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Perfil dos países importadores de carne ovina - Parte II de V

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/11/2010

6 MIN DE LEITURA

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Este artigo faz parte do Estudo de Mercado Externo de Produtos e Derivados da Ovinocaprinocultura da editora Méritos. Este trabalho foi viabilizado pela Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) do Sistema Agroindustrial, cuja gestão cabe ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - MDIC.

Sua execução foi possível graças à celebração de convênio entre a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (ARCO) e o MDIC. Elaborado a partir de proposta da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Caprinos e Ovinos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) - representa sinergia entre as ações das Câmaras Setoriais do MAPA e a PDP do Sistema Agroindustrial do MDIC.

O FarmPoint publicará trechos do capítulo Perfil dos Países Importadores e a segunda análise publicada é sobre a Arábia Saudita.

Introdução

A Arábia Saudita tem quase 100% de sua população da religião muçulmana e é o maior importador de alimentos do Golfo Pérsico. O mercado saudita de alimentos Halal é estimado em US$ 5 bilhões anuais. A Arábia Saudita é um dos grandes importadores de carne ovina, apresentando importantes distinções em seu mercado em relação aos demais países importantes no fluxo internacional de carne ovina.

Setor primário

O rebanho está relativamente estável, flutuando de acordo com as condições climáticas mais ou menos severas de cada ano. No entanto, o rebanho caprino diminuiu pela metade em relação há dez anos. Os rebanhos individuais costumam ser relativamente grandes e circulam pelas regiões, abastecendo locais isolados. A vegetação nativa responde por cerca de 20% da alimentação do rebanho, enquanto o restante são forragens conservadas, plantadas durante a estação chuvosa ou em áreas irrigadas.

Tabela 1 - Rebanho de ovinos e caprinos (milhões de cabeças).



Indústria

O principal porto de importação é Jeddah (80% dos alimentos que entram na Arábia Saudita), que também é um dos grandes portos do Oriente Médio. O porto de Dammam, no Golfo Pérsico, também recebe ovinos vivos e carne.

Existem abatedouros públicos em toda a Arábia Saudita e as pessoas são incentivadas a realizarem seu abate ritual ou para consumo rotineiro nestes locais. Desde 1983 existe um programa para a utilização otimizada da carne dos animais sacrificados pelos peregrinos. O Banco de Desenvolvimento Islâmico (IDB, na sigla em inglês) é responsável pelo programa e os peregrinos podem adquirir um cupom e delegar ao IDB o abate ritual do animal em seu benefício.

Nas 84 horas que dura o Haj, foram abatidos 700 mil animais pelo IDB em 2008, dos quais 90% eram ovinos e o restante, bovinos e camelos. Cerca de dois terços são distribuídos gratuitamente no país e o outro um terço vai para os países muçulmanos vizinhos, pois a carne de abate ritual não pode ser vendida. Em 2008, um cupom custou o equivalente a US$ 105 e podia ser comprado pela internet (30 mil animais foram vendidos por este meio). Apesar da utilização deste programa ser crescente, ainda existe muito abate clandestino nas imediações dos próprios abatedouros administrados pelo IDB.

Uma das ideias por trás do programa é usar a carne para distribuir entre os pobres e necessitados do país e dos países limítrofes. Também está em construção uma fábrica para produzir gelatina a partir dos couros que são danificados durante o processo de abate. A preocupação das autoridades sauditas é que o abate informal dos animais rituais pode acarretar problemas de saúde, pois os animais não são examinados antes do abate. Além disso, existe o problema secundário ambiental e sanitário para as áreas adjacentes

Aspectos institucionais e organizacionais

A produção de carne de ovinos e caprinos no país atinge cerca de 98,5 mil toneladas e, junto com a carne importada, significa 16% do consumo total de carnes. É assegurado pelo governo de que todo alimento que entra no país é Halal e, portanto, esta não é uma preocupação rotineira para os cidadãos sauditas. Na verdade, a Arábia Saudita não é um mercado homogêneo. São identificados quatro mercados distintos para ovinos: consumo urbano dos habitantes nativos; consumo dos trabalhadores estrangeiros (30% da população); consumo dos turistas e empresários nos hotéis e consumo dos peregrinos religiosos.

