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Produção de leite a pasto

POR ADILSON DE PAULA ALMEIDA AGUIAR

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/02/2002

7 MIN DE LEITURA

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O tema produção de leite a pasto tem relevante importância se considerarmos que mais de 90% do leite produzido no Brasil o é feito em pastagens e que os índices de produtividade são baixos, com sérias conseqüências para a sustentabilidade dos recursos naturais, solo-água-planta, comprometendo a sustentabilidade do produtor como empresário porque reduz a sua competitividade, já que ele tira pouco de sua propriedade cujas pastagens estão degradadas, o solo erodido e os mananciais assoreados. A discussão do tema torna-se ainda mais relevante quando sabemos que a pesquisa brasileira já desenvolveu sistemas de produção cujos potenciais são altíssimos e dificilmente alcançados em outros paises produtores de leite em pastagens. Apesar de o sistema intensivo ter sido validado, a sua adoção ainda é baixa.

Na Tabela 1 estão os índices de produtividade dados em litros de leite/vaca em lactação/ano, para produtividade animal; litros/ha/ano para a produtividade da terra e litros de leite/estabelecimento/dia para o tamanho médio da atividade. Estes dados foram gerados a partir de trabalhos de pesquisa de campo realizados nos estados de Goiás e Minas Gerais. Os dados do diagnóstico feitos a campo pelo SEBRAE - MG e os citados por BRESSAN et al., foram desenvolvidos com produtores comerciais, enquanto que os dados da pesquisa do IBGE consideram todo o universo de produtores que entregam leite, seja qual for a sua atividade principal e o nível de profissionalização.

Tabela 1 - Índices de produtividade em Goiás e Minas Gerais, apurados pelo IBGE e em pesquisas de campo (diagnostico)


Fonte: BRESSAN et al, (1999). Os dados do IBGE e o diagnóstico em Minas Gerais são de 1996 e o diagnostico em Goiás é de 1998.

Dos dados destas pesquisas pode se concluir que o sistema extensivo é o que predomina nas principais bacias leiteiras do país. Foi levantado que a maioria dos produtores não considera a pastagem como cultura e 31,2% deles ainda usam métodos tradicionais como a roçada e a queima, 37,2% usam gradagem e aração, 33,5% usam corretivos e 31,4% fazem a adubação em cobertura; os maiores produtores são os que mais utilizam corretivos e fertilizantes; o uso de herbicidas e inseticidas é inexpressivo. O uso de práticas como consorciação de pastagens, plantio direto (menos de 2%) e rotação pasto-agricultura (11,5%) são de baixa adoção. Apenas 12% dos produtores adotavam pastejo rotacionado.

O modelo de produção de leite em pastagem intensiva foi desenvolvido primeiramente pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) - USP, de Piracicaba, a partir da década de setenta, e, posteriormente, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), no Centro de Gado de Leite, em Coronel Pacheco, a partir da década de oitenta. O modelo tem como princípio o uso intensivo da pastagem de capim-elefante. Importantes resultados de pesquisas realizadas por estas instituições têm sido validados em outros centros de pesquisa (EMBRAPA, no Centro de Pesquisa do Sudeste, em São Carlos) e, no campo, com milhares de projetos espalhados pelo Brasil, explorando o capim elefante e outras espécies. No modelo adotado e pesquisado por estas instituições, a pastagem fornece toda a alimentação volumosa durante o período chuvoso e, para o período da seca têm sido desenvolvidos vários trabalhos usando principalmente a cana corrigida com uréia e as silagens de capineiras, pastagens e culturas tradicionais como alimento volumoso que é fornecido entre as ordenhas.

Nos trabalhos com forrageiras tropicais em sistema intensivo, basicamente capins, os melhores desempenhos estão por volta de 10 a 15 kg de leite/vaca/dia, sem o uso de alimentos concentrados. O consumo de forragem em matéria seca é da ordem de 2,0 a 2,3 % do peso vivo. A Tabela 2 apresenta um resumo de vários trabalhos realizados com vacas leiteiras em pastagens tropicais na Região Sudeste do Brasil (Minas e Rio de Janeiro) cujos dados são comparados com a produtividade animal alcançada pelos produtores comerciais dos Estados de Goiás e Minas Gerais.

Tabela 2 - Desempenho de vacas em pastagens tropicais no período das águas na Região Sudeste em centros
de pesquisa e em fazendas comerciais nos estados de Minas Gerais e de Goiás.


Fonte: Extraído de AGUIAR (2001)

Observa-se que o potencial de produção de leite por vaca em pastagens tropicais intensivas está por volta de 10 a 13 litros. Se considerarmos a produtividade alcançada pelos produtores comerciais dos estados de Minas Gerais e Goiás, de 4,8 e 3,5 litros de leite/vaca em lactação/dia, respectivamente e o potencial médio em pastagem intensiva de 11 litros/vaca/dia, observa-se que é possível aumentar a produtividade por vaca em 6 a 7,5 litros de leite/dia em pastagem intensiva, ou seja, aumentos de 2,3 e de 3,1 vezes em comparação com a produtividade das vacas de Minas Gerais e Goiás, respectivamente.

