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Manejo das ovelhas em lactação pode influenciar a produção e a qualidade do leite

POR RODRIGO MARTINS DE SOUZA EMEDIATO

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/04/2008

8 MIN DE LEITURA

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Produzir leite ovino ainda não é uma prática comum no Brasil e a ovelha possui algumas particularidades que precisam ser conhecidas para se ter sucesso na atividade. Existem vários métodos para se melhorar a produção e a qualidade do leite, no entanto, alguns outros são desconhecidos ou não são levados em consideração quando pretende-se "tirar" leite de ovelhas. Muitas pesquisas se dedicam ao aumento de produção e composição do leite através da alimentação e melhoramento genético. Estas linhas de pesquisa são importantes, porém, para algumas raças especializadas em produção de leite, após alguns anos de melhoramento, os resultados positivos começam a ser mais discretos e muitas vezes até economicamente inviável, e geralmente aumenta-se a mão-de-obra.

Antes é necessário entender alguns processos iniciais (de forma simples) que antecedem a ordenha.

Síntese do leite em ovelhas

Antes das ovelhas começarem a produzir o leite, há o crescimento e desenvolvimento mamário (ductos e alvéolos mamários) sob ação de alguns hormônios. Quando a glândula mamária está pronta, acontece a lactogênese, ou seja, a produção de leite propriamente dita, intermediada também por outros hormônios da hipófise que vão estimular as células secretoras de leite (Marnet, 1997).

Entretanto, uma vez que o leite é produzido, é necessário ordenhá-lo, caso contrário, o comprimento da lactação será prejudicado. O acúmulo de leite na glândula irá cessar os mecanismos celulares de secreção por dois motivos:

1º) A pressão interna do úbere sobre os alvéolos secretores podem destruir as células alveolares, impedir a transferência de leite dos alvéolos para a cisterna do úbere e diminuir a passagem passiva de elementos (sais minerais, proteína e vitaminas) do sangue para o leite.

2º) Com o acúmulo do leite, ocorre o aumento da concentração de peptídeos FIL (feedback inibidor da lactação) nos alvéolos ocorrendo assim, a inibição da síntese da lactose.

Figura 1 - Regiões e tecidos que compõem o úbere (Ribeiro, 1997)


Portanto, fica clara a importância de realizar ordenhas completas, sem deixar leite residual no úbere. Mas em ovinos, a participação da ovelha neste processo é fundamental, pois entre as ordenhas, o leite é parcialmente descarregado na cisterna (parte mais baixa do úbere), uma grande quantidade fica retido nos alvéolos e nos canais alveolares (galactóforos), (parte mais alta do úbere).

O leite alveolar possui maior teor de gordura do que o leite cisternal, pois os glóbulos de gordura possuem diâmetro maior do que os dos ductos que levam o leite dos alvéolos à cisterna. Em vacas e cabras isto não acontece. Para que este leite seja extraído, ele precisa ser expelido dos alvéolos pela pressão aplicada sobre a parede alveolar através das células mioepiteliais. Estas células se contraem espontaneamente, mas a ejeção do leite só será efetiva se for sincronizada com a liberação do hormônio ocitocina.

Figura2 - Seqüência de diagramas: grupos de alvéolos, células mioepiteliais e células secretoras de leite, respectivamente


Otimizando a ejeção do leite, ele vai descer para a cisterna aumentando a pressão cisternal e facilitará a sua saída para o cordeiro, durante a amamentação, ou para a ordenhadeira, durante a ordenha mecânica. Somente se todos estes processos ocorrerem é que vamos observar efeito da seleção genética e da alimentação e assim, o potencial de produção das ovelhas.

Estes mecanismos são controlados pelo sistema nervoso central, portando funciona como um modulador de resposta de estímulo do úbere. Isto significa que se houver cachorros latindo ou rondando próximo da ordenha, pessoas estranhas na sala de ordenha, troca repentina de ordenhador, cordeiros balindo nas proximidades, aplicação de medicamentos injetáveis, casqueamento ou barulho de tosquia na sala de ordenha podem inibir a liberação de leite e, portanto, a ejeção do leite alveolar.

