ESQUECI MINHA SENHA CONTINUAR COM O FACEBOOK SOU UM NOVO USUÁRIO
FAÇA SEU LOGIN E ACESSE CONTEÚDOS EXCLUSIVOS

Acesso a matérias, novidades por newsletter, interação com as notícias e muito mais.

ENTRAR SOU UM NOVO USUÁRIO
Buscar

Fibra fisicamente efetiva para vacas leiteiras: revendo conceitos

POR ALEXANDRE M. PEDROSO

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/06/2006

6 MIN DE LEITURA

3
0
Já se vão quase 10 anos da primeira proposta de uso da fibra fisicamente efetiva como um dos parâmetros a se considerar na formulação de rações para vacas leiteiras. Desde então, a FDNfe vem sendo largamente utilizada (bem e mal) por nutricionistas em todo o mundo.

A definição mais correta da FDNfe é a que a caracteriza como a fração da fibra que estimula a mastigação e contribui com a manutenção do "mat" ruminal, aquela camada de partículas longas que flutua sobre o conteúdo ruminal. A principal característica física relacionada à FDNfe é o tamanho de partículas da forragem ou da ração completa, de forma que muitos esforços têm sido destinados à determinação de técnicas confiáveis para a determinação do tamanho de partículas que possam dar estimativas corretas da atividade de mastigação dos animais.

As recomendações mais consistentes a respeito de tamanho de partículas disponíveis na literatura são as publicadas pela equipe da Pennsylvania State University, dos EUA, que desenvolveu uma metodologia muito eficiente para medir o tamanho de partículas de forragens e rações completas, com o uso de um aparelho bastante simples, o Separador de Partículas Penn State (SPPS).

É um conjunto de bandejas perfuradas, dispostas umas sobre as outras, sendo que cada uma tem perfurações de diâmetros diferentes, com a de aberturas maiores disposta na parte superior do conjunto e a de aberturas menores na parte inferior. A bandeja superior tem aberturas com diâmetro de 19 mm, a segunda tem aberturas de 8 mm e a terceira de 1,18 mm. A bandeja inferior não tem aberturas, e recolhe as partículas que passaram pela bandeja de 1,18 mm.

A recomendação atual para uma distribuição adequada de tamanho de partículas é dada na tabela 1. Esses dados são resultado de diversos trabalhos de pesquisa e observações de campo, e devem ser usados com guia para o monitoramento do manejo alimentar de rebanhos leiteiros.

Tabela 1. Recomendações de tamanho de partículas de forragens e rações completas.


Adaptada de Heinrichs & Kononoff (2002) e Kononoff (2005).

Um trabalho que acaba de ser publicado no Journal of Dairy Science (edição de julho - Yang & Beauchemin, 2006) traz uma questão bastante interessante. O aumento no teor de FDNfe de rações para vacas em lactação pode reduzir a eficiência alimentar. Pelo menos isso é o que diz o título do trabalho. A hipótese dos autores é a seguinte: as características físicas dos alimentos, como o tamanho de partículas, afetam a digestão ruminal, taxa de passagem, e a síntese de proteína microbiana, afetando com isso a digestibilidade total do alimento. A redução no tamanho médio de partículas de rações de vacas leiteiras pode contribuir para aumentar o consumo de matéria seca, em função do aumento na taxa de passagem dos alimentos pelo trato digestivo.

Porém, nessa situação, os alimentos permanecem menos tempo no rúmen, de forma que a digestibilidade ruminal, principalmente da fibra, pode ser reduzida, o que vai causar redução na digestibilidade total dos alimentos. Além disso, diferentes autores mostram aumentos na eficiência microbiana e na digestão de proteínas no rúmen e/ou no trato total com o aumento no tamanho de partículas da forragem.

O grande problema para avaliar dados de trabalhos que avaliaram os efeitos de diferentes tamanhos de partículas sobre o desempenho de vacas leiteiras é a grande variedade de métodos usados para analisar o tamanho das partículas dos alimentos, o que dificulta muito as comparações.

De todos os métodos citados na literatura, o SPPS é o que vem sendo mais utilizado por nutricionistas e pesquisadores, pela facilidade de uso, pelo baixo custo e pela confiabilidade dos resultados. Baseado em dados obtidos com o uso do SPPS, diversos estudos recentes mostraram que o aumento no consumo de FDNfe aumentou a atividade de mastigação e o pH ruminal, além de aumentar a digestibilidade total dos alimentos e o teor de gordura do leite. No entanto, outros estudos não mostraram influência da FDNfe sobre a digestibilidade da ração e composição do leite, ou mesmo efeitos negativos sobre a digestibilidade.

Como os dados relativos à FDNfe não são consistentes, ainda não se sabe qual o teor ideal dessa fração nas rações de vacas leiteiras. Faltam informações envolvendo diferentes tipos de forragens e concentrados para que se construa um banco de dados confiável. Em função disso, decidiu-se realizar o estudo em questão, no qual se avaliou os efeitos do aumento na concentração de FDNfe na dieta de vacas em lactação sobre o consumo de MS e desempenho dos animais.

