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É preciso ser criativo para vencer os desafios do futuro!

POR PATRICIA MENEZES SANTOS

E MARCO A. A. BALSALOBRE

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/10/2007

4 MIN DE LEITURA

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A cada ano, o agronegócio brasileiro vem consolidando sua posição na economia devido ao avanço tecnológico, ao incremento na produtividade e à ocupação de novas áreas. O conjunto do agronegócio fechou o ano de 2006 com o PIB de RS$ 540 bilhões (Cepea, 2007). O Brasil apresenta o maior rebanho comercial de gado bovino do mundo (207 milhões de animais em 2005; IBGE, 2007) e é o líder mundial em exportação de carne bovina. Em 2006, o setor primário da atividade pecuária apresentou um PIB de R$ 67,84 bilhões e as exportações de carne bovina representaram US$ 3,99 bilhões, com tendência crescente para o ano de 2007 (ABIEC, 2007).

As mudanças climáticas globais e a necessidade de produção de energia a partir de fontes alternativas imporá novos desafios à cadeia produtiva de carne no Brasil. O relatório do 4o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas indica que, no futuro, haverá aumento da temperatura associada à redução da quantidade de água disponível no solo em várias áreas da América Latina (IPCC, 2007). As mudanças no padrão de precipitação pluvial deverão afetar a disponibilidade de água para o consumo humano, a agricultura e a geração de energia (IPCC, 2007).

A necessidade de produção de "energia limpa" forçará a ampliação das áreas destinadas à produção de bioenergia. Relatório apresentado pela Agência Internacional de Energia aponta que os biocombustíveis líquidos atenderão 4 a 7% da demanda mundial por energia para transporte rodoviário em 2030 (IEA/OECD, 2006). A área necessária para atender a esta demanda deverá representar entre 2 e 3,5% do total de terras aráveis do mundo (IEA/OECD, 2006). Atualmente, a produção de biocombustíveis líquidos ocupa 1% da terra arável do mundo. Em 2050, a bioenergia (incluindo biocombustíveis líquido e biomassa) deve representar 25% da demanda global por energia primária, ocupando 20% da terra arável do mundo (FAO, 2007).

No Brasil, a agricultura, tanto para a produção de alimentos quanto para a produção de energia, deverá avançar sobre as áreas de pastagem, gerando o desafio de aumento da produtividade animal em área marginais. Aliado a isto, há uma crescente pressão mundial pela adoção práticas mais sustentáveis não apenas do ponto de vista econômico, mas também dos pontos de vista social e ambiental. Este movimento certamente terá impactos sobre os sistemas de produção agropecuária no Brasil, principalmente no caso de produtos que fazem parte da carteira de exportações do país como, por exemplo, a carne bovina.

Que modelos de produção animal em pastagens atenderão aos desafios de aumento de produtividade com sustentabilidade? Atualmente, a adoção de práticas como a irrigação e a adubação intensiva de pastagens são fortemente associadas às idéias de empreendedorismo e "tecnificação" da produção animal a pasto. Certamente, estas técnicas atendem às exigências de aumento de produtividade, mas será que os sistemas baseados em sua adoção são sustentáveis? Qual será o modelo de produção animal em pastagens no futuro?

A busca por maior sustentabilidade não é exclusiva para os sistemas de produção animal. Reportagem publicada na última edição da revista Scientific American mostra que melhoristas, agrônomos e ecologistas estão buscando desenvolver sistemas de produção de cereais com características de ecossistemas naturais (Glover et al., 2007). Um dos pontos-chave desta proposta é o desenvolvimento de cultivares perenes de grãos. Os principais cereais utilizados atualmente para alimentação são produzidos a partir de plantas anuais. De acordo com os autores, as principais vantagens da cultura perene estão relacionadas ao sistema radicular mais profundo e volumoso que aquele das culturas anuais (consulte o "infográfico animado").

