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EUA: para abastecer o mercado, uma das maiores operações de leite de cabra vem sendo estudada

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/06/2016

7 MIN DE LEITURA

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Os proprietários de um novo laticínio pretendem comprar terras em Jefferson County em breve para que possam construir a maior operação de cabras leiteiras dos Estados Unidos e uma das maiores do mundo. O plano para a operação de 9.000 cabras, que incluiria 7.000 em lactação e 2.000 animais jovens, visa resolver o problema da falta de leite de cabra em Wisconsin, o que está limitando a produção de uma das indústrias mais prósperas do estado, a de queijo de leite de cabra, disse um dos proprietários da Drumlin Dairy, Kenn Buelow.



“Estamos tentando suprir essa demanda e fazer isso o mais econômico, eficiente e ambientalmente consciente possível”, disse Buelow, de New Holstein, que também é proprietário da Holsum Dairies, operação de vacas leiteiras em Calumet County - elogiada por seus programas de sustentabilidade.

A operação terá 9.000 cabras, porque os gerentes querem maximizar o potencial da sala de ordenha, que pode ordenhar 7.000 cabras três vezes ao dia, disse ele, acrescentando que estava de olho em “duas possibilidades” para comprar um local de aproximadamente 250 acres (um pouco mais de 100 hectares) em Jefferson County e espera ter a fazenda operacional até março de 2017.

Porém, alguns residentes da região estão céticos com a proposta da Drumlin e temem que isso poderia criar riscos para a saúde, odor e problemas de tráfego. Esse foi o motivo pelo qual proprietários de terra voltaram atrás em um acordo no começo desse ano, que colocaria  a operação na cidade de Aztalan, disse Anita Martin, líder do "Cidadãos para um Meio-Ambiente Melhor", de Lake Mills.

“As pessoas precisam dar um passo atrás primeiro antes de aprovar qualquer coisa e permitir que algo dessa grandeza avance”. Se construída, a operação de caprinos da Drumlin tornaria todas as operações de cabras dos Estados Unidos minúsculas, de acordo com várias fontes. De acordo com Beth Miller, membro da diretoria da Associação Internacional de Caprinos e que visitou as instalações recentemente, essa operação apenas não alcançaria uma fazenda chinesa que possui 10.000 cabras na província de Shaanxi, no sudoeste do país. A prospecção é que esta expanda para 100.000 cabras em poucos anos. 

Apesar de seu tamanho, a operação de caprinos leiteiros de Drumlin precisa somente cumprir os padrões da região para obter aprovação. Esse fato seria diferente do que ocorre com fazendas leiteiras maiores, que têm padrões mais rigorosos com relação à água, ao solo e localização. Essa operação, chamada de "Operações concentradas de alimentação animal" (CAFOs, da sigla em inglês), atua em fazendas com mais de 1.000 "unidades" animais (novilhas ou vacas). De acordo com as leis do estado, 10 cabras constituem apenas uma unidade animal, significando que a operação Drumlin equivaleria a 900 vacas.



"Isso me incomoda e acaba preocupando, pois, se a Drumlin chegar a este nível, porque já não vamos além e regulamentamos totalmente?", disse Martin. "Estaremos sujeitos a uma revisão pública de tempos em tempos", completou.  Buelow comentou que espera que a operação de caprinos cumpra com todos os padrões relacionados a água, solo e localização estipulados pelas CAFOs, adicionando que o impacto ambiental será equivalente a uma fazenda com 500 vacas. 

A operação de Drumlin terá cerca de 14 funcionários em período integral e contratará ajuda extra durante a estação de partos, disse Buelow. Wisconsin possui a maioria das cabras leiteiras dos Estados Unidos (44.000), mas está produzindo menos de 60% do volume de leite de cabra necessário para a indústria de queijos do estado.

Buelow disse que os produtores de queijo de leite de cabra usam coalhadas congeladas de queijos importadas da Europa para fazer seus produtos quando não conseguem obter leite caprino localmente.

A produção de leite em Drumlin pretende alcançar um volume estimado de 25 toneladas por dia, de acordo com essa solicitação. Dan Considine, proprietário da Sunshine Farms, uma operação caprina leiteira em Portage (que ordenhou cerca de 250 cabras por 30 anos antes de reduzir seu rebanho para 100 animais recentemente) acredita que os últimos anos foram os melhores na história do negócio de produção de leite de cabra. “Não tenho dúvidas quanto a isso. Tivemos uma indústria crescente desde o começo dos anos 80. A indústria estava crescendo, mas isso não se traduziu em mais dinheiro até meados de 2010”, disse ele.

Os fabricantes de queijos de leite de cabra estão registrando anos lucrativos. A produção está crescendo de 10% a 20% todo ano, mas esses números seriam maiores se tivessem mais leite, disse Shannon Adams, diretor da Mt. Sterling Cooperative, em Vernon County. “Nós imploramos a nossos produtores para ordenhar mais cabras”, ponderou. 

