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Prevenindo casos de ceratoconjuntivite

POR DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/05/2008

3 MIN DE LEITURA

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Ceratoconjuntivite infecciosa refere-se a uma condição inflamatória que acomete a conjuntiva e a córnea oculares, se caracterizando por hiperemia conjuntival, lacrimejamento, blefaroespasmo, fotofobia e, em casos avançados, opacidade e ulceração de córnea, com risco de perda da visão.

A ceratoconjuntivite infecciosa (CCI) é reconhecida em todo mundo como uma doença comum que afeta o sistema oftálmico de pequenos ruminantes, a exemplo de ovinos e caprinos. Geralmente, a doença envolve apenas a superfície do olho, com o primeiro sinal clínico sendo uma conjuntivite uni ou bilateral, resultando em lacrimejamento, pestanejamento, blefaroespasmo e presença de secreção ocular sero-mucosa ou muco-purulenta com aglutinação de pelos da região periocular. No entanto, o quadro pode progredir e envolver a córnea, causando sua opacidade ou esbranquecimento e aumento na vascularização.

Animais gravemente afetados podem desenvolver úlceras de córnea e/ou cegueira, em conseqüência da intensa opacidade existente. No entanto, os primeiros sinais indicativos da potencial manifestação da doença em um rebanho podem ser a ocorrência de coloração castanha abaixo do olho e o acúmulo de poeira nos corrimentos lacrimais.

Figura 1 - Caprino Pardo Alpino apresentando acúmulo de poeira no corrimento lacrimal, hiperemia da conjuntiva e opacidade da córnea.


A designação CCI é usada para descrever uma condição clínica que aparentemente não é sempre atribuída aos mesmos agentes infecciosos, uma vez que, diversos microorganismos podem estar envolvidos, em associação ou isoladamente. O Mycoplasma conjunctivae é um agente importante, mas algumas outras bactérias podem produzir doença clínica similar, a exemplo de Mycoplasma agalactiae, Chlamydia psittaci e Branhamella ovis. Além disso, a CCI pode estar associada a quadros clínicos de pneumonia e artrite, especialmente, quando o M. agalactiae é o principal agente etiológico presente.

Aparentemente, estes microorganismos fazem parte da flora ocular normal e, assim, todo ovino e caprino pode abrigar os agentes na conjuntiva de uma forma latente, com sua ativação e posterior manifestação clínica podendo estar vinculada a traumas, exposição a irritantes mecânicos (como poeira) e a condições estressantes.

A doença é disseminada por contato direto com a secreção ocular e nasal de animais infectados, assintomáticos ou sob condição clínica, assim como, indiretamente por meio de moscas e insetos, ou fômites, como pastagens altas e instalações contaminadas, os quais podem atuar como fontes importantes de infecção para ceratoconjuntivite.

Vários casos de CCI por micoplasmas são autolimitantes e se curam completamente em algumas semanas, sem tratamento, no entanto, geralmente, a persistência da infecção em animais individuais pode atingir um período longo de 3 a 6 meses.

Figura 2 - Ovino Santa Inês apresentando quadro avançado de CCI, caracterizado por lacrimejamento e opacidade intensa da córnea.


Embora não seja uma doença que apresente risco para a vida dos animais, as conseqüências advindas de um quadro tão estressante e com potencial para comprometer a visão, estão relacionadas à redução no consumo voluntário de alimentos ou, até mesmo, à dificuldade na apreensão destes alimentos. Assim a CCI é um quadro agravante que pode desencadear outras situações, como perda de peso e redução no escore de condição corporal e, a depender da categoria animal envolvida e de sua fase fisiológica, pode resultar na redução de índices de desempenho reprodutivo, bem como, no aumento dos casos de cetose e de mortalidade neonatal.

