FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO
Buscar

Ferramentas de manejo de pastagem para ovinos e caprinos

POR CESAR HENRIQUE ESPÍRITO CANDAL POLI

E ALDA LÚCIA GOMES MONTEIRO

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/02/2009

6 MIN DE LEITURA

6
0
A produção de ovinos no mundo está historicamente relacionada com a utilização das pastagens. Oportunamente, o NRC (2007) classifica os ovinos, "segundo o tipo morfológico alimentar, como consumidores de gramíneas/forragens, devido ao sistema de fermentação altamente desenvolvido que os habilita a digerir frações celulósicas das paredes das células vegetais, que caracterizam o elevado conteúdo em fibra das dietas com gramíneas". Já os caprinos são classificados como "animais que consomem dietas mistas e forragens, conforme a estação do ano e a oportunidade; buscam as porções mais concentradas do material vegetal, tais como frutos e sementes."

Em muitos países, a ovinocultura é atividade extremamente importante economicamente, como é o caso da Austrália, Nova Zelândia e Europa Mediterrânea. Em outros, a caprinocultura tem papel social relevante, como em países da Ásia. No caso do Brasil, a ovinocultura e a caprinocultura vem sendo frequentemente citadas como atividades em expansão, porém padecem em aspectos ligados principalmente à questão comercial. Vê-se então que, no Brasil existe grande ansiedade em relação ao tema ligado à comercialização. Para justificar o debate e o aprofundamento neste tema nos últimos anos, em vários eventos por todo o Brasil, basta dizer que 95% da carne ovina e caprina comercializada no Brasil ainda provêm da informalidade.

Um dos pontos fundamentais para o sucesso de qualquer criação animal é o bom uso dos recursos alimentares disponíveis. O conhecimento do manejo das pastagens e de como usá-la de forma oportuna fazem parte desse contexto. Existem diversas ferramentas que podem ser usadas para tentar atingir as metas de cobertura de forragem, ou altura de pastagem, na criação de ovinos e caprinos.

O método de utilização da pastagem é uma forma de controlar a cobertura de pastagem de modo a ajustar as necessidades do pasto e o requerimento dos animais. Algumas comparações entre métodos de pastejo foram realizadas em nosso meio. Entretanto, é difícil traduzir os seus resultados, pois a uniformização de alguns parâmetros tem grande influência no resultado. Na tentativa de fazer uma comparação justa entre métodos de pastejo, Barbosa et al. (dados não publicados) levou em consideração a duração de vida da folha. Esse trabalho mostrou melhor desempenho em ganho médio diário de cordeiros em sistema que permitiu maior seleção da dieta pelos animais. Nesse sentido, o sistema contínuo pode levar vantagem, pois no sistema rotativo há, em geral, maior restrição de área para seleção da dieta. Por outro lado, o pastejo rotativo tem mostrado ser ferramenta que permite maior carga animal, com maior eficiência de colheita de forragem (Barbosa et al., dados não publicados).

Na Nova Zelândia, Matthews et al. (1999) comentam que a informação mais importante para ajustar o método de pastejo a ser usado é a taxa de crescimento da pastagem. O princípio geral do método de utilização da pastagem é que, assim que a taxa de crescimento aumenta, a velocidade de rotação deve diminuir, e vice versa. Rotação rápida (períodos de descanso e de pastejo curtos) é semelhante ao método contínuo de utilização da pastagem. A rotação deve então, ser guiada pela condição da pastagem. Na realidade, o método rotativo é designado para intensificar a pressão em determinada área por tempo limitado e, então, permitir o controle do consumo dos animais e a economia de pastagem nos piquetes que serão pastejados à frente. Essa é uma forma que deve ser melhor testada em nosso meio com pastagens perenes, pois no Brasil de forma geral, utiliza-se o sistema rotativo mais em períodos de maior taxa de crescimento da pastagem, para controlar o crescimento e uniformizar o pastejo, e poucas vezes se pensa que o produtor pode ter os dois métodos de utilização da pastagem como a forma adequada de manejá-la. Assim, melhor que comparar os dois métodos é conhecer as suas características e utilizá-los de forma a ajustar a demanda animal com a produção da pastagem.

