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Polioencefalomalacia em pequenos ruminantes

POR MV DR. LEANDRO RODELLO, PHD

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/08/2012

4 MIN DE LEITURA

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A polioencefalomalacia (PEM) é uma doença neurológica comum e importante de ovinos e caprinos, com distribuição mundial. Acomete mais cordeiros/cabritos (2 a 6 meses), com dieta rica em concentrado e em regime de confinamento.

A polioencefalomalacia é um termo descritivo para lesões histológicas. O nome significa exatamente amolecimento ou necrose (malacia) de regiões da substância cinzenta (pólio) do cérebro (encéfalo). Embora a PEM seja de diagnóstico inespecífico, no que diz respeito à etiologia, muitos autores supõem que a doença seja exclusivamente de alterações no metabolismo da tiamina. Na verdade, existem várias causas possíveis para a PEM, incluindo, o consumo excessivo de enxofre, caracterizado pelo aumento das concentrações ruminais de sulfetos, a alteração do metabolismo de tiamina, provável intoxicação por sal ou privação hídrica e intoxicação por chumbo.

A acidose ruminal (causado pelo consumo excessivo de concentrado) predispõe a desenvolver a PEM, pois a população de bactérias produtoras de tiamina no rúmen diminuem e ocorre alta proliferação de bactérias produtoras de tiaminase, e a atividade da tiaminase ruminal é potencializada pela condição ácida, levando aos sinais clínicos. O aumento das bactérias produtoras de tiaminase também está associado à deficiência de cobalto e uso de anti-helmínticos.

A despeito da etiologia, os animais com PEM respondem de forma favorável os tratamentos com aplicações elevadas de tiamina, talvez a administração de tiamina em altas concentrações ajude na manutenção do cérebro metabolicamente debilitado.

Sinais clínicos

A PEM manifesta-se na forma subaguda e aguda. Na forma subaguda, as manifestações clínicas podem se desenvolver dentro de horas ou em alguns dias, e nos estágios iniciais, o animal acometido pode apresentar:

-distanciamento do rebanho;
-anorexia (falta de apetite);
-cambaleante;
-aparente cegueira;
-deambulação levemente hipermátrica;
-excitação;
-diarreia;
-hiperestesia;
-tremores musculares.

Com a evolução do quadro subagudo o animal ainda pode apresentar:

-cegueira cortical;
-compressão da cabeça;
-opistótomo;
-estrabismo dorsomedial;
-miose;
-mastigação repetitiva;
-ptialismo profundo;
-odontoprise.

Apesar dos sinais clínicos, o animal normalmente apresenta reflexos palpebrais e temperatura retal normal. Geralmente as frequências cardíacas e respiratórias estão aumentadas. Nos casos do consumo excessivo de enxofre, o odor de sulfeto de hidrogênio (cheiro de ovo pobre) pode ser detectado durante a respiração.

Embora a maioria desses animais responda de forma favorável à intervenção terapêutica, os sinais podem evoluir para decúbito, convulsões tônico-clônicas e óbito.

Na forma aguda, os animais são encontrados em decúbito e comatosos. Esses animais, em muitos casos, sofrem convulsões tônico-clônicos episódicas, permanecendo em decúbito e hipertônicos entre os ataques convulsivos. O prognóstico é mau para animais cometidos por quadro clínicos agudos ou para os subagudos avançados.

Os animais acometidos com a PEM, podem apresentar quadros clínicos sutis e inespecíficos, o que é passível confundir essa doença com outras. A PEM é temporariamente associada à acidose láctica que se desenvolve após a ingestão de quantidades excessivas de carboidratos facilmente fermentáveis. Os animais com acidose láctica podem apresentar-se atáxicos, além de apresentarem fezes fétidas e aquosas e o rúmen repleto de líquido e distendido. Os criadores podem confundir a PEM decorrente da acidose láctica com timpanismo ruminal. O importante é lembrar dos diagnósticos diferenciais de PEM, como enterotoxemia, toxemia da gestação meningoencefalite, deficiência de vitamina A, intoxicações por chumbo ou outro metal pesado e raiva.

