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Prevenção e controle de "foot rot" - Parte III

POR CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/11/2009

5 MIN DE LEITURA

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Tratamento

Por se tratar de uma doença contagiosa, a primeira medida a ser tomada é isolar os animais portadores para evitar a propagação da doença na propriedade, de preferência, em baia coberta, que seja sempre limpa, arejada, e vazada para que os raios de sol possam nela incidir no período da manhã e/ou da tarde, ou em piquete limpo, ensolarado, e livre de lama e acúmulo de fezes, próximo ao curral de manejo onde fica o pedilúvio.

Na ocorrência de um surto, o rebanho deverá ser vistoriado com alta frequência (até diariamente), e os animais que estão claudicando devem ser levados à enfermaria para serem tratados. Animais com "foot rot" devem ficar em baias ou piquetes separados daqueles que estão em tratamento por outras doenças. Também, toda vez que o rebanho for levado ao pedilúvio, cabe observar e separar os que estão claudicando. Estes deverão passar no pedilúvio após os animais sem sintomas, e permanecer nele por mais tempo. Os animais que estão claudicando devem ser minuciosamente examinados, casqueados, retirando-se toda a parte podre do casco (partes enegrecidas) com rineta ou canivete, e tratados convenientemente, conforme o quadro clínico, com produtos tópicos recomendados para esta finalidade (soluções líquidas ou pomadas, mata-bicheiras, etc). Antibióticos (à base de florfenicol ou tetraciclina de longa ação em duas aplicações com 48 horas de intervalo, ou uma aplicação de enrofloxacina 10%, ou, ainda, Penicilina G procaína e Dihidro-estreptomicina, na dose de 50.000 a 70.000UI/kg) e anti-inflamatórios também poderão ser aplicados, se o caso for grave, e se necessário.

A utilização de banhos podais com substâncias antissépticas, onde os animais permanecem com as patas de molho no pedilúvio durante um período mínimo entre 10 e 15 minutos, três vezes por semana, em dias alternados, é uma forma de tratamento que tem controlado a doença.

Aplicar tintura de iodo 2% no espaço interdigital (entre os cascos dos animais) e, em seguida, uma mistura em partes iguais de sulfato de cobre bem moído com sulfa em pó, após a limpeza das lesões, também tem colaborado no curativo da doença. A medida deverá ser repetida até as lesões secarem.

Três aplicações em dias alternados de uma mistura de três partes de um produto à base de iodo com o antibiótico à base de tilosina têm sido recomendadas como forma de tratamento.

A Embrapa, Centro de Pesquisa Agropecuária dos Tabuleiros Costeiros, comercializa um produto para uso no casco (Curadermite®), aprovado em pesquisa científica (OLIVEIRA et al., 1998) para ser usado no tratamento curativo e preventivo com sucesso em casos de "foot rot". Oliveira (2002) recomenda o tratamento curativo individual, com a imersão da pata afetada neste produto líquido por 30 segundos diariamente, ou a cada dois dias, ou preventivo, por meio de passagem do rebanho no pedilúvio com o produto. O autor sugere o uso de garrafa plástica, cortada acima da metade para imersão da pata no produto, ou inclusão deste em um recipiente do tipo spray para aspergir sobre as patas afetadas, com o animal deitado com as patas voltadas para cima.

Conclusão

Animais em tratamento devem ficar isolados do rebanho e de animais com outras doenças, passando por exame minucioso antes de serem reintegrados ao rebanho, após estarem completamente restabelecidos. A identificação do animal e o tempo de duração do tratamento devem ser anotados, para saber se a doença é reincidente ou está acometendo o ovino pela primeira vez. Ovinos com casos crônicos de "foot rot", ou que não respondem ao tratamento, mesmo aqueles de alto valor zootécnico, devem ser descartados para o abate, pois se tornam portadores da bactéria causadora do mal. Muitos animais desenvolvem infecção no interior do casco, de tratamento difícil e custo elevado, e, uma vez portadores, irão transmitir a doença em outros rebanhos.

As autoridades sanitárias brasileiras, tanto as de âmbito estadual como federal, parecem não estar preocupadas com esta doença, já que no Brasil não há limitações para o trânsito e comercialização de animais com podridão dos cascos. Em países como a Austrália existe um formulário a ser preenchido pelo produtor declarando-se livre ou declarando a ocorrência da doença, e um animal portador de pododermatite só pode ser vendido para o abate. Aqueles que já vivenciaram a entrada da doença (ou de cepa virulenta desta) no rebanho sabem que é uma doença extremamente contagiosa e de difícil controle, porque há dificuldade em se eliminar animais de alto valor zootécnico, acometidos por pododermatite crônica, que perpetuam a doença no rebanho, ou os produtores ainda adquirem animais de alto valor zootécnico portadores de "foot rot".

Por isso, a importância do conhecimento da doença, a consciência dos elevados prejuízos financeiros que ela impõe, e as possibilidades de prevenção, de modo a evitar sua entrada na propriedade (acompanhamento de técnico competente para detectar a doença em animais a serem adquiridos pelo produtor, e quarentena com passagens em pedilúvio de animais recém-adquiridos), ou tentar erradicá-la da propriedade, o que é difícil, mas não impossível de ser conseguido, com casqueamento preventivo, passagens por pedilúvio constantes, aliada ao rodízio de pastagens e aplicação da vacina contra a doença de forma sistemática, nos períodos recomendados, e, finalmente, e mais importante, descarte dos animais com pododermatite crônica.

Figura 1.: Animal apresentando lesão crônica, que não respondeu ao tratamento, e foi vendido para o abate.



