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Pastejo misto entre ovinos, bovinos e caprinos: vantagens e limitações

POR PAULO FERNANDO ADAMI

E ALDA LÚCIA GOMES MONTEIRO

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/07/2009

4 MIN DE LEITURA

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O pastejo misto, definido como o pastoreio de várias espécies de herbívoros sobre a mesma área (bovinos, ovinos e caprinos) é uma prática antiga e comum ao redor do mundo; entretanto, seus benefícios e implicações ainda precisam ser melhor estudados a fim de melhor estabelecer a ideal relação entre as três espécies ou duas delas com objetivo de otimizar a produção por animal e por área.

Entre as inúmeras possíveis vantagens do pastejo misto, Walker (2004) cita a melhoria da composição botânica das pastagens e supressão de espécies indesejáveis, aumento na capacidade de suporte e na produção de forragem proporcionando aumentos no desempenho individual dos animais, melhoria na saúde animal pela supressão ou diminuição de parasitoses, redução na predação sobre ovinos e caprinos, melhoria e/ou diversificação no fluxo de caixa e redução do risco financeiro das atividades.

Trabalhos já existentes demonstram a utilização mais eficiente dos recursos forrageiros quando sob pastejo misto, uma vez que plantas rejeitadas por uma espécie animal podem ser aceitas e pastejadas por outras, devido à diferença nos seus hábitos alimentares. Como exemplo pode-se mencionar que os caprinos têm preferência por arbustos comparados aos ovinos, sendo que ambos pastejam uma variedade de plantas daninhas ou indesejáveis, mesmo na presença de outras espécies forrageiras mais atrativas, oferecendo oportunidade complementar de uso da pastagem. Os bovinos, por outro lado, preferem gramíneas e são menos seletivos do que os ovinos e os caprinos. Assim, a utilização do pastejo misto pode resultar em pastejo de todos os tipos de plantas com possível controle de plantas indesejáveis e arbustivas.



Vantagens do pastejo misto ocorrem também em pastagens mono-específicas devido à maior uniformidade no pastejo, uma vez que ovinos não rejeitam as áreas defecadas pelos bovinos que geralmente pastejam as áreas mais altas, rejeitadas pelos ovinos.

Ainda, a competição pelo recurso forrageiro disponível é sempre maior entre dois animais da mesma espécie, em comparação a dois animais de espécies diferentes. Devido a isto, a pressão de pastejo é menor e o desempenho dos animais é maior na mesma taxa de lotação sob pastejo misto em comparação com uma única espécie em pastejo.

Sob qualquer sistema de produção, as parasitoses representam uma grande preocupação na produção de bovinos, ovinos e caprinos. Ovos de larvas são depositados na pastagem via esterco, sendo que, após a sua eclosão, as larvas migram para pastagem e acabam sendo consumidas pelos animais ao pastejar. Se não diagnosticada e tratada, as concentrações de parasitas acabam aumentando com o passar do tempo em função da repetição continua neste ciclo. Ainda, maiores concentrações de animais na pastagem tendem a ampliar esta infestação. Contudo, parasitas são espécie-específicos, ou seja, parasitas bovinos infestam bovinos e não ovinos e vice-versa. Assim, o pastejo misto além de reduzir o foco de parasitas por diminuir a sua reprodução consegue eliminá-los quando ingeridos por espécies animal não-específica. No entanto, caprinos e ovinos são parasitados pelos mesmos parasitas e, por conseguinte, o pastejo misto destas espécies não melhora o controle parasitário.

Em relação à produção animal entre o pastejo singular das espécies animais e o pastejo destas em conjunto (pastejo misto), estudos demonstram que a introdução de ovinos em pastagens pastejadas apenas por bovinos resulta em ganhos de até 30% superior para os ovinos em relação ao pastejo singular desta espécie enquanto que esta mesma comparação para bovinos resultou em ganhos de apenas 6% para os bovinos.

Em alguns estudos, a introdução de ovinos em pastagem pastejada por bovinos resultou em menores ganhos bovinos indicando que em baixa disponibilidade forrageira, os ovinos são mais competitivos em relação aos bovinos. Por isso, os benefícios do pastejo misto são ainda maiores nas situações de equilíbrio da carga animal entre as diferentes espécies de animais com a forragem disponível e desde que a taxa de lotação não exceda a capacidade de suporte da pastagem.

Geralmente, o número adequado de animais e a combinação entre as espécies são calculados em função da porcentagem de sobreposição da dieta (consumo no mesmo sitio da pastagem), da capacidade de seleção da dieta e do potencial de competição entre as espécies. Entretanto, é difícil prever a forma de como a interação entre as várias espécies de herbívoros afetará a demanda total forragem havendo, no entanto evidências de que o pastejo misto aumenta a capacidade de suporte da pastagem. Comumente, as taxas de substituição são calculadas com base nas diferenças de consumo entre bovinos e ovinos ajustando-se para tal a carga animal em função do peso metabólico dos animais.

Economicamente, o preço dos produtos (carne, leite, lã) também é bastante importante, tanto na tomada de decisão em relação à combinação entre as espécies animal a serem utilizadas quanto no sentido de melhorar o fluxo de caixa e reduzir riscos financeiros, uma vez que no pastejo misto, as fontes de renda são mais diversificadas.

Apesar dos potenciais ganhos de eficiência econômica e biológica, o pastejo misto não é amplamente praticado devido a alguns desafios frente a sua utilização.

Exigências estruturais em termos de centro de manejo e cercas, principalmente quando a mudança ocorre no sentido bovino-ovino, a falta de conhecimento sobre o manejo de pequenos ruminantes e o aumento na mão-de-obra, bem como aumento na complexidade do sistema devido ao aumento na diversidade do empreendimento acabam na maioria das vezes por limitar a sua adoção.

Entretanto, esta valiosa prática de gestão e manejo deve ser promovida com base na sua capacidade de cumprir os objetivos sociais para a diversidade da produção agrícola. Comparado ao pastejo específico com uma única espécie, o pastejo misto pode levar a utilização mais equilibrada dos recursos naturais e pode resultar em maior estabilidade dos ecossistemas de produção.



Bibliografia consultada:

ABAYE, A. O., et al. Influence of grazing cattle and sheep together and separately on animal performance and forage quality. Journal of Animal Science. April. p. 1013-1022, 1994.

WALKER, J.W. Multispecies grazing: the ecological advantage. Sheep research journal. p. 52-64, 1994

ALDA LÚCIA GOMES MONTEIRO

Coordena o Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos (LAPOC) da UFPR

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ALCI

TIMON - MARANHÃO

EM 05/02/2013

Olá , são interessantes as informações, mas,levandoem consideração  principalmente a questão climática , para a nossa região quais precauções deveriamos tomar neste tipo manejo?
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