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Estresse por calor: ajustes na dieta e no manejo dos animais

POR RAFAELA CARARETO POLYCARPO

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/10/2007

3 MIN DE LEITURA

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Vacas leiteiras são extremamente sensíveis ao calor e isto causa impacto econômico significante para os produtores de leite. Não só perda de produtividade e qualidade de leite (aumento de células somáticas), como também problemas de saúde relacionados com o estresse por calor.

Grande parte dos produtores está atenta a algumas práticas de manejo que se tornam essenciais quando se verifica estresse por calor, porém há algumas práticas de ordem nutricional que podem ser adotadas. Neste texto, serão apresentadas mais algumas medidas que podem amenizar os danos causados pelo estresse.

Estresse de Calor

Para se medir a severidade do estresse por calor, utiliza-se uma correlação entre a temperatura e a umidade (figura 1). A zona de conforto térmico bovina é entre -13ºC a +25ºC. Dentro deste intervalo de temperatura, o conforto animal está ótimo, com uma temperatura corporal entre 38.4ºC e 39.1ºC. Para alguns autores, 25ºC e até mesmo 20ºC a vaca sofre de tensão de calor: seu estado de saúde e desempenho zootécnicos são afetados.

Figure 1. Índice de Temperatura-umidade. Cada índice corresponde a um nível de tensão térmica.


Fonte: Modificado de F. Wiresama. Universidade de Arizona. 1990.

Como avaliar tensão de calor?

- Temperatura corpórea (retal)> 39.4ºC
- Freqüência respiratória >100/min
- Ingestão de matéria seca reduzida em: 10% = estresse alto. Redução de 25% = estresse severo

Equilíbrio de energia alterado

Bovinos têm dois modos principais de manter o equilíbrio térmico:

1. Dispersão de calor através principalmente da evaporação, aumentando fluxo de sangue subcutâneo, arquejando, babando etc. Estas atividades aumentam a energia de manutenção. Estima-se que o aumento pode chegar até 20%. No caso da vaca leiteria, significa que parte de sua energia de produção será redirecionada para a regulação térmica.

2. Limitar a produção de calor, reduzindo toda a atividade e mudando seu padrão de alimentação. A ingestão de matéria seca pode ser reduzida de 10-30%, a ruminação, que também produz calor, pode diminuir drasticamente. A vacas tendem a comer menos durante o dia, porém mais freqüentemente e em quantidades pequenas. Tenderão a consumir mais alimento à noite quando está mais fresco e maior relação concentrado:volumoso, pois a fermentação da forragem pode aumentar a quantidade de calor produzida.

Riscos de acidose

Em períodos de estresse de calor, os riscos de acidose são aumentados. Fatores que podem contribuir a problemas de acidose ruminal são: diminuição da ingestão de matéria seca com mais baixa proporção de forragem e níveis mais altos de carboidrato, diminuição da ruminação, da saliva (Figura 2). Adicionalmente, o pH de rúmen diminuído a digestão de fibras será prejudicada: bactérias celulolíticas do rúmen são as mais afetadas quando pH de rúmen diminui (à baixo de 6.0).

Figura 2. Estresse por calor, com suas conseqüências fisiológicas e de comportamento, aumentando os riscos de acidose ruminal.


Estresse e manejo

Existem algumas práticas que podem ser adotas nas propriedades sem causarem grandes alterações no manejo diário dos animais como:

- Oferecer água limpa toda hora
- Distribuir mais freqüentemente o alimento
- Alimentar nos tempos mais frescos do dia.

Recomendações de ordem nutricional

Para limitar os danos provocados pelo estresse, em particular a acidose ruminal, a ração pode ser ajustada. Os seguintes itens podem ser seguidos sem causar grandes alterações na rotina da propriedade:

1. Elevar o nível de energia da dieta

2. Procurar oferecer ingredientes palatáveis e que produzam pouco calor ao serem fermentados

3. Utilizar forragens de alta qualidade e palatável

4. Utilizar produtos com ação antioxidantes como o Selênio e a vitamina E, pois animais com estresse por calor tendem a aumentar as taxas de oxidação, com isso mais radicais livres podem ser formados, o que é prejudicial a saúde dos animais.

5. Mais recentemente, alguns probióticos vêm sendo lançado no mercado, indicando que seu uso em caso de animais sob calor pode vir a amenizar os efeitos do estresse.