A redução dos casos clínicos de CCI em um rebanho está associada à medidas preventivas fundamentadas em práticas que visem controlar os elementos que podem funcionar como fômites ou agentes disseminadores e/ou estressantes, e envolvem a limpeza diária das instalações (por varredura e/ou raspagem); desinfecção completa das mesmas a cada 7 dias após limpeza prévia (preferencialmente com lança-chamas ou "vassoura-de-fogo"); isolamento dos animais apresentando quadro clínico; controle da população de moscas e insetos (principalmente, por meio de limpeza e manejo adequado dos dejetos animais); redução da exposição a irritantes mecânicos (poeira); manejo do pastejo para manter o relvado em alturas mais adequadas; manejo do rebanho baseado nos princípios de bem-estar e a quarentena de animais récem-adquiridos por no mínimo 15 dias.

DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

Médico Veterinário, MBA, D.Sc., especializado no sistema agroindustrial da carne ovina. Consultor da Prime ASC - Advanced Sheep Consulting.

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RAY ESPERIDIAO MARTINS FERREIRA

ITAÍBA - PERNAMBUCO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 18/11/2014

quero que vocês min agude que minha cabra ta com úbere enchado de um lado
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 17/11/2014

Olá Heriberto,



A causa é de origem bacteriana, basicamente. Os principais microorganismos envolvidos são mencionados no artigo.



Porém, o controle é relativamente fácil de ser executado e traz bons resultados.



Abraços e obrigado pela participação,



Daniel
HERIBERTO SOARES DE OLIVEIRA

DOIS RIACHOS - ALAGOAS - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 13/11/2014

quero saber o que causa esse tipo de infecção, na minha região , aqui no nordeste de Alagoas,  tenho um pequeno rebanho de 60 animais, e tem aparecido casos frequentes.
JAIME DE OLIVEIRA FILHO

ANGATUBA - SÃO PAULO - OVINOS/CAPRINOS

EM 31/03/2014

Oi Viviane

    Compre antibiótico a base de oxitetraciclina e aplique 1 ml para cada 10 kg de peso vivo.e vc verá que alguns dias já voltam  ao normal,pode resolver com apenas uma aplicação.

   Boa sorte
VIVIANE RUIZ

OLÍMPIA - SÃO PAULO

EM 31/03/2014

ola boa tarde comprei umas carneiras e passou se uma semana tres ficaram cegas e imediatamente as troquei de lugar e mediquei mas n estou tendo resutados e passou tres dias mais uma ficou cega, me ajudem por favor obrigada
JOSE NILO AQUINO

SÃO BORJA - RIO GRANDE DO SUL

EM 26/12/2012

ROBERTO AMANCIO OLIVEIRA

SALVADOR - BAHIA

EM 28/10/2009

Para soluçao e tratamento aliado as medidas de profilaxia
Faço o cotrole com Terracortril muito eficiente e com excelentes resultados
ALAN BURIN PALU

RIO BRANCO - ACRE - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 29/05/2008

Esse ano tivemos vários casos de Ceratoconjuntivite no estado , foi dificil mas conseguimos tratar os animais afetados e controlar a doença.
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 08/05/2008

Olá Prof. Luiz Alberto,

Primeiramente obrigado pelo seu relato e informações!!

Alguns estudos indicam que as cepas patogênicas de Branhamella ovis lesam apenas a conjuntiva, causando hiperplasia folicular e hiperemia, e afetando de forma mais branda a córnea ocular. Em sua pesquisa, foi possível observar alguma particularidade da CCI por B.ovis??

Quanto à produção de vacina autógena, há alguma estimativa da quantidade de material (swabs) que seria preciso coletar a campo para desenvolver culturas suficientes para viabilizar a produção de um volume X de vacina?? E qual o parâmetro usado para estabelecer a dose por animal??

Abraços,

LUIZ ALBERTO OLIVEIRA RIBEIRO

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 08/05/2008

A queratoconjuntivite ovina (CCI) é endêmica em rebanhos gaúchos durante os meses quentes do ano. Trabalho por nós realizado verificando a flora bacteriana de ocular de ovelhas sadias e com CCI notamos presença da Branhamella ovis,tanto em olhos sadios como com lesões.

Há aparentemente uma associação de lesões com a presença de amostras patogênicas (piliadas) de B. ovis. Testes preliminares que vacina autógena, contendo amostra de B. ovis isolada do surto, mostrou proteção em animais vacinados.

Isso poderá representar uma forma alternativa de controle em rebanhos onde surtos anuais da enfermidade ocorrem
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