O método de utilização pode ser aplicado também para alterar as características da pastagem. Wright et al. (2001) verificaram, no início da estação de crescimento, que o pastejo mais pesado em azevém perene e trevo branco aumentou o afilhamento e reduziu os perfilhos reprodutivos no final da estação de crescimento, aumentando também a quantidade de trevo branco na mistura. Outro exemplo usado na Nova Zelândia (Matthews et al., 1999) é o uso do pastejo rotativo para controle de plantas indesejáveis ("limpeza de campo"), gerado por elevada carga animal e por uniformidade de pastejo em cada subdivisão do potreiro.

A adubação é outra ferramenta que tem importante influência no desempenho de ovinos. Dentre os vários nutrientes, o nitrogênio (N) é um dos elementos mais limitantes, sendo indispensável em qualquer tentativa de aumentar a eficiência do uso da energia solar. A adubação nitrogenada é uma alternativa que o produtor pode usar no sentido de intensificar a produção de ovinos com pastagens com predominância de gramíneas. O efeito do nitrogênio na produção de ovinos está bem claro no trabalho de Freitas (2003) que utilizou ovelhas e cordeiros ao pé da mãe em pastagem de azevém anual. Conforme Freitas (2003), o efeito do nitrogênio se dá sobre o aumento da capacidade de suporte da pastagem, mais do que sobre os desempenhos individuais dos animais. Como se observa na Figura 5, o ganho de peso dos cordeiros ao pé da mãe não foi afetado pelas diferentes doses de nitrogênio. O ganho de peso por hectare aumentou de forma linear e positiva à adição de nitrogênio. O tratamento de menor aplicação de nitrogênio produziu 220 kg de PV/ha e o tratamento de maior aplicação produziu mais de 500 kg de PV/ha. O coeficiente de regressão do modelo indica a produção de 1 kg de PV/ha para cada 1 kg de nitrogênio aplicado na pastagem. Esta relação é fundamental para se atestar a economicidade da adubação. O aumento do ganho de peso por área é conseqüência do efeito do nitrogênio sobre a produção de forragem.

Figura 6. Desempenho individual e por área de ovelhas com cria em pastagens de azevém adubadas com diferentes doses de nitrogênio (Freitas, 2003).



Este não efeito das doses de N no desempenho individual dos animais também é relatado por Carassai (2006), utilizando cordeiras em pastagem nativa, onde o ganho médio diário, condição corporal e taxa de prenhez não diferiram entre os níveis de nitrogênio aplicados. No que se refere à carga animal, a mesma apresentou resposta positiva à aplicação de N, onde a cada kg de N aplicado, verificou-se aumento de carga animal em 8,7 kg PV/ha (y = 8,74325x + 597,2458; R2 = 0,4187).

O uso de colheita de parte da pastagem na forma de feno ou silagem é outra ferramenta que pode ser usada para se obter a altura da pastagem e a cobertura de massa de forragem recomendadas. Isso deve ser feito quando o crescimento da pastagem é maior do que a capacidade de consumo dos animais (Poli & Carvalho, 2001). Nesse caso, parte da área a ser utilizada como pastagem pode ser fechada para o corte. O método rotativo facilita a prática dessa ferramenta por oportunizarem a ocorrência de áreas em descanso que podem ser colhidas para esse fim. Isso ocorre frequentemente em sistemas de lotação rotativa em que se utilizam pastagens tropicais eretas, como o Tanzânia e o Mombaça, por exemplo.

Por outro lado, se houver falta de forragem, outra possibilidade é o desmame precoce dos cordeiros. Nesse caso, as fêmeas secas podem ser colocadas em pastagem de pior qualidade, uma vez que sua exigência nutricional é baixa. Para que o desmame precoce dê certo é fundamental colocar os cordeiros em pastagens conhecidamente com baixa contaminação de helmintos e com folhas de fácil acesso aos animais. Ribeiro (2006) e Poli et al. (2008) comparando diferentes sistemas de produção de cordeiros, mostraram a necessidade do cordeiro em ter alimentação de boa qualidade e prontamente disponível, bem como a importância de colocar ovinos jovens em áreas livres de parasitos gastrintestinais devido à provável redução de imunidade dos cordeiros desmamados. Nesse caso, o confinamento de cordeiros após o desmame, ou o arrendamento de áreas fora da propriedade podem também ser alternativas interessantes.