A Montchevre-Betin Inc., maior processadora de queijos de leite de cabra do país, capta 45,3 milhões de quilos de leite anualmente de operações de cabras leiteiras em Wisconsin, Illinois, Iowa, Minnesota e norte de Missouri para produzir seu queijo em Belmont, disse o presidente e proprietário, Arnold Solandt. Ele destacou que a companhia também carece de leite de cabras. 

Solandt está animado com a ideia de ter uma grande produtora de leite próxima, apesar de preferir trabalhar com fazendas menores. “Eu conheço Kenn muito bem e acho que o que ele está tentando fazer é excelente. Precisamos de mais leite. Eu nunca vi uma operação tão grande, mas conheço seus trabalhos e sei que eles são ótimos. Eu apoio desde que os animais sejam bem tratados e bem alimentados”.

As cabras ficaram dentro de uma instalação de 3,64 hectares contendo nove currais, de acordo com Drumlin. Não haverá divisores nos estábulos, de forma que as cabras poderão se movimentar livremente dentro dos currais. As camas usariam palha picada como base com adição de aproximadamente um quilo de palha por dia para cada cabra. E, como as cabras não toleram temperaturas frias como as vacas, haveria significativamente mais isolamento nos telhados e nas paredes, bem como um solo inclinado em até 1,8 a 2 metros do lado de fora das paredes, de acordo com a proposta da companhia.

O esterco seria compostado no local e plano de localização teria precauções ambientais apropriadas, disse Buelow. Ele disse que o esterco seria coberto para evitar escoamento durante o clima úmido.

Considine, que também é presidente da Associação de Cabras Leiteiras de Wisconsin, não está preocupado com a compostagem. “Uma cabra consome um oitavo do que uma vaca consome e seus dejetos são bastante secos. Há realmente uma grande diferença nisso. Então, a compostagem é uma abordagem razoável”.

Embora Considine também tenha dito que prefere fazendas menores de cabras - porque ele gosta de conhecer as particularidades de cada animal - ele acredita que uma fazenda muito maior poderia funcionar se os gerentes certos forem contratados e a operação for instalada corretamente. “As cabras são muito mais intensivas em termos de trabalho do que as vacas. Eu também penso que mantê-las confinadas o tempo todo é uma má ideia. Eu acho que seria mais saudável se elas tivessem acesso às áreas abertas”, completou. 

Buelow disse que a operação seguirá os padrões encontrados nas melhores operações de cabra da Holanda, incluindo os requerimentos de espaço por cabra. Yves Berger, um pesquisador da área de ovinos da UW-Madison, que visitou a maior operação de caprinos da Holanda recentemente, disse que ficou impressionado. “Devido à sua limpeza impressionante, seu alto nível de higiene e aparente bem-estar de 6.000 cabras, fomos encorajados na ideia de que é possível ter um grande número de animais e instalações muito boas”, disse Berger.

Porém, a Holanda também teve um surto ruim de febre Q, uma doença que pode ser disseminada de animais aos humanos pela inalação de poeira contaminada com a bactéria Coxiella burnetti. O surto holandês foi rastreado, deixou 4.000 pessoas doentes e matou 14 pessoas de 2007 a 2010. Os surtos de febre Q em rebanhos caprinos nos Estados Unidos e outros locais criam “problemas mínimos na pior das hipóteses”, disse Rachel Conway, supervisora do Centro de Pesquisa de Caprinos Leiteiros da Universidade da Califórnia Davis.

Martin disse que a febre Q foi sua maior preocupação sobre ter uma grande operação de cabras em Jefferson County, especialmente após ouvir Buelow dizer que sua fazenda teria três estações de nascimento por ano e a compostagem do esterco seria feita. Ele disse que ambos os problemas poderiam aumentar os níveis de poeira contaminada com bactérias.

Considine disse que os produtores de caprinos monitoram seus rebanhos de perto para a febre Q devido à dificuldade de detecção. “É algo que você tem que ter como prioridade e tenho certeza de que eles prestarão muita atenção a isto, justamente devido a seu tamanho”.

Conway disse que o surto de febre Q na Holanda se tornou mortal somente porque as cabras doentes foram instaladas em construções de múltiplos andares em uma estrada de duas pistas de um grande complexo de apartamentos. “Todos foram expostos. Foi um planejamento ruim”, disse ela. “Felizmente, nós manejaríamos isso de forma diferente por aqui”.

As informações são do Wisconsin State Journal, traduzidas pela Equipe MilkPoint. 

 

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ALDA LÚCIA GOMES MONTEIRO

CURITIBA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 15/08/2016

Gostei muito da reportagem! parabéns!
ÍCARO JACOB LOPES DA SILVA

PENTECOSTE - CEARÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 18/06/2016

Um bom estimulo para o produtor que resiste a este ano difícil tanto de mercado e escassas chuvas.
PAULO R.C.CORDEIRO

NOVA FRIBURGO - RIO DE JANEIRO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 17/06/2016

Excelente matéria sobre produção de leite de cabra.

Uma boa direção para os produtores de leite de cabra nacionais.

Parabéns

Paulo

Empresa CAPRILAT.
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