestivo dos animais.

Vacas leiteiras da raça Holandesa, e embora mais rústicas, mas também os seus cruzamentos, assim como as vacas da raça Jersey e Pardo Suíço, não conseguem pastejar durante as horas mais quentes do dia. Como agravante, normalmente a ordenha da manhã conflita com o pastejo matutino. Assim, seria interessante que a ordenha da manhã fosse antecipada, para que no alvorecer, os animais já estivessem sendo encaminhados para o pastejo. A ordenha da tarde também não deve se estender muito além do crepúsculo, momento este que também estimula o consumo de forragem.

Sempre que possível, dar preferência para manejar as vacas mais produtivas. Vacas de maior produção normalmente consomem mais alimento, e portanto, precisam de mais tempo para se alimentar. Assim, evite permanecer com as vacas de alta produção retidas em curral de espera enquanto outros animais menos produtivos são ordenhas ou alimentados no cocho.

Por fim, vacas a pasto precisam caminhar longas distâncias a procura de alimento. Logo, os seus cascos precisam necessariamente estar em boas condições para realizarem intenso caminhamento pelo pasto. Práticas como pedilúvio e casqueamento são indispensáveis.

JUNIO CESAR MARTINEZ

Doutor em Ciência Animal e Pastagens (ESALQ), Pós-Doutor pela UNESP e Universidade da California-EUA. Professor da UNEMAT.

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MILENE MOREIRA ALVES

ALVORADA D'OESTE - RONDÔNIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/03/2018

Estou começando agora com a criação da Jersey gostaria de receber mais informações adorei essas
JUNIO CESAR MARTINEZ

TANGARÁ DA SERRA - MATO GROSSO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/04/2010

Prezado Luis Mauricio!
Obrigado pelas felicitações. Nós do portal milkpoint ficamos gratos em poder interagir com profissionais de outros paises.

Prezado Elmersn!
Obrigado, fico feliz que este radar tenha sido proveitoso!

Prezado Osmar!
Infelizmente eu não entendi bem o seu questionamento.
OSMAR U. CARVALHO

TEÓFILO OTONI - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/02/2010



Marcio Adriano Konrad

Gostaria de receber informações detalhadas sobre a forageira naqual fez a adaptação .
Deixo o nosso email osmaur@uai.com.br para contato

Agradeço antecipadamente

Osmaur
ELMESON FERREIRA DE JESUS

NOVO CRUZEIRO - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 08/02/2010

Gostaria dar os parabéns pelo tema abordado é de grande proveito por parte dos produtores de leite a pasto.
LUIS MAURICIO ZENTENO BURELO

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/02/2010

Felicitaciones a Julio Cesar Martinez , ha puesto sobre la mesa un tema de tendencia del que se va a oir muchos en los proximos años. Efectivamente el conflicto de horario entre el pastoreo y la ordeña es el proximo reto a vencer si no queremos terminar con altos costos de producción por litro de leche en los climas tropicales.

Nosotros mismos impedimos que nuestras vacas consuman suficiente forraje.

Existen ya algunas ideas claras, pero no del todo aceptadas, ya que requieren como todo inversión para mantener bajos costos.

Velocidad de ordeño. Máximo dos horas para todo el hato. Esto a base de un diseño de ordeño en paralelo destinando pezoneras suficientes y personal suficiente para que el ordeño se termine en máximo dos horas. Dos horas en la mañana y dos horas en la tarde. 8-10 mañana 5- 7 tarde. (4horas)

Ensilaje despues del ordeño , piquetes cercanos de sombreado donde se pueda suplementar silage de maíz o Sorgo. Pero como suplementación no como sustitución del pasto. de 10am a 5 pm ( 6 horas)

Evitar traslados largos entre una ordeña y otra. Los traslados debe de ser despues de la 6 de la tarde y regresar hasta las 8 de la mañana. ( 14 horas )

Crianza artificial : Con a apoyo de oxitocina si los encastes de cebu lo impiden.
( No hay tiempo que perder para amamantar becerros)

En esto nada esta dicho hace falta mucho criterio para trabajar en condiciones tropicales. Si su piquete esta cerca deje que su ganado vuelva dos veces a la sala de ordeña.
Si su piquete esta lejos solo permita que llege a estar más de doce horas en el mismo.


