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Comportamento materno de ovinos - Parte II

POR SIMONE FERNANDES

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/03/2010

4 MIN DE LEITURA

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No dia 04/02 foi publicado a 1ª parte do artigo sobre Comportamento Materno de Ovinos - Parte I que abordou temas como comportamento da ovelha ao pré parto e desenvolvimento do cuidado materno. Nessa segunda parte, abordaremos temas como amamentação, desmame, medo e comportamento materno e raça e comportamento materno.

Amamentação

No início da lactação, os cordeiros mamam pouca quantidade várias vezes ao dia e depois com 1 a 2 semanas de idade, diminuem a frequência e aumentam a duração da mamada.

A amamentação pode possuir uma forte propriedade no estabelecimento do vínculo mãe e filho, mas não manteve a relação entre eles, conforme observou Nowak (1995), quando cordeiros que foram impedidos de mamar até 6 horas após o nascimento e também até os 3 dias de idade, conseguiram discriminar suas mães de ovelhas estranhas.

Gonzalez & Goddard (1998), forneceram colostro extra para cada 1 dos pares de 18 cordeiros gêmeos Scottish Blackface, com o objetivo de avaliar se isso afetaria o comportamento entre mãe e filho. Obtiveram que cordeiros que receberam colostro extra foram menos ativos, gastaram mais tempo deitados, vocalizaram menos e receberam menor atenção de suas mães, havendo uma queda do desempenho comportamental e consequentemente uma diminuição da interação de sucesso entre mãe e filho.


Desmame

O desmame combina dois fatores que podem ser agentes potenciais de estresse:

1) separação física da mãe e do cordeiro;

2) modificação do hábito alimentar dos cordeiros.

Orgeur et al. (1998), compararam dois diferentes métodos de desmama: progressiva, com separação diária a partir de 3,5 semanas de idade até a definitiva aos 3 meses; e súbita aos 3 meses de idade, e verificaram que o método de desmama progressiva indicou uma maior situação de estresse, pela separação diária repetida, do que os desmamados subitamente.

A separação precoce dos cordeiros de suas mães afeta a resposta imune e o desempenho dos cordeiros, proporcionando possíveis consequências como redução da habilidade de enfrentar estresse emocional e nutricional (Napolitano et al. 1995).

Ao comparar três idades diferentes de desmama (2, 15 e 28 dias de idade) em cordeiros da raça Comisana, quanto aos níveis de cortisol e desempenho produtivo, Napolitano et al. (1995) obtiveram um menor desempenho para aqueles separados aos 15 dias de idade (37g/dia), do que aos 2 e 28 dias de idade (107,1 e 120 g/dia respectivamente). Os níveis de cortisol aumentaram com a separação aos 15 dias de idade, não diferindo nas outras estudadas.

Resultados de Sevi et al (2003) sugerem que a separação gradual dos cordeiros das ovelhas, pode não ser uma estratégia apropriada para fornecer bem estar na produção de cordeiros recriados artificialmente. Nesse experimento, a separação gradual (eram separados durante o dia e reencontravam-se a noite) induziu a distúrbios comportamentais (maior tempo para se mover quando expostos a um brinquedo), endocrinológicos ( taxa mais alta de cortisol no teste de isolamento), resposta imune menor, e pior taxa de crescimento.

Medo e comportamento materno

Segundo Viérin & Bouisson (2002), criadores de ovinos relatam que ovelhas adultas são mais manejáveis que as jovens, e essas reações de medo diminuem depois da primeira parição. Os mesmos autores (2002), submeteram ovelhas da raça Ile de France nulíparas, primíparas e multíparas, a testes de situações de medo e verificaram que as ovelhas multíparas foram menos medrosas que as nulíparas, e estas tiveram mais medo que as primíparas. Seus resultados sugerem que reações de medo, como o isolamento do rebanho ou a novidade representada pelo neonato, podem prejudicar o comportamento materno.

Embora, o enriquecimento do ambiente durante o início da vida pode algumas vezes ser capaz de reduzir reações emocionais nos cordeiros, o forte laço entre mãe e filho é muito mais importante para minimizar esse impacto, conforme observou Vandenheede(1995). Seus resultados revelaram que para as ovelhas, as reações de medo foram reduzidas naquelas submetidas ao ambiente enriquecido.

Raça e comportamento materno

Alguns estudos tem demonstrado diferenças entre raças e comportamento de ovelhas paridas, como o tempo gasto no local do nascimento duração do comportamento pré-parto e do tempo dispendido a assistência requerida.

Dwyer & Lawrence (1998), observaram efeitos de genótipo em ovelhas primíparas, e verificaram que as ovelhas Scottish Blackface dispenderam mais tempo para cuidar de seus cordeiros após o parto(81% dos seus primeiros 30´), que as ovelhas Suffolk (47%); comportamento também válido para atenções de requerimentos às mamadas (19,49% para Scottish e 1,92% para Suffolk), consequentemente maior mortalidade para cordeiros Suffolk (8,4%)no período pós natal que cordeiros Scottish (1,1%), sendo que os pesos dos cordeiros em qualquer idade tomada não diferiram entre os genótipos.