A maior parte dos capins tropicais utilizada é perene, porém falhas no manejo, decorrentes da pequena compreensão do sistema solo-planta-animal, tornam necessária a reforma periódica de extensas áreas de pasto. Como conseqüência, os produtores deixam de aproveitar algumas das vantagens que estão sendo perseguidas pelo programa descrito na reportagem "Agricultura do futuro: um retorno às raízes?" (Glover et al., 2007).

No caso de cereais perenes, por exemplo, Glover et al (2007) ressaltam que as raízes profundas das plantas liberam carboidratos que alimentam organismos responsáveis pelo "gerenciamento" de outros nutrientes. O estoque de carbono no solos sob pastagens bem manejadas é elevado e está distribuído até 100cm de profundidade. Por outro lado, quando a produtividade do pasto decresce, devido às falhas de manejo ou à baixa fertilidade do solo, o carbono proveniente da forragem é perdido e é encontrado apenas até 40 cm de profundidade (Figura 1) (Boddey et al., 2005).

Figura 1. Carbono derivado da vegetação nativa ou da Brachiaria em solos sob vegetação de Cerrado (NV), pasto produtivo (PD) e pasto degradado (DP).


Como ter pastagens perenes e produtivas de forma sustentável? Esta é a questão que deve ser respondida. Onde estão as falhas nos modelos atuais? Nos sistemas extensivos, há a necessidade de reforma periódica do pasto e os níveis de produtividade são baixos. Nos intensivos, há uma grande dependência de insumos externos. É preciso rever práticas e conceitos e ser criativo para vislumbrar alternativas que tornem possível vencer o desafio de aumentar a produtividade animal em sistemas mais sustentáveis.

Certamente, a melhor compreensão dos impactos do manejo sobre o desenvolvimento do sistema radicular, a dinâmica da matéria orgânica e os microrganismos do solo irão ajudar nesta resposta. Com isso, talvez o pecuarista deixe de ser visto como "vilão", por degradar solos sob pastagens, e passe a ser visto como "modelo", por aproveitar todas as vantagens de um sistema mais sustentável.

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JOSE EDUARDO DA SILVA

JANAÚBA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 04/11/2007

A chave para a sustentabilidade das pastagens,está no zoneamento edafológico da fazenda, sem isto a sustentabilidade é zero. Com o manejo adequado, aproveitamento de 90% do dossel e descanso adequado, a longevidade dos pasto vai longe, e com isto a capacidade suporte pode até chegar a 3 cabeças por ha. Nas águas use somente 75% de seus pastos rotacionando-os, guarde os 25% de seu pasto remanescentes em forma de silagem e feno. Com isto você manterá a mesma capacidade suporte das águas na seca.
JOSÉ ROBERTO PUOLI

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 30/10/2007

Boa tarde Miguel, Patrícia e Marco antônio,

Faz uns dois anos escrevi um artigo para o BeefPoint entitulado "Desmistificando a Pecuária". Novamente, não quero ser chato e muito menos arrogante, mas a resposta para a nossa pecuária é simples, prática e extremamente eficaz. Discordo muito do Lacorte quando ele diz que o confinamento é "umas das chaves para a sustentabilidade das pastagens".

Duas coisas tem uma influência enorme na vida perene de uma pastagem. A primeira é fertilidade. Principalmente fósforo. Vamos esquecer as grandes quantidades de nitrogênio, para explodir lotações. Se ficarmos no básico e dermos um solo com pH razoável e fósforo para o capim ele só necessitará de manejo adequado. O qual é a segunda coisa que influencia a perenidade das pastagens.

Portanto, se tivéssemos uma recomendação simples, tantos kg de fósforo/ha para um local e um capim específico e o uso de pastejo rotacionado, pronto, está ai a maneira de perpetuar as pastagens. Depois, de fazer isto, sim, então, concordo com o Lacorte, se usarmos confinamento e abatermos toda a safra no segundo inverno, o sistema fica muito bem equacionado.

Pronto, é simples assim mesmo. Este tipo de pecuária tem uma eficiência enorme. Esta deveria ser a base para um sistema de produção brasileiro. Escuto muito blablablabla técnico sobre técnicas individuais, mas poucos são aqueles que as colocam como integrantes de um sistema de produção.