Por outro lado, outros fatores podem facilitar a ejeção do leite, como permitir que os animais vejam o ordenhador (conhecido delas) antes dele começar a ordenha, ligar a bomba de vácuo enquanto as ovelhas entram nos canzis já abastecidos de concentrado, realizar a ordenha sem fazer muito barulho, são alguns exemplos.

Ejeção do leite

Em vacas leiteiras, a ejeção do leite geralmente acontece durante a massagem do úbere nos primeiros minutos da ordenha, mas nas ovelhas isto tem que acontecer durante os 2 a 3 minutos que duram a ordenha. Portanto, é necessário cuidado na seleção dos animais para ordenha mecânica (Marnet, 1997).

A ejeção do leite em ovelhas pode ser observada facilmente. Como há uma marcante separação entre o leite alveolar e cisternal, observa-se pelo menos 2 picos de ejeção de leite, o primeiro representa o leite da cisterna e o segundo o dos alvéolos, mas este último só ocorrerá se não houver estímulos contrários, já comentados anteriormente. Um terceiro pico pode ser observado no momento da esgota, este leite representa o leite que está armazenado nas "bolsas" formadas abaixo da linha das tetas. Quando a ejeção do leite é incompleta, a massagem no úbere feita pelo ordenhador pode estimular a ejeção do leite alveolar.

Com a mecanização das ordenhas, tornou-se importante selecionar ovelhas para "habilidade de ordenha" para melhorar a eficiência das máquinas e evitar sobre-ordenha, prejudicando a integridade das tetas e úbere e até mesmo induzir à mastite.

O leite de ovelha é utilizado principalmente para a produção de queijos, portanto a qualidade do leite é importante. Quando há a ordenha incompleta das ovelhas, na realidade está sendo ordenhado apenas o leite cisternal, o qual é pobre em gordura (1 a 3%), pois cerca de 70% da gordura fica retida na fração alveolar do leite, além de prejudicar a persistência da lactação (Labussière, 1988).

Existem uma boa correlação entre o leite cisternal e a produção de leite. Este volume representa cerca de 38% do leite total. O leite alveolar é de cerca de 34% e os 28% restantes representam o leite residual, portanto, a esgota é obrigatória em ovelhas, pois pode representar quase 1/3 da produção. Vale lembrar que este leite residual está relacionado com a morfologia do úbere e não a um problema de ejeção do leite. Programas de seleção para morfologia mamária podem diminuir a quantidade de leite residual (Marnet, 1997).

A seleção apenas para produção de leite resultam em úberes com maiores "bolsas" abaixo da linha das tetas e estas ficam ainda mais horizontais, dificultando a colocação das teteiras e a esgota completa do úbere, podendo comprometer a saúde do úbere com a constante "queda" das teteiras durante a ordenha, aumentando o risco de contaminação por microrganismos. A seleção para ovelhas de leite deve visar a produção e morfologia do úbere, visando úberes com tetas inseridas na posição o mais vertical possível.

Figura 3 - Ângulos de inserção das tetas em vacas, cabras e ovelhas


Figura 4 - Comparação de duas conformações de duas raças leiteiras de ovelhas, Manchega (espanhola) e Lacaune (francesa). Fonte: (Rovai 1999)


Figura 5 - Comparação de úberes antes e depois da ordenha. Linhas pontilhadas marcam a linha de inserção das tetas


Manejo de ovelhas em ordenha

Ovelhas para produção de leite são criadas como vacas de leite, geralmente criadas intensivamente e os cordeiros são desmamados logo após a ingestão do colostro e então são alimentados artificialmente. Em alguns sistemas, pode-se amamentar o cordeiro até a desmama, para só então começar a ordenha.

De acordo com Labussiére (1988), quanto mais as ovelhas amamentarem seus cordeiros, mais dificuldade elas terão para se adaptar à ordenha mecânica e para liberar a ocitocina durante a ordenha e de acordo com a raça, observa-se queda de produção de 23 a 35%. Segundo o mesmo autor, apenas com a redução na freqüência de ordenhas completas (com esgota do úbere) a queda pode ser de 20 a 25%.