Referências bibliográficas


DWYER, C.M.; LAWRENCE, A.B. Variability in the expression of maternal behaviour in primaparous sheep: Effects of genotype and litter size. Applied Animal Behaviour Science, v.58, p.311- 330, 1998.

GONZALEZ, G.S.; GODDARD, P.J. The provision of supplementary colostrum to newborn lambs: effects on post- natal lamb and ewe behaviour. Applied Animal Behaviour Science, v.61, p. 41- 50, 1998.

NAPOLITANO, F., MARINO, V., DE ROSA, G. Influence of artificial rearing on behavioral and immune response of lambs. Applied Animal Behaviour Science, v.45, p.245- 253, 1995.

NOWAK, R. Lambs ´attachment to their mother: importance of the first sucking bouts. Applied Animal Behaviour Science, v.44, p.273, 1995.

ORGEUR, P., MAVRIC, N. et al. Artificial weaning in sheep: consequences on behavioral, hormonal and immunopathological indicators of welfare. Applied Animal Behaviour Science, v.58, p.87- 103, 1998.

SEVI, A., CAROPRESE, M., ANNICHIARICO, G. et a l. The effect of agradual separation from the mother on later behavioral, immune and endocrine alterations in artificially reared lambs. Applied Animal Behaviour Science, v.83, p. 41- 53, 2003.

VANDENHEEDE, M., BOIUSSOU, M.F. Effects of an enriched environment on subsequent fear reactions of lambs and their mothers. Applied Animal Behaviour Science, v.44, p.279(Abstract), 1995.

VIÉRIN, M., BOUISSON, M.F. Influence of maternal experience on fear reactions in ewes. Applied Animal Behaviour Science, v.75, p.307- 315, 2002.

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SIMONE FERNANDES

BOTUCATU - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 15/03/2010

Prezado Carlos Otávio,
A amamentação controlada é uma opção de manejo, onde apenas as mães pastejam durante o dia, e os cordeiros ficam presos, e o encontro ocorre apenas no final do dia, permanecendo juntos durante a noite.
Esse manejo é eficiente, principalmente em situações onde as pastagens são de Brachiaria decumbens, e podem causar fotoossensibilização nos filhote; como também em propriedades onde existe o problema da verminose, e nesse caso os cordeiros não teriam acesso às larvas na pastagem.
A idade de desmama pode ser a mesma de outros sistemas de manejo (precoce aos 45 dias ou 60 dias), e o mais importante é que a partir dos 10 dias de idade, o cordeiro tenha acesso a alimentação no cocho, enquanto separado da mãe, durante o dia. A orientação é de concentrado a partir de 10 dias de idade e a partir de 30 dias, pode-se oferecer volumoso também.
Isso facilitará a desmama, pois ele já saberá alimentar-se com sólidos e evitará também que se perca peso, uma vez que só será amamentado durante a noite.
essa é fase de melhor crescimento do animal (até 5 meses de idade, quando iniciará apuberdade) e a alimentação é importantíssima.
Dependendo do genótipo utilizado e da qualidade da alimentação, muitos cordeiros poderão ser desmamados, pronto para o abate.
É um opção de manejo eficiente sim; quanto ao comportamento, os cordeiros condicionam-se ao horário da amamentação.
Determinadas propriedades ainda estabelecem dois horários de amamentação quando os cordeiros ainda são muito novinhos: no horário mais quente do dia, quando as mães procuram sombra para descansar um pouco do pastejo, e a noite.
Atenciosamente
Simone Fernandes
CARLOS OTAVIO LACERDA

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/03/2010

Simone, seu artigo nos leva crer que a mama controlada, ou seja separar os filhos durante o dia e colocá-los junto com as mães a noite pode prejudicar o desenvolvimento dos cordeiros. Meu entendimento está correto?
SIMONE FERNANDES

BOTUCATU - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 05/03/2010

Prezado Carlito Nóbrega
Não acredito no resultado desse método.
A desmama dever ser feita de acordo com a idade, 45 dias quando precoce ou 60 dias se não houver problemas de infestação por verminose.
Ela deve ser abrupta, para cortar o vínculo afetivo de uma única vez. Para diminuir o estresse desses primeiros dias, que é inevitável, recomenda-se colocar algumas ovelhas adultas vazias ou que ainda não entraram em reprodução, junto ao lote dos cordeiros, para que eles não se sintam tão inseguros.
Atenciosamente
Simone Fernandes
CARLITO NÓBREGA

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 04/03/2010

Olá Simone, interessante artigo. Uma vez eu li que se separarmos inicialmente 1/3 dos cordeiros de suas mães, depois de uma semana mais 1/3 e depois de outra 1/3, o estresse deles reduz bastante. Você conhece esse método? Acredita que traga resultados?
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