O meu sentimento é que existe muita gente pregando dificuldades para vender facilidades. Quando isto não é necessário. Nossa pecuária tem que ser embasada numa estrutura de pastagens sólida. De novo, para conseguirmos atender 85% desta solidez, precisamos de fósforo, calcário e manejo.

Abração
ARI JOSE FERNANDES LACORTE

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 23/10/2007

O artigo é muito bom!

Acho que uma das chaves para a sustentabilidade das pastagens é o confinamento. Especialmente nas fazendas que fazem o ciclo completo (cria, recria e engorda). Estas fazendas podem equilibrar melhor o custo final da arroba produzida (custo/kg de peso vivo produzido) pois costumam, quando eficientes, ter alta competitividade no custo do kg do bezerro produzido ao invés de comprado no mercado.

Desta forma um custo ligeiramente maior na engorda equilibra o custo final da arroba. E fazendo a terminação no confinamento o alívio na pressão de pastejo se torna uma ferramenta de grande valor no manejo anual das pastagens.
FLAVIO ALMEIDA

ILHÉUS - BAHIA - ESTUDANTE

EM 11/10/2007

Olá,

Tenho uma dúvida sobre como manejar uma pastagem recém implantada de braquiarão. Numa área de solo de boa fertilidade, bem drenado, chuvas fartas (+/-2000 mm), bem distribuídas durante o ano, qual seria o tempo a ser respeitado para que a planta atinja a maturidade ideal para pastejo?

Qual o melhor período para o plantio dessa forrageira? Qual seria a altura de saída dessa pastagem para que se alcançe o maior perfilhamento? A carga animal pode ser a mesma adotada para uma pastagem já formada?

Desde já agradeço.

<b>Resposta da autora:</b>

Prezado Flávio,

Uma pastagem formada de acordo com as recomendações técnicas pode ser pastejada pela primeira vez com cerca de 75 a 90 dias. O melhor período para a implantação de pastagens é aquele em que a ocorrência de chuvas é mais regular e as temperaturas mais elevadas. A carga animal deve ser
ajustada à disponibilidade de forragem no momento do pastejo, de forma que a massa de forragem após a saída dos animais seja por volta de 2000 a 2500 kg/ha de matéria seca.

Atenciosamente,

Patricia Santos
Embrapa Pecuária Sudeste
ELISEU GONÇALVES

CACHOEIRA DO SUL - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 06/10/2007

Gostei muito do artigo, mas para me deter mais sobre o modelo de produção animal em pastagens, que atenda o desafio do aumento de produtividade com sustentabilidade e também adoção de idéias de empreendedorismo e tecnificação da produção animal a pasto, entendo que esse sistema de produção animal seria o sistema de pastoreio racional voisin, por buscar justamente uma maior sustentabilidade, produtividade e preservação das espécies nativas.
VALTER HARRY BUMBIERIS JUNIOR

MARINGÁ - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 04/10/2007

Muito oportuno o artigo. Gostaria de parabenizar os autores pela escolha do tema. Atualmente estou realizando um estágio de doutorado (Zootecnia) na Centro de Pesquisa do Governo Frances (INRA) e realizo meus trabalhos no centro de forragens e meio ambiente, trabalhando com silagens de cereais em consórcio com leguminosas.

Por aqui o enfoque é justamente o citado no artigo. Tudo e todos se voltam a trabalhar pelos sistemas mais sustentáveis e com menor utilização de insumos, energia e principalmente água, valorizando cada vez mais os sistemas pastoris, apesar da resistência dos produtores franceses quanto a isso.

Espero que consigamos inserir o mais rápido possível em nossos sistemas de produção com tecnologias adequadas para preservação do ambiente e também que atendam as exigências de qualidade do mercado internacional, para não termos que ficar sempre carregando o fardo de produzirmos a custo da destruição do ambiente.

Novamente parabéns a equipe.
MilkPoint AgriPoint