Diagnóstico

Embora o diagnóstico definitivo dependa da confirmação histológica, o diagnóstico presuntivo pode ser estabelecido ante mortem, baseando-se na anamnese e sinais clínicos. Quando o diagnóstico da PEM é estabelecido, seja presuntivo ou definitivo, a identificação das possíveis causas devem ser priorizada, de modo que a exposição do rebanho aos agentes etiológicos possa ser suavizada ou eliminada.

Tratamento e prognóstico

Os animais acometidos pela forma subaguda da PEM, responde bem ao tratamento parenteral de cloridrato de tiamina.

A tiamina deve ser administrada na dosagem de 10 a 20mg/kg, intramuscular ou subcutânea, a cada 6 horas no primeiro dia de tratamento. É recomendado que as primeiras aplicações sejam endovenosas. Se for administrar via endovenosa, ela deve ser diluída em glicose a 5% ou em outro líquido isotônico, e injetada lentamente para evitar reações adversas.

Os animais acometidos com a forma aguda apresentam lesões gravíssimas no córtex e na substância cinzenta e não respondem à terapia instituída. A eutanásia é recomendada para animais que não apresentarem melhora após 4 dias de tratamento. Nos casos de animais com PEM, tendo com causa o excesso de enxofre na dieta, não há resposta ao tratamento com tiamina.

Prevenção e controle

A suplementação de tiamina, necessariamente não impede o aparecimento da PEM, a melhor maneira de evitar os surtos é manejar adequadamente a alimentação oferecida ao rebanho. O fornecimento de ração não pode prescindir o período de adaptação até chegar ao nível desejado para o lote. Importante lembrar que o consumo excessivo de enxofre é um dos fatores para o aparecimento da PEM, por isso, o monitoramento dos níveis de enxofre na dieta e na água se faz necessário.

A tiamina pode ser acrescentada (3 a 10mg/kg de alimento) em dietas cuja a proporção concentrado/fibra tenham no mínimo 50% de forrageira fibrosa. Outras recomendações para a prevenção da PEM incluem a adição de levedura de cerveja à ração e a adaptação gradativa dos animais (no mínimo duas semanas) em dietas ricas em concentrados. Oferecer alimentos e sal mineral de boa qualidade é essencial. A suplementação de cobalto, via mistura de sal com microminerais, pode ser necessária em áreas deficientes.

Deve-se treinar a equipe de tratadores ou cabanheiros, a fim de que os animais com PEM possam ser identificados no início da doença para realizar o tratamento adequado.

Referências bibliográficas

PUGH, D.G. Sheep & Goat Medicine. Philadelphia - USA: Saunders Company, 2002, 468p.

RADOSTITS, O.M., GAY, C.C., BLOOD, D.C., HINCHCLIFF, K.W. Clinica Veterinária - Um tratado de Doenças dos Bovinos, Ovinos, Suinos, Caprinos e Equinos. Rio de Janeiro - RJ: Guanabara Koogan, 2002, 1737p.

RIET-CORREA, F., SCHILD, A.L., MÉNDEZ, M.D.C. Doenças de Ruminantes e Equinos. Pelotas - RS: Ed. Universitária, 1998, 651p.

SMITH, B.P. Medicina Interna de Grandes Animais. 3. Ed. Barueri - SP: Manole, 2006, 1728p.

MV DR. LEANDRO RODELLO, PHD

Médico Veterinário (UNOESTE - Presidente Prudente), com Residência em Reprodução Animal (UNESP- Araçatuba) e Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado em Reprodução Animal (UNESP- Botucatu)

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MV DR. LEANDRO RODELLO, PHD

ARAGUAÍNA - TOCANTINS - PESQUISA/ENSINO

EM 01/09/2012

Prezada Jordana,



Realmente a intenção foi essa, não deixar cair no esquecimento a PEM, na qual o seu tratamento é simples e eficaz desde que diagnosticado a tempo.