CESAR HENRIQUE ESPÍRITO CANDAL POLI

ALDA LÚCIA GOMES MONTEIRO

Coordena o Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos (LAPOC) da UFPR

6

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

ALDA LÚCIA GOMES MONTEIRO

CURITIBA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 19/04/2010

Prezado Sr. Luis Fernando. Para responder sua pergunta há necessidade de sabermos qual a espécie de capim está se referindo, pois esse período varia de planta para planta. Obrigada, Alda
LUIZ FERNANDO ALVES LIMA

ARACAJU - SERGIPE - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 18/04/2010

Boa noite, gostaria de esclarecimentos quanto ao sistema rotativo. Qual o período de descanso recomendado no sisema rotativo até o surgimento da rebrota no capim e após este período até que o capim não se torne muito fibroso, comprometendo a qualidade nutricional e palatável da pastagem.

Um abraço. Obrigado.
JACSON FREY

SÃO JOÃO DO OESTE - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/02/2010

Boa-noite.Tenho algumas dúvidas. Como pode-se evitar a infestação parasitária em caprinos, relacionado ao rodízio de piquetes?....De quanto em quanto tempo deve trocar os animais de piquete para evitar possíveis infestações?

Fico grato pela ateção
Abraço
ANTONIO ERISVAN ALVES

SÃO MIGUEL - RIO GRANDE DO NORTE

EM 08/05/2009

tenho uma pequena propriedade e crio ovelhas santa ines semi confinada. Tenho piquetes de capim andropolo e outras partes consociado com tazania. Minha região é serra do rio grande do norte o indice fluvial é baixo. Este ano as chuvas estão alto e a alta umidade do solo esta prejudicando o desenvolvimento tanto da pastagem e assim afeta a criação. Estou suplementando com capim elefante triturado e milho triturado.

O que posso melhorar? tenho ovelhas de estado corporal bom e outras ruim.

<b>Resposta da autora:</b>

"Prezado antonio erisvan alves", obrigada por sua carta. A partir de suas informações creio que esteja fornecendo pastagem e suplementação. Porém, pode ser que a suplementação apenas com capins triturados não seja suficiente para todas as categorias animais.

Aquelas mais exigentes (ovelhas paridas ou em final de gestação, borregas em crescimento) necessitam de maior oferta de forragem e em algumas situações, de suplementos concentrados. verifique também qual é a rela oferta de forragem que tem no pasto. Isso é muito importante!!! Consulte um técnico local para equacionar melhor para o senhor o que realmente as ovelhas estão comendo. Boa sorte!! Alda Monteiro

AURÉLIO LUÍS MANFRINATO PINTON

PIRACICABA - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 10/02/2009

Cara Professora Alda, muito bom o artigo!

Realmente, as dimensões das doses de fertilizante aplicado e a quantidade de PV/ha "colhido" na forma de carcaça são pontos fundamentais que devem ser abordados quando se trata de produção animal a pasto.

A minha dúvida é: se o pasto está passando da altura de manejo (principalmente no verão), eu devo acelerar a rotação (menor tempo de ocupação do piquete) ou reduzir o ritmo para rebaixar o pasto até a altura ótima de manejo?

Grato pela atenção.
CAIO ALVES DA COSTA

BOA VISTA - RORAIMA - PESQUISA/ENSINO

EM 02/02/2009

Excelente artigo. Realmente o manejo correto da pastagem pode render bons resultados em relação aos animais.

Tenho uma dúvida: como faço controle de plantas indesejáveis utilizando elevada carga animal?

Obrigado pela atenção.

<b>Resposta da autora:</b>

Prezado Caio Costa, normalmente quando há invasoras na pastagem é um claro sinal de esgotamento da fertilidade do solo devido a deficiência natural do mesmo e à falta de reposição/manutenção com adubações, especialmente fósforo. As pastagens necessitam dessa reposição especialmente quando se trabalha com elevadas lotações, como citou. Vale a pena realizar uma análise de solo, em primeiro lugar e trabalhar com reposição de fertilidade de acordo com a análise, além de checar lotações/oferta de pasto. Essa é a principal forma de controle/prevenção, na minha opinião. Obrigada por sua participação, Alda

MilkPoint AgriPoint