Un saludo desde México y una felicitación a los brasileños por ser tan profesionales en la Ganadería.

Mauricio zenteno
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EZEQUIEL DELALIBERA

ARABUTÃ - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/09/2009

Só um complemento:

Dou assistência técnica a pequenos produtores de leite na região Oeste de Santa Catarina, a nossa região onde predomina a pequena propriedade (média 10 Há) e há uma disponibilidade muito grande de matéria Orgânica (Esterco de Suínos e cama de Aves) a adubação das pastagens é fundamental, tanto para podermos aumentar o máximo a lotação de animais por área quanto para melhorar a qualidade do pasto e tornar a atividade sustentável, já que é sabido que a extração do pasto pelos animais retira muitos nutrientes em geral do solo, tornando-o degradado não havendo a reposição dos mesmos.

Trabalhamos com um sistema de pastagem rotativo onde se disponibiliza três piquetes por dia (Manhã, tarde e noite), sendo que em qualquer área que os animais estiverem eles têm acesso a áreas de lazer onde há sombra, água e minerais. Ainda fazemos a suplementação com concentrado no cocho quando tem-se a necessidade pela produção do rebanho.

Não vejo outra alternativa, senão produzir o máximo e disponibilizar conforto aos animais. Quanto a horarios de ordenha, fica dificil deixar uma vaca com produção de 30 Kg leite/dia se alimentar a noite e de manhã e só ordenhar de meio dia, uma por que o período se torna muito comprido e outra que o animal terá um período curto e com dificuldade de se alimentar já que as tarde são muito quentes.

Mas parabéns pela matéria, foi muito interessante.
SERGIO BRAZ

MATEUS LEME - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/09/2009

Gostaria de saber se vcs tem alguma experiencia em ralaçao a mudanças nos horarios de ordenhas.
O que acham de 8:00 da manha e 8:00 da noite.
Obrigado.

Que Deus nos abençoe sempre.... Sergio
JULIO PEIXOTO FORSTER

SANTIAGO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 15/09/2009

Prezado Marcio Konrad.

Fiquei interessado na adaptação que fizeste na tua forrageira para cortar grama tifton,que também usa para fazer forragem de milho , gostaria de mais detalhe,
vou te mandar meu email: j.p.forster@hotmail.com, pois plantei uma area com tifton e ainda não tenho maquina para cortar e achei muito interessante tua criatividade.
Obrigado!

Julio.

JUNIO CESAR MARTINEZ

TANGARÁ DA SERRA - MATO GROSSO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 31/08/2009

Prezado Marcio.
Sobre qual é o limite, do posto de vista nutricional, nenhum, o tifton pode ser fornecido à vontade. Do ponto de vista financeiro, sendo a silagem com custo de R$ 60,00 e o tifton de R$ 18,00, e caso tenha tifton que supra a sua demanda, prefira esse alimento em detrimento à silagem de milho. Sobre o valor nutricional do feno, ele será inferior ao da grama in natura. Caso a proteína seja de 19% na grama in natura, provavelmente vai cair para próximo de 13-14% no feno.
MARCIO ADRIANO KONRAD

ENTRE RIOS DO OESTE - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/08/2009

Prezado Junio.
Na minha propriedade tenho no verão grande disponibilidade de grama tifton 85, adubada com esterco de suínos, o que, segundo análise que mandei realizar, me dá um produto com 19% de PB, não realizo pastejo, mas sim corto a grama com forageira adaptada (a mesma que uso para faser forragem de milho) picando particulas de aproximadamente 3,5 cm, e forneço no cocho á vontade para as vacas. A minha dúvida é; qual é o limite, levando-se em conta custo x benefício, para substituir a silagem de milho (planta inteira) pela tifton picada, já que pelos meus cálculos aqui para minha região, uma tonelada de silagem de milho custa R$ 60,00, e a mesma quantia de tifton picada custa R$ 18,00. O valor nutricional do feno é o mesmo da grama in natura? Qual a equivalência Kg feno x Kg verde?
Obs. tenho meu plantel dividido em dois lotes, lote 1 média 26 L/dia, lote 2 média 1 6L/dia.
Obrigado.
JUNIO CESAR MARTINEZ