Muito obrigado.



Att. Leandro

MV DR. LEANDRO RODELLO, PHD

ARAGUAÍNA - TOCANTINS - PESQUISA/ENSINO

EM 01/09/2012

Prezado Prof. Benedito,



Muito obrigado!

Eu achei importante escrever sobre a PEM porque tenho observado uma certa casuística em algumas cabanhas e tb como um alerta para os profissionais não esquecerem da PEM.

Continue lendo nossos artigos. Aceito sugestão sobre algum assunto.

Att. Leandro
JORDANA ANDRIOLI SALGADO

CURITIBA - PARANÁ - OVINOS/CAPRINOS

EM 31/08/2012

Muito oportuno e esclarecedor o artigo. É sempre bom lembrar dessa doença que por muitas vezes é confundida com outras enfermidades.

Parabéns pelo tema.



Att.
PROF.MÉD.VET.BENEDITO MARQUES DA SILVA JUNIOR

ITAPETININGA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/08/2012

Muito interessante o texto, ainda mais que a PEM ovina assemelha-se bastante à PEM bovina, pois a fisiopatologia é praticamente a mesma. Minha experiência com essa patologia vem da década de 80 nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Seria interessante que se estudasse sua epidemiologia. Meus parabéns ao autor.
MV DR. LEANDRO RODELLO, PHD

ARAGUAÍNA - TOCANTINS - PESQUISA/ENSINO

EM 21/08/2012

Prezado Sr. Paulo,



Primeiramente obrigado por ter lido o nosso artigo.



Os casos podem estar relacionados com a poliencefalomalacia ou tb outras encefalites. A atitude do Sr. em chamar profissionais para investigar os casos está correta e os profissionais da UFMS são  muito bons.



Os resultados do material colhido já saiu?



Att
PAULO SÉRGIO ORSI

AQUIDAUANA - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 20/08/2012

Caro Dr Leandro.,

Tive um problema muito parecido em meu rebanho bovino apascentados em minha fazenda no Pantanal do Rio Negro no MS., Vacas em otimo estado corporal, inseminadas prenhas (IATF) e com bezerros ao pé na idade de desmama e que estavam comendo brachiaria Humidicula., quando estavam sendo levadas ao mangueiro para desmama e confirmação de prenhez (Ultra Som), 26 vacas apresentaram um quadro parecido com o descrito nesta doenca comum em ovinos e caprinos. O pescoço virado para traz, deitava e acabavam morrendo. Recebi a visita de veterinarios e Doutores da UFMS, onde foram retirados orgãos e sangue para exames, em animais ainda vivos e já em obito. Todos animais vacinados contra Aftosa, Raiva, Clostridiose (10 Cepas), Botulismo e corretamente vermifugados conforme calendario Embrapa. Descartada a possibilidade de ervas venenosas. Animais recebem sal mineral com 190 gramas de calcio e 65 de fosforo... de fabricante idoneo., com a media de consumo no lote, dentro dos padroes requeridos pelo fornecedor.

As mortes aconteceram num periodo de 3 dias... e cessaram...

att.

Paulo Orsi

Aquidauana/MS
MV DR. LEANDRO RODELLO, PHD

ARAGUAÍNA - TOCANTINS - PESQUISA/ENSINO

EM 20/08/2012

Prezado Sr. Carlos,



Muito obrigado. Sempre procuramos escrever de forma clara e simples para um melhor entendimento do assunto. Continue lendo os nossos artigos.



Att. Leandro
CARLOS ROBERTO BOCCHI PEREIRA

GUARUJÁ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 20/08/2012

Muito esclarecedor o artigo. obrigado.
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