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Ectima contagioso em pequenos ruminantes

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/09/2011

4 MIN DE LEITURA

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Autores

Vitor Santiago Carvalho (médico veterinário da UFBA)

Leandro Rodello (Doutor em Reprodução Animal pela Unesp Botucatu)

Cláudia Kazumi Kiya (mestranda do curso de pós-graduação em Ciência Animal nos Trópicos, UFBA)

O ectima contagioso, também conhecido como dermatite pustular contagiosa, dermatite labial infecciosa, boca crostosa ou boqueira, é uma doença infecciosa em pequenos ruminantes, provocada por um vírus do gênero Parapoxvirus altamente contagioso e que provoca lesões crostosas principalmente na boca e face do animal. Trata-se de uma zoonose, já que o vírus do ectima é prontamente transmissível ao homem. O tratamento é feito com antissépticos locais e a prevenção pode ser feita através da vacinação.

A doença ocorre em ovinos e caprinos com 3 a 6 meses de idade, porém existem relatos em animais de 10-12 dias de idade e em animais adultos. O ectima gera diminuição do desenvolvimento, graus variados de dor e certa perda econômica. Surtos podem ocorrer a qualquer tempo, porém são mais frequentes na época seca, quando os animais estão a pasto. A porta de entrada do vírus são as abrasões, desta forma a presença de alimentos grosseiros ou forrageiras que levam a lesões na mucosa oral aumenta o risco de contrair a doença. O Parapoxvirus é cosmopolita e pode permanecer infectante nas crostas presentes no ambiente ao longo de meses ou anos.

O período de incubação varia de 4 dias a 2 semanas. A taxa de morbidade pode chegar a 100%, por outro lado a de mortalidade é bem limitada (1-10%) e depende da extensão das lesões e complicações secundárias. A infecção é autolimitante e os animais recuperados ficam imunes por 2 a 3 anos. A proteção colostral parece ser incompleta.

A transmissão pode ocorrer por contato direto ou indireto. Animais jovens são mais sensíveis. O contato entre animais e com instalações, pastagens e cochos contaminados é a principal forma de disseminação da enfermidade. Outro fator importante é o confinamento de animais. O vírus pode ser transmitido ao homem, no qual se manifesta na forma de erupção muito irritante na pele. Após a introdução da doença nos rebanhos, a enfermidade se torna endêmica pela persistência do vírus por longos períodos no ambiente ou pela presença de animais com infecções persistentes. No Brasil há poucas referências da doença. Há relatos de surtos no Rio Grande do Sul e em São Paulo. No nordeste, desde a década de 1930, a enfermidade é um dos principais problemas sanitários da exploração caprina, por acometer cerca de 60% das criações.

Comumente o diagnóstico se dá através da observação dos sinais clínicos, no diferencial indica-se exame histopatológico. As lesões de pele apresentam graus variáveis podendo ser imperceptíveis ou graves. No início da doença há formação de pápulas, vesículas e pústulas, seguidas de crostas espessas que em alguns dias recobrem uma área elevada na pele e ao cair deixam a pele sujeita às infecções secundárias.

As primeiras lesões são observadas na mucosa oral, porém podem se estender ao focinho, orelhas, pálpebras e raramente ao aparelho genital ou coroa dos cascos. Mães amamentando animais com ectima podem apresentar a doença nas tetas. Tipicamente as lesões se curam dentro de 14 a 21 dias, porém podem persistir em animais imunodeprimidos. Em cordeiros, as lesões podem ser graves e provocar anorexia, perda de peso, desidratação, desnutrição e claudicação. As lesões no úbere podem resultar em mastites.

Figura 1 - Ovelhas apresentando quadro avançado de ectima contagioso, foto gentilmente cedida pela médica veterinária Byanca Ribeiro.



No tratamento das lesões, utiliza-se solução de permanganato de potássio a 3% ou solução de iodo a 10% acrescido de glicerina, na proporção de uma parte da solução de iodo para uma de glicerina. O ideal é pulverizar as áreas afetadas pelo menos duas vezes ao dia, por sete dias consecutivos, mas a aplicação a cada 48h da solução de iodo ou a auto-hemoterapia também se revelaram eficazes no tratamento da doença. Também é preciso aplicar repelentes de moscas nas bordas das feridas, para evitar o aparecimento de bicheira. Nas áreas mais sensíveis, como o úbere, as lesões devem ser tratadas com iodo e glicerina na proporção de 1:3 ou com solução de ácido fênico a 3% mais glicerina.

A doença é controlada pela vacinação sistemática. Nos casos de aparecimento da doença em propriedade onde os animais não foram vacinados, devem-se isolar os animais doentes e vacinar os demais. A imunização ativa dos ovinos e caprinos é um procedimento relativamente simples e está indicada apenas nas áreas onde ocorre a doença por tratar-se de uma vacina viva, preparada a partir de crostas contendo o vírus. Uma a duas gotas da vacina é aplicada por escarificação da pele na face interna da coxa com agulha ou estilete. Na ocorrência de um surto, a vacinação imediata do rebanho é geralmente benéfica. A vacinação confere imunidade por aproximadamente dois anos.