No sistema misto de produção de leite, a produção não diminui até a desmama, pois como os cordeiros têm acesso às mães diariamente, após a ordenha, ocorrem freqüentes esgotas do úbere durante o dia, no entanto, a ordenha mecânica deste período não é muito eficiente, pois há falhas na liberação da ocitocina e, portanto, apenas o leite cisternal é ordenhado.

A proximidade dos cordeiros aos canzis da sala de ordenha permite a restauração do reflexo de ejeção do leite, demonstrando a necessidade do "efeito cordeiro" no sistema misto, influenciado principalmente pelo sistema olfatório o visual das ovelhas. Deste modo, consegue-se ordenhar o leite cisternal e alveolar, recuperando um leite com suas características normais.

Ordenha mecânica

A ordenha mecânica deve ser estimulante o suficiente para assegurar a ejeção do leite durante o curto tempo de ordenha. A regulagem do equipamento é também muito importante. Experimentos mostraram que a sucção dos cordeiros representa uma pulsação de 180 ppm (pulsos por minuto), mas comparando diversas taxas não observou-se diferenças com pulsações maiores do que 120 ppm. Abaixo de 60 ppm observa-se drenagem incompleta do úbere e abaixo de 50 dificuldade de drenar o leite das tetas.

Estudos sobre a liberação da ocitocina e a taxa de pulsação mostraram que abaixo de 120 ppm o estimulo para liberação da ocitocina é muito fraco e as teteiras caem com mais freqüência. Apesar de a pressão de vácuo utilizada para ovelhas variar de 36 a 53 kPa (kilo Pascal) dependendo do grau de inserção e comprimento das tetas, mas recomenda-se 36 kPa, pois geralmente a conformação de úbere dos rebanhos é desuniforme e considerando o peso dos conjuntos de ordenha, maiores pressões de vácuo podem causar graves danos às tetas, com prolapso de esfíncter e uma possível mastite.

Considerações finais

O leite de ovelhas apresenta uma certa variação entre raças, mas sempre dentro de um padrão normal. O leite é armazenado em duas câmaras distintas, onde apresentam concentrações de sólidos diferentes, principalmente gordura, sendo maior nos alvéolos. Portanto, quando por algum problema há retenção de leite nas ovelhas, o leite que for ordenhado será de pior qualidade quando comparado com um leite "normal". A nutrição e a seleção de caracteres mamários são importantes em um sistema de produção de leite, mas sem um manejo adequado pode-se colocar a perder todo o investimento para melhorar o sistema e o produto que será obtido será inadequado para o seu principal fim, que é a produção de queijos e derivados de qualidade.

Bibliografia consultada

RIBEIRO, S.D.A. Caprinoculltura, criação racional de caprinos. Ed. Nobel. 1997.
LABUSSIÈRE J. 1988. Review of physiological and anatomical factors influencing the milking ability of ewes and the organization of milking. Livestock Production Science, 18, 253-274

MARNET, P.G. Ewe management for improved milk yield and quality. Pages 10-16 in Proc. 3th Great Lakes Dairy Sheep Symp., Univ. Wisc.-Madison, Dept. Anim. Sci. and Univ. of Vermont, Cntr. Sustainable Agric. 1997.

RODRIGO MARTINS DE SOUZA EMEDIATO

Consultoria no planejamento da atividade, dimensionamento de instalações, pastagens, implantação de pastagens, controle de pragas, balanceamento de dietas, manejo sanitário, reprodutivo e elaboração de um plano de melhoramento genético do rebanho.

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ADRIANA NEVES

SOBRADINHO - DISTRITO FEDERAL - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 03/05/2013

Precisamos realmente dos esclarecimentos em cima desta atividade, sem  rodeios, mais praticas de campo que é isso que o produtor quer.

Sei que se precisa das pesquisas e de todo o estudo, agora o homem que está no campo no dia a dia que saber logo o resultado, vai ou não funcionar.

Muito bom ler seu estudo. Obrigada.
SILVIA MITIKO NISHIDA

BOTUCATU - SÃO PAULO

EM 01/08/2008

Olá Rodrigo

Primeiro, fico orgulhosa pela qualidade do material disponibilizado por um acadêmico egresso da nossa Universidade. Parabéns.