TANGARÁ DA SERRA - MATO GROSSO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/07/2009

Prezado Márcio.
Sim, se o solo é de alta fertilidade, basta uma adubação de manutenção quando os níveis de P e K começarem a cair. Caso o sistema seja em lotação rotacionada, aplicar N toda vez que os animais saírem do piquete. Sobre a produção, eu esperaria mais algo entre 15 e 17 litros, vai depender do nível de inclusão de suplementos concentrados.
JUNIO CESAR MARTINEZ

TANGARÁ DA SERRA - MATO GROSSO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/07/2009

Prezado Genecio.
Embora desconheça a sua realidade, achei um pouco curioso a quantidade de concentrado oferecido para as suas vacas. Eu trabalhei durante quase 8 anos na Universidade de São Paulo com vacas Holandesa e Jersey, bem como algumas mestiças com as duas raças, vacas essas mantidas em pastagens de capim elefante; e, o consumo de matéria seca total sempre foi por volta de 15 kg para as holandesas e por volta de 13 kg para as jersey. Tendo isso por base, as suas vacas estariam consumindo 10 kg de concentrado e algo em torno de 3 a 4 quilos de forragem. Seguramente, os 3.0 kg de casquinha de soja é quem juntamente com mais o pasto, consegue manter bom ambiente ruminal. Sobre as ofertas de concentrado, para essa quantidade, talvez a forma como ja é procedida esteja bom.
MÁRCIO BARBOSA LIMA DE OLIVEIRA MACÊDO

ITABUNA - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/06/2009

Prezado Junio.
Muito feliz a sua abordagem no artigo,concordo plenamente com você.A ordenha da manhã é um entrave de difícil solução na atividade leiteira, aqui no Nordeste é pior ainda, pois é comum o gado nem ir no piquete durante o dia,já vai direto para área de descanso,entretanto,se o gado for direcionado a comer no cocho a coisa muda de figura.
O mais importante dessa abordagem é sem dúvida alertar o produtor que fique atento a todos os detalhes que envolvem a atividade,pois é o detalhe que faz a diferença, eu mesmo deixo passar muita coisa errada na fazenda, e o pior sabendo do erro.
Outra coisa Junio.Em se tratando de pastejo de braquiarão onde o solo de alta fertilidade natural,a intensificação se dará mais rápido?Em se tratando de animais com grau de sangue 3/4 HPB/GIL de alto potencial genético no período de lactação de até 100 dias, poderá chegar a uma produção média em torno de 18 a 20kg de leite, mais suplementação, é possível?
Desde de já, agradeço o seu interesse.
Márcio Macêdo.
VALDECIR RICARDO MENON

ROMELÂNDIA - SANTA CATARINA

EM 26/06/2009

Tudo bem? Apenas eu quero fazer um breve comentario; eu realizei estagio de ténico na EPAGRI portanto trabalhamos com o sistema de producão de leite para a pequena propriedade e necessariamente a base de pasto somente, sem a introducao de concentrado. O sistema mais utilizado era a sobre semeadura de pastagem de estacao sobre gramas perenes, com um patoreio tipo voisam.
A minha pergunta se vocês tem alguns conhecimentos sobre o devido sistema?
JUNIO CESAR MARTINEZ

TANGARÁ DA SERRA - MATO GROSSO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 19/06/2009

Prezado Valdecir.
Gostaria de um pouco mais de detalhamento na sua pergunta para que possa tentar te informar sobre a sua solicitação.
VALDECIR RICARDO MENON

ROMELÂNDIA - SANTA CATARINA

EM 19/06/2009

Gostaria de ouvir alguns comentarios sobre o sistema sobre semeadura e producao de leite a base de pasto, no estado de Santa Catarina.

Obrigado pela atenção.
GENECIO FEUSER

PARANAVAÍ - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 31/03/2009

No sistema de pastejo, em regiões muito quentes, como a nossa, e quando o volumoso é só o pasto, o fornecimento de ração em maior volume fica complicado. Veja um exemplo: volumoso - pastagem, concentrado 10kg/dia.