Figura 2 - Caprino acometido de ectima contagioso com lesões secundárias nas orelhas.



O ectima contagioso é uma zoonose altamente contagiosa e pode provocar lesões nas mãos dos tratadores e veterinários, portanto é indispensável utilização de luvas durante o tratamento, vacinação e manipulação dos animais.

Referências bibliográficas

BARROS, C.S.L. Ectima Contagioso. In: RIET-CORREA, F.; SCHILD, A.L.; MÉNDEZ, M.D.C. et al. Doença dos Ruminantes e Eqüinos. 2 ed., São Paulo: Varela, p.72-76, 2001.

BLOOD, D.C; RADOSTITS, O.M. Clínica Veterinária. 7 ed. Rio de Janeiro - Brasil: Guanabara Koogan, p. 1113- 1116, 1991.

CHAGAS, ACS; VERISSIMO, CJ. Principais enfermidades e manejo sanitário de ovinos. Embrapa Pecuária Sudoeste, 2008, 70p.

MACÊDO, J.T.S.A; RIET-CORREA, F.; DANTAS, A.F.M. et al. Doenças da pele em caprinos e ovinos no semi-árido Brasileiro. Pesq. Vet. Bras., v.28, n. 12, p.633-642, 2008.

NÓBREGA Jr, J. E. et al. Ectima contagioso em ovinos e caprinos no semi-árido da Paraíba. Pesq. Vet. Bras., v. 28, n. 1, p. 135-139, 2008.

PUGH, D.G. Clínica de Ovinos e Caprinos. 1 ed, São Paulo: Roca, p. 228-229, 2005.

SANTA ROSA, J. Enfermidades em caprinos: diagnóstico, patogenia, terapêutica e controle. Brasília: Embrapa-CNPC, 1996. 220p.
SMITH, B. P. Medicina interna de grandes animais. 3.ed. São Paulo: Manole, p. 704-706, 2006.

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BRUNO RODRIGUES

MORENO - PERNAMBUCO - ESTUDANTE

EM 17/08/2020

Boa tarde! Eu gostaria de saber o remédio para minha ovelha que estar com, "feridas",ou , perebas na boca. Afinal isto é grave? Pode causar a morte dos animais?
JAQUELINE PEREIRA

POMBAL - PARAIBA - PESQUISA/ENSINO

EM 13/07/2020

Qual o iodo que deve ser aplicado? Além do iodo, qual outro remédio é de serventia para a melhora desse animal?
JAQUELINE PEREIRA

POMBAL - PARAIBA - PESQUISA/ENSINO

EM 13/07/2020

Nunca tinha visto essa doença até aparecer um caso, crio poucos animais, apenas por gostar de ovinos e caprinos, e esses últimos dias apareceu um cabrito com isso, pensei que fosse em decorrência das chuvas, que aumentaram os insetos e poderia ser picadas de mosquitos, foi então que fui pesquisar sobre, normalmente o animal tem chances de escapar? E quanto as feridas? São localizadas? Pq o meu filhote criou uma camada grossa, parecendo uma pele, sobre todo o corpo, a ponto de enrijecer e N conseguir se locomover, então vai mais outra pergunta, isso é causa do ectima? A pele do corpo inteiro endureceu, como se criasse uma crosta dura? Isso é da doença? Estou com muita pena do meu ??
GERSON THIAGO DIAS DA SILVA

BOA SAÚDE - RIO GRANDE DO NORTE - ESTUDANTE

EM 16/06/2020

Estou com um carneiro de 3 meses, que apresentou pipocas na boca, como fosse ectemia, so que fico na duvida devido o pasto ter gitirana, que pode ate causar lesões, ne isso ?

Muito bom, grande o carneiro, aparentar ter quase um ano.
GERSON THIAGO DIAS DA SILVA

BOA SAÚDE - RIO GRANDE DO NORTE - ESTUDANTE

EM 16/06/2020

Bom dia

Estou com um carneiro de 3 meses que começou aparecer esses tipos de pipocas na boca, como fosse ectima, agora fiquei na duvida pq o pasto tem gitirana, que tbm pode ferir a boca dos animais, ne isso ?