Eu estava a procura de material sobre ovinocultura leiteira por conta de uma tese e para aproveitar a pesquisa bibliográfica para o curso de Comportamento Animal e Bases de Fisiologia para a Agronomia. Resolvi vários problemas de forma eficaz. Obrigada. Continuarei a visitar.

Abraços
RODRIGO MARTINS DE SOUZA EMEDIATO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 26/05/2008

Prezada Elídia Santos,

Obrigado pelo comentário,

Vamos às suas respostas:

1) Concentrado para ovelhas em lactação: Durante a lactação, é o período fisiológico em que as exigências nutricionais são máximas (qualquer animal de produção - bovinos, caprinos, ovinos, suinos, etc), pois é o momento em que a matriz (mãe) tem que produzir leite para alimentar seu filhote, seu sistema reprodutivo encontra-se em processo de regressão (involução), geralmente seguido de algum grau de infecção uterina, encontra-se em recuperação da capacidade de ingestão, que foi sendo reduzida no terço final de gestação. O concentrado "funciona" como um alimento de maior densidade nutricional, ocupando menor volume no rumen, em um momento complicado da matriz. Portanto, o concentrado é essencial para animais de produção de leite (cabras, ovelhas, vacas e búfalas), caso contrário, elas irão emagrecer, produzir menos leite e apresentar a lactação mais curta.

2) bST - Somatrotopina Bovina: A somatrotopina ovina diferencia-se da bovina por apenas 1 aminoácido, mas a bovina é biologicamente ativa em ovelhas, portanto pode ser usada sem problemas. Em um artigo, usando ovelhas leiteiras da raça Chios (Grega), aplicaram 160 mg de bST a cada 14 dias durante toda a lactação. Neste artigo não foi observado diferença entre os grupos para persistência de lactação, mas apresentou maior produção de leite no pico de lactação (2,07 vs 2,46 litros/ovelha) e os animais que receberam bST produziram 22,2% mais leite durante toda a lactação, que durou 182 dias em ambos os grupos.

3) Procura pela atividade: Tem-se observado uma crescente procura pela atividade. Na Unesp de Botucatu/SP, onde fiz o mestrado, possui a Unidade de Pesquisa em Produção de Leite Ovino, e alguns produtores e possíveis investidores, têm procurado o Prof. Edson para obter mais informações sobre o assunto. Muitos pensam em algo artesanal, diferenciado ou orgânico, outros pensam em algo mais profissional e maior. Alguns vão por curiosidade. Ou seja, está no início, mas tendendo a crescer com consistência. Sei de iniciativas no RS, SC, RJ e SP.

Concluindo: não é comum encontrar experimentos do uso de bST com ovelhas leiteiras e estes resultados acima é de apenas 1 trabalho. Seria necessário aprofundar mais a revisão bibliográfica para termos uma opinião mais concreta, mas aparentemente, o bST tem efeito positivo sobre a produção e não atera a composição do leite, nem a qualidade, em ovinos. É preciso fazer um estudo econômico para fechar o raciocínio sobre o assunto.

Um abraço,
ELÍDIA ZOTELLI DOS SANTOS

SÃO PAULO - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 15/05/2008

Olá Rodrigo,

Parabéns pelo artigo, esclarecedor, debatendo a fisiologia individual de ovelhas leiteiras, gostei muito dos dados e das fotos.

Gostaria de saber se na realidade das poucas propriedades que fazem este tipo de criação de ovinos, se acontece o uso de um concentrado para estas fêmeas e se há indicativos técnicos mostrando aumento, e uso de somatotropina para aumentar os picos e persistência, e qual a média destes dados.

E tbm de saber se você vendo na sua área se há muita procura dos produtores para começar este tipo de criação
RODRIGO MARTINS DE SOUZA EMEDIATO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 05/05/2008

Prezado Sr. Jorge A. O. Mayer,

Obrigado pelas palavras, acredito que é este a principal função do portal: compartilhar e concentrar as informações de todo Brasil em um local de fácil acesso. Sempre tento passar as informações, muitas vezes complexas, da forma mais simples possível, para ser útil. Com relaçào aos ovinos leiteiros, como já comentei, é uma questão de tempo para que aqueles mais desconfiados invistam na atividade.

