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Diagnóstico de patologias reprodutivas por ultrassonografia

POR MARIA EMILIA FRANCO OLIVEIRA

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/01/2010

6 MIN DE LEITURA

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Como apresentado nos artigos publicados anteriormente, a ultrassonografia é uma técnica que permite a visibilidade em tempo real dos órgãos internos. Na reprodução animal apresenta vasta aplicação, abrangendo o diagnóstico de gestação, quantificação e sexagem fetal, acompanhamento da viabilidade gestacional, do desenvolvimento folicular e corpo lúteo e ainda, diagnóstico de patologias do trato reprodutivo feminino e masculino.

Alterações patológicas dos órgãos da reprodução são responsáveis por casos de infertilidade ou baixos índices de fertilidade em machos e fêmeas. O diagnóstico dessas alterações é muitas vezes inviável baseando-se unicamente nos sinais clínicos. Dessa forma, a ultrassonografia possibilita o diagnóstico por imagem das alterações dos órgãos da reprodução de forma dinâmica, pela reconstituição anatômica de forma de imagem bi-dimensional.

Têm-se observado aumento do uso dessa técnica diagnóstica no atendimento veterinário. Esse fato pode ser relacionado à grande evolução dos equipamentos ultrassonográficos, principalmente os portáteis que possibilitam seu uso na maioria das fazendas e ainda, o aprimoramento e maior capacitação dos médicos veterinários para realização deste diagnóstico.

O conhecimento dos parâmetros ultrassonográficos da normalidade da morfologia nos diferentes eventos biológicos possibilitam, ao médico veterinário, a identificação das alterações e por fim, o diagnóstico das patologias é considerado seguro e eficiente.

Patologias do trato reprodutivo feminino

Disfunções ovarianas

A ultrassonografia desempenha uma importante função no auxilio do diagnóstico de algumas alterações fisiológicas da atividade ovariana, entre as quais podemos destacar:

Cisto Folicular: Os cistos foliculares são estruturas cavitárias dos ovários contendo líquido seroso no interior da cavidade do folículo. Ao exame ultrassonográfico, é identificado como uma estrutura redonda, anecóica e com parede final. A causa fundamental dessa disfunção ovariana é endócrina, quando o folículo apesar de maduro não ovula (folículo anovulatório) e tem uma permanência mínima de 10 dias, sem ter sofrido luteinização ou formado um corpo lúteo. Essa alteração está associada a inúmeros sintomas clínicos, como alterações do ciclo estral (ex: anestro e cios irregulares) e modificações do comportamento (ex.: ninfomania)

Cisto Luteínico: Resulta de um folículo anovulatório que persiste por um longo período e apresenta luteinização das células da camada da teca interna. Sua causa também é endócrina. Apresenta como sintomas, ciclos anovulatórios, havendo dificuldade de realizar o diagnóstico baseando apenas no exame físico. A ultrassonografia tem permitido a evidenciação e diferenciação dessa disfunção com os cistos foliculares, quando no cisto luteínico observa-se espessamento da parede do folículo com aparência hipoecóica, característico de tecido luteinizado.

Disfunção do Corpo lúteo: Alterações como persistência do corpo lúteo ou regressão prematura do corpo lúteo são associadas a não liberação ou liberação em período anormal de prostaglandina. Nestas disfunções, a duração da vida da glândula luteal é que se altera e em alguns casos observar-se, no exame ultrassonográfico, alteração da ecogenicidade da parênquima luteal. Ainda, é possível avaliar a funcionalidade do corpo lúteo pela mensuração do parênquima luteal e sua ecogenicidade.

Patologias uterinas

Endometrite e Piometra: As principais enfermidades inflamatórias de origem infecciosa do útero são as endometrites e piometras, geralmente associadas a partos distócicos. Nos casos de piometras, observa-se longo período de anestro, com a cérvix fechada havendo, em conseqüência, acúmulo de exsudato na cavidade uterina. Nas endometrites, a quantidade de fluido é menor, devido à cérvix geralmente estar aberta, havendo extravasamento de catarro genital. O diagnóstico dessas alterações é facilitado pela avaliação ultrassonográfica, quando revela-se útero dilatado preenchido com fluido com ecogenicidade heterogenia, apresentando áreas anecóicas e outras hipo ou hiperecóicas, no caso de piometra e conteúdo unicamente anecóico, nos casos de endometrites.

Hidrometra/Mucometra: São distúrbios da reprodução que apresentam condições patológicas similares e causa multifatorial. O conteúdo do útero, nessas condições, varia de massas semi-sólidas (mucometra) até líquidos serosos (hidrometra), respectivamente. A maior evidencia da muco/hidrometra é a ocorrência de anestro, que frequentemente é diagnosticada, erroneamente, como prenhez. A ultrassonografia é considerada método diagnóstico complementar ao exame físico, sendo fundamental diferenciar de gestação e de alterações como maceração e mumificação. Na imagem ultrassonográfica, o conteúdo uterino varia sua ecogenicidade de acordo com sua densidade.

A pseudo-gestação é caracterizada por distúrbio hormonal e sua ocorrência em cabras é considerada freqüente. As manifestações clínicas se caracterizam por distensão abdominal, devido à intensa secreção das glândulas endometriais, originando como complicação, a hidrometra/mucometra.