Enfim, existem sim técnicas que podem amenizar os danos causados pelo estresse produzido pelo calor, mas cabe a nós técnicos e aos produtores que evitem este quadro em suas propriedades. Procurando colocar a disposição do animal o mínimo possível de infra-estrutura (água, sombra etc...) para que o mesmo tenha suas exigências supridas.

RAFAELA CARARETO POLYCARPO

Profa. Dra. Universidade de Brasília - UnB

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RAFAELA CARARETO POLYCARPO

PLANALTINA - DISTRITO FEDERAL - PESQUISA/ENSINO

EM 27/02/2008

Prezado Jhon Emerson Ferreira Regis,

Muito obrigada, fico feliz que tenha gostado do artigo.

Rafaela.
JOHN EMERSON FERREIRA REGIS

CAMPINA GRANDE - PARAIBA - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 26/02/2008

Boa noite, Rafaela Carareto,

Bastante interessante o tema aborado, precisamos conhecer mais sobre os problemas que o estresse térmico podem causar aos animais, para podermos minimizar os seus efeitos. Parabéns.


ODINEY DA SILVA

RIO VERDE DE MATO GROSSO - MATO GROSSO DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 27/11/2007

É de fundamental importância o tema abordado, dado ao fato que muitas pastagens foram formadas sem a preocupação de deixar árvores o e ou bosques para o sombreamento.

Acredito que a exploração do leite deverá estar antenada na qualidade e bem estar dos animais para otimizar sua produção, bem como a racionalização dos meios e minimisar os custos, e uma forma de efetivar esse condicionantes são as praticas de manejo.

Acho oportuno sugerir temas como: a produção de leite a pasto, onde possa contribuir para um re-desenho dessa atividade importante para o meio rural, sempre de uma forma sintética, objetiva e didática como essa apresentada pela Drª. Rafaela Carareto, acessível ao entendimento de Técnicos e Produtores, sendo esses, os agentes primários dessa cadeia produtiva.

Att

Odiney da Silva
MISSAO TANIZAKI

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 27/11/2007

O calor causa estresse tanto ao animal, como ao próprio ser humano.

A matéria mostra que os Veterinários podem contribuir para reduzir o estresse animal e isso pode ser extremamente útil para reduzir o estresse humano.

O que é bom para o ser humano, também, pode ser bom para os animais - a recíproca é verdadeira.

Sou extremamente sensível, tanto ao calor, como ao frio. O calor me deixa estressado de forma que sou obrigado a me deitar em piso de cerâmica para reduzir os efeitos do calor.

Transpiro muito pouco e geralmente nos pés. Ao longo de minha vida sempre me preocupei em acertar a minha dieta para conseguir uma boa saúde.

Ajustei a relação de Cálcio / Magnésio e a Composição das Gorduras e isso melhorou sensivelmente a minha saúde, nisso incluo a melhora na minha transpiração e diminuição do estresse.

MISSAO TANIZAKI
Fiscal Federal Agropecuário
Bacharel em Química
VANTUIL MOREIRA DE FREITAS

RIO VERDE - GOIÁS - MÉDICO VETERINÁRIO

EM 22/11/2007

Quanto ao comentário de Jair Adriano Carlos- Rio Grande do Sul, existe correlação entre LINA (leite instável não ácido) e Estresse calórico em vacas?

<b>Resposta da autora:</b>

Caro Vantuil,

O leite instável não ácido (Lina) é um problema que acomete rebanhos leiteiros e que se caracteriza por apresentar alterações nas características físico-químicas do leite. A principal alteração identificada é a perda da estabilidade da caseína ao teste do álcool, resultando em precipitação positiva, sem haver acidez acima de 18°D.

Resultados positivos ao teste do álcool (precipitação) podem ocorrer devido à redução de pH pela fermentação da lactose até a produção de ácido láctico, resultando na instabilidade da proteína, ou, no caso, de Lina.

As causas da instabilidade ainda não estão totalmente esclarecidas. Há indicações de que a instabilidade do leite esteja relacionada com dietas ricas em cálcio, deficiências ou desequilíbrio mineral , mudanças bruscas na dieta, deficiência de energia , subnutrição e genética.

Mais algumas referências que poderão ajudá-lo:

BARROS, L. Transtornos metabólicos que afetam a qualidade do leite. In: GONZÁLEZ, F.D. et al. Uso do leite para monitorar a nutrição e metabolismo de vaca leiteiras. Porto Alegre, UFRGS, 2001, p. 44-57.