Segundo SILVA et al. (1996) é possível de ser alcançado em pastagem intensiva de capim elefante produções de até 60.444 Kg de leite/ha/ano trabalhando com vacas de produção média de 20 kg de leite/dia, com uma taxa de lotação média por ano de 15 UA/ha e com 85% de vacas em lactação. VILELA e ALVIM (1996) estabeleceram em capim "coast-cross" irrigado o potencial de 36.865 kg leite/ha.ano.

Já é uma realidade o uso intensivo de pastagens em fazendas leiteiras no Brasil. Produtores que conseguem produtividades entre 9.000 e 27.000 kg de leite/ha/ano têm despontado e servido de base de validação do sistema que tem sido preconizado pelos centros de pesquisas e pelos técnicos e realizado uma grande contribuição como difusora deste sistema já que estas fazendas têm sido visitadas por produtores e técnicos de todo o país e do exterior.

Tabela 3 - Dados de produtividade de leite de fazendas comerciais que usam sistemas intensivos e de fazendas comerciais nos estados de Minas Gerais e Goiás.


Fonte: Extraído de AGUIAR (2001)

Considerando o índice produtividade da terra dos produtores comerciais dos estados de Goiás e Minas Gerais como sendo de 844 e 651 litros de leite/ha/ano e levando em conta a produtividade de propriedades brasileiras citadas na tabela acima, podemos concluir que os sistemas de produção de leite em pastagens intensivas têm possibilitado aumentos na produtividade da terra da ordem de 12 a 32 vezes em relação ao índice alcançado em Goiás e de 12,5 a 41 vezes em relação ao índice alcançado em Minas Gerais.

Mesmo sendo o sistema de produção de leite em pastagem extensiva o que possibilita os menores custos de produção, a exploração extrativista da terra não possibilita altas produtividades para que a escala de produção seja alta. Analisando a tabela abaixo está claro que o faturamento mensal por produtor em diferentes países está relacionado com a quantidade de litros de leite que o produtor entrega diariamente. Em média os produtores dos paises citados entregam uma quantidade de leite 8,5 a 44 vezes maior que o produtor brasileiro e faturam mensalmente entre 14 a 48 vezes mais.

Tabela 4 - Comparação da pecuária de leite em alguns países e a renda dos produtores.


Fonte: CALEGAR (1998).

O aumento da produtividade se torna ainda mais importante se considerarmos que a produção de leite ocorre em pequenas propriedades. O tamanho médio das propriedades leiteiras nas principais bacias varia entre 111 ha em Minas Gerais (SEBRAE, 1996) e 124,40 ha em Goiás (BRESSAN et al, 1999). Na Tabela 5 se observa o impacto do aumento na produtividade de leite/ha, no faturamento de uma fazenda de 100 ha.

Tabela 5 - Impacto do aumento na produtividade de leite/ha/ano no faturamento com venda de leite anual por fazenda e por hectare.



Em área de 100 ha, o faturamento mensal pode passar de R$ 2.200,0 para R$ 72.000,00, um aumento de 33 vezes. Considerando uma lucratividade de 20%, as rendas mensais variariam entre R$ 440,00 a R$ 14.400,00. O aumento no faturamento anual e na renda mensal abriria novas perspectivas de crescimento na atividade como também de melhoria no padrão de vida dos produtores.

Para o uso intensivo da pastagem tem sido recomendado o seguinte: comece intensificando a pastagem que o produtor já tem na propriedade; comece pelos melhores pastos, que são aqueles com bom estande de plantas, e onde o solo estiver coberto ou pela própria planta ou pela palha produzida pela pastagem; corrigir a acidez do solo para níveis de pH em H2O acima de 6,0; aplicar os adubos parcelados após cada pastejo e no período chuvoso, com doses de nitrogênio que variam entre 200 a 600 kg/ha/ano; manejar a fertilidade do solo para atingir níveis altos de todos os nutrientes e manter o seu equilíbrio; adotar sistema de pastejo rotacionado com módulos de piquetes para serem ocupados entre 12 horas a até 6 dias; irrigar a pastagem onde houver água abundante e de boa qualidade para a irrigação; monitoramento da disponibilidade da forragem e de suas perdas; armazenamento do excesso de forragem produzida na estação chuvosa; analises periódicas da qualidade da forragem; formulação de misturas minerais adequadas para a qualidade da forragem; uso de animais saudáveis e com potencial genético para altos desempenhos; fazer acompanhamento mensal da produção animal; gerenciar a produção e seus custos; fazer analise econômica anualmente.

ADILSON DE PAULA ALMEIDA AGUIAR

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STALYN BEZERRA OLIVEIRA FRANÇA

ASSU - RIO GRANDE DO NORTE - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/08/2019

Teria que ter estudo sobre as pastagens as espécie que dão uma melhor rentabilidade maior taxa de lotação...
ROBERTO FANCHIN

OUTRO - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/02/2002

O sistema de produção de leite a pasto reduz o custo de produção, porém diminui a produtividade. O volume de produção fica limitado ao tamanho das áreas, que geralmente são pequenas. A saída ainda é aumentar a receita, ou seja, vender melhor o litro de leite.

Como o produtor de leite não tem poder de barganha por produzir um produto altamente perecível, a saída seria um preço mínimo estabelecido pelo governo.
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