Como fornecer?
2.00 kilos após 1o ordenha
4.00 kilos 11:00 horas
4.00 kilos após 2o ordenha

Veja que a ração é fornecida entre pastejos, sem volumoso. Cedo elas vão ao pasto mas logo voltam para sombra, ou para comer o concentrado da 11:00 horas. A tarde após a ordenha, mais concentrado. sem volumoso, só ai elas vão para a pastagem. A ração acima é: 3.0 kg de casca de soja, 2.0 kg de quebradinho de soja, 2.00 kg de milho moído, 3.0 kg mistura 75% milho, 20% farelo soja e sal mineral.

Vejo que posso estar prejudicando o desempenho das vacas, são jersey e mestiças jersolando. Qual seria melhor forma de distribuição? Eliminar o fornecimento das 11:00 horas e concentrar após as ordenhas? Mas aí 5.0 kg por vez seria muito? Reduzir o concentrado e trocar parte por feno? Enfim, vejo que esse problema é recorrente em muitas propriedades. Desde já muito obrigado.

Abraços.
JOSÉ LUIZ MELO JÚNIOR

ARACAJU - SERGIPE - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 27/03/2009

Muito bom artigo. Parabéns!
JUNIO CESAR MARTINEZ

TANGARÁ DA SERRA - MATO GROSSO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 09/03/2009

Prezada Marina.
A resposta é não. As vacas não conseguem expressar todo o seu potencial genético quando estiverem limitadas a apenas um pico de pastejo, ou seja, após a ordenha da tarde/noite. O comportamento ingestivo é algo ao qual a vaca consegue se adequar. É um comportamento muito flexível, mas, toda flexibilidade tem o seu limite e o seu preço. Assim, uma vaca pode conseguir aumentar o seu tempo de pastejo de 8 horas para 12 horas, trocar o horário quente pela madrugada, mas todo ajuste poderá incorrer em decréscimo na produção.

No meu entendimento, três questões são crusciais com relação a ordenha da manhã avançando dia adentro:
1) A simbiose entre o ruminante e os seus microrganismos que habitam o rúmem está fundamentada na necessidade de fornecimento de alimento de forma contínua. A vaca não fica 100% do tempo pastejando, mas ela consegue fazer isso através da ruminação, ou seja, de tempos em tempos, ela necessariamente muda de atividade para poder ruminar, fornecendo nova área de superfície para o microbiota. Assim, intervalos de pastejo muito grandes, dificultariam grandemente essa premissa. 2) As vacas normalmente consomem concentrado em doses generosas, o que pode ser danoso quando o rúmen está relativamente vazio, o que será o caso do fornecimento à tarde. E por fim, 3) As vacas não conseguem ficar de pé o tempo suficiente para fazer um pastejo noturno capaz de suprir toda a sua demanda por volumoso.

O maior turno registrado pelas minhas pesquisas foram de 4,5 horas de pé, tempo insuficiente para consumir alimento que suporte níveis desejáveis de desempenho. Depois de um turno de pastejo, a vaca precisa tomar água, deitar, descansar, ruminar, e somente depois, efetuar outro turno de pastejo, e assim por adiante. Portanto, o pastejo matutino tem grande importância e seria interessante que a ordenha fosse em função deste, e não ao contrário como é comum se observar.
MARIA LETÍCIA VILELA DE CASTRO

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 09/03/2009

Prezado Márcio (Uruana-GO)
O ideal é que se cuide muito bem das pastagens para não ter a necessidade de aumentar a área. Devemos fazer adubação química e orgânica, melhorar as condições das pastagens e poder aumentar o número de animai na área. Existem cursos sobre manejo de pastagens que atendem o estado e são gratuitos, nos quais poderia particpar para se atualizar e obter informações. Procure o sindicato rural da sua cidade e procure sobre o SENAR, ele promove esse tipo de curso. A Secretaria da Agricultura (agencia rural projeto propasto 62 3201 8921) também promove dias de campo, palestras sobre esse tema.
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