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O que aconteceu em 2013 e o que poderá acontecer em 2014

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/02/2014

5 MIN DE LEITURA

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 O que aconteceu em 2013 e o que poderá acontecer em 2014

Em função do prejuízo que os produtores de leite de forma geral tiveram em 2012, no primeiro trimestre de 2013 a produção de leite começa a cair, as indústrias começam a disputar pelo leite a aumentar o preço ao produtor.

Em abril quando começa a entressafra, em função da queda de produção do primeiro trimestre, falta de perspectiva de aumento da produção, custos de produção elevados e o elevado preço do leite em pó no mercado internacional decorrente da seca na Nova Zelândia, os preços ao produtor continua a busca pelo leite e o aumento do preço aos produtores até setembro, quando o preço ao produtor começa a cair significativamente, chegando em dezembro cerca de 10% abaixo dos preços pagos em setembro.

A origem dessa queda seria um aumento da captação, que, segundo os dados oficiais, em setembro de 2013 teria sido 13% maior do que a captação em relação à captação em setembro de 2012 .

Será que em outubro, novembro e dezembro o aumento da captação de leite foi tão grande com uma oferta que justificasse os preços ao produtor em dezembro caírem 10% com relação aos de setembro?

Olhando para a minha produção e a de outros produtores que conheço no Estado de São Paulo a resposta é não, pois 2013 foi um ano de pouca chuva ( 2.170 mm – tão pouco assim em São Paulo só em 1989 ), e mal distribuída, com temperaturas máximas muito elevadas durante o dia e mínimas bastante baixas a noite, Judiando do gado e limitando o crescimento de pasto. Dessa forma, embora em novembro e dezembro tenha havido queda no custo de ração comparativamente ao preço do leite, face a redução da oferta de pasto elevar a produção levaria a um aumento no consumo de ração, que em função do custo e estresse térmico ao qual o gado estava submetido, pelo menos em São Paulo, não incentivava o produtor aumentar sua produção.

A nós nos parece que a queda de preços ocorrida no segundo trimestre de 2013 foi alimentada muito mais pela perda de margem da indústria para o varejo, que em dezembro foi da ordem de 12% com relação à de setembro, do que por uma excessiva da produção de leite. Reforça essa nossa posição o fato de que o equivalente das importações de leite no período de julho a novembro de 2013 se mantiveram em torno da média de 105,6 milhões de litros, com variação máxima para mais de 6,6% e variação máxima para menos de 6,7%.
Resumindo, 2013 foi um ano em que o produtor de leite vinha recuperando o prejuízo de 2012, mas que quando começava a pensar em investir para melhorar sua produção e produtividade, no último trimestre recebeu uma ducha de água fria com a queda de preços num cenário nacional e internacional que na ótica do produtor não justificava a redução dos preços que recebia na intensidade com que foi praticada.

E o que esperar para 2014?

O mundo passa por graves problemas climáticos, que segundo os especialistas permanecerão por longo prazo, e que afetam a oferta, a demanda, os custos de produção e os preços dos alimentos de alimentos.

De outubro a dezembro de 2013 no Brasil tivemos sérias adversidades climáticas. Enquanto alguns municípios declaravam estado de calamidade pública por causa de chuvas o Nordeste era castigado por uma seca terrível. Em São Paulo choveu apenas 2170 mm ( apenas em 1989 choveu tão pouco ) e com distribuição muito ruim, e muitas vezes as chuvas vinham com frentes frias, com muita nuvem, pouca água e muito vento, situação não muito favorável para o crescimento dos pastos. Nesse período as temperaturas foram muito altas durante o dia com mínimas baixas a noite.

Nesse início de 2014 em que na região sudeste o produtor começou a fazer silagem para assegurar o volumoso para a entressafra de 2014, uma seca sem precedentes castigou a região, produzindo perdas de 30 a 50% e muitos perderam tudo, com a situação agravada pelo fato de grande parte dos produtores de leite não trabalharem com seguro agrícola.

É importante ter em mente que o estresse térmico provocado pelo calor intenso do final de 2013 e inicio de 2014 além da redução de produção nesse período causa problemas reprodutivos e tenderá a reduzir a produção a partir de setembro.

Semente, o adubo, defensivos, mão de obra e energia estarão elevados em 2014 elevando os custos de produção.

E nada indica que em termos climáticos 2014 será favorável para a produção de leite, ois parece que as adversidades climáticas deixaram de ser exceção e passaram a ser a regra.

Resumindo, 2014 deverá ser um ano difícil para o produtor de leite nacional, com custos de produção elevados.

Na Oceania nos últimos 20 meses a média do leite em pó integral superou US$ 5.000,00/T, e deverá permanecer nesse patamar em 2014 em função da demanda da China que continua aquecida e tende assim continuar em função do governo chinês ter afrouxado a política do filho único em função da necessidade de assegurar para o futuro mão de obra e a sustentabilidade do sistema previdenciário.

Com os preços no mercado mundial nesse patamar e um câmbio de R$ 2,30/US$, o leite importado chega ao Brasil pelo equivalente a R$ 1,40/litro, muito acima do que os produtores nacionais recebem. Vale a pena notar que o câmbio está girando hoje em torno de R$ 2,40/US$, e que os analistas mais otimistas acham que em 2014 se manterá neste nível, mas há analistas mais pessimistas que acham que o câmbio poderá chegar a R$ 2,60/US$. Isso sinaliza que o leite importado em 2014 não chegará aqui por menos de R$ 1,40/litro.

Se os preços aos produtores não se elevarem rapidamente, sinalizando que a indústria está disposta a pagar o suficiente para cobrir os elevados custos de produção e assegurar uma margem mínima ao produtor, a tendência para 2014 será de uma redução significativa na oferta.

E nesse caso, se uma crise econômica não solapar o ganho de renda familiar verificado nos últimos 10 anos provocando também redução da demanda, para evitar o desabastecimento, a indústria terá que pagar aos produtores preços bem maiores do que pagou em setembro de 2013, e ainda assim as importações de leite em pó terão que crescer muito, passando de uma média de 1,2 bilhões de litros equivalentes por ano para um valor muito mais alto, com um custo muito elevado para o País, pelo valor das importações, pelo preço elevado ao consumidor e pela perda de postos de trabalho e geração de renda interna.

No nosso entender a perspectiva para a pecuária de leite nacional e para o nosso mercado de leite e lácteos em 2014 é preocupante.

Marcello de Moura Campos Filho

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