Um abraço,
JORGE ALMIR DE OLIVEIRA MAYER

SANTA MARIA - RIO GRANDE DO SUL

EM 01/05/2008

Parabéns por esta pérola! Para nós que estamos começando esta atividade, ainda considerada nova, todas essas informações serão de suma importãncia,obrigado por estas fotos explicativas,com ascesso a estas informações tenho certeza que se tornara muito mais facil seguir em frente ,tendo sucesso nesta atividade escolhida,grande abraço e até breve.
RODRIGO MARTINS DE SOUZA EMEDIATO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 24/04/2008

Prezada Neyd,
Muito obrigado.
Realmente a ovinocultura de leite é muito recente, mas acredito que é apenas uma questão de tempo para ter alguma importância no agronegócio brasileiro.
Um abraço

Rodrigo
NEYD M M MONTINGELLI

CURITIBA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 23/04/2008

Parabéns pelo artigo.
Eu gosto muito de ver trabalhos como o seu: interessados, completos, demonstrativos. Fornece informações importantes para atividade. Fotos muito explicativas.
Mesmo sendo um ramo novo no agronegócio, o incentivo à informação só traz benefícios à atividade que é promissora.
Neyd M.M.Montingelli
Curitiba/Pr
JEAN PIER BASSO

SÃO MIGUEL DO OESTE - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE OVINOS DE LEITE

EM 22/04/2008

Caro Sr.Rodrigo

Primeiramente, queria parabenizá-lo pela iniciativa e a escolha dessa atividade promissora que é a ovinocultura de leite.Aqui na nossa região, no oeste de Santa Catarina, em parceria com a empresa Laticínios Cedrence, estamos iniciando a produção de leite ovino para a fabricação de queijo de ovelha.No final do ano passado, adquirimos as primeiras matrizes da raça Lacaune e estamos em fase de formação de plantel através de cruzamentos absorventes com outras raças que possuímos na fazenda.

A atividade, do ponto de vista econômico, se apresenta como uma grande alternativa de renda para os produtores devido ao preço pago pelo leite ser até quatro vezes maior em relação ao leite bovino, mas apesar de a atividade ser muito atrativa, temos ciência que é um ramo relativamente novo na agronegócio brasileiro e sentimos muita carência de trabalhos científicos na literatura para crescermos de uma forma sustentada e diminuir os erros que inevitavelmente acomete produtores que estão iniciando uma nova atividade.

Novamente, agradeço o empenho em mostrar para os produtores do nosso Brasil a potencialidade e os novos caminhos que surgem no agronegócio fazendo com que nós, do setor produtivo, tenhamos alternativas para agregar maior renda a nossas propriedades.



<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Jean Pier Basso,

Bom dia e obrigado pelo comentário, é sempre bom ter uma interação com os leitores do site.

Pesquisas no Brasil direcionadas especificamente para leite que eu tenho conhecimento, começaram em 2004 na UNESP em Botucatu. Lá existe uma unidade de pesquisa somente para pesquisa em produção de leite ovino. No resto do mundo existe já bastante coisa sobre o assunto, mas aparentemente nenhum país de clima tropical possui produção expressiva de leite, o que torna importante avaliarmos com mais cuidado as informações que temos, pois aqui no Brasil pode ser necessário fazer uma adaptação (principalmente climática). Mas acredito que é uma questão de tempo e que mais este ramo da ovinocultura cresça no nosso país.

Se tiver interesse, acesse o link abaixo, é a página da pós-graduação da zootecnia da UNESP de Botucatu, no link está a minha dissertação de mestrado em pdf. Acredito que as considerações iniciais podem lhe interessar.

http://www.fmvz.unesp.br/PosGraduacao/Zootec/Dissertacoes_Teses/pg_aviso.php?nome=Rodrigo_Emediato.pdf

Um abraço

Rodrigo M. S. Emediato
Zoot. MSc Nutrição e Produção Animal
Doutorando Qualidade e Produtividade Animal - USP
MilkPoint AgriPoint