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Parcelamento da adubação nitrogenada: 1. Estratégias de adubação nitrogenada dentro da estação de crescimento em pastagens

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/08/2003

4 MIN DE LEITURA

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Miguel José Thomé Menezes1, Roberto Naves Souza Aguiar1, Marco Antonio Alvares Balsalobre2, Patricia Menezes Santos3

Dos nutrientes considerados como essenciais ao desenvolvimento das plantas, o nitrogênio é o que apresenta as melhores respostas em relação à produção de massa seca, variando de 5 e 89,2 kg MS/kg N (Balsalobre et al, 2002). Essa amplitude de variação é decorrente de fatores como: espécie forrageira; fonte do nutriente; tempo de rebrota; dosagem de adubo aplicado; condições climáticas; estádio de desenvolvimento; e fertilidade do solo. Desse modo, há grandes controvérsias com relação às recomendações de adubação, sem um consenso entre pesquisadores, técnicos e produtores que buscam definir as melhores estratégias aplicáveis num determinado momento, dependendo de cada sistema de produção, que garantam melhor rentabilidade.

Com relação à época de aplicação desse nutriente ao longo do ano, já existem diretrizes de recomendação bem definidas e consistentes, sendo a estação de crescimento (época "das chuvas"), onde as condições de luminosidade, temperatura e umidade atingem seu ponto ótimo para o desenvolvimento das pastagens, o melhor período para a utilização do fertilizante nitrogenado.

Em sistemas de produção com lotação animal elevada, como no caso da exploração de pastagens tropicais com adubação intensiva, as aplicações de N deverão ser parceladas para se obter a melhor eficiência de utilização desse nutriente pelas plantas forrageiras (Werner, 2001). No caso de doses mais baixas, o não parcelamento da adubação deve ser adotado, uma vez que os aumentos de produtividade decorrentes dessa prática poderão ser inviáveis se for levado em conta o custo de aplicação.

Torna-se importante, portanto, analisar a resposta a doses de N em cada aplicação, pois estas irão influenciar a eficiência de uso desse fertilizante. A Tabela 1 mostra o resultado de alguns experimentos em que foi testado o efeito de níveis de N por aplicação (kg/ha.aplicação) sobre a produção de matéria seca.

Tabela 1: Resposta de gramíneas forrageiras a doses de N (kg/ha) em uma mesma aplicação.

 


A partir destes resultados, pode-se concluir que as plantas forrageiras tropicais respondem a altas doses de N, que variam de 100 a 200 Kg N/ha.aplicação. Esta resposta é influenciada por fatores ambientais relacionados a produção, como luz, temperatura e água, além de outros fatores nutricionais.

Quanto à dose mínima a ser aplicada por parcelamento, o principal fator que irá ditar a sua recomendação será a viabilidade econômica, ou seja, a dose mínima seria aquela a partir da qual o acréscimo em produtividade gerado pagaria o custo de distribuição do fertilizante. Em linhas gerais, este valor normalmente se encontra em patamares acima de 30 kg N/ha.aplicação.

Comentário: Em sistemas intensivos de produção animal a pasto, a dose de N a ser aplicada por pastejo é um dos fatores mais importantes a ser determinado. Esta revisão mostra que as plantas forrageiras tropicais apresentam boas respostas a doses de 100 kgN/ha.aplicação em condições de sequeiro e podem responder a doses de até 200 kgN/ha.aplicação quando irrigadas. Resultados práticos obtidos pelos autores em propriedades comerciais têm indicado que as melhores respostas do ponto de vista econômico têm sido obtidas com doses entre 40 e 80 kgN/ha.aplicação, que resultam em adubações entre 200 e 400 kgN/ha ao longo da estação de crescimento.

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1Engenheiro Agrônomo, Mestrando do Curso de Ciência Animal e Pastagens da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz". Membros do Projeto CAPIM.
2Doutor em Ciência Animal e Pastagens, Diretor de produto Bellman, Sócio-Diretor da B&N Consultoria
3Engenheira Agrônoma, Doutor em Agronomia pela ESALQ/USP e pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste

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