Referências bibliográficas

ÁVILA, V. S.; COUTINHO, G. C. Doenças infecciosas, nutricionais e metabólicas. In: Saúde ovina em Santa Catarina - Prevenção e controle. Eds: ÁVILA, V.S.; COUTINHO, G.C.; RAMOS, C. I. Florianópolis: Epagri, 2006. 94p.

BERNHARD, E. A.; ALENCAR, P. H.; CHIMINAZZO, C. Pododermatite infecciosa dos ovinos (foot rot). O Berro - anuário Brasileiro de Caprinos & Ovinos, nº 120 (março), p. 176-178, 2009.
CHAGAS, A. C. S.; VERÍSSIMO, C. J. Principais enfermidades e manejo sanitário de ovinos. São Carlos: Embrapa Pecuária Sudeste, 2008. 70p.

LESÕES DE CASCO: prevenção, controle e monitoramento. Cabra & Ovelha, v. 4, n. 42, p. 13-14, agosto 2009.

OLIVEIRA, A. A.; PEDREIRA, P. A. S.; DANTAS, I. A. C. Avaliação de produto comercial no tratamento das doenças de casco de ovinos. Rev. Cient. Rural, v. 3, n. 2, p. 91-98, 1998.
OLIVEIRA, A. A. Problemas de casco de ovinos e caprinos? Curadermite o produto certo! (Folder, abril 2002) Disponível em: www.cpatc.embrapa.br/download/FolderCuradermite.pdf Acesso 17/09/2009.

RIBEIRO, L. A.; MARTINHO, J. C. L. Uso de enrofloxacino 10% (Kinetomax® - Bayer) no tratamento de lesões graves de footrot em ovinos. (26/11/2008). Disponível em: www.farmpoint.com.br/?noticiaID=49952&actA=7&areaID=6&secaoID=23, Acesso 17/09/2009.

SOUZA, D. A. Utilizando pedilúvio para afecções podais (04/09/2008). Disponível em: www.farmpoint.com.br/?noticiaID=47781&actA=7&areaID=1&secaoID=4, Acesso 18/09/2009.

RODRIGUES, C. F. C.; VERÍSSIMO, C. J.; CUNHA, E. A.; KATIKI, L. M.; BUENO, M. S.; SANTOS, L. E. Controle sanitário na produção de ovinos de corte em sistema intensivo de produção. In: Atualidades na produção de ovinos para corte, Ed Cunha, E. A.; Santos, L. E.; Bueno, M. S. Nova Odessa: Instituto de Zootecnia, 2008, p. 89-119.

CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

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GABRIEL VILELA

ALPINÓPOLIS - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 10/11/2015

Olá flávio, muito bom, parabéns,

tenho apenas uma dúvida sobre o tratamento com antibióticos associado com sulfato de cobre.  Queria saber se o sulfato de cobre não inibe a ação dos antibióticos, sendo que alguns antibióticos são extraídos de bactérias.
CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 20/02/2013

Olá Flávio Luciano,

sugiro a vc que leia os artigos contidos neste site, farmpoint, sobre esta doença, footrot, publicados pelo Prof. Luiz Alberto de Oliveira Ribeiro.

Este conceituado professor veio especialmente em 2010 em Nova Odessa dar uma aula sobre como controlar esta terrível doença, trazendo um esquema de controle da mesma que é falado no artigo.

Conheço muitas pessoas que estiveram presentes na ocasião e conseguiram eliminar a doença de seus rebanhos porque adotaram o esquema de tratamento proposto pelo professor.

Espero q vc também tenha a mesma sorte.
FLÁVIO LUCIANO CARNEIRO DA SILVA

RECIFE - PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 17/02/2013

Boa noite , gostaria de saber como adquirir este produto ( CURADERMITE ) , com a máxima urgencia pois já utilizei vários produtos e não consegui debelar esta doença , perdi muitos animais . Preciso saber como comprar pagar e receber .

Meu endereço : Rua Santo Elias , 109 apto 902 , Espinheiro

                          CEP - 52020-090 - RECIFE - PE

Grato antecipadamente .



FONES : 81 - 99744526 ( TIM )

                81 - 99222300 ( CLARO )
CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 09/11/2009

Escrevi uma carta ao SAC Embrapa Tabuleros Costeiros, peguntando sobre a produção do produto CURADERMITE.
A resposta veio logo, informando que a produção desse produto, a cargo da empresa Maratá está à espera da liberação de fiscas da SFA, o que parece que está próximo a acontecer, e, tão logo esse produto esteja sendo comercializado novamente, a Embrapa Tabuleiros Costeiros através de sua logística de marketing trará amplo conhecimento ao grande público.

"Fomos informados pela advogada do Grupo Maratá que a fabricação do
produto ainda não começou, pois, eles estão fazendo uma nova fábrica
para produção do mesmo, desta forma, no início de fevereiro (2010) um fiscal do
Ministério irá visitar fábrica, para assim, começar a fabricação do
Curadermite."
CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 09/11/2009

Prezado Sr.
Carlos Otavio Lacerda,
espero que tenhas boa sorte nesta empreitada. Nos informe depois de tudo pronto, em quanto tempo conseguiu a eliminação da doença em sua propriedade.
CARLOS OTAVIO LACERDA

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/11/2009

Parabens pelo artigo, muito completo. Eu desconhecia o problema até trazer alguns carneiros novos que contaminaram grande parte do rebanho.
O artigo nos ajuda além do diagnóstico, com indicações de prevenção e tratamento. Já comprei as vacinas, vou iniciar a construção do pedilúvio e espero ter a disciplina suficiente para implantar os cuidados necessários na criação para erradicar de vez o foot root.

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