As dietas continham silagem de cevada como volumoso, e os tratamentos foram determinados de acordo com o tamanho médio de partículas: fino (tamanho teórico de corte de 4,8mm), médio (proporções iguais de silagem longa e fina) e longo (tamanho teórico de corte de 9,5mm). O teor de FDNfe de cada tratamento foi determinado multiplicando-se a proporção de partículas (em base seca) retidas nas 2 peneiras superiores do SPPS pelo teor de FDN da dieta, sendo que os valores obtidos foram de 10,5, 11,8 e 13,8% de FDNfe para os tratamentos fino, médio e longo, respectivamente. Todas as dietas tinham composição bromatológica similar, pois a única fonte de variação era o tamanho das partículas da silagem. Os dados de consumo e desempenho estão na tabela 2.

Tabela 2. Efeitos do aumento no teor de fibra fisicamente efetiva (FDNfe) na dieta sobre a produção e composição do leite de vacas leiteiras.


Adaptada de Yang & Beauchemin (2006)

Houve uma tendência de aumento no CMS para o tratamento médio, em relação aos demais, mas essa diferença desapareceu quando se considerou o consumo em relação ao peso vivo dos animais. Também se observou tendência de redução na digestibilidade da MS das dietas com o aumento no teor de FDNfe. Com relação aos parâmetros de produção e composição do leite, só se observou uma tendência de queda no teor de proteína do leite como o aumento na concentração de FDNfe nas dietas. Não houve qualquer efeito sobre a produção de leite, nem sobre a produção de leite corrigido para 4% de gordura.

Apesar de não haver recomendações definidas para efetividade de fibra em dietas de vacas leiteiras, é senso comum entre os nutricionistas de que o tamanho de partículas é um item importante a se considerar na formulação de rações, especialmente no que se refere à redução no risco de ocorrência de acidose. Os efeitos do teor de FDNfe da dieta sobre o CMS pode depender de quais fatores são mais limitantes ao consumo em cada situação.

Os autores do trabalho em questão argumentam que é possível que, neste caso, a falta de efeitos do teor de FDNfe sobre o consumo possa significar que fatores metabólicos, e não físicos, limitaram o CMS dos animais no experimento. Com isso, mesmo com tendência de maior digestibilidade para a dieta com menor tamanho de partículas, não houve diferenças no consumo.

A falta de efeitos sobre os parâmetros produtivos também não foi surpresa, face à ausência de diferenças no CMS. Os autores citam que diversos outros trabalhos recentes também não mostraram efeitos do tamanho de partículas sobre a produção e composição do leite. Respostas em produção de leite refletem primariamente diferenças no CMS ou no consumo de amido quando se altera o tamanho de partículas da forragem.

Os valores de eficiência alimentar ficaram dentro do esperado pelos autores, uma vez que metade das vacas avaliadas encontrava-se em final de lactação, período no qual boa parte dos nutrientes ingeridos é destinada à reposição da condição corporal.

Com base nos resultados, observa-se que uma concentração de FDNfe equivalente a 10% da MS total da dieta foi adequada para manter o teor de gordura do leite em torno de 3,5%. Como conclusão, os autores argumentam que o aumento na concentração de FDNfe a fim de estimular a mastigação, minimizando o risco de ocorrência de acidose, deve ser bem avaliado face à possibilidade de redução na digestibilidade da dieta, o que pode resultar em menor síntese de proteína microbiana no rúmen, levando a uma menor eficiência alimentar e produtiva.

Literatura consultada

HEINRICHS, J.; KONONOFF, P. J. Evaluating particle size of forages and TMRs using the New Penn State Forage Particle Separator. Pennsylvania State University, College of Agricultural Sciences, Cooperative Extension DAS 02-42. 2002, 14 p.

KONONOFF, P. J. Understanding Effective Fiber in Rations for Dairy Cattle. University of Nebraska-Lincoln Extension G1587. 2005, 4 p.

Yang, W. Z.; Beauchemin, K. A. Increasing the Physically Effective Fiber Content of Dairy Cow Diets May Lower Efficiency of Feed Use. Journal of Dairy Science, Vol. 89, No. 7, p. 2694-2704, 2006.

ALEXANDRE M. PEDROSO

Engenheiro Agrônomo, Doutor em Ciência Animal e Pastagens, especialista em nutrição de precisão e manejo de bovinos leiteiros

3

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

GLADSTON PEREIRA DOS ANJOS

ARACAJU - SERGIPE - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/06/2013

Bom dia,



Pode ser utilizado somente cevada umida como volumoso para vacas com produção de 15/20kg/dia? Se possível, qual seria o concentrado para compor o teor de fibra, energia, proteína, etc, contendo: caroço de algodão, fuba de milho, farelo de soja, ou outro produto indicado?



Obrigado.
LAERCIO

ERECHIM - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/09/2011

Parabéns ótimo trabalho, necessitamos cada vez mais de proficionais interessados em melhorar a produtividade em nossa cadeia leiteira no país, dessa formar buscando cada vez mais o limite de produção coletivo de nossos rebanhos leiteiros.
JOVANI SCHERER BECKER

JÚLIO DE CASTILHOS - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/08/2006

Fantástico este trabalho, precisamos pesquisar mais sobre este assunto porque é um fator limitante em vacas de alta produção. Parabéns.
MilkPoint Logo MilkPoint Ventures