O consumo de carne costuma diminuir durante o Ramadan devido ao jejum religioso e durante o verão (segunda semana de junho até a primeira de setembro) quando milhões de sauditas e trabalhadores estrangeiros saem do país em férias. Por outro lado, a demanda aumenta para a festa religiosa chamada Hajj, com os hoteis e varejistas reforçando seus estoques para atender aos 2,5 milhões de peregrinos que viajam a Mecca todos os anos. Os peregrinos estrangeiros, que significam metade do fluxo, costumam ficar em média duas semanas entre as cidades de Mecca, Jeddah e Madina antes e depois dos rituais do Hajj.

Há uma preferência clara no Oriente Médio por carne fresca. As pessoas gostam de abater seu próprio animal ao amanhecer e consumir no almoço ou mesmo mais tarde no jantar. Ao mesmo tempo, o preço da carne quente costuma ser mais baixo do que o preço da carne congelada, principalmente pela aplicação de subsídios à importação e ao comércio de animais vivos. Eventualmente, também são aplicados subsídios para a importação de carne resfriada, mas nunca para a congelada.

Existe uma preocupação oficial com o bem-estar dos animais, já que isto está previsto no Alcorão. Este fato torna delicada a operação de transporte e desembarque dos animais na Arábia Saudita. No entanto, esta preocupação das autoridades não chega a ser disseminada entre a população.

A Organização de Padrões da Arábia Saudita (SASO, na sigla em inglês) é a autoridade que determina os padrões e as embalagens requeridos para todos os tipos de alimentos importados para o país. Todos os alimentos exportados para a Arábia Saudita devem ter embalagem escrita em inglês e árabe. São exigidos diversos documentos, entre eles o certificado Halal. Além disso, o Departamento de Controle de Qualidade pode solicitar amostras e testes de laboratório para se certificar da qualidade para consumo humano do produto. Existe um grande temor em relação à toxina botulínica e exames são realizados com frequência nos portos de desembarque.

Importações

As importações do país quase triplicaram desde 1990, demonstrando o aumento de renda da população no período.

Gráfico 1 - Importação saudita de carne ovina (mil t). Fonte: Comtrade; Meat and Livestock Australia; New Zealand Meat and Wool, 2009.



As importações sauditas estão concentradas em carne congelada, com mais de 80% do volume, que pagam tarifas de importação mais baixa. O valor médio pago por este tipo de produto foi de US$ 2.521 em 2008. Já a carne refrigerada foi adquirida a US$ 4.687 a tonelada, em média. Austrália e Nova Zelândia respondem por mais de 80% das importações de carne ovina da Arábia Saudita, que também se abastece nos países vizinhos.

Gráfico 2 - Origem das importações de carne ovina da Arábia Saudita (mil ton) - 2008. Fonte: Comtrade; Meat and Livestock Australia; New Zealand Meat and Wool, 2009.



O mercado da carne congelada é dominado por Austrália e a Nova Zelândia, que responderam por mais de 90% das remessas em 2008. No entanto, a carne refrigerada tem origem mais diversificada e os países da Oceania têm participação marginal neste mercado. Os principais fornecedores deste tipo de carne para a Arábia Saudita são a Índia e o Paquistão.

A Arábia Saudita é o maior importador de ovinos vivos, sendo responsável por quase metade do fluxo internacional. Todos os anos, os sauditas buscam novos fornecedores, que possam garantir o abastecimento a preços baixos. No entanto, somente Síria, Austrália e Sudão têm sido parceiros constantes. O valor médio de importação foi de US$ 89 por cabeça em 2008.

O estudo está disponível para download no site da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (ARCO) www.arcoovinos.com.br.

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