GONZÁLEZ, F.H.D. Pode o leite refletir o metabolismo da vaca? In: DÜRR, J.W.; CARVALHO, M.P. de; SANTOS, M.V dos. O compromisso com a qualidade do leite no Brasil. Passo Fundo: UPF Editora, 2004. p.195-209.

Rafaela.
FABRICIO TEOTONIO DE OLIVEIRA MARTINS

PAULA CÂNDIDO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/11/2007

Ótima matéria! Só para completar, o uso de gordura protegida também tem ajudado bastante no aumento de energia nas dietas, facilitando o aproveitamento do animal. E atuando bem na parte de bem estrar animal.
HELOÍSA DE PAULA PEDROZA

MACAÍBA - RIO GRANDE DO NORTE - ESTUDANTE

EM 11/11/2007

A matéria é muito interessante... Nós aqui da Universidade Federal Rural do Semi Árido (UFERSA) estamos desenvolvendo um trabalho sobre comportamento e bem estar animal em vacas manejadas na região semi arida, onde as temperaturas podem chegar a 40°C, com o intuito de avaliar o desconforto termico desses animais.

Se fosse possivel gostaria de ter mais informações sobre o assunto.

<b>Resposta da autora:</b>

Heloísa,

Na ESALQ-USP, temos um gupo que estuda ambiência chamado NUPEA - Núcleo de Pesquisa em Ambiência. A página deles é: https://www.nupea.esalq.usp.br/, acredito que lhe será bastante util.

Abraço,
Rafaela.
JAIR ADRIANO CARLOS

IBIAÇÁ - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/11/2007

Necesitamos de pesquisas mais profundas e tratamentos eficientes sobre síndrome do leite anormal. Informações sobre o assunto seriam bem-vindas.
ALEXANDRE MORALES FARIAS

TOLEDO - PARANÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 02/11/2007

Ótimo tema. Também tenho estudado muito o tema. Temos muito o que melhorar aqui no Oeste do Paraná.
Gostaria de saber se vocês poderiam solicitar ao colega de Goiás o trabalho da Embrapa sobre minerais.
Um abraço
Alexandre
SEBASTIÃO MESSIAS DE MORAES

NITERÓI - RIO DE JANEIRO

EM 01/11/2007

Numa visita à Fazenda São Cipriano no município de Guapimirim, em Magé, RJ, observei que no estábulo de alimentação tinha um sistema de vaporização, para
refrescar as vacas. Isso é bom para os animais? é viável?

Abraço a todos!
Tião Messias-Braçanã/Rio Bonito RJ

<b>Resposta da autora:</b>

Sebastião,

O uso de nebulizadores pode ser sim uma alternativa para diminuir o estresse por calor. Mais utilizado em sistemas de confinamento total e também nas salas de espera das ordenhas. Quanto à viabilidade, esta dependerá de outros fatores como por exemplo o tipo do animal que está recebendo a técnica (se é mais ou menos especializado na produção de leite), do tipo do equipamento utilizado e da intensidade do estresse que o animal está sofrendo.

Att,

Rafaela
ALBERT JOSÉ DOS ANJOS

PERDÕES - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 31/10/2007

Como já disse o amigo acima, essa materia é fantástica.

Precisamos nos preoucupar mais com tais fatores que causam estresse calórico em nossos animais de produção, pois a maioria dos técnicos e produtores dão atenção a outros fatores e se esquecem que se o animal não tiver conforto não pode maximizar sua produção.
VALDIR CHIOGNA JUNIOR

RIO VERDE - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 31/10/2007

Parabéns pela matéria, hoje, ao meu ver, estresse calórico é um dos maiores limitantes de produção leiteira. A Embrapa publicou um trabalho também, mostrando redução na absorção e retenção de minerais pelo animal, quando em estresse calorico, ou seja, além de redução de consumo de MS, aumento de energia de mantença, há também redução do aproveitamento de minerais.

Esta situação atrapalha qualquer balanceamento de dieta e propicia distúrbios rumenais como citado no artigo acima. Nós, técnicos, temos o dever, hoje, de dar atenção especial a conforto térmico de bovinos leiteiros.
ANTONIO RAFAEL CAMARGO RODRIGUES

BARRETOS - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 30/10/2007

Essa matéria é Fantástica! Nós, da classe estudantil agradecemos muito por esse assunto. Na faculdade estamos estudando a respeito de tais assuntos.
MilkPoint AgriPoint