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Ovelhas descarte - o que fazer?

POR CLEDSON AUGUSTO GARCIA

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/01/2009

2 MIN DE LEITURA

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A ovinocultura vem crescendo nos últimos anos em todo território nacional e já é sabido que a carne nobre com destaque é a de cordeiro, devido principalmente a idade jovem dessa categoria, demonstrando boas características da carne, com grande aceitação pelo mercado consumidor, inclusive possuindo maior valor comercial.

A eficiência produtiva de um rebanho ovino está diretamente relacionada ao número de cordeiros desmamados por matriz/ano. Desta forma, obtendo-se uma maior quantidade de cordeiros nascidos e desmamados por ovelha resultará numa maior taxa de desfrute (número de animais vendidos/pelo número do rebanho efetivo), para a reposição das matrizes e para a seleção do rebanho.

A vida útil reprodutiva das ovelhas varia de 6 a 8 anos, dependo da nutrição, manejo profilático e reprodutivo, independente do propósito se é carne ou lã, não sendo interessante a mesma permanecer no plantel, em função da diminuição de seus índices produtivos e reprodutivos, por esse motivo tornando-se mais um produto destinado ao mercado consumidor.

O percentual normal de descarte de um rebanho ovino é de 10 a 20%, dependendo da pressão de seleção, pois só assim estaremos realizando o melhoramento genético do rebanho, pois sempre esperamos que as filhas (borregas) sejam superiores às mães, consideradas animais de reposição.

À medida que o animal avança a idade, concomitantemente aumenta a deposição de gordura na carcaça, tanto dos ácidos graxos poliinsaturados como os saturados, sendo essa último mais prejudicial à saúde humana, além do pouco rendimento dos cortes da carcaça.

O consumo excessivo desse tipo de gordura tem sido associado a doenças cardiovasculares e, em função disso, o consumo de carnes com esta característica tem sido indesejada. Entretanto, a mesma pode ser preparada de maneira diferenciada, para ser consumida pelo ser humano, com alternativas tecnológicas, bem como defumada, embutidos (salame, caftas, charques, salames, presuntos e lingüiças) entre outros.

Atualmente já existem indústrias alimentícias interessadas no produto deste segmento, pois se considerarmos um rebanho atual de aproximadamente 15 milhões de ovinos, se desse total metade for ovelhas (7,5 milhões) teríamos um número de 1,5 milhões de matrizes sendo descartadas anualmente.

O peso médio das ovelhas de descarte é dependente da raça e da condição nutricional no momento da venda. Porém, para efeito de cálculo pode ser considerado a média de 50 kg de peso vivo, sendo que as raças específicas para lã (Merino e Ideal), além das nacionais (Morada Nova e Santa Inês) tem um menor peso, quando comparadas àquelas com aptidão para carne (Suffolk, Hampshire Down, Ile de France, Texel e Dorper), que tem peso superior.

Para o aproveitamento desses produtos embutidos necessita-se de pesquisas por parte das Instituições de Ensino e Pesquisa da área afim, para darmos um destino ideal para esse produto, atualmente já existem poucos órgãos desenvolvendo alguns trabalhos pioneiros.

A produção de produtos industrializados poderá aumentar a variedade de produtos obtidos com a carne ovina, consequentemente e indiretamente contribuirá para a melhoria da cadeia produtiva ovinícola, além do aumento do consumo per capta ano estadual e nacional.

CLEDSON AUGUSTO GARCIA

Professor da Universidade de Marília

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JORGE LUIZ PALMA

NITERÓI - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 09/10/2014

Olá, prof. este tópico já tem tempo que foi editado e muito me espanta que ninguém

tenha se interessado em explora-lo mais. Me cadastrei a pouco tempo e só agora encontrei este post.

Estou me preparando para iniciar uma criação comercial, para vender cordeiros para abate. Porém me deparei com esta questão aqui também abordada; "ovelhas descarte".

Vejo nesta questão um sério gargalo, senão quase que um impedimento para produção comercial. Restando somente, para quem quiser criar ovinos, a exploração de genética.

Afinal se alguém tomar o caminho do abate de cordeiros sem ter esta questão resolvida,

acabará com um plantel de ovelhas velhas sem destino comercial.

E aí o que fazer ?

Creio que este é um ponto muito sério a ser debatido entre frigoríficos e produtores.

E algo que pequenos e médios projetos à serem implantados levem bastante em conta,

pois a corda só arrebenta do lado mais fraco; se é que me entendem.
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