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Irrigar é diferente de molhar o pasto

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/08/2006

3 MIN DE LEITURA

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Irrigar é diferente de molhar o pasto. O manejo adequado da irrigação exige conhecimentos sobre o consumo e a necessidade de água das plantas. A água é um dos principais fatores que limitam o desenvolvimento das plantas. No Brasil, grandes áreas de pastagem estão localizadas em regiões sujeitas a períodos de estresse por deficiência hídrica.

Conhecer o comportamento das plantas forrageiras em condições de estresse por déficit hídrico possibilita a adoção de práticas de manejo que melhorem a utilização do pasto, sem desperdiçar recursos naturais importantes para a humanidade.

Voltam et al. (2006) avaliaram a resposta do capim-tanzânia ao estresse hídrico na fase de estabelecimento. O experimento foi conduzido em casa-de-vegetação na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos-SP. Foram avaliados três níveis de disponibilidade de água (100, 60 e 30% do total de água disponível do solo) e três períodos de estresse (5, 10 e 15 dias) em uma delineamento em blocos completos ao acaso com arranjo fatorial e três repetições.

Durante o período de estabelecimento, todos os vasos foram irrigados de modo a atingir a capacidade de campo. A disponibilidade de água no solo foi monitorada diariamente por meio da pesagem dos vasos e da reposição de água, quando necessária. Os níveis de 60 e 30% de disponibilidade de água só foram atingidos aos 5 e 10 dias após o início dos tratamentos, respectivamente. No momento das coletas, feitas no quinto, décimo e décimo quinto dias após o início do período de estresse, foi determinada a massa seca de folhas, hastes e raízes.

Uma vez que os níveis de estresse propostos só foram atingidos após a primeira coleta, os autores não observaram efeito dos tratamentos sobre as variáveis analisadas na coleta realizada aos cinco dias de estresse (Voltam et al., 2006; Tabela 1).

Na segunda coleta (10 dias de estresse), a massa seca da planta inteira foi menor no tratamento com 30% de disponibilidade de água em relação aos demais tratamentos. Houve, principalmente, redução do desenvolvimento da parte aérea (Voltam et al., 2006; Tabela 1). Aos 10 dias de estresse, a redução relativa de massa seca do tratamento com 30% de reposição hídrica foi de 61,6% para folhas, 36,5% para hastes, 44,0% para raízes e 48,0% para a planta inteira. Esse resultado indica uma possível tolerância do capim-tanzânia a períodos curtos de estresse moderado (60% de água disponível no solo). A redução da massa seca de folhas no tratamento com 30% de reposição hídrica mostra um mecanismo de preservação da planta por meio da diminuição do consumo de água.

Na última coleta (15 dias de estresse) evidenciou-se a diferença de produção de massa seca da planta inteira, de folhas, de hastes e de raízes, que foi maior para a testemunha em relação aos tratamentos com estresse hídrico (Voltam et al., 2006; Tabela 1). A redução relativa de massa seca do tratamento com 30% de reposição hídrica foi de 92,5% para folhas, 90,7% para hastes, 79% para raízes e 85,8% para a planta inteira. Comparando-se esses resultados aos obtidos na segunda coleta (10 dias de estresse) observa-se que a planta diminui, primeiramente, a produção de folhas, e, depois, de hastes e raízes.

Tabela 1: Produção de matéria seca.


A partir dos resultados obtidos, os autores concluíram que: o capim-tanzânia apresenta mecanismos de adaptação ao estresse hídrico moderado em curtos períodos de tempo, reduzindo principalmente o desenvolvimento de folhas; a cultura sofre redução acentuada da massa seca quando submetida a estresse hídrico severo e prolongado; durante a fase de implantação em áreas irrigadas, a reposição de água deve ocorrer quando a umidade do solo atingir 60% do armazenamento total (Voltam et al., 2006).

Comentário dos autores

A simples aplicação de água no pasto não pode ser considerada como irrigação. Irrigar pastagens requer técnica e conhecimento. A definição da freqüência e da lâmina de irrigação dependem da necessidade e do consumo de água das plantas. O trabalho de Voltam et al. (2006) mostra que a reposição de água em áreas de implantação de capim-tanzânia irrigado deve ser feita quando a umidade do solo atingir 60% do armazenamento total.

É importante observar, no entanto, que para garantir a germinação e o desenvolvimento inicial das plantas, deve-se manter úmida a camada superficial do solo (até 3 a 5 cm), uma vez que as sementes estão localizadas nesta faixa e que o sistema radicular inicial não é capaz de explorar o solo em profundidade.


Referência bibliográfica

VOLTAM, F.S.; LIMA, M.C.Q.de; GALLO, M.P.C.; MENDONÇA, F.C.; SANTOS, P.M. Comportamento de Panicum maximum cv. Tanzânia sob diferentes graus de estresse hídrico (compact disc). Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia, 43. 2006. João Pessoa-PB. 2006.

PATRICIA MENEZES SANTOS

FERNANDO CAMPOS MENDONÇA

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CLAUDIO FRANCA

RONDÔNIA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/07/2007

A irrigação é uma necessidade mundial, podemos considerar uma armadura social e econômica; não se limitada a pecuária leiteira, mas à alimentação mundial.

Com todos os requisitos adotados para controle hídricos, é inconcebível a mentalidade humana não adotar um comportamento padrão, para colocar a irrigação como a essencie future da alimentação humana. Questão conscientizar ou politicar?
RAPHAEL AMAZONAS MANDARINO

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/11/2006

Interessante a matéria. Sou estudante de agronomia e concordo que devemos nos atentar para evitar o desperdício.

Acredito também que a legislação barre um pouco o crescimento do mercado leiteiro, devido aos vários requisitos à implantação de uma irrigação. Ainda temos muito a evoluir e precisamos, acima de tudo, procurar a excelência em nossos pastos.
JOSÉ HENRIQUE W. HOLTERMANN

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 15/11/2006

A irrigação nas pastagens destinadas ao gado de leite trazem benefícios muito bem calculáveis: Aumente de até 8 litros por ordenha. A irrigação é o futuro do leite no Brasil, contudo, se não forem flexibilizadas as legislações ambientais sobre o tema e não forem criados programas específicos para a área, continuaremos patinando nesse e em tantos outros setores que não despertam o interesse governamental.
MARCOS ULIANA

DOIS VIZINHOS - PARANÁ - ESTUDANTE

EM 02/09/2006

Irrigação não é fácil de se fazer, embora que muita gente ache fácil de se fazer. Mas nos dias de hoje essa prática deve ser controlada no máximo para que não ocorram desperdícios.
RONEY MENDES DE ARRUDA

CÁCERES - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO

EM 31/08/2006

Muito pertinente esta matéria, pois tem pessoas gastando dinheiro e explorando inadequadamente o recurso hídrico, que é limitado. Podemos e devemos racionalizar este uso.
MilkPoint AgriPoint