Mortalidade embrionária e fetal

Têm sido consideradas como as mais frequentes patologias da reprodução que causam subfertilidade e infertilidade das fêmeas domésticas. Fatores maternos, externos e ligados ao próprio embrião ou ao feto podem ocasionar sua morte. O diagnóstico da mortalidade embrionária precoce é muito difícil, pois esta pode ocorrer desde a fecundação, transporte, desenvolvimento das membranas fetais e reconhecimento materno da prenhez. Entretanto, nos casos mais tardios é possível quando há o diagnóstico precoce da prenhez. Indica-se fazer o diagnóstico confirmatório da prenhez após o período crítico da prenhez que varia de acordo com a espécie, para que possa determinar, com exatidão, o índice de mortalidade embrionária/fetal e viabilidade da prenhez. Após a mortalidade fetal há o abortamento, maceração ou mumificação fetal.

Maceração fetal: Caracteriza-se pela morte do feto com decomposição e destruição de seus tecidos moles que são gradativamente absorvidos ou expelidos com o fluxo uterino, podendo em alguns casos, haver a permanência das partes duras do feto. A maceração fetal é causada por infecção bacteriana. No exame ultrassonográfico, o diagnóstico pode ser confirmado pela: ecogenicidade aumentada do fluido vesicular, resultante provavelmente da presença de células em decorrência da decomposição do feto e envoltórios e; perda da conformação do feto.

Mumificação: Caracteriza-se pela morte e involução do feto, procurando o organismo reabsorvê-lo, sem a expulsão da cavidade uterina. A utilização da ultrassonografia é de grande valia para o diagnóstico, principalmente em pequenos ruminantes. O diagnóstico pode ser revelado por observar ausência de líquidos fetais e placentomas, presença de uma massa amorfa e calcificada (hiperecóica) do feto.

Além das patologias descritas anteriormente, o diagnóstico de outras pode ser facilitado pela avaliação ultrassonográfica como, ocorrências de alterações morfológicas, intersexos, aderências, acompanhamento do puerpério (involução uterina), desenvolvimento dos órgãos internos na puberdade (útero infantil), entre outras.

Patologias do trato reprodutivo masculino

Nos machos, a ultrassonografia tem sido usada com sucesso na avaliação do testículo e glândulas sexuais acessórias, podendo ser diagnosticado processos de calcificação e degeneração, em destaque nesse artigo. Ainda, a avaliação da morfologia e a mensuração de suas estruturas, como testículos e epidídimo, permite o acompanhamento do desenvolvimento ponderal do animal, as quais são positivamente relacionadas ao desempenho reprodutivo. Dessa forma, essa ferramenta tem mostrado grande valor no diagnóstico de infertilidade em macho, sem apresentam nenhum efeito sobre a capacidade reprodutiva (características de sêmen, dimensões e consistência testicular) do macho.

Os processos de degeneração testicular podem ser frequentes em ovinos e caprinos. Nesses casos, o exame ultrassonográfico pode mostrar uma imagem heterogênea com muitas áreas anecóicas distribuídas no parênquima testicular. Enquanto nos processos de calcificação são observadas, pontos ou linhas hiperecóicas no parênquima do órgão.

Considerações Finais

Contudo, a ultrassonografia permite avaliar as variações ecográficas dos órgãos e tecidos do trato genital permitindo observar alterações da constituição das referidas estruturas. O diagnóstico precoce de alterações patológicas da reprodução pela ultrassonografia permite o aprimoramento do manejo reprodutivo e a racionalização da produtividade. visto que tratamentos específicos podem ser indicados ao início dos quadros patológicos, evitando complicações que podem ser irreversíveis, ou ainda, o descarte de animais que o tratamento é inviável, evitando gastos desnecessários no sistema produtivo.

O controle da reprodução é uma atividade habitual para os médicos veterinários donde não apenas é necessário o conhecimento das biotécnicas de intensificação reprodutiva, mas também o entendimento da fisiologia e patologias reprodutivas de modo a intensificar sua eficiência.

Referências Bibliográficas

CRUZ, J.F.; FREITAS, V.J.F. A ultra-sonografia em tempo real na reprodução de caprinos. Ciência Animal, 11 (1): 53-61, 2001.

MOURA, J.C.A.; MERKT, H. A ultra-sonografia na Reprodução Eqüina. 2ª edição. Salvador: Editora Universitária Americana, 162p., 1996.

GRUNERT, E.; BIRGEL, E. H.; VALE, W. G. Patologia e Clínica da Reprodução dos Animais Mamíferos Domésticos - Ginecologia. 1ª Edição. São Paulo: Livraria Varela. 551p., 2005.

MARIA EMILIA FRANCO OLIVEIRA

www.mariaemilia.vet.br

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CARMEN SILVIA DE SOUZA CORREA

GARÇA - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 02/05/2013

me ajudou muito, em um trabalho de revisão.

grata
RAIMUNDO EVANDRO FONSECA

ZÉ DOCA - MARANHÃO

EM 08/03/2013

muito boa essa matéria...
FERNANDO DE L. AMORIM

MAGÉ - RIO DE JANEIRO - ESTUDANTE

EM 18/11/2011

Muito bom , estou no sétimo periodo e quero me especializar ultra. Aceito artigos sobre o assunto.
ADEVOLMIR LIMA DA SILVA

LAGES - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 11/02/2010

tenho interesse em realizar um curso de ultrassonografia em ovinos, gostaria de saber se a faculdade oferece este tipo de curso.obrigado
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