Carneiro com 3 meses ja aparentar ter 1 ano.
MARIA DE LOURDES VIEIRA LIMA BARBOSA

APARECIDA DO RIO NEGRO - TOCANTINS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 15/04/2020

Olá amados eu quero saber o nome dessa vacina que coloca sobre a pele pra essa doença
MV DR. LEANDRO RODELLO, PHD

ARAGUAÍNA - TOCANTINS - PESQUISA/ENSINO

EM 18/10/2017

Prezada Adylla,



No caso a braquiaria não foi a porta de entrada, por ser tratar de vírus, algum animal foi quem levou a doença para o rebanho. No caso a braquiaria causa fotossensiblização.
ADYLLA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 16/10/2017

Eu tenho poucos animais são criados para ornamentação 3 cabras e 3 ovelhas já identifiquei 4 animais com este problema, nas últimas semanas o caseiro deu capim braquiara pra eles comerem, pode ter sido a causa? A abertura da porta de entrada do vírus nos meus animais?
NESTOR GOMES

LIMOEIRO - PERNAMBUCO - PESQUISA/ENSINO

EM 29/06/2017

Muito obrigado , antes mesmo de ir a casa veterinária já sei a doença e o medicamento! Muito bom!!! Parabéns.
ALEXSANDRO

RECIFE - PERNAMBUCO

EM 18/05/2016

Sou principiante na criaçäo e ja estou tendo esse problema so a tintura de iodo resolve o problema????
JULIETE MEDEIROS

GRAVATÁ - PERNAMBUCO - ESTUDANTE

EM 14/12/2015

Ety Medeiros sou zootecnista. Faço visitas técnicas em propriedades  Esse artigo esta me ajudando no tratamento essa enfermidade. Obrigada!  
JUNIOR

MISSÃO VELHA - CEARÁ - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE CORTE

EM 01/09/2015

O iodo deve ser misturado com glicerina? Tem que misturar com água?
MV DR. LEANDRO RODELLO, PHD

ARAGUAÍNA - TOCANTINS - PESQUISA/ENSINO

EM 10/08/2015

Prezada Lisiane,

No caso as ovelhas gestantes e com crias, o tratamento mais indicado e passar iodo diariamente , conforme está no artigo. Agora se tem infecção secundária (presença de inflamação e pus nas feridas), nesta situação tem que iniciar o tratamento com antibiótico.

Quanto ao preço, não tenho atualizados, mas compensa realizar porque vc tem colocar na ponta do lápis as percas que vc está tendo e vai ter em decorrência da ectima. Ainda mais que agora que vc vai ter que incluir no seu calendário sanitário a vacinação contra estima.
LISIANE ROSA SCHERER

SÃO SEPÉ - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 09/08/2015

Possuo mais uma dúvida: a vacina para a doença é de fácil acesso e a um preço acessivel?
LISIANE ROSA SCHERER

SÃO SEPÉ - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 09/08/2015

Caro Leandro Rodello,

Sou produtora rural no município de São Sepé -RS e constatei a infecção por ectima contagiosa em meu rebanho. Li todo o seu artigo e percebi que possuo um problemas: meu rebanho está com crias ao pé de poucos dias e outras ainda em fase de gestação. O rebanho possui 70 ovelhas e umas 10 já apresentam a doença em fase bem agravada de feridas. Gostaria de saber como proceder nessa situação, pois estou muito apreensiva. Desde já agradeço.  
JOFFRE THOMAZ RAMALHO

BONITO DE SANTA FÉ - PARAIBA - ESTUDANTE

EM 25/05/2015

Boa noite,

só uma observação com relação ao uso de luvas no trato com os animais infectados com o virus do Ectima, pois se trata de uma zoonose (doença transmitida dos animais ao homem).
PRINCE

MOCAMBIQUE - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 16/05/2015

Uma informacao muito importante e interressante.

Sou um dos criadores de gado caprino em africa, de raça pafuri e landin. Tive muitos problemas de ectima contagiosa com muitos cabritos importados no pais vizinho ao meu e acabei perdendo quase 20. Tenho aproximadamente 1300 caprinos, por isso a informacao me interressa tanto.

Abraços ai

Prince Gabriel
EUDES BATISTA DE ARAÚJO

EM 16/03/2015

Comprei um cabrito e com menos de 48 horas detectei problemas de inchaço no beiço e ao abrir a boca do animal percebi o problema que se tratava de ectima contagioso. O animal foi retirado imediatamente do rebanho. Há perigo que os outros animais tenham contraido o virus?
SANDALO ELPÍDIO

NATAL - RIO GRANDE DO NORTE - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 11/06/2014

Parabéns pela matéria, era exatamente o que eu precisava



MV DR. LEANDRO RODELLO, PHD

ARAGUAÍNA - TOCANTINS - PESQUISA/ENSINO

EM 27/01/2014

Prezada Cristina,



O procedimento que vc está correto. O tratamento se faz em passar iodo a 5% nas crostas, uma vez ao dia durante 10 dias. Agora o procedimento correto é vacinar todo rebanho, já que possivelmente o vírus deve estar no seu rebanho. A vacina aqui no Brasil tem o nome comercial Ectisan, laboratório Ceva e tem uma eficiência muito boa, a via de Administração: Cutânea por escarificação da pele pigando 1 gota da vacina reidratado. Esquema de vacinação sugerido: Cordeiros: 1ª vacinação até 8 semanas de idade, em zonas de alto risco: revacinar a cada 5 ou 6 meses e em zonas de baixo risco: única vacinação é suficiente. Obs: não vacinar fêmeas 7 semanas antes do parto e não vacinar ovelhas com cordeiros ao pé. Espero ter tirado as dúvidas.
